Há pequenas crises de desistências.
estou tendo já a alguns dias dores de rim. Pedras, creio. É algo realmente dolorido, devo dizer, daquelas que me fazer perder a noção da realidade enquanto ela bate, pelo menos uma vez a cada minuto. São como cólicas, só que mais ásperas, rasgando no canto da minha barriga como uma faca quente. Eu não sei qual a sensação de uma faca quente, mas deve ser bem parecido. Ser esfaqueado e queimado não é algo que me parece ser bom.
enfim, pedras no rim. Provavelmente por minha má atitude com relação a saúde. Nem ao menos fui no médico, nem creio que irei. Prefiro ser irresponsável. Ou pelo menos parecer. Acho que minha irmã já percebeu, pelas minhas atitudes, que ou sou um completo desligado/envergonhado, ou não me importo realmente em estar vivo. Talvez isso e a quantidade de pinga que costumo ingerir. Ou talvez ela só esteja preocupada quando me vê tossindo por quase um minuto, para logo em seguida ter minha traqueia trancada e eu ficando incapaz de respirar. (talvez tenha sido tuberculose, mas eu duvido. Tuberculose não passa alguns meses depois. Mesmo existindo um comercial que diz "tosse por mais de duas semanas pode ser" e eu tossi por quase três meses)
Enfim, pedras no rim. Tive uma mais ou menos a um ano atrás. Sei que foi um ano atrás porque foi numa segunda, logo depois dum domingo onde nos despedimos do Eduardinho, que ia pra Rússia, bebendo tudo que podiamos, e duma quinta-sexta-sábado em Salesópolis de alcoolismo. Acordei na segunda feira com dores horríveis, que eu não tinha a menor ideia naquele momento serem fruto duma pedra no rim. Acreditei por quase duas horas, em que gritava de dores na minha cama (minha pequena cama, fria cama, quieta cama, sozinha cama), acreditei que tinha fodido alguma coisa do meu fígado ou algum outro órgão, que estava se liquidificando em sangue. Era dolorido, mas não ruim. Sabe como é, minha irmã já deve ter notado que não me importo em estar vivo. Desde que ela ficou sabendo das pedras, ontem de noite, ficou me dando sermões e ligando aqui para pedir que fosse no medico.
Não irei. Não há motivos.
Desta vez a primeira pedra apareceu quinta passada, a exatos uma semana. Foi uma dor leve, de manhã, cinco da manhã. Eu acordei já sentindo que algo no meu rim estava sendo crucificado, reconheci de cara a dor. Só tive o desprazer de não me levantar pra ir pra faculdade e tomar um remédio para dor que estava ali, em cima, do lado do filtro. Deitei-me e logo a dor havia passado.
Nem ano passado, nem quinta, nem agora a pedra saiu no meu mijo.
A dor passou mas eu fiquei com os instintos alertas. Por mais sem motivos que seja, não gosto nem um pouco de sentir um pedaço pontiagudo de ferro enferrujado tentando sair por meus canais uretais, tentando e não conseguindo. Senti medo e fiquei toda a semana tomando cuidados, me preocupando a cada momento com o retorno da dor.
Quarta, ontem, ela voltou. Novamente de madrugada, mas por sorte dessa vez eu não tinha aula, continuei deitado. às dez horas comecei a perceber que a dor não iria embora, e resolvi tomar o remédio. Não funcionou e eu comecei a sentir vontades de vomitar, tremendo minha perna quando tentava andar para aliviar, tonturas quando me deitava, alguma coisa lá dentro de mim mastigando minha carne lentamente. Não gritei. Não sai de casa, só de bermuda, perdido atrás de alguma coisa que pudesse me socorrer, como ano passado. Apenas esperei. E tomei agua. Muita agua.
Error
Aparentemente a pedra estava entupindo o canal do meu pau, me impossibilitando de mijar. A cada garrafinha de agua eu sentia mais dor, talvez por estar lotado de agua que não podia sair, talvez porque é difícil reconhecer dores alem daquela do rim raivoso. Ficava quase meia hora no banheiro, cabeça na parede fria, suor frio, calças abaixadas e pau pra fora, forçando algum mijo. Nada saia. Nada saia.
Algo um momento saiu. Sangue. Mijo e sangue. Xixi e sangue. Fiquei feliz por alguma coisa sair, por meu corpo responder de alguma forma a aquele embaraço todo. A coisa talvez fosse passar rápido.
Fiquei com dores até as seis horas da tarde. Quando me preparava para ir no médico, há um pronto-socorro a um quilometro daqui, mais ou menos, a dor passou. Quinze minutos depois consegui mijar de uma só vez quase o dobro do que tinha conseguido das 11 às 4 da tarde. Alivio.
