segunda-feira, dezembro 10, 2007

Eu deveria estar em cima de alguma coisa, devia sim. Devia estar em cima de alguma coisa. Eu devia estar em cima de alguma coisa. Eu devia sim, eu devia sim, eu devia. Eu devia estar em cima, em cima de alguma coisa, eu devia? eu devia estar em cima de alguma. Em coisa alguma eu devia estar em cima de alguma coisa eu devia. Eu devia. Eu devia. Eu devia. Devia. Eu devia. deveria estar em cima de alguma coisa. Deveria estar em cima. cima de alguma coisa. Em cima deveria de. Eu devia estar em cima de alguma coisa. Deveria. Devia. Deveria. Devia. Deveria. Devia. Estar em cima de alguma coisa. Eu deveria estar em cima de alguma coisa. Eu deveria estar em cima de alguma coisa? Eu deveria estar em cima de alguma coisa? Eu deveria estar em cima de alguma coisa. Eu deveria eu devia em cima estar em cima estar de alguma coisa de alguma coisa. Eu devia. Eu deveria estar em cima de alguma coisa. Eu deveria estar em cima. Eu deveria alguma coisa. Eu devia alguma coisa estar em cima eu deveria eu devia estar em cima de coisa alguma coisa alguma devia. Eu deveria coisa alguma. Eu devia estar em cima de alguma coisa.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Falta de Energia

é muito estranho acabar a força em são paulo. quando digo acabar a força quero dizer acabar a energia eletrica. hoje foi a primeira vez que isso aconteceu de verdade (creio que já ocorreram outras vezes, mas nunca de noite, e é de noite que a falta de energia vira realmente falta)

então... hoje acabou a energia. e fiquei quase 1 hora a luz de velas. isso me fez lembrar das mil vezes que fiquei assim em salé...

Em salesópolis, se um cachorro mijasse no posto com um pouco mais de força, a energia acabava na cidade inteira. Sério. Em media a força acabava quase que duas vezes por mês. algumas vezes de dia, outras vezes de noite. A queda de energia durava de uma a até 12 horas. um horror.

Eu costumava ficar muito entediado quando isso acontecia. Acho que a minha mais antiga lembrança de queda de força foi no dia de nascimento de minha irmã mais nova, a Mariana. A luz tinha acabado, estavamos Marina e eu dormindo no quarto na minha antiga casa quando meu pai entra no quarto (creio que tinhamos acabado de ir dormir) e me pede pra que eu tomasse conta da Marina porque a mãe ia dar a luz. E quando a Mariana nasceu, a luz voltou. místico.

Normalmente, por causa da falta de videogame que a não-luz trazia, eu me isolava em algum ponto solitario da casa e ficava esperando. normamente esse ponto era escuro e, quando chovia, eu ficava tentando controlar a força da chuva com meus "poderes da mente" pra que assim a força voltasse. só uma vez deu certo.

Tinha as vezes em que iamos jantar a luz de velas com a Claudia por causa da falta de força. Era divertido e chato. na verdade era igual a qualquer outro jantar.

No instante em que a força acabava dava pra ouvir as pessoas do Olga que estudam a noite gritando - AAHHHHHHHHHEEEEEEEEEE!!! - Depois de alguns problemas a Prof. Massuko (Bruxa) leva sempre um isqueiro pras aulas de noite.

Mas sem duvida nenhuma o mais legal de quando acabava a força era ver as estrelas, que ficavam realmente incrivelmente totalmente brilhantes. Eu chegava até a ver os satelites passando rapido e, em algumas e especificas noites, supostos "discos voadores". Esse surtinho de paranoia ufológica durou uns quatro anos só. Mas foi bastante divertido. E me lembro, mais velho, quando a força acaba e ficavamos todos nós da rua conversando e falando sobre o nada, o Charles falando que com certeza a falta dos televisores ligados de salé daria diferença nos numeros do ibope (ah! no maximo 10 mil televisores não dá pra nada! Creio que ser caipira e não ter noção de quantidade é aceitavel quando não se viu na vida nada com mais de 20 mil hab., pobre Charles)

Quando minha mãe ou meu pai estavam em casa com a queda de força costumavamos brincar de jogos estupidos-porem-otimos-pra-situação. Na praia uma vez ficamos brincando de passa-anel por quase 3 horas. E em salé ficamos usando a luz da vela pra fazer sombras gigantes que pegavam as pessoas. divertido. E quando um carro subia o morro onde fica minha casa e, com as luzes do farol iluminava tudo, eu sonhava por poucos instantes que a luz tinha voltado e que poderia parar de fingir que me divertia e poderia voltar pras coisas legais, pro videogame. Mas não posso negar que me divertia muito quando a força voltava.

Ficava entendiado, mas ainda sim me divertia.

terça-feira, novembro 13, 2007

A Rejeição do Amor

9 entre 9 postagens do mundo dos blogs gira em torno do amor, do sexo e da inconcluencia entre os dois. E numa "coisablog" onde a lembrança é o alvo maior creio que não posso deixar de continuar vendo a minha vida amorosa pela ótica das lembranças:


Nunca havia rejeitado garotas.

é certo que nunca tive Muitas garotas na minha vida, na verdade tive bem menos do que queria e bem mais do que merecia. Mas ainda sim, aquelas pouco mais de duas dezenas de meninas que por ventura cairam no meu colo (metaforicamente) nunca tiveram que experimentar o gosto amargo da rejeição.

hum... mentira! eu terminei com minha primeira namorada. então teoricamete eu a rejeitei, mas como não foi uma rejeição imediata (como sempre acontece com as mil tentativas de amor todos os dias) eu vou desconsiderar essa. E alias, esse "fora" que dei na pobre Amanda não foi realmente um fora, foi um "dar um tempo (por um bom tempo)". É claro que, quando ela percebeu que nunca mais as coisas iam rolar como antes, tentou me perseguir e ficava olhando pra mim o dia todo na aula.

Meu deus! Eu dei um fora nela! E deve ter sido horrivel! Sou um estupido mesmo, nunca tinha percebido o quanto tinha sido horrivel pra pobre menina, eu fiz a acreditar que tudo era otimo e depois a joguei fora como um papel velho. E ela ainda tentou me amar, mesmo eu saindo com outras meninas e flertando com a garota-magrela da sala que nem lembro mais o nome (outro dia ela tentou conversar comigo no onibus enquanto eu voltava pra salé, não a reconheci. Ela era realmente MUITO magra, anorexica, se pá)

Agora eu entendo porque a pobre Amanda virou mulher de pastor evangélico.

