domingo, agosto 26, 2007

Futebol - Pt2

Quando eu cresci mais, acabei acostumando completamente com a minha estranheza no futebol. Isso já não me atrapalhava nem um pouco. Foi mais ou menos na sétima serie que comecei a jogar serio com a minha estranheza. para isso foi necessario que pequenas mudanças ocorressem.

primeiro: eu tinha de encontrar um pequeno grupo (não mais de cinco pessoas) que andassem comigo e que não ligassem tanto pra como pensava de modo estranho.

Segundo: tinha que arranjar um local pra jogar futebol que fosse tão ruim, mas tão ruim, que ninguem com o minimo de noção ia querer roubar da gente.

terceiro: Tinha que descobrir um jogo que fosse, ao mesmo tempo, divertido, facil de jogar e que não levasse em primeira consideração a vitoria.

quarto: precisava de bola.



O pequeno grupo eu acabei achando na sétima serie mesmo. Foi o Rubinho, o Vandelon, o Dito, o Cabrito (entre outros).... Amigos caipiras normais e que não ligavam muito pra mim. Eles nem jogavam futebol comigo muito (pois meus metodos de jogo eram diferentes) mas ainda sim na hora da aula eles não acabavam com o minimo de honra que tinha falando das minhas bobeiras.

O segundo foi facil de achar. Uma pequena quadra na parte de tras da escola (era usada para jogos inexistente de volei) ela tinha umas traves horriveis e o chão todo fodido. perfeito.


O Terceiro foi mais dificil. Demoramos um bocado pra achar o jogo que nos servisse bem. E só descobrimos o jogo perfeito quando tambem conseguimos achar a resposta pra quarta questão.


Quem não tem bola, joga futebol de lata!


Basicamente achavamos uma lata ou garrafinha de refrigerante pequena, enchiamos com areia no caso da garrafinha e saimos chutando. E com isso acabamos jogando Vão-na-perna-pé-na-bunda! um jogo simples onde, caso a bola (lata) passe no meio das tuas pernas, vai levar pé na bunda de todo mundo até que encoste no ponto demarcado (que normalmente era do outro lado da quadra) Simples, bobo e incrivelmente divertido! Passei até o final do segundo colegial jogando esse jogo com o mesmo grupo de amigos (alguns tão bizarros quanto eu) no segundo colegial acabei começando a namorar e não pude mais jogar.


Hoje, grande parte dos meus amigos atuais veio basicamente daquela época. Ou jogavam vão-na-perna-pé-na-bunda conosco ou era conhecidos de quem jogava. E foi nesse grupo novo que eu aprendi realmente o que é ser aceito.


Talvez deva tudo isso ao futebol. talvez não.

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