Mas não fiquei com medo de morrer, devo admitir. Talvez nalgum futuro, quando reler isso, possa soar pretensioso, mas não era como se estivesse chorando para deus, pedindo pra tudo melhorar. Queria que a dor passasse, mas não desejava que eu ficasse saudável. Tenho andado muito suicida. Deprimente, Irrisório, Previsível e Suicida. Mas nada disso agora importa. Não estou mais mijando sangue.
quinta-feira, agosto 16, 2012
quarta-feira, agosto 08, 2012
Alien 3 - O filme que mais devo ter visto em toda a minha pequena e patetica vida.
Acabo de reassistir Alien 3. É provavelmente o filme que mais assisti em toda a minha vida. Faz mais de 15 anos que não o via.
Nos anos 90 tinhamos, lá em casa, varias televisões e videocassetes. Meu pai sempre gostou disso, de deitar e ficar vendo filmes nos finais de semana. Lembro-me do primeiro videocassete que tivemos, e 89, e do primeiro filme que alugamos, He-Man. Tivemos que viajar até Santa Branca para encontrar uma locadora.
Eu sabia um bocado de como mexer nos videocassetes. Aposto que ainda sei. Tinha toda uma tecnica para mexer com os fios, em programar coisas, em filmar perfeitamente. Nenhum dos filmes que gravava tinha comerciais, pois eu costumava pausar. Gravava em EP quando o filme era ruim, pois isso deixava as fitas com quase 6 horas de duração. Tinha pornografia gravada (emanuelle e todas as coisas que passavam na bandeirantes nas noites de sabado) filmes dos mais variados estilos (mas somente os que passavam na televisão. ou quando tivemos tv a cabo, alguns legendados). Cheguei até a montar uma fita com todos os inicios dos jogos que jogava no Playstation. Costumava assistir essa fita enquanto jogava RPG, Legend Of Legaia acho, as cutscenes de cada especial eram longuissimas e eu preferia ficar vendo os filminhos dos outros jogos. Quando o controle tremia, voltava para o jogo. Lembro-me de madrugadas, isso já em 2001, em que deixava a fita do MIB 1, Duro de Matar 3 e Batman & Robim passando direto. Seis horas dava tempo o suficiente para que eu dormisse.
Sempre gostei do filme Alien. Creio que o vi pela primeira vez o 2, aqui em são paulo, quando passou na globo. Não me lembro de absolutamente nada do filme, mas devo ter ficado realmente impressionado, pois quando em 93 vi um comercial do Alien 3, quis desesperadamente ve-lo. E só fui conseguir em 94, sei bem dessa data porque era época da Copa do Mundo, Brasil tetracampeão. Numa noite que não houve jogo meu primo Guilherme (Seria interessante escrever alguma coisa sobre ele, mas no futuro.) meu primo Guilherme e eu acabamos indo alugar fitas cassete na locadora do Vanderlei, a locadora onde passava horas e horas quando aprendi a ler lendo sinopses de filmes, decorando aqueles que gostaria de ver mas não tinha dinheiro para alugar. Tambem passava horas vendo, por detras da prateleira dos jogos de videogame que lá alugava, capas de filmes pornograficos hardcore. Lembro até de, já com uns 15 anos, ir na locadora com o velho Jeferson (outro que merece uma historinha detalhando sua interessante pessoa) o Jefinho para ficar olhando capas e contracapas de pornografia. Mas enfim, alugamos Alien 3, e eu assisti maravilhado. Era um filme sombrio, bruto, direto. Havia muito sangue e sombras, personagens e situações que não entendia muito bem. Sabia mais ou menos quem era a Ripley, mas não entendia muita coisa da tensão sexual que ela passa o filme todo. Ela era uma personagem misteriosa, assim como todas as mulheres o são.
E o Xenomorfico, a besta, o Alien. Ah, o monstro me fascinava. Era uma especie de animal, um animal que gente nenhuma conseguia controlar. Uma especie de leão, de urso ultrapoderoso e violento. Suas ações eram completamente destituidas de raciocinio, mesmo eu sabendo que era um ser inteligente. Mas sua brutalidade, viceral, me fascinavam. Lembro de estar numa festa de aniversário na casa da tia Cidinha e brincar com a mulecada de uma especie de pega-pega. Eu apenas tentava correr como o Alien.
Alguns anos mais tarde, talvez um, talvez dois, talvez três, passou Alien na globo. Foi o maior evento que tinha. Estava comentando sobre o filme na escolinha já desde o inicio da semana anterior ao filme (creio que passou numa segunda, filmes passam na segunda. Mas eu já sabia desde uma semana antes) e preparei a fita, o videocassete, tudo exatamente perfeito para gravar. Seria em LP, a melhor qualidade e espaço para apenas mais um filme (que acabou sendo Predador 2. Uma ótima combinação) com todas os comerciais cortados, som ideal, televisão perfeita. Tudo exato. Tudo perfeito.