Mas tirando a pobre Amanda, que Deus a tenha, eu nunca rejeitei uma menina. Jamais! Sempre vi no menor dos casos uma incrivel possibilidade de coisa-legal...

Outra Mentira! Eu rejeitei uma menina sim! na época eu nem estudava mais na Escola (Olga) mas ia pra lá quase sempre. E lembro que acabei sendo vocalista de uma banda de amigos (Fator X) e fiz um show mediocre numa festa da escola. Foi horrivel mas as meninas gostaram, eu ficava meio que causando e surtando no palco como o Johnny Rotten, elas gostaram.
E alguns dias depois o Creyton (acho) me apresentou uma menina que, segundo ele, estava doida por mim. Mas eu quase que a ignorei e continuei falando com o Creyton e com o Pedal. Pobre menina, deve ter se sentido a pior coisa do mundo. Eu sou um escroto mesmo

E teve aquela vez em que eu rejeitei um convite de sexo com a... menina-cujo-nome-eu-não-lembro
mas-que-ficava-falando-de-sexo-anal-o-tempo-todo
e-que-traia-o-namorado.
hoje ela tem um filho. e esta semi acabada. E eu rejeitei um classico "vamos, te quiero com limão" creio que só fiz isso porque estava com a Lilian. E sinceramente, acho que nesse caso não fui nem um pouco escroto.

hum... acho que essas foram as unicas meninas que eu rejeitei. E pode-se notar que essas rejeições não foram tão horriveis assim, talvez exceto pelo caso da Amanda nenhuma delas tenha sofrido mais que alguns dias, no maximo semanas.

Mas nos ultimos dias eu rejeitei uma amiga minha. Ela estava se apaixonando pela ideia de me amar (é isso que quero pensar) ficamos algumas vezes e eu SEMPRE falei pra boba que não estou com a menor vontade (ou mood) de gostar de alguem. Eu ainda nem estou me sentindo bem comigo mesmo, não posso relevar toda a minha existencia para uma unica pessoa.

E ela não entendeu. e ficou me mandando depoimento no orkuti falando que me ama (nas entrelinhas) e que quer conversar isso de verdade comigo. O mais triste é que tive que ser sincero DEMAIS pra conter esse pequeno surto de paixonite-que-não-daria-em-nada.

triste. triste e verdade até onde consigo me lembrar (e quero contar)

quarta-feira, outubro 31, 2007

A vez que mijei na cama na casa de minha madrinha

Desde pequeno eu fui acostumado a viajar muito. Ia pra praia quase todo final de semana prolongado, ia pra sampaulo nos finais de ano. Já fui até pro Paraguay quando tinha 7 anos. Mas na época entre 9 e 12 anos um destino de ferias era o meu preferido sem duvida nenhuma. A casa de minha madrinha.

Minha madrinha Bete, irmã de meu pai, morava em Mogi das Cruzes (do lado de salé mas com 200 mil pessoas) tem dois filhos, Caio e Kadu (Kadu é apelido-praticamente-nome) e eu posso afirmar sem duvida nenhuma que esses dois primos foram as pessoas que, na minha infancia, mais me influenciaram. De uma certa forma, o Caio e o Kadu foram as pessoas que mais me ensinaram a ser o que sou hoje (incluindo no quesito musica, sexo e videogame)

E na época de ferias eu ia pra casa deles passar um mês, dois no maximo. E devo dizer que essa foi uma época incrivel, eu jogava futebol com meus primos, nadava na piscina (eles moravam num condominio. Só fui compreender o que era um condominio sete anos depois) comia boa comida, era bem tratado e, principalmente, jogava MUITO Mega Driver. Eu, um garoto do interior que vivia isolado do mundo, quando ia pra casa de minha madrinha
eu chegava a alugar tres fitas de video game a cada tres dias. Um exagero de diversão.

Tudo muito divertido. Tudo muito lindo maravilhoso criador de boas lembranças mas, como sempre, desde pequeno eu costumava fazer merdas nos momentos mais felizes. E foi isso o que aconteceu. Parei de mijar na cama aos sete anos de idade, antes disso tinha minha sagrada cota diaria de xixi na cama. Nunca parei pra pensar quais eram as minhas angustias e medos que me faziam ter esse tipo de problema mas provavelmente deve ser o mesmo tipo de angustia que tenho hoje em dia, só que mais original. E um certo dia eu acordo na casa de minha tia as 8 da manhã. Meus primos dormiam até tarde porque costumavam sair pra beber e fazer tudo aquilo que eu, na idade deles nunca fiz (mas que hoje faço, de uma certa forma, pior) mas eu acordava cedo pra ficar jogando. Tinha que aproveitar o maximo os dias de alegria.

Sonhei naquele dia com o Shun dos Cavaleiros do Zodiaco. Era moda naquela época esse desenho. Cavaleiros e Ioio da Coca-cola. Sonhei que eu ficava gritando como o Shun pro Ikki (irmão do shun) os motivo eu não lembro, mas ficava gritando e chorando e tendo pequenos momentos de tristeza. Foi quando acordei e percebi que algo mais estava errado alem do sonho. A cama estava molhada. Molhadissima. Molhadissississima! Completamente Encharcada!

Ouvindo o ronco alto de meu primo Caio, percebi que estava fodido. A vergonha de ser taxado de criancinha e bebê (mesmo que, naquela época eu fosse mesmo um bebê) me fez ficar blasfemando contra tudo e contra todos das 8 e alguma coisa da manhã até as 11. Só fui acordar porque percebi que, se o Caio acordasse antes de mim poderia zuar com minha cara e pular na cama, pra acordar (ele já tinha feito isso na época, era uma especie de vingança porque meu pai tinha o costume de fazer a mesma coisa com ele) e se ele pulasse na cama molhada a merda seria mil vezes pior. Então resolvi acordar e torcer pra que a minha madrinha não percebsse que tinha feito merda. Corri pro banheiro e tentei me secar mas a risada dela ecoando quando foi pro quarto guardar o colchão que dormia fez com que eu morresse de vergonha.

Mas é claro, a 1 hora da tarde já tinha tomado banho, jogado um bocado de video game com o Guilherme (meu outro primo, esse da minha idade e de Salé tambem, e que tambem tinha uma Tia que morava no mesmo condominio à poucos metros de distancia da casa de minha madrinha) e esquecido completamente dessa coisa. Na verdade, só fui me lembrar disso hoje.

Um brinde ao meu mijo.

domingo, outubro 21, 2007

A primeira garota por quem me apaixonei

eu tinha oito anos, estava na segunda serie do Olga. ia pruma viagem com a escola cujo destino era o zoológico de Sampa, minha mãe ia junto. (ela era a professora da 1 serie, até me deu aula)

Eu tinha nessa época um pequeno grupinho de amigos, todos garotos, e logo no inicio da viagem percebi que uma menina estava sentada no fundo do onibus, com sua amiga olhando o tempo todo pra janela.

