terça-feira, outubro 02, 2007

Meu Falecido Primo Elias

Meu primo Elias morreu a quase dois anos. Só fui perceber realmente agora nesse instante. Estou ouvindo Elliott Smith e percebi que ele até agora não me fez nenhuma falta. E isso doeu bem mais que o dia em que soube que seu carro tinha, desastrosamente, capotado.

Engraçado como carros sempre fazem a diferença.

Alias, lembrando agora de Elias poucas memorias vem. Estranho. Não sei se esqueci tudo isso ou se ele realmente não fez tanta diferença assim. (é incrivel como o fato de eu talvez saber que ele não foi nada pra mim me doi muito)

Tenho poucas memorias dele. Nem umas dez, acho. todas elas vem da época em que eu morava na minha segunda casa, ele era quase um vizinho meu (vizinho é exagero, ele morava perto, uns duzentos metros e dois bairros perto. Hoje isso é perto, mas nos meus 6 anos isso era longe pra porra. Por sorte nunca tive receios com distancias)

A mais antiga, creio eu, é da festa de aniversário mais divertida da minha vida. Devia ter 5 ou 4 anos e todos os meus primos compareceram (incluindo Caio e kadu) foi extremamente legal porque naquela época (e agora) eu adorava a liga da justiça. E lembro de ter brincado de liga com todo mundo (eram umas vinte crianças de no maximo 10 anos) Eu era o Flash. Elias, se não me engano, era aquele cara de fogo com uma cabeleira vermelha (mancha solar, acho)

Depois vem uma memoria dos 6 anos. Ele em casa, brincando de carrinho comigo (ironico) acho que eu tinha um caminhãozinho tanque ou de bombeiro e ele tinha um de F1. E me lembro de que ele me chamava de "Maroca Pipoca" nessa época.

Logo depois comecei a frequentar muito a casa de Elias. Lembro de dormir no quarto dele e de assistir a novela "TIETA" (que ele adorava). Lembro de sair com ele e com a irmã dele procurando pedras bonitas (a irmã dele colecionava, acho) Lembro tambem dessa época que provavelmente entramos numa encrenca e algum muleque tacou uma pedra na minha cabeça. "Vi estrelas de verdade!" foi o que disse pra ele e pra minha tia quando acordei.

Lembro que foi com ele e com o Caio (seu irmão, não o do Kadu) que eu, pela primeira vez, fui na minha casa definitiva. Lembro que ele brincou na borda da ponte e quase caiu (provavelmente não, mas é assim que me lembro) e que ele falou que minha casa era quase 1 Km de distancia da dele. demorei muito tempo pra descobrir quanto é um quilometro.

Depois, acho, sua presença foi ficando cada vez menos frequente. Lembro que durante algumas semanas ele começou a aparecer em casa muito, lá pelos meus 9 ou 10 anos. Eu tinha um Master System (ele um Atari. E jogavamos muito Enduro na época que ia dormir na casa dele) lembro que jogavamos Papper Boy de Master a tarde inteira. E um final de semana descobri que ele ia pra casa porque queria que meu cão, o Bidu, cruzasse com a cadela dele, cujo nome eu ignoro. Não sei se ela cruzou ou não, mas não me lembro dele indo mais a minha casa depois disso.

Depois disso não tenho mais lembranças dele. Acho que encontrava com ele na escola mas cada um tinha seu grupo social e sua idade certa. quando tinha 10 acho que ele já tinha no maximo 15 anos. Talvez menos. Mas nunca mais falei com ele, nunca mais.

E foi triste o modo com que ele morreu. Bateu o carro. Foi rapido. Não vi sua cara no enterro. Odeio enterros. Me lembram que realmente vou morrer tambem. Acho que fiquei triste nesse dia por causa disso, não porque um primo outrora bem querido ia embora. Acho que foi. Não queria achar mas acho que foi isso.



Mas o que mais me deixa triste hoje é que ele realmente me parecia ser uma boa pessoa. Não era o melhor dos primos, mas creio que só não era porque nos distanciamos uma época. Ele realmente parecia ser uma boa, uma otima pessoa, daquelas que vivem felizes e não fazem mal a nada que não seja ruim pra ele. Uma otima pessoa.
E eu nunca bebi com ele. Realmente uma pena.


Elias, primo, onde estiver (se é que está) Um Brinde a Você!

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