Na hora de começar o filme, começar a gravar, eu esqueci completamente de apertar o "REC". Vi os primeiros sete minutos com o videocassete parado. Só quando Ripley cai no planeta prisão que a fita rolou. Mas todo o resto foi perfeito, sem falhas.
Revi esse filme nos anos posteriores muitas, muitas, muitas vezes. Em alguns dias mais de 3 vezes, seguido. Alien 3 & Predador 2. Cheguei a fazer a conta de quantas pessoas viviam na prisão, só de ver quantos morriam. Eram 28, se não me engano. Esses eram filmes que me fascinavam. É logico, possuia outras fitas, De Volta para o Futuro 1, 2 e 3 numa mesma, Rambo 1, varios filmes que passavam na tv e eu, oportunamente, gravava. Todos os filmes não muito complexos mas que me divertiam bastante. Era uma ótima época.
Hoje, mais ou menos 15 anos mais velho, revi o Alien 3. Uma versão completa, do diretor, com muito mais cenas, desenvolvimento de personagens. E devo dizer, mesmo não sendo o melhor filme da série de longe (Aliens 2 -> Alien 1 -> Alien 3 -> qualquer outra merda que não seja alien 4, que aluguei com meu primo Neto para assistir e ficamos meio que broxados com como o filme é ruim) mesmo não sendo um filme genial, é muito bom. A versão estendida dá mais enfase a religiosidade das personagens, é um planeta prisão/monasterio, com alguns personagens celebrando o Xenomorgico como uma divindade, um diabo que veio para limpar-los dos pecados. É um toque muito interessante. Tambem da pra ver que os personagens são todos bandidos ultraviolentos, Duplo-Y, e em um momento a Ripley é quase estuprada. Isso nunca aconteceria no dois, que é um ótimo filme de ação. Tudo esta perdido e eles sabem. O mundo é sombrio, sujo, sem esperança, sem vida, apenas dor e violencia, nenhum toque de amor que não seja puramente escapismo, uma fuga da noção que aquela coisa negra, molhada, cheia de acido como sangue esta trazendo, a morte certa. Mesmo quando se entrega a alguma esperança divina, ela vem com a clara noção do julgamento, do fim. Pessoas vão morrer sofrendo, e provavelmente isso será em vão.
Rever o filme me deixou nostalgico. Não creio que tive a melhor infancia do mundo, mas me diverti com ela. Espero poder mostrar esse filme para o meu sobrinho, assistir com ele e deixa-lo morrendo de medo e fascinado com o Alien. Ultimamente a noção de poder ser uma influencia para ele é uma das pouquissimas coisas que consegue me manter de pé. Eu tenho que acordar para poder sobreviver até que ele sabia raciocinar com clareza. Não há mais muita esperança alem disso.
Nos anos 90 tinhamos, lá em casa, varias televisões e videocassetes. Meu pai sempre gostou disso, de deitar e ficar vendo filmes nos finais de semana. Lembro-me do primeiro videocassete que tivemos, e 89, e do primeiro filme que alugamos, He-Man. Tivemos que viajar até Santa Branca para encontrar uma locadora.
Eu sabia um bocado de como mexer nos videocassetes. Aposto que ainda sei. Tinha toda uma tecnica para mexer com os fios, em programar coisas, em filmar perfeitamente. Nenhum dos filmes que gravava tinha comerciais, pois eu costumava pausar. Gravava em EP quando o filme era ruim, pois isso deixava as fitas com quase 6 horas de duração. Tinha pornografia gravada (emanuelle e todas as coisas que passavam na bandeirantes nas noites de sabado) filmes dos mais variados estilos (mas somente os que passavam na televisão. ou quando tivemos tv a cabo, alguns legendados). Cheguei até a montar uma fita com todos os inicios dos jogos que jogava no Playstation. Costumava assistir essa fita enquanto jogava RPG, Legend Of Legaia acho, as cutscenes de cada especial eram longuissimas e eu preferia ficar vendo os filminhos dos outros jogos. Quando o controle tremia, voltava para o jogo. Lembro-me de madrugadas, isso já em 2001, em que deixava a fita do MIB 1, Duro de Matar 3 e Batman & Robim passando direto. Seis horas dava tempo o suficiente para que eu dormisse.