Meu Deus, essa menina era linda!


tá certo, ela provavelmente não era tãão linda assim, mas nos meus oito anos nunca tinha visto coisa mais bela. Tinha um corpo moreno, cabelos longos e meio cor de mel e um olhar languido bem bonito. é isso o maximo que lembro dela sem ter influencias dos anos posteriores, quando cheguei a estudar com ela.

E é claro que, como o pequeno-estranho que era/sou, resolvi que precisava chamar a atenção dessa menina, tinha que de alguma forma ela me notasse dentre todos os outros.

Mesmo tendo só oito anos estava realmente amando essa menina, amando tanto que nos anos posteriores ela seria nomeada como o meu "amor-verdadeiro", e é claro que isso faria com que todos esses amigos descritos ali atras me chacotassem muito.

Eu precisava conversar com ela, precisava que ela me olhasse, precisava de atenção. Precisava ter aquela menina (pra que eu não sei. Mesmo já sabendo o que era sexo não tinha a menor noção de como as coisas entre homens&mulheres funcionava) E a minha primeira ideia foi, como sempre, fazer alguma coisa pra que ela risse. Rir sempre foi uma optima escolha e eu nunca tive muito senso de ridiculo para comigo mesmo.
E o que fiz foi bem simples, peguei um pequena porção de chicletes Ploc sabor hortelã e comecei a mascar, jogava fora logo em seguida os chicletes, pegava as figurinhas/tatuagens que vinham com as mesmas e, na frente da menina bonita comecei a tatuar meu proprio nariz.

Ela achou engraçado, devo dizer. Ela e a amiga dela. uns dez anos no futuro essa menina amiga da menina bonita ia acabar dando em cima de mim na escola. nada muito sério, ela só ia dizer que meus olhos contra a luz eram bonitos. e ia me lembrar da tatuagem no nariz no zoo. engraçado e bizarro, segundo ela eu não tinha mudado nada. Mas a menina linda não lembrou de nada do que fiz.

No mesmo dia eu comecei a "perseguir obsessivamente" a menina no zoo. nada maniaco homicida ou que ela percebesse, eu só tentava estar sempre no local onde ela estava. e na hora do almoço na lanchonete do zoo tive que escolher entre ficar com minha mãe e o lanche pago ou ir atras da menina. acabei indo atras da menina e fiquei o dia inteiro sem comer.


e a menina, cujo nome era Karina, nunca mais me notou. E eu acabei desgostando dela uns sete anos mais tarde, quando ela afirmou numa conversa que eu estava ouvindo secretamente que o namorado brigava sempre com ela, mas que dava duas horas eles voltavam (com todas as belezas e prazeres que isso pode acarretar)

é. engraçado.

domingo, outubro 07, 2007

Exagero

Dizem que o exagero é fundamental. Eu não sei, com certeza ele me dá muita dor de cabeça (e provavelmente ira continuar dando até o fim da viagem) mas pelo menos não fiquei com tanto medo de me usar como cobaia de experimentos. Foi divertido, mas não sei se exagerar e brincar com a sanidade me faz ficar feliz ainda. Acho que não. Mas amanhã (ou depois de amanhã) quando a ressaca de acido acabar provavelmente vou querer de novo exagerar em tudo. E brincar de ser cobaia de experimentos de novo. E provavelmente morrer tentando parecer um pouco menos medroso que sou.

grande merda de post. isso é que dá escrever chapado enquanto o peiotte e o lulu não chegam com a comida

terça-feira, outubro 02, 2007

Meu Falecido Primo Elias

Meu primo Elias morreu a quase dois anos. Só fui perceber realmente agora nesse instante. Estou ouvindo Elliott Smith e percebi que ele até agora não me fez nenhuma falta. E isso doeu bem mais que o dia em que soube que seu carro tinha, desastrosamente, capotado.

Engraçado como carros sempre fazem a diferença.

Alias, lembrando agora de Elias poucas memorias vem. Estranho. Não sei se esqueci tudo isso ou se ele realmente não fez tanta diferença assim. (é incrivel como o fato de eu talvez saber que ele não foi nada pra mim me doi muito)

Tenho poucas memorias dele. Nem umas dez, acho. todas elas vem da época em que eu morava na minha segunda casa, ele era quase um vizinho meu (vizinho é exagero, ele morava perto, uns duzentos metros e dois bairros perto. Hoje isso é perto, mas nos meus 6 anos isso era longe pra porra. Por sorte nunca tive receios com distancias)

A mais antiga, creio eu, é da festa de aniversário mais divertida da minha vida. Devia ter 5 ou 4 anos e todos os meus primos compareceram (incluindo Caio e kadu) foi extremamente legal porque naquela época (e agora) eu adorava a liga da justiça. E lembro de ter brincado de liga com todo mundo (eram umas vinte crianças de no maximo 10 anos) Eu era o Flash. Elias, se não me engano, era aquele cara de fogo com uma cabeleira vermelha (mancha solar, acho)

Depois vem uma memoria dos 6 anos. Ele em casa, brincando de carrinho comigo (ironico) acho que eu tinha um caminhãozinho tanque ou de bombeiro e ele tinha um de F1. E me lembro de que ele me chamava de "Maroca Pipoca" nessa época.

Logo depois comecei a frequentar muito a casa de Elias. Lembro de dormir no quarto dele e de assistir a novela "TIETA" (que ele adorava). Lembro de sair com ele e com a irmã dele procurando pedras bonitas (a irmã dele colecionava, acho) Lembro tambem dessa época que provavelmente entramos numa encrenca e algum muleque tacou uma pedra na minha cabeça. "Vi estrelas de verdade!" foi o que disse pra ele e pra minha tia quando acordei.

Lembro que foi com ele e com o Caio (seu irmão, não o do Kadu) que eu, pela primeira vez, fui na minha casa definitiva. Lembro que ele brincou na borda da ponte e quase caiu (provavelmente não, mas é assim que me lembro) e que ele falou que minha casa era quase 1 Km de distancia da dele. demorei muito tempo pra descobrir quanto é um quilometro.

Depois, acho, sua presença foi ficando cada vez menos frequente. Lembro que durante algumas semanas ele começou a aparecer em casa muito, lá pelos meus 9 ou 10 anos. Eu tinha um Master System (ele um Atari. E jogavamos muito Enduro na época que ia dormir na casa dele) lembro que jogavamos Papper Boy de Master a tarde inteira. E um final de semana descobri que ele ia pra casa porque queria que meu cão, o Bidu, cruzasse com a cadela dele, cujo nome eu ignoro. Não sei se ela cruzou ou não, mas não me lembro dele indo mais a minha casa depois disso.

