OK, certo, então tínhamos nos catado na festa de aniversário da Diana (há fotos provando isto) (eu deveria ter beijado a Diana naquela hora, no sofá, ao invés dela. Mas isso é só alguém que tomou a esquerda puto por não ter pego a direita). Houveram problemas nesta mesma noite e algumas besteiras tão bobas que hoje em dia soam mais como novelas mexicanas do que como realizações humanas verdadeiras. Mas anyway, o ponto é que, como naquela época tudo parecia que podia dar, de alguma forma muito bizarra, certo, resolvemos continuar tentando. Eu já morava em sp, morava em pouco mais de alguns meses, não mais que doze, e ela aparentemente fazia algum curso perto daqui. (o fato de eu fingir que não sabia qual era o curso dela, nem saber aonde era, nem quais eram todos os pequenos passos e movimentos é só uma forma de não demonstrar que eu sabia qual era a senha do email dela, que olhava direto e que, como sempre, era um daqueles obsessivo que, em paises decentes - como Tibet - seria torturado e morto no topo de templos budistas, no alto dos morros everestianos.)
Marcamos de nos encontrarmos no metrô, porque iamos pra salesópolis juntos. E eu, evidentemente, fiquei contando todos os pequenos segundos de cada um daquelas sete ou seis dias que demoravam passar. havia pouca internet naquela época, tanto pra um como para o outro, e portanto não nos falamos neste meio tempo, apenas deixamos claro que "havemos de estar tal hora em tal local".
Eu estava lá. Esperando. Deviam ser seis horas, isso porque estava lotado de uma forma que nunca mais vi, com pessoas fazendo filas que chegavam na parede apenas para passar na catraquinha-de-pagamento. E eu esperando. E de tanto esperar (coisa normal nem surreal pra mim) acabei resolvendo comprar logo duas passagens, una-pra-moi e outra pra ela. Pago? Pago! Quando terminei de pagar ela aparece, entramos na fila e vamos pro metrô lo-lo-lotado!
No metrô ela conversa com um velho advogado. Eu não estou abraçado nem encostando nela, mas estou olhando (sempre fui bom de olhar, coisa de treino, acredito) e depois vamos pro Brás (pois indo para o Brás não pagamos passagem extra) pegamos o trem e continuamos de pé. Isso vai assim até Guaianazes, onde pudemos sentar e onde pudemos beijar. Isso foi divertido. Beijei-a na orelha, como ordena o figurino, e foi divertido. Não mais que divertido.
Não sei se foi este o dia, posso estar confundindo, mas interpretarei como sendo; faz sentido naquela situação (que, sem explicação, se torna incompreensível. Digamos que todo o nosso relacionamento, físico ou não, platônico ou não, ridículo ou não, o nosso relacionamento sempre foi baseado na impossibilidade de ambos darem um movimento. É quase como um jogo de Xadrez que termina empatado por falta de movimentos, mas também por falta de pensamento de ambos os jogadores. Outro exemplo bom é o de um jogador de Nintendo 64 que não possui dedos.) naquela situação em questão pegamos o ônibus para salesópolis. E para Salesópolis fomos, infelizes como nunca. Ela sentada num banco e eu em outro. Olhávamos, e este ato de olhar me faz perceber que, quando estamos com alguém e nos distanciamos, nossos pés e troncos tendem a se mexer em direção a pessoa (interessante, não?) de qualquer forma, estávamos infelizes e percebendo que nada, nada nem ninguém faria toda aquela besteira dar certo. Então descemos no ônibus (na porta da casa dela, evidente) e fomos nos catar na parede ali em cima. Beijos Beijos e mais doze beijos. E então ela falou que estava doente (e estava doente) e que ia ir embora. Marcamos de nos ver no outro dia, eu iria lá (e o outro dia foi ridiculo. ajudei-a a pintar alguma porta de algum lugar e estava lá um primo dela que não sei o nome. Não houve nada exceto o mesmo olhar infeliz) Mas o ponto é que a história não acaba aqui.