Sempre gostei do filme Alien. Creio que o vi pela primeira vez o 2, aqui em são paulo, quando passou na globo. Não me lembro de absolutamente nada do filme, mas devo ter ficado realmente impressionado, pois quando em 93 vi um comercial do Alien 3, quis desesperadamente ve-lo. E só fui conseguir em 94, sei bem dessa data porque era época da Copa do Mundo, Brasil tetracampeão. Numa noite que não houve jogo meu primo Guilherme (Seria interessante escrever alguma coisa sobre ele, mas no futuro.) meu primo Guilherme e eu acabamos indo alugar fitas cassete na locadora do Vanderlei, a locadora onde passava horas e horas quando aprendi a ler lendo sinopses de filmes, decorando aqueles que gostaria de ver mas não tinha dinheiro para alugar. Tambem passava horas vendo, por detras da prateleira dos jogos de videogame que lá alugava, capas de filmes pornograficos hardcore. Lembro até de, já com uns 15 anos, ir na locadora com o velho Jeferson (outro que merece uma historinha detalhando sua interessante pessoa) o Jefinho para ficar olhando capas e contracapas de pornografia. Mas enfim, alugamos Alien 3, e eu assisti maravilhado. Era um filme sombrio, bruto, direto. Havia muito sangue e sombras, personagens e situações que não entendia muito bem. Sabia mais ou menos quem era a Ripley, mas não entendia muita coisa da tensão sexual que ela passa o filme todo. Ela era uma personagem misteriosa, assim como todas as mulheres o são.
E o Xenomorfico, a besta, o Alien. Ah, o monstro me fascinava. Era uma especie de animal, um animal que gente nenhuma conseguia controlar. Uma especie de leão, de urso ultrapoderoso e violento. Suas ações eram completamente destituidas de raciocinio, mesmo eu sabendo que era um ser inteligente. Mas sua brutalidade, viceral, me fascinavam. Lembro de estar numa festa de aniversário na casa da tia Cidinha e brincar com a mulecada de uma especie de pega-pega. Eu apenas tentava correr como o Alien.
Alguns anos mais tarde, talvez um, talvez dois, talvez três, passou Alien na globo. Foi o maior evento que tinha. Estava comentando sobre o filme na escolinha já desde o inicio da semana anterior ao filme (creio que passou numa segunda, filmes passam na segunda. Mas eu já sabia desde uma semana antes) e preparei a fita, o videocassete, tudo exatamente perfeito para gravar. Seria em LP, a melhor qualidade e espaço para apenas mais um filme (que acabou sendo Predador 2. Uma ótima combinação) com todas os comerciais cortados, som ideal, televisão perfeita. Tudo exato. Tudo perfeito.
Na hora de começar o filme, começar a gravar, eu esqueci completamente de apertar o "REC". Vi os primeiros sete minutos com o videocassete parado. Só quando Ripley cai no planeta prisão que a fita rolou. Mas todo o resto foi perfeito, sem falhas.
Revi esse filme nos anos posteriores muitas, muitas, muitas vezes. Em alguns dias mais de 3 vezes, seguido. Alien 3 & Predador 2. Cheguei a fazer a conta de quantas pessoas viviam na prisão, só de ver quantos morriam. Eram 28, se não me engano. Esses eram filmes que me fascinavam. É logico, possuia outras fitas, De Volta para o Futuro 1, 2 e 3 numa mesma, Rambo 1, varios filmes que passavam na tv e eu, oportunamente, gravava. Todos os filmes não muito complexos mas que me divertiam bastante. Era uma ótima época.
Hoje, mais ou menos 15 anos mais velho, revi o Alien 3. Uma versão completa, do diretor, com muito mais cenas, desenvolvimento de personagens. E devo dizer, mesmo não sendo o melhor filme da série de longe (Aliens 2 -> Alien 1 -> Alien 3 -> qualquer outra merda que não seja alien 4, que aluguei com meu primo Neto para assistir e ficamos meio que broxados com como o filme é ruim) mesmo não sendo um filme genial, é muito bom. A versão estendida dá mais enfase a religiosidade das personagens, é um planeta prisão/monasterio, com alguns personagens celebrando o Xenomorgico como uma divindade, um diabo que veio para limpar-los dos pecados. É um toque muito interessante. Tambem da pra ver que os personagens são todos bandidos ultraviolentos, Duplo-Y, e em um momento a Ripley é quase estuprada. Isso nunca aconteceria no dois, que é um ótimo filme de ação. Tudo esta perdido e eles sabem. O mundo é sombrio, sujo, sem esperança, sem vida, apenas dor e violencia, nenhum toque de amor que não seja puramente escapismo, uma fuga da noção que aquela coisa negra, molhada, cheia de acido como sangue esta trazendo, a morte certa. Mesmo quando se entrega a alguma esperança divina, ela vem com a clara noção do julgamento, do fim. Pessoas vão morrer sofrendo, e provavelmente isso será em vão.
