sexta-feira, setembro 16, 2011

Esperar é uma arte

Esperar é uma arte. uma arte que treino a muitos anos. Desde ficar sentado na porta do Fliperama, analisando as pessoas e as ruas. Desde ficar olhando a Lílian no trabalhar do resturante, aproveitando-lhe a compania esparsa. Desde ficar ouvindo professores, todos eles. Desde controlar com os polegares mil personagens aleatórios em mil jogo aleatório, lutar mil lutas aleatórias e ganhar parcos poderes aleatórios. Desde que olhava as paredes sem cor de qualquer comodo que sentei, quando a energia eletrica acabava e nada se existia para fazer exceto ficar. Desde que olho para a coisa branca, tela de computador, esperando que a garota certa brilhe, no meu anseio de com ela se comunicar, acertar qualquer futuro que tenhamos ou não tenhamos. Desde que, em modo automatico, voltava pra casa andarilhando sozinho, numa rua existente ou não, apenas andando e esperando, um passo de cada vez. Desde que sentava nao mais alto lugar de minha casa em Salesópolis, sentava e olhava para o nada com esperança. Desde que nada mais importante, relevante, interessante ou relativo me aparece nesses pequenos anos que me restaram.

quarta-feira, setembro 07, 2011

As far as i know, as coisas continuam estranhas. Digo, não é como se elas estivessem estranhas como antes, algumas coisas vieram, outras coisas foram. Não há mais um certo tom de auto comiseração, de tristeza inerente a cada pequeno detalhe mal passado não digerido. Há sim, uma nova tristeza, algo mais transformado pelas minhas inumeras obsessões e incapacidades de compreender as outras. a outra (cada uma em sua vez, one at the time). Tambem não há mais tanto aquela noção de que somente um fatalidade resolveria tudo, aquela sensação de que tudo é completamente inútil, useless. Existem planos, e embora alguns sejam completamente ridiculos de um ponto de vista socialmente aceitável, ainda sim são planos (sim, ainda existe o "ir para alguma vila do interior do Uruguay, morar com uma indiazinha mãe de três filhos, viciada em morfina e que cozinha ótimas comidas.) (pity.) Mas, de qualquer forma, este é um plano, assim como o de conseguir qualquer merda de trabalho, o de virar professor, roteirista, de viajar pra qualquer merda, de tentar escrever, de casar, de não casar, de não ter filhos - e mais eticéteras - Não há o sentido de deitar debaixo da cama, em posição fetal, e chorar até o fim do mundo zumbi chegar.

Só pra constar, ainda acho que o fim do mundo vai chegar.

De qualquer forma, depois de conseguir enrolar metade de uma besteira sem sentido nenhum, exceto o de abrir minha capacidade de escrever rapidamente neste notebuque que meus pais tem na praia (sim, aqui é a praia) devo dizer que sim, estou novamente num daqueles momento, raros, de pequena esperança/pequena desesperança. Há alguma luz neste finalzinho de tunel mentiroso que tem sido o eterno pré, durante e pós-adolescência. Uma luz que (e está é a desesperança) uma luz que consigo ver claramente ser só mais uma besteirinha, que nada irá dar exceto mais desilusão e fracasso. Não que não acredite na possibilidade de, digamos, todos os trecos (me refiro a relacionamentos, mas de forma velada, como podem ver. como posso ver.) não que não acredite na possibilidade de tudo dar uma volta 180 graus e eu acabar feliz por alguns dias, semanas, meses, anos. Isso existe e, se eu acreditasse em olhares nos momentos bebados, em palavras bebadas, ficaria bem feliz. Mas eu acho que não. (maldição, na verdade eu acho que sim)

De qualquer forma, ainda estou envelhecendo rabujentamente e sangrando compulsivamente. Sangro por estar doente. Ando tomando o remedio errado, acho, o que piora muito as coisas. Foda-se. Neste exato momento, nesta exata semana, apenas espero por algum tipo de contato, qualquer tipo de contato. Não que devesse fazer isso. Não fara. Mas esperar é uma das coisas que melhor faço.