A História não acaba aqui, não senhor, não senhor. Eu, como sempre (ou quase sempre) costumo andar um bocado, e andando acabo chegando na praça, e na praça há amigos (Gilberto e tantos outros) e ali tambem há, advinhe só, sem suspense.... amigas! Na verdade amigas vadias! na verdade A Vizinha Érica! aquela que deu para mim por quase dois anos! E, evidentemente, acabei-a comendo naquela mesma noite, fazendo gozar enquanto ela lia uma passagem de menage-a-troi no livro do Kerouac "Vagabundos Iluminados" (The Dharma Buns. Ela, por ter péssima visão, tinha que aproximar o livro a um centímetro da cara, meio patético)
E a história acaba com um cena interessante; acaba comigo sentado na porta do Fliperama no dia seguinte, o sol batendo na minha cara e várias pessoas sem rosto passando pela rua. E então vem de um lado ela, descendo a avenida, e do outro a vizinha Érica. E ambas passam a menos de 10 segundos de mim, cada uma com aquele olhar de comprometimento, o olhar que diz "hehehe. eu peguei no teu pau ontem. hehehe. foi divertido. hehehe."
Talvez naquela hora, por alguns poucos segundo, acreditei que estava me dando bem. Mas se houve uma frase sábia que o professor de geografia daquele cursinho que fiz e que me dava carona pra salé me falou foi "Eu, muitas vezes, acreditei estar por cima da carne seca. Todas as vezes quebrei a cara", e portanto segundos depois de perceber que eu iria, inevitavelmente, me foder bonito, um tijolão de 20 kilos (quilos) arremessou-se contra meu sorriso idiota. E em verdade eu vos digo, hoje a vizinha não dá mais pra mim (embora ainda sorria daquele jeito nas poucas vezes que me vê) a Lílian (primeira vez, tirando o título, que falo que é ela. evidentemente erro de capacidade-de-escrita) a Lílian (segunda) não dá mais pra mim, agora dá para uma garota em Mogi-ou-adjacências e eu acabei por destruir tudo aquilo que pude algum dia ter a chance de ter, destruí todas as meninas que um dia tiveram a pequena chance de me amar (e vou morrer velho e decrépito e mal amado aos 26-ou-mais anos)
O Fim.
quarta-feira, dezembro 15, 2010
26. Ou talvez 25
Havemos de perceber que nada irá durar. Quero dizer, talvez nada irá durar, uma vez que até mesmo essa afirmação não pode ser comprovada. O que resulta na certeza de que, se algo durar, não irá durar aquilo que saberia dizer que esta coisa durável durou tanto. E se essa coisa durável não ser classificada, catalogada, organizada e redirecionada como "Coisa Durável" o mais provável é que ela, mesmo sendo durável, irá desaparecer. O que me faz retornar na primeira afirmação, de que nada irá durar, tudo é passável e passado e já passou. Incluindo a afirmação "nada irá durar", que um dia será caída também pelo durável. E o que é durável?, pergunta o metafísico. "As Pedras", diz o físico quantico.-nuclear.-astronomo.
E o mais engraçado é que, mesmo sabendo que nada dura, tudo passa, e mesmo tendo a certeza certezíssima de que evidentemente precisamos ignorar o passar e se concentrar no atual momento inepassável, ainda sim esse ímpeto de aproveitar aquilo que irá chegar aos nossos olhos passa. E no final vai todo mundo chorar porque acabou. E depois tudo vai ficar no silencio. E dai alguns animais vão trepar e ter mais filhos. E dai silencio de novo. E então umas doze quatrilhões de bacteriaszinhas vão se reproduzir sem sexo, bem sem sexo e sem sentido. Ai tudo vai ficar quente, quase derretendo, e depois tudo fica em silencio. E dai só sobra um pedação de pedra rodando e rodando e rodando e rodando. E dai acaba tudo e não importa, porque o tempo terá se tornado irrelevante (como sempre foi, uma vez que tudo é passável.)
E o mais engraçado é que, mesmo sabendo que nada dura, tudo passa, e mesmo tendo a certeza certezíssima de que evidentemente precisamos ignorar o passar e se concentrar no atual momento inepassável, ainda sim esse ímpeto de aproveitar aquilo que irá chegar aos nossos olhos passa. E no final vai todo mundo chorar porque acabou. E depois tudo vai ficar no silencio. E dai alguns animais vão trepar e ter mais filhos. E dai silencio de novo. E então umas doze quatrilhões de bacteriaszinhas vão se reproduzir sem sexo, bem sem sexo e sem sentido. Ai tudo vai ficar quente, quase derretendo, e depois tudo fica em silencio. E dai só sobra um pedação de pedra rodando e rodando e rodando e rodando. E dai acaba tudo e não importa, porque o tempo terá se tornado irrelevante (como sempre foi, uma vez que tudo é passável.)
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