Rever o filme me deixou nostalgico. Não creio que tive a melhor infancia do mundo, mas me diverti com ela. Espero poder mostrar esse filme para o meu sobrinho, assistir com ele e deixa-lo morrendo de medo e fascinado com o Alien. Ultimamente a noção de poder ser uma influencia para ele é uma das pouquissimas coisas que consegue me manter de pé. Eu tenho que acordar para poder sobreviver até que ele sabia raciocinar com clareza. Não há mais muita esperança alem disso.
quinta-feira, agosto 02, 2012
ahn, novamente desanimo. tem sido uma constante, esse exato tipo de depressão tem me batido já faz mais de dez anos. Acho que consigo me lembrar de antes, mas não exatamente de o quão feliz eu era. Não o fui, mas pelo menos não reconhecia no meu desanimo alguma coisa que doesse demais. Estava ocupado imaginando coisas divertidas e descendo ladeiras de bicicleta.
mas sempre houveram momentos de um completo tédio. não tédio - não possuo nada pra fazer - mas sim tédio desesperançoso. angustia apagada. a não-vontade de levantar um dedo.
não consigo me explicar bem. melhor sair do passado por enquanto e voltar no presente.
novamente desanimo. Consigo ver que este não me acomete tão forte quanto no final desse ultimo ano, no dia do meu aniversário. Há alguma postagem sobre esse dia e ali não era apenas desanimo, mas sim um desespero. O desespero ainda existe, mas sei lá porque naquele dia foi maior. Aniversários sempre foram um momento difícil, e eu prefiro que eles não existam. Enfim, tentarei ser mais claro (mesmo sabendo que provavelmente esta merda aqui vai ficar em rascunho, assim como praticamente quase tudo que escrevo nisso.)
enfim, novamente desanimo. Não sei como explicar isso, pretendo escrever sem parar até conseguir me sentir colocado nas palavras. Estou tonto, fraco, perdido. Sinal de que, novamente como sempre, perdi? talvez. Não consigo me lembrar de algum momento aonde tenha sentido que ganhei, sabe? mesmo me esforçando em alguns momentos, me parece que perdi sempre. E não é culpa de mais ninguém alem de mim. Ojeriza de estar em mim, eu espero realmente que não exista pós-vida, não aguento passar todo o resto da eternidade enterrado dentro de mim mesmo. também não espero que seja um pos-vida cristão, porque senão estarei enterrado dentro de mim mesmo no mais eterno sofrimento do inferno - fiz mais merdas do que se pode contabilizar, e provavelmente não devo morrer de uma forma não suicida. discuti com alguns amigos (de 17 anos) em salesópolis mês passado e eles me afirmaram que beber, usar drogas, abusar de todo tipo de comportamento destrutivo é, de um ponto de vista divinal, suicídio. eu acredito na molecada de 17 anos - de qualquer forma não espero ter inferno nem alma nem besteiras nenhumas. E ao morrer acabou tudo. ótimo. mas sou camuniano (de uma certa forma, talvez, também) e devo pelo menos tentar aguentar o máximo dessa porra toda. mas sobreviver não significa gostar disso, não significa que eu deva sorrir ou sentir-me bem com tudo isso. no mais, perdi.
é uma espécie de falta de destino, sabe? não existe foco, objetivo claro, motivo que me faça acordar todo maldito dia.
estou me repetindo. já escrevi isso umas cento e seis vezes. mas acho que é esse o ponto. o desanimo acomete porque não consigo acreditar nas coisas que estão aqui. Não há porque trabalhar. não há porque estudar. não há porque acordar. não há porque sair de casa. não há porque não parar de beber quase todo o tempo até vomitar e sair sangue do seu estômago. é tudo tão sem sentido, tão absurdamente sem sentido que qualquer outra coisa é banal. E eu acho que tudo isso me soa banal porque eu perco o tempo todo, porque o sucesso nunca acontece, nunca verdadeiramente acontece. (não estou falando de uma espécie de sucesso trabalho-intelectual-moral-whatever. me refiro ao sucesso de consegui olhar-me no espelho e não conseguir ver apenas um esboço de macaco perdido, jogado num liquidificador de falsas esperanças e momentaneos delírios, que só te fazem morder mais forte o pedaço de madeira que esta na tua boca. sucesso de olhar no espelho e sentir-se valido enquanto ajuntamento de celulas, conseguir não querer socar o vidro, socar a sua cara, se bater até quebrar algumas vertebra e cair no chão sangrando. sucesso como olhar no espelho e não ver apenas aquele ridiculo parco inutil inevitalvemente fracassado completo em tudo que imaginou fazer ou tentou se dedicar. olhar no espelho e sentir que alguma pequena coisa vale a pena. mesmo que seja a menorzinha dela.)