Depois disso não tenho mais lembranças dele. Acho que encontrava com ele na escola mas cada um tinha seu grupo social e sua idade certa. quando tinha 10 acho que ele já tinha no maximo 15 anos. Talvez menos. Mas nunca mais falei com ele, nunca mais.

E foi triste o modo com que ele morreu. Bateu o carro. Foi rapido. Não vi sua cara no enterro. Odeio enterros. Me lembram que realmente vou morrer tambem. Acho que fiquei triste nesse dia por causa disso, não porque um primo outrora bem querido ia embora. Acho que foi. Não queria achar mas acho que foi isso.



Mas o que mais me deixa triste hoje é que ele realmente me parecia ser uma boa pessoa. Não era o melhor dos primos, mas creio que só não era porque nos distanciamos uma época. Ele realmente parecia ser uma boa, uma otima pessoa, daquelas que vivem felizes e não fazem mal a nada que não seja ruim pra ele. Uma otima pessoa.
E eu nunca bebi com ele. Realmente uma pena.


Elias, primo, onde estiver (se é que está) Um Brinde a Você!

segunda-feira, setembro 24, 2007

Onibus

Por quase 5 anos peguei onibus todo dia.

devo ter gastado 1/16 avôs de minha existencia sentado num banco horrivel, olhando pra uma paisagem que a todo instante mudava (mas que não mudava nunca)

Foi no onibus que comecei a escrever. Numa epoca me tornei extremamente bom em escrever em meio a turbulencia do asfalto ruim da mogi-salesópolis. sabia quando parar e quando continuar a escrever, quando colocar a caneta no papel e quando esperar que o mundo voltasse ao normal. Foi no banco que eu sonhei com mundos que hoje me são mais parecidos com pequenos pesadelos diarios. No onibus eu procurei muita gente, procurei ninguem a todo instante, foi no onibus que eu passei de pequeno-garoto-que-é-certinho-ao-extremo para um matador de aulas sem força de vontade. E foi no banco da julio simoes que eu descobri que nem sempre uma menina precisa ouvir o que voce fala pra querer falar com voce. Engraçado como todas as bobeiras agora me parecem tão.. bobas. Na época eu sentia tanto por não ser abslotamente nada daquilo que sonhava (ou mentia) eu ficava bastante preocupado em ser aquilo que ela(s) não esperavam que fosse. Tanta bobeira em tão pouco espaço. Acho melhor hoje em dia não esquecer isso, na verdade essa essencia de passado mítico, em um momento onde não tinha a pratica ou tecnica mas tinha a vontade (ou desespero) de conseguir todos os meus sonhos, me deixa tão feliz de ser recriada nas minhas andanças por sp hoje em dia.

Sim, porque hoje eu tento parar de pegar onibus. Hoje quero é mais andar. E mesmo que não consiga só andar, ainda sim quero só o minimo do onibus.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Miséria!

De uma forma inteiramente velha, a dor, a angustia e tudo mais vem e volta oito ou noves vezes todo dia. Ora Triste ora feliz, teoricamente deveria estar bem acostumado com isso e até compreendendo exatamente quais são as coisas boas e ruins que posso tirar disso.

é claro, supondo que eu não caio num torpor imediato toda vez que tento ser uma pessoa melhor. E esse torpor não vem de graça, ele só aparece porque todo mundo que esta ao meu redor esta me odiando, só porque me sinto muito mais sujo e nojento e não-amavel que antes, que minhas pretenças esperanças (que eram só esperanças, mas ainda sim eram alguma coisa) desapareceram completamente. Não me sinto realmente bem e não consigo ver alguma fagulha de coragem que me faça sair dessa fossa toda que me cobre. É isso mesmo! me sinto numa fossa verdadeira, com esgoto coberto até o pescoço, com a merda toda que fiz em algum momento na vida entrando pela minha boca e me mostrando que, por mais sonhador que um dia fui, todo esse sonho não passava de simples e pura merda suja, que nunca foge depois da descarga dada.
E provavelmente não vou conseguir dormir hoje de novo.
E com certeza amanhã será um pessimo dia e uma pessima noite. E nem o amor salva. E nem o medo salva.

Sinto-me triste? com certeza! não estou conseguindo ver alguma luz no fim desse pequeno tunel de desesperança? Sim, não vejo nada melhor que a escuridão! Estou cada dia mais sozinho e quieto e com frio e medo? Sim, o mundo esta cada vez pior e menos divertido! E toda essa sensação que estou sentindo não é a realidade, mas sim apenas uma ilusão de humor baseada a minha variação psicológica? Eu estou implorando que sim!

Em todo caso, adeus! e celebraremos a miséria mais tarde!

domingo, setembro 16, 2007

sofrer é melhor que não sofrer. não sofrer é não ter desculpas pra não se alegrar. sofrer é melhor que não sofrer.

(e eu, que estava lembrando mais uma vez de como estou perdido, acabei vendo que ainda sei exatamente onde estou -ou deveria estar-)

domingo, setembro 09, 2007

E então faço uma festa em casa. E então convido todo mundo que conheço.
é claro que só metade foi.

Alcool em demasia. Uma proporção não igualitaria de homens e mulheres.
Musica velha e boa pra quebrar residencias.
Uma panela na minha cabeça.

E uma garota feia que senta comigo e começa a falar que é apaixonada por mim. E que tambem é apaixonada pelo namorado. Na verdade mais apaixonada pelo namorado. E ela aperta os seios de uma terceira menina que já é casada.

Um amigo vomita. levo a menina-que-é-apaixonada pra casa. São duas horas da manhã.



E é claro, é obvio, é evidente que não rolou absolutamente nada.
E eu voltei pra casa tão triste quanto quando nasci.

domingo, agosto 26, 2007

Futebol - Pt2

Quando eu cresci mais, acabei acostumando completamente com a minha estranheza no futebol. Isso já não me atrapalhava nem um pouco. Foi mais ou menos na sétima serie que comecei a jogar serio com a minha estranheza. para isso foi necessario que pequenas mudanças ocorressem.

primeiro: eu tinha de encontrar um pequeno grupo (não mais de cinco pessoas) que andassem comigo e que não ligassem tanto pra como pensava de modo estranho.

Segundo: tinha que arranjar um local pra jogar futebol que fosse tão ruim, mas tão ruim, que ninguem com o minimo de noção ia querer roubar da gente.

terceiro: Tinha que descobrir um jogo que fosse, ao mesmo tempo, divertido, facil de jogar e que não levasse em primeira consideração a vitoria.

quarto: precisava de bola.



