terça-feira, maio 28, 2013

Sobre Insomnia

Não consigo dormir.

Nunca tive um sono muito bom. Dormia na parte da casa mais próxima da porta, e sempre ficava puto quando os cachorros da rua latiam. Ou quando, aleatoriamente, pessoas vinham fazer procissão (?!) de madrugada. Ou mesmo em dias aonde minha adrenalina era maior que o normal.

Lembro-me de, no dia que antecedia o inicio da quinta série, de não conseguir dormir. Fiquei toda a -maldita- madrugada pensando, divagando, sonhando com as inúmeras e incontáveis possibilidades que eu, na minha pequena inocência de moleque salesopolitano, imaginava que ocorreria. Não aconteceu nada e eu fiquei a madrugada toda inventando histórias que nunca ocorreram. nunca.

Não consigo dormir, sempre tive esse pequeno problema. Lembro-me de vagar pela casa, em salé, perdido até umas 4 ou 5 da manhã. Nunca tive imensos problemas em dormir pouco (há épocas assim, há épocas de destruir-me na cama) e portanto ficar até as quatro da madruga olhando pras ruas da cidade me era, menos um prazer, mais uma necessidade. Televisão desaparecia depois de uma hora (pornografia era medida em minutos) não havia internet nem eu sentia-me no desejo de escrever algo (naquela época um papel poderia ser a prova de um crime) E portanto eu ficava ou no muro do quintal, ou -quando fizeram o velhaco segundo andar- na janelinha mais longínqua, olhando pessoas bêbadas que passavam (lembro-me de ficar muito excitadinho quando vi minha professora de sei-lá-o-que dando os maiores catos numa rua escura, lá pelas duas de uma terça) olhando cachorros que brigavam, mosquitos e morcegos que voavam e eu, que só sonhava e sonhava e sonhava acordado, olhos abertos olhando um, agora já sabido, nada.

Seria momentos desperdiçados, acho eu. Se não fossem obrigatórios. Mas ainda sim eu me sinto triste, porque nada nunca foi mais interessante, romântico, sincero ou relevante na minha vida do que aquelas horas de total negritude, olhando uma janela esquecida num ano perdido do século XX.

Eu não consigo dormir.

terça-feira, maio 07, 2013

Uma noção que, sinceramente, muito me agrada

Tenho andado um bocado sozinho.

Não que não tenha saído com garotas, nos últimos tempos até que esse motivo tem acontecido bastante. Porem em nenhuma das vezes isso acabou de alguma forma interessante. Sempre acabei com um vazio na barriga maior do que antes, um claro sinal de que estou fazendo pelo menos uma coisa errada.

Quero dizer, não é errado.

Deixa eu recomeçar: Tenho andando um bocado sozinho. Não fisicamente, porque tenho saído com garotas até que relativamente bastante. Mais do que costumava sair no passado. Mas acontece que, em cada uma dessas saídas, sinto como se nada fosse completado. Apenas estou ali de corpo presente, respondendo a alguns possíveis anseios que o outro corpo pede, mas nada que realmente valha a pena. Nada que valha a pena apostar minhas poucas fichas.

Em suma, ainda não há motivos. Um velho tema recorrente que, se não é o maior dos meus demónios, é alguma coisa tão grande quanto.

Não há nada que me faça realmente tentar, arriscar. Diabos, eu me disponho a morar nas ruas porque ali há mais possibilidades de alguma coisa interessante acontecer do que nesta medíocre vidinha aonde tudo é irritantemente banal.

Há, creio eu, uma única exceção.

A garota que eu mais tenho andado nos últimos tempos não é alguém que eu trepei. Já fiquei pelado com ela uma dúzia de vezes, mas não é alguém que eu sinta que vá comer nalgum momento no futuro. Essa menina é lésbica. Daquelas lésbicas que realmente não sentem o menor prazer com homens.

Até ai tudo bem. Eu tentei lamber o pescoço dela quando bêbado, percebi que nada aconteceu e continuei conversando. Ela, similar a praticamente todas as mulheres e moças que me fizeram interessar de verdade, é alguém cuja conversa é confortável, instigante. Alguém com quem eu me sinto bem em ficar apenas sentado, na frente do bar, bebendo alguma coisa e conversando. Calhou dessa menina não sentir a menor atração sexual por mim (ou qualquer outro cara) e isso não é nenhum problema.

Agora vem o Catch 22. O fato de não querermos trepar não significa que não vamos trepar. Um dia enquanto bêbados (ou chapados. não sei direito) decidimos que, enquanto não íamos fazer sexo entre nós, íamos em algum momento fazer sexo. Uma terceira moça deveria estar junto e a união de nossas vontades é que deveria comer essa garota de todas as formas possíveis.

Já demos em cima de um pequeno grupo de moças. Nenhuma se dispôs a tanto.

Agora vem o movimento de explicação do titulo. Isso porque, num dos dias bêbados, enquanto conversávamos, eu chorava minhas magoas do passado-próximo, ela chorava as dela (temos muitas, ambas similares e que aconteceram num espaço muito próximo de tempo. ((isso, alias, é uma das outras marcas de proximidade de mim com todas as mulheres e moças. Há sempre uma similaridade de pensamento - com algumas acontece em menor intensidade, noutras tão assustadoramente simétricas  que a única reação que consigo ter é a de completo estupor alegre e dançarino - que me força desejar passar mais tempo com essas mulheres e moças)) ) enquanto chorávamos, bebíamos, discutíamos e olhávamos duas garotinhas bonitinhas que passavam na escura noite, uma de meia arrastão outra cujo cabelo era azul,  houve um estalo. Uma noção que, sinceramente, muito me agrada -e a essa minha amiga lésbica também-.

Quando formos fazer sexo com uma terceira garota, a meta é fazer dessa trepada a maior trepada da vida dela. É fazer com que essa mulher, seja ela quem for, tenha sonhos nas suas próximas trepadas, desejando que nós dois estivessemos ali, ao invés de seja lá quem ela for dormir depois. É preciso criar nessa mulher um sentimento de luxuria, tesão e excitação imenso. Algo que a faça explodir em mim gozos mulitplos, um a cada cinco minutos, pelo espaço de cinco horas de trepada. no mínimo.

E é isso. Sinto que conseguir isso, no final, não vai me fazer suprir aquela falta que sinto dentro de mim. O pequeno buraco que nunca enche, não importa quais coisas busque hoje em dia.Reconheço isso, sei quais são os problemas e, eu realmente espero, algum dia vou conseguir conviver com isso sem me sentir deprimido dia sim, dia não. Mas sentir-se vazio não significa que não possa sonhar em fazer uma garota aleatória ter a maior trepada da vida dela, a que irá contar com muita saudade e nostalgia para sua sobrinha neta preferida, no longínquo futuro que eu estarei a muito tempo já morto, enterrado e praticamente esquecido.

É uma noção que, sinceramente, muito me agrada.