é uma espécie de ciclo destrutivo. Consigo ver isso. Perco porque não tenho objetivo. não tenho objetivos porque perco. me suicido de pouco em pouco por causa de ambos e esse suicídio é o que causa ambos. um ciclo de definhamento que já dura dez anos e que provavelmente vai durar mais dez, porque o pior disso tudo não é ter que acordar todo dia com a cabeça zumbindo de raiva por não ter morrido nas ultimas cinco horas de sono, o pior é saber que provavelmente vai ser assim pra sempre, todo maldito dia a mesma coisa, lentamente se afundando mas nunca submergindo. lentamente mais perdido. lentamente menos esperançoso. não existe escapatória.
não vou beber hoje. sei lá. minha boca esta sangrando. ando lendo coisas demais. passando tempo demais olhando na janela do ônibus, pra lá fora.
como disse, desanimo. muito desanimo. perdido. acho que vou dormir mas não tenho sono.
mas sempre houveram momentos de um completo tédio. não tédio - não possuo nada pra fazer - mas sim tédio desesperançoso. angustia apagada. a não-vontade de levantar um dedo.
não consigo me explicar bem. melhor sair do passado por enquanto e voltar no presente.
novamente desanimo. Consigo ver que este não me acomete tão forte quanto no final desse ultimo ano, no dia do meu aniversário. Há alguma postagem sobre esse dia e ali não era apenas desanimo, mas sim um desespero. O desespero ainda existe, mas sei lá porque naquele dia foi maior. Aniversários sempre foram um momento difícil, e eu prefiro que eles não existam. Enfim, tentarei ser mais claro (mesmo sabendo que provavelmente esta merda aqui vai ficar em rascunho, assim como praticamente quase tudo que escrevo nisso.)
enfim, novamente desanimo. Não sei como explicar isso, pretendo escrever sem parar até conseguir me sentir colocado nas palavras. Estou tonto, fraco, perdido. Sinal de que, novamente como sempre, perdi? talvez. Não consigo me lembrar de algum momento aonde tenha sentido que ganhei, sabe? mesmo me esforçando em alguns momentos, me parece que perdi sempre. E não é culpa de mais ninguém alem de mim. Ojeriza de estar em mim, eu espero realmente que não exista pós-vida, não aguento passar todo o resto da eternidade enterrado dentro de mim mesmo. também não espero que seja um pos-vida cristão, porque senão estarei enterrado dentro de mim mesmo no mais eterno sofrimento do inferno - fiz mais merdas do que se pode contabilizar, e provavelmente não devo morrer de uma forma não suicida. discuti com alguns amigos (de 17 anos) em salesópolis mês passado e eles me afirmaram que beber, usar drogas, abusar de todo tipo de comportamento destrutivo é, de um ponto de vista divinal, suicídio. eu acredito na molecada de 17 anos - de qualquer forma não espero ter inferno nem alma nem besteiras nenhumas. E ao morrer acabou tudo. ótimo. mas sou camuniano (de uma certa forma, talvez, também) e devo pelo menos tentar aguentar o máximo dessa porra toda. mas sobreviver não significa gostar disso, não significa que eu deva sorrir ou sentir-me bem com tudo isso. no mais, perdi.
é uma espécie de falta de destino, sabe? não existe foco, objetivo claro, motivo que me faça acordar todo maldito dia.
estou me repetindo. já escrevi isso umas cento e seis vezes. mas acho que é esse o ponto. o desanimo acomete porque não consigo acreditar nas coisas que estão aqui. Não há porque trabalhar. não há porque estudar. não há porque acordar. não há porque sair de casa. não há porque não parar de beber quase todo o tempo até vomitar e sair sangue do seu estômago. é tudo tão sem sentido, tão absurdamente sem sentido que qualquer outra coisa é banal. E eu acho que tudo isso me soa banal porque eu perco o tempo todo, porque o sucesso nunca acontece, nunca verdadeiramente acontece. (não estou falando de uma espécie de sucesso trabalho-intelectual-moral-whatever. me refiro ao sucesso de consegui olhar-me no espelho e não conseguir ver apenas um esboço de macaco perdido, jogado num liquidificador de falsas esperanças e momentaneos delírios, que só te fazem morder mais forte o pedaço de madeira que esta na tua boca. sucesso de olhar no espelho e sentir-se valido enquanto ajuntamento de celulas, conseguir não querer socar o vidro, socar a sua cara, se bater até quebrar algumas vertebra e cair no chão sangrando. sucesso como olhar no espelho e não ver apenas aquele ridiculo parco inutil inevitalvemente fracassado completo em tudo que imaginou fazer ou tentou se dedicar. olhar no espelho e sentir que alguma pequena coisa vale a pena. mesmo que seja a menorzinha dela.)