O pequeno grupo eu acabei achando na sétima serie mesmo. Foi o Rubinho, o Vandelon, o Dito, o Cabrito (entre outros).... Amigos caipiras normais e que não ligavam muito pra mim. Eles nem jogavam futebol comigo muito (pois meus metodos de jogo eram diferentes) mas ainda sim na hora da aula eles não acabavam com o minimo de honra que tinha falando das minhas bobeiras.

O segundo foi facil de achar. Uma pequena quadra na parte de tras da escola (era usada para jogos inexistente de volei) ela tinha umas traves horriveis e o chão todo fodido. perfeito.


O Terceiro foi mais dificil. Demoramos um bocado pra achar o jogo que nos servisse bem. E só descobrimos o jogo perfeito quando tambem conseguimos achar a resposta pra quarta questão.


Quem não tem bola, joga futebol de lata!


Basicamente achavamos uma lata ou garrafinha de refrigerante pequena, enchiamos com areia no caso da garrafinha e saimos chutando. E com isso acabamos jogando Vão-na-perna-pé-na-bunda! um jogo simples onde, caso a bola (lata) passe no meio das tuas pernas, vai levar pé na bunda de todo mundo até que encoste no ponto demarcado (que normalmente era do outro lado da quadra) Simples, bobo e incrivelmente divertido! Passei até o final do segundo colegial jogando esse jogo com o mesmo grupo de amigos (alguns tão bizarros quanto eu) no segundo colegial acabei começando a namorar e não pude mais jogar.


Hoje, grande parte dos meus amigos atuais veio basicamente daquela época. Ou jogavam vão-na-perna-pé-na-bunda conosco ou era conhecidos de quem jogava. E foi nesse grupo novo que eu aprendi realmente o que é ser aceito.


Talvez deva tudo isso ao futebol. talvez não.

Futebol - Pt1

Eu tenho uma relação estranha com o futebol.

Desde pequeno fui movido pela força motora chamada Meu Pai, que me fez gostar, não de futebol, mas sim do Corinthians. é bizarro imaginar que ele não se divertia com os jogos em si, mas sim com a ideia de fazer parte de um time e de ter que torcer pro mesmo e poder zuar com os outros de outros times rivais quando eles perdiam (e ser zuado quando o Corinthians perdia)

Mas até entrar na primeira série, o futebol pra mim se resumia a apenas o jogo estranho que passava na tv.

Quando entrei na primeira série já tinha um pequeno grupo de amigos formado. E era de praxe que todos nós, nos intervalos ou em qualquer horario que sobrava, fossemos jogar futebol. Na época me parecia bem lógico, o futebol não era uma especie de esporte, mas sim uma comunhão social, um dos modos mais faceis de ser aceito por todo mundo. é claro que, quando falamos que eu tinha amigos, temos que deixar bem claro que eu já era um menino estranho, daqueles que volta e meia fugia pro fundo da sala e que não admitia que os amigos era realmente amigos. Eu tinha muita baixa estima.

Mas no futebol tudo isso mudava. Parecia que sempre que jogavamos as diferenças mais basicas que diferenciavam os meus amigos e eu, o fato deles serem normais e eu um pouco mais bizarro, desaparecia. Só existia um pequeno problema que atrapalhava tudo isso:

Eu Sou incrivelmente ruim em Futebol.
Tão ruim que, certa vez, fui bater um penalty. A bola foi parar na linha de Lateral.


E sendo tão ruim assim, acaba sendo ignorado quando jogava. Ninguem queria o estranho ruim de bola no seu time. E mesmo que eu fosse meio engraçadinho, nada disso valia a pena se eu não conseguisse chutar uma bola decentemente.

E eu me lembro que, nessa época, existia um menino-perfeito e mais velho que jogava com os pequenos. Não lembro o nome dele. E quando digo perfeito, quero dizer que, pelo menos pra mim, ele era tudo o que um homem deveria ser. Bonitão. Fortão. Grande. Rapido. Bom de Bola. Sociavel. Engraçado. Normalissimo. E eu tinha muito receio desse menino (ele deveria ter uns 12 anos, no maximo) imagina se ele joga contra mim? que medo! como posso ganhar dele? e é claro que ele nunca caia no meu time (eu sempre estava no time que perdia. e o time que perdia quase sempre perdia por minha causa.)

Lembro que uma vez, ainda na primeira série, meu primo Guilherme e eu fizemos um pacto escrito, não lembro porque (provavelmente por causa do menino. o Guilherme era bom tambem e quase sempre caia no time contra ele) O Pacto era o seguinte: Nada de Futebol até os 20 anos!
uma semana depois tinhamos relevado esse pacto.


Acabei crescendo sendo o ruim de bola. Acabei entrando numa escolinha de futebol bastante amigavel. Alguns dos meus melhores amigos hoje em dia me odiavam na época (de novo, por causa da minha inapcia no jogo) mas eu até que me divertia um bocado. Só não gostava da obrigatoriedade de ter que ir três vezes por semana até o centro esportivo (no alto do bairro morrão, onde morava a Claudia) mas quando chegava lá eu me divertia.


Tambem me lembro da época que meu pai jogava bola nesse mesmo centro esportivo. Só que ele jogava de noite e jogava com varios caras adultos. Eu gostava de ir lá, não assistia nenhum jogo mas gostava de passar tempo com os amigos do meu pai. era divertido.
Meu pai acabou machucando feio o joelho nesse jogo. Nunca mais tentou jogar sério.


E eu fui crescendo, passei pra quinta série jogando futebol ainda. Normamente, nessa época, eu já tinha outro grupo de amigos, esses mais simplórios, mas pobres-zinhos. Mas ainda sim jogavamos futebol como se nossa existencia dependesse disso. Todo dia, em qualquer horario que sobrava, acabavamos indo pras quadras de tras jogar. E comecei a esquecer sobre a minha falta de habilidade no jogo. Quando jogavamos o Sandro e eu na grama o jogo era bastante divertido, tinhamos uma regra em comum que era: Cada um pode cavalar o outro pra se divertir. E eu, uma época, comecei a jogar bem no gol. Mas preferia tentar fazer gols (devo ter feito uma pequena dezena de gols na minha vida)

sábado, agosto 25, 2007

Sabado

Eu não me lembro muito bem dos meus sabados. Não pelo menos até os 17 anos, mais ou menos. Foi nessa época que eu comecei realmente a sair de casa e ir pra rua de noite. E a rua de noite que falo é a de Salesópolis. que é infinitamente mais tranquilla que qualquer rua a noite de qualquer lugar num raio de 100 Km daqui de onde estou (Pompeia)

Mas o que importa é que não me lembro do que fazia nos sabados a noite entre os 12 e os 17 anos. não me lembro mesmo!