é uma espécie de ciclo destrutivo. Consigo ver isso. Perco porque não tenho objetivo. não tenho objetivos porque perco. me suicido de pouco em pouco por causa de ambos e esse suicídio é o que causa ambos. um ciclo de definhamento que já dura dez anos e que provavelmente vai durar mais dez, porque o pior disso tudo não é ter que acordar todo dia com a cabeça zumbindo de raiva por não ter morrido nas ultimas cinco horas de sono, o pior é saber que provavelmente vai ser assim pra sempre, todo maldito dia a mesma coisa, lentamente se afundando mas nunca submergindo. lentamente mais perdido. lentamente menos esperançoso. não existe escapatória.
não vou beber hoje. sei lá. minha boca esta sangrando. ando lendo coisas demais. passando tempo demais olhando na janela do ônibus, pra lá fora.
como disse, desanimo. muito desanimo. perdido. acho que vou dormir mas não tenho sono.
quarta-feira, agosto 01, 2012
Sobre Olimpíadas e outras coisas que, se não me deprimem per si, são deprimentes no grande contexto das coisas
Estou ouvindo as olimpíadas. ouvindo porque não tenho saco de ficar olhando e por estar vendo num daqueles sites de tv online, e no computador fazer apenas uma coisa por vez é praticamente impossível.
Enfim, estou vendo as olimpíadas, um jogo de volei bem chato do Brasil. Volei sempre me foi chato, mas eu participei um bocado de vezes dele. Culpa dos meus dois primos, que quando na juventude, jogavam volei do mesmo modo/frequência/intensidade que eu fingia ser o Homem Aranha. Nas férias, na longínqua praia, eu sempre era recrutado a ir ver-los jogar volei. Não sei qual era o grande ponto disso, já que eu apenas ficava olhando, apenas fingindo que olhava eles jogarem, sem nem ao menos me preocupar com o que realmente acontecia. Creio que isso começou lá por 92, quando o Brasil ganhou o primeiro ouro no volei, e todo mundo no pais ficou pirando no esporte. Eu não ligava para isso, só queria ler coisas, havia acabado de aprender a ler, e jogar jogos do Capitão America & The Avengers. Mas meus primos me obrigavam a ir ver jogos do Brasil nos estádios, obrigavam a ver na tv, obrigavam a ver-los jogarem.
E eu, como sempre, apenas esperava tudo acabar para ir embora. Sempre tive uma grande capacidade, paciência, para esperar coisas. Sabia que em algum momento todo o jogo iria acabar, que as coisas vão passar, e é apenas a questão de eu me isolar mentalmente em algum outro lugar, contar alguma história bizarra na imaginação, que tudo passa. E eles jogavam por horas e horas, eu apenas assistindo, sem nunca nunca nunca entrar no jogo. Apenas olhava.
Lembro-me também de uma olimpíada, a uns oito anos atrás, com a Lilian. Não lembro qual era a olimpíada, talvez a de Athenas (foi 92 Barcelona - eu estava jogando Master System em sp quando o homem soltou a flecha de fogo na pira olímpica; 96 Atlanta - alugava a fitinha de Mega Driver na locadora do Sr. Carequinha; 2000 Sidney - acabo de ver no google; 2004 Athenas e 2008 China) Em 2004 eu passei toda a olimpíada vendo no restaurante onde a Lilian trabalhava, gostava da companhia e ela era uma espécie de aficionada por esportes, jogava no time de handball e tudo mais, Lembro-me de perceber naquele momento, depois de tantos anos vendo Volei nos meus primos, com meus primos, o como o feminino era mais "delicado" "leve" "frágil" em comparação ao masculino. Eram tardes secas, conosco sentado nas cadeiras do restaurante enquanto ninguém aparecia, apenas o tempo passando e as coisas acontecendo lá longe, esportes e mais esportes.Gostava de ouvir-la falar sobre as coisas, sobre como os times do Brasil eram bons, os movimentos, as capacidades de cada jogador, coisas assim. Eu não tinha nem tenho a menor ideia do que ela falava, mas gostava de ouvir a voz dela, de ficar apenas ali, olhando ela falar sobre qualquer coisa que fosse.
Em 2008 eu vi toda as olimpíadas em casa, sozinho, trancado. Não queria sair, matei quase todo o tempo das aulas. Não porque o evento me interessava, mas sim por estar numa daquelas épocas onde não consigo nem mesmo levantar da cama, de tão desinteressado (esse não é bem o motivo, mas whatever) de tão desinteressado que estava com todo o resto. Não tenho nenhuma lembrança relevante dessa olimpíada, e provavelmente me passou tão seca quanto o resto de tudo.
Hoje estou vendo as Olimpíadas de 2012 em casa, não mais trancado o tempo todo. Sai ontem, sai antes de ontem. Sairei hoje, acho, e amanha e depois de amanhã. Mas não creio estar melhor que antes, não creio que, olhando em comparação com 2008, esteja um ser melhor, decente, relevante. Ainda sou a mesma espécie de idiota patético de antes, a mesma espécie que errou, perdeu, fracassou e sabe bem disso. E continuo apenas ouvindo as olimpíadas, não olhando, não me importando, apenas ouvindo as olimpíadas, esperando qualquer outra coisa que me faça sair desse marasmo, desse marasmo esportivo que sempre circula em minha vida. Esperando por qualquer coisa boa que valha alguns poucos segundos de vida e anos de lembrança.
Enfim, estou vendo as olimpíadas, um jogo de volei bem chato do Brasil. Volei sempre me foi chato, mas eu participei um bocado de vezes dele. Culpa dos meus dois primos, que quando na juventude, jogavam volei do mesmo modo/frequência/intensidade que eu fingia ser o Homem Aranha. Nas férias, na longínqua praia, eu sempre era recrutado a ir ver-los jogar volei. Não sei qual era o grande ponto disso, já que eu apenas ficava olhando, apenas fingindo que olhava eles jogarem, sem nem ao menos me preocupar com o que realmente acontecia. Creio que isso começou lá por 92, quando o Brasil ganhou o primeiro ouro no volei, e todo mundo no pais ficou pirando no esporte. Eu não ligava para isso, só queria ler coisas, havia acabado de aprender a ler, e jogar jogos do Capitão America & The Avengers. Mas meus primos me obrigavam a ir ver jogos do Brasil nos estádios, obrigavam a ver na tv, obrigavam a ver-los jogarem.
E eu, como sempre, apenas esperava tudo acabar para ir embora. Sempre tive uma grande capacidade, paciência, para esperar coisas. Sabia que em algum momento todo o jogo iria acabar, que as coisas vão passar, e é apenas a questão de eu me isolar mentalmente em algum outro lugar, contar alguma história bizarra na imaginação, que tudo passa. E eles jogavam por horas e horas, eu apenas assistindo, sem nunca nunca nunca entrar no jogo. Apenas olhava.
Lembro-me também de uma olimpíada, a uns oito anos atrás, com a Lilian. Não lembro qual era a olimpíada, talvez a de Athenas (foi 92 Barcelona - eu estava jogando Master System em sp quando o homem soltou a flecha de fogo na pira olímpica; 96 Atlanta - alugava a fitinha de Mega Driver na locadora do Sr. Carequinha; 2000 Sidney - acabo de ver no google; 2004 Athenas e 2008 China) Em 2004 eu passei toda a olimpíada vendo no restaurante onde a Lilian trabalhava, gostava da companhia e ela era uma espécie de aficionada por esportes, jogava no time de handball e tudo mais, Lembro-me de perceber naquele momento, depois de tantos anos vendo Volei nos meus primos, com meus primos, o como o feminino era mais "delicado" "leve" "frágil" em comparação ao masculino. Eram tardes secas, conosco sentado nas cadeiras do restaurante enquanto ninguém aparecia, apenas o tempo passando e as coisas acontecendo lá longe, esportes e mais esportes.Gostava de ouvir-la falar sobre as coisas, sobre como os times do Brasil eram bons, os movimentos, as capacidades de cada jogador, coisas assim. Eu não tinha nem tenho a menor ideia do que ela falava, mas gostava de ouvir a voz dela, de ficar apenas ali, olhando ela falar sobre qualquer coisa que fosse.
Em 2008 eu vi toda as olimpíadas em casa, sozinho, trancado. Não queria sair, matei quase todo o tempo das aulas. Não porque o evento me interessava, mas sim por estar numa daquelas épocas onde não consigo nem mesmo levantar da cama, de tão desinteressado (esse não é bem o motivo, mas whatever) de tão desinteressado que estava com todo o resto. Não tenho nenhuma lembrança relevante dessa olimpíada, e provavelmente me passou tão seca quanto o resto de tudo.
Hoje estou vendo as Olimpíadas de 2012 em casa, não mais trancado o tempo todo. Sai ontem, sai antes de ontem. Sairei hoje, acho, e amanha e depois de amanhã. Mas não creio estar melhor que antes, não creio que, olhando em comparação com 2008, esteja um ser melhor, decente, relevante. Ainda sou a mesma espécie de idiota patético de antes, a mesma espécie que errou, perdeu, fracassou e sabe bem disso. E continuo apenas ouvindo as olimpíadas, não olhando, não me importando, apenas ouvindo as olimpíadas, esperando qualquer outra coisa que me faça sair desse marasmo, desse marasmo esportivo que sempre circula em minha vida. Esperando por qualquer coisa boa que valha alguns poucos segundos de vida e anos de lembrança.
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