Talvez eu tivesse jogando video game. na época eu tinha um Mega Driver e(depois) um playstation. era divertido e não via, realmente razão pra sair.


Mas ai, quando comecei a ser um idiota completo, quando fiquei semi famoso, quando comecei a ouvir musica, quando comecei a achar que, por algum milagre, poderia aparecer alguma loira semi nua na rua doida por sexo e me escolhesse como seu parceiro de sexo 24h/7dias por semana, eu sonhava. Sonhava e tentava sair.


Mas cresci. Sai muito mais. fui bem mais longe que a grande maioria das pessoas que conheço. Fui mais ousado que muita gente que comeu muito mais garotas que eu. Dormi em chão de ruas escuras. dormi em pedras. Varei a madrugada a mais de mil km de alguma cama conhecida. dormi na beira da praia com minha mochila na cabeça. fingi que lia numa rodoviaria pra assim poder descansar um pouco.


Mas ainda sim, numa noite de sabado, fico em casa, quieto, tentando ir o mais longe possivel no harvest moon de play que consegui jogar no emulador. O fim e o inicio são o resto da mesma merda diaria.

domingo, agosto 19, 2007

Consoadas

tenho que pensar sobre o tal poema do Bandeira. Tenho que tirar uma nota boa. Não porque meu destino dependa disso (ele já foi pro buracão-grande-do-fim-do-mundo) Mas sim porque moralmente me sinto na obrigação de voltar a pensar um pouco mais.


E olha que esse treco de pensar funciona mesmo. Meia horinha de leitura do poema e de algumas informações adicionais me fizeram rabiscar três folhas de caderno montando teorias malucas de como vou seguir nessa porcaria de trabalho divertido. Um bom modo de passar o tempo.

Mas parei de pensar no poema porque tenho que descobrir quando ele foi feito. em que dia, hora e local. isso é importante pra saber se o tal "consoada" do titulo do poema é uma ceia de natal ou só mais um jantar-zinho de madrugada. coisa boba mas que vale a pena esperar.


e enquanto isso pensei na morte. e como sempre, quando penso na morte, me veio a ideia de ler o que tem de novo no blog da (acho) tia do heitor, que perdeu a filha por causa de uma doença na cabeça e nunca mais conseguiu se recuperar. ela escreve um blog e faz tempo que eu não lia, mas quando fui ler-lo de novo aqui, vi que ela ainda continua escrevendo. tem uma postagem de hoje (creio que de horas atras)


Incrivel como a dor é prolixa. (a felicidade, se é que ela existe é quieta ou muda. a resignação tambem. a serenidade faz só suspirinhos. a angustia grita. e a noção de ser estupido faz beber feito um ... estupido...)


No mais, percebi que o blog dela é um bocado irritante quando voce lê todos os posts. fica monotono. não porque a dor dela fica boba (e isso Não fica mesmo) mas é porque são sempre as mesmas imagens e as mesmas palavras. esse não é um blog pra ser lido (assim como esse) mas sim um blog pra ser escrito. e escrevendo se grita.


acho que vou dormir. e nada de consoadas.

domingo, agosto 12, 2007

Matemática me dá sono. playstation não.

Eu estou com frio. Estou com frio e durante todo o final de semana li, comi porcaria e fiquei ouvindo as mesmas musicas num mp3 que acabei de ganhar. e não bebi, não me entorpeci de nada. Nem Sexo fiz. Nem sexo próprio. Mas eu baixei de novo o emulador de play-sta-ti-on e joguei Breath 3. Divino maravilhoso. Certamente o frio vem do frio que deve estar fazendo. E olha que Dresden acabou.

De qualquer forma, esses tem sido tempos horríveis. O engraçado é lembro dos meus melhores momentos e lembro que eles eram horríveis pra mim na época. e como me sentia sozinho e triste a com frio nessa época tão gloriosa e livre-leve-cheia de alegrias mil. Sadomasoquismo, creio eu (ou só masoquismo. ou autosadomasoquismo. não sei a nomenclatura certo, mas pelo menos adoro se-pa-rar si-la-bas e não acentua-las)

Eu comecei a jogar videogueime aos 5 anos. foi uma diversão que logo eu dominei e que segundos depois virou vicio. um vicio adorável. Se eu fizer uma suposição que, desde os cinco até os 15 eu joguei em média 10 horas por dia (e estou arredondando pra baixo isso, pois houve momentos que joguei mais de 15 horas diárias) seis dias por semana, numa média de 24 dias por mês vezes 10 = 240 horas por mês. um ano tem doze meses, logo 240 vezes 12 = 2.880 horas por ano. (pode estar errado, sou ruim em contas) foram 10 anos assim, logo 28.800 horas.

Mas eu não parei de jogar aos 15 anos. mas com certeza diminui consideravelmente o tempo. então vamos supor que dos 15 aos 22 eu joguei apenas 5 horas diárias, seis dias por semana (não deixo sete dias por semana pois isso seria exagerar demais. creio que um dia livre eu tive por semana) então 5 vezes 24 = 120 horas. isso transposto por 12 meses dá um total de 1440 horas. e isso vezes sete anos dá um total de 10.080 horas.

10.080 + 28.800 = 38.880 horas. quase 40 mil horas. um bocado de tempo.

Mas considerando que vivi até agora cerca de 197.300 horas, isso não é nada.

Em todo caso, não sinto como se tivesse perdido um segundo que seja desse tempo. na verdade, acho que é provável que eu vá jogar nesse ritmo o resto da minha vida. o que me deixa bem próximo das cem mil horas...


Mas matemática me dá sono. com ela sim eu sempre sinto sono e desperdiço meu tempo.

terça-feira, junho 26, 2007

eu e a alcool

ai!
eu antigamente, a uns dois meses atras (mais ou menos, pode ser um mês só, minha noção de tempo não é boa) estava tentando ser um pouco mais feliz. foi minha ultima tentativa no ambito da alegria compartilhada. e uma desconhecida completa fazia parte disso. é claro que, quando digo desconhecida completa, estou me referindo a alcool que toda santa noite vinha conversar comigo na internet de minha cidade natal. ela apareceu do nada (na verdade fui eu quem apareceu do nada) e a conversa rolava bem bebada (e boa)

Mas é Claro que a Alcool e eu não nos entendemos. Somos bastante parecidos mas nada comunitarios nos anseios da vida. e enquanto eu só queria alguem com que eu realmente pudesse conversar e gostar e sentir proximo e poder celebrar a mediocridade que transpassa sempre por tudo que toco, ela (a alcool) só queria ser verdadeiramente amada como deveria ser. nada mais justo.

ms eu não nasci para amar quem quer ser amada. ainda não sei pra que fui nascer, mas com certeza não foi para fazer alguma perdida molecula de alcool e cocaina se sentir feliz. foi o que senti logo quando tive-a.


no mais, hoje em dia, eu tento ignorar a alcool. mais para meu bem do que para o bem dela. não vou ser mais hipocrita do que já fui. Atualmente, nos atuais desesperos que passo, a unica coisa que importa mesmo sou eu.

quarta-feira, junho 20, 2007

Sobre como comecei a escrever

Eu devia ter uns dezessete, dezoito anos. Nessa epoca tão recente e já tão distante (putz! já faz uns cinco anos) eu não escrevia nada. Eu lia bastante nessa epoca, mas não tinha muita noção de gosto (ia escrever "bom gosto", mas ainda não o possuo) Nessa epoca eu não ouvia nada musicalmente e passava os dias tentando terminar rpgs de playstation. Não posso negar que ao mesmo modo que era meio bobo-simplorio, ainda sim era feliz. Não ouvia Regina Spektor simplesmente porque ela não era necessaria pra me explicar como a vida era. Simples, boba e, nas suas devidas proporções, feliz vida. Mas eu lia, e como leitor que sempre fui, me perguntava das coisas. E se tinha uma coisa que eu me perguntava muito ao ler eram os poemas do baudelaire. "Putz coisa complicada, devo admitir. Mas como é possivel que um cara que escreva tão "complicadamente" pode ser tão famoso? ora, eu não entendo nada dele!" era o que eu me perguntava nessas epocas de final de terceiro colegial. E uma das minhas teorias (que eu testava logo depois da meia hora de "tentar aprender a ler labios" - alias, consegui isso por um tempo, mas hoje sou mediocre nisso) era de que, pra se entender poesias e poetas, é necessario pensar como eles e como o que eles escrevem. E como se aprende isso? ora essa, fazendo poesias!

E foi assim que eu comecei a escrever. No inicio uns poemetos bem idiotas. Mas eu não estava muito preocupado com metrica ou com bom gosto (que, repito, na epoca não tinha (nem hoje)) só o que queria era começar a escrever. E assim o fiz. Aos dezoito anos eu já tinha dois cadernos lotados de poemas, eram poemas bobos, poemas legais, poemas tristes, poemas felizes, uns poemas MUITO felizes e uma meia duzia um bocado triste. Tinha poema obedecendo a metrica, poema que ia até o fim da linha. Tinha até poema que ia até o fim da pagina.

Mas dai, quando peguei de novo o Flores do Mal pra ler. Não entendi nada de novo. Maldito Baudelaire.

Ai eu resolvi entrar na Letras-Usp pra entender o que esse frances-zinho idiota tava tentando dizer (e tambem pra achar o On The Road do Kerouac)


é isso. maldito Baudelaire!

sexta-feira, junho 08, 2007

Celebração do unico amor:

Outro dia estava lembrando da Claudia. Ela foi importante. Ela cuidou de mim dos 5 aos 12 anos (mais ou menos) e me fez ver a vida como ela supostamente deveria ser vista. Nunca entendi.

Hoje vi uma mulher que amo ou amei (digo amo pois nunca acho realmente que uma pessoa que amei, deixo de amar por nada) sendo amada por outro. Isso não doeu tanto quanto imaginar o quão feliz ela estaria comigo (e é provavel que não estaria)

A Claudia amarrava meus sapatos (eu nunca soube) ela me fazia comer comida e eu só sei comer tomates hoje por culpa dela. Ela era minha Fantasia Sexual aos sete anos (até os dez, onze, quinze) e eu nunca a comi (embora ainda seja amigo pra caralho do filho que ela teve)

Um certo dia, deixei o filho recem nascido dela cair no chão num dia de chuva. Eu queria que o filho dela se chama-se Blanka.

Outro dia, numa festa na casa do esposo dela, ela acabou dividindo uma bala comigo na boca e sentou no meu colo. eu devia ter quinze anos, no maximo. Fui um idiota.

Quando eu ainda tinha dez anos, acabei me apaixonando (idiotamente, por uma qualquer menina, mais um vez) pela Nozinha, que era irmã do Nozinho. Ela não era bonita nem legal nem me atraia de modo algum, mas eu tinha que me apaixonar por alguem, então me apaixonei por ela. E acabei, sabe-se lá por que, escrevendo isso na sola de meu pé. Claudia foi a unica pessoa que leu isso e percebeu que eu a amava.

Creio que Claudia foi a mulher com quem eu mais tive contato em toda a minha vida. Mesmo que tenha dormido com outras, Mesmo que tenha amado outras, mesmo que tenha gozado e masturbado e que tenha conversado serio com outras, nenhuma se aproximou tanto da 'celebração de mediocridade' como a Claudia chegou. Ela realmente percebeu quais eram as minhas idiotices. E eu ainda a amo por isso.

sábado, maio 26, 2007

Wouldn't Mama Be Proud?

Vamos fingir que eu estava vomitando nos ultimos vinte minutos.


Acabei de vomitar e corri desesperado para o computador, que estava desligado. Não sei porque, ou melhor, por que corri aqui. Não tinha intenção de escrever. Não tinha intenção de assitir Rambo 1 em Alemão. Não tinha intenção de olhar no orkut e esperar mais uma mensagem que mataria mais uma madrugada triste e sombria de minha patética e desesperada vida. Convenhamos, acabei aqui neste final de noite porque, apesar de todos os arrojos de intelectualidade falsa, ainda sim sou um viciado que não possui sequer um esboço de vida social decente; Acabo toda noite sozinho, andando por ruas que, ou conheço muito bem, ou absolutamente não conheço. No mais, as festas que ainda vou são simplorias e despercebidas do resto do mundo, e acabo sempre bebendo muito para o nivel de meu pobre corpinho e vomito nos banheiros alheios. E enquanto eles, os convidados esparsos comum e sobrios ficam assitindo O inspetor Clouseat, eu cuspo restos de esperança num balde azul colocado exatamente para não sujar o tapete novo. É mais que compreensivel. É logico. Mas no final da noite acabo voltando sozinho. Reclamando com os ventos que teimam em soprar contra mim e me passar um bilhão de doenças que, no final de tudo, não vão ser mais que desculpas pra tudo o que faço (ou deveria fazer)

Uma coisa engraçada (que só não é mais engraçada que duas outras coisas) é que percebo sutilmente que muita gente passa por isso. Pelo menos é o que consigo captar nas esparsas leituras que faço (as leituras, assim como as intelectualidades, são facilmente fingidas quando o publico é monotono) gente que contrabandeava armas na africa negra, que morria de peste e lepra e morria de naufragio e morria nos espurgos do Kaiser ou do Paxa, ainda sim juntava meia hora do dia pra chorar as porras de suas magoas que não interessavam a mais ninguem exceto ele mesmo e quem sabe um Deus entediado. Não devo estar no caminho certo (alguma porcentagem desses ai, os desesperados, se suicidou) mas pelo menos devo estar em algum caminho.



*e a coisa mais engraçada citada levemente acima é que estou sentindo um pouco de esperança de duas formas. Uma é com as musicas horrivelmente tristes de um cantor triste que se suicidou com duas facadas no coração. A outra é que Planetas desabitados mas com possibilidade de colonização humana (sim, eles existem) tem me deixado feliz.

quarta-feira, maio 16, 2007

minha primeira casa

A minha primeira casa era um porão. Dela eu tenho poucas memorias. Muito poucas mesmo. Um delas é de uma noite em que a força tinha caido (sempre acontece em salé) e eu estava andando pelo quarto de mama e papa. a colcha era a mesma de sempre, roxa com detalhes estranhos brancos.
Outra memoria é a de eu e meu pai brincando de boxe. sempre tivemos essas brincadeiras de pai e filho, e não poder fazer isso de novo é uma das coisas que me deixam mais triste quando percebo que provavelmente posso não virar pai no futuro. e nesse dia em que minha memoria aviva, dei um soco no nariz de papa e jorrou sangue feito doido. Na televisão passava um filme de domingo no sbt. Um com o Clint Eastwood, o lobo solitário, acho.
Eu e e minha irmã, marina, eramos os unicos filhos naquela epoca. papa trabalhava de motorista de ambulancia na época (eu lembro pois chequei a ir pro trampo com ele) e mama trabalhava na escola, dando aula pra primeira série. E marina e eu ficavamos sozinhos o tempo todo, o que sempre era "remediado" com uma empregada. E a unica memoria disso é Marina e eu perguntando pra empregada quando mama chegava.
Uma das memorias mais assustadoras de minha infancia (perdendo de pouco pra "cade o leo" na casa de minha tia maria) é de um carnaval ou algo parecido com isso. deveria ter, no maximo do maximo, 4 anos. E como a casa/porão era perto da praça onde o carnaval acontecia, acho que fui pra lá sozinho. Lembro-me que no meio da rua uma especie de bonecão-de-olinda ficava dançando feito louco. Aquilo me aterrorizou devastadoramente! chorei feito louco correndo sozinho até em casa e quando chequei, tranquei a porta, pequei uma cadeira e subi nela para fechar até a pequena janelinha no topo da porta. Juro que vi, momentos antes de trancara a tal janelinha, a cara louca do boneco lá fora, me esperando.
A ultima memoria concreta daquela pequena época é da nossa mudança pra casa de meu tio Gê (onde teria muitas outras descobertas felizes de infancia) lembro que fomos com uma perua levando todas as poucas coisas que tinhamos naquele pequeno porão. e eu, na ultima leva, acabei levando um lampada daquelas compridas a pé. O caminho não era tão longo (menos de 100 metros) mas lembro que foi demorado. muito demorado. Não sabia o que esperar daquele momento em diante da minha vida.

segunda-feira, abril 16, 2007

Gaita

Estou aprendendo a tocar gaita. Me lembro que aos, mais ou menos cinco anos, na epoca em que era realmente inocente e um só um pouco mentiroso, toquei uma gaita na casa do meu tio Orlando. Era no quarto do Fernando. Ele era um cara mais velho bem legal, tenho uma pequena duzia de lembranças boas dele, algo como nós dois correndo no meio da chuva e ele me cobrindo com sua jaqueta de couro bonita como nunca mais vi igual, ele me levando para seu suposto trabalho na fabrica de blocos de concreto no fim da cidade e uma outra memoria de ele me levando na garupa da sua moto. Eu morri de medo naquele instante e me lembro que umas semanas (ou anos) depois ouvi dizer que ele caiu da moto. Tenho medo de motos até hoje.

Mas me lembro que numa tarde de maio (deveria ser maio) eu estava no quarto do Fernando (ou seria do Bosco?) e vi uma pequena gaita de metal. Nunca tinha tido nenhum contato verdadeiro com musica, o maximo talvez tenha sido decorar a musica-tema do Jaspion e do Jiraya. Mas peguei naquela pequena gaita de Metal que cobria toda a minha tambem pequena boca e tentei tocar. Não sei se Fernando estava vendo isso, mas me lembro que depois de uns minutos tentando tirar qualquer musica que prestasse naquele instrumento, consegui fazer o inicio da marcha nupcial (sabem? tchum tchum tchum-tchum... tchum tchum tchum-tchum...) deixe a gaita não sei porque. Mas nunca mais toquei num instrumento com ambições de musicar desde então.

Dai consigo uma gaita emprestada. E descubro que ainda sei tocar a marcha nupcial.

domingo, abril 01, 2007

All my friends have died

Madrugada.


coisa estranha.


Regina Spektor



Nada de Alcool


Salesopolis



Stalkismo sobre uma menina



Um conto ruim no outro blogue



Ai que saudade da segurança



Meu deus! estou ficando velho! e me lembro de quando era só mais um idiota

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Post-Office de Lou

Sinto Muito. Não tive tanta força quanto imaginava-sonhava que teria. Mas tive a força de ir fazer acontecer e sobreviver usando apenas minha imaginação num mundo hostil aos que não tinham um cent. no bolso e nenhuma vontade de aumentar essa ja pequena quantia. engraçado (como quase tudo) como foi misticamente incrivel tudo isso, desde as falhas até a despedida no banco de rodoviaria. estamos crescendo em ritmo mais que acelerado. e logo logo estarei por lá, no norte daqui, fazendo a mesma procura que fizemos esse final de ano. não que ela seja a ONE nem nada, mas é que ela acaba se tornando a melhor de todas unicamente porque todas as outras (excetuando aquela que nunca vai ser de volta o que foi, nem pra mim nem pra ninguem) não existem mais e nem vão mais existir neste pequeno mundo sujo e infestado de musica e pornografia que é minha mente.

mas, pelo sim ou pelo não, amanha é dia de vinho para comemorar aquilo que o Peiotte e eu conseguimos.À nossa Liberdade (ou qualquer coisa que valha, como diria o sardinha)