quarta-feira, julho 07, 2010

andy kauffman é bom

Vou tentar apenas escrever, vendo o que sai da minha cabeça. Agora são uma hora da manhã, não estou com sono nem vontade de jogar videogame antes de dormir. Não irei fazer nada. Nada que valha agora, nada de ver filmes ou opniões na internet ou ler celine ou ouvir musica. apenas tentar escrever e ver se há algo saindo da minha cabeça, algo que ainda funciona. é evidente que eu poderia falar de varias coisas, de como minha vidinha é errada, como estou mentindo, como o amor morreu e eu posso morrer logo mas, sinceramente, acho que estaria me repetindo. Se eu ler isso daqui uns 10 anos, supondo que não me mate antes disso, os monotemas daqui soariam chatos, muito chatos. Ao contrario, vou continuar escrevendo, meu subsconciente funciona melhor que meu consciente. Tomara.

outro dia sonhei com zumbis, faz tempo que não havia sonhado com isso. engraçado como há tempos planejo começar a escrever os sonhos logo depois de eles aparecerem na minha cabeça, you know, exatamente como o Kerouac no livro dos sonhos (um livro ruim dele, devo dizer) mas não consigo, diferente dos exercicios, que eu não consigo manter por mais que uma semana, os sonhos eu não consigo escrever nem ao menos um dia. Inconstancia é o nome da coisa. Eu não consigo fazer algo sair da minha cabeça e tomar forma no mundo real, talvez.

De qualquer forma vou ficar pulando de tema pra tema, sem medo de me repetir ou de parecer fora de controle, ou incompreensivel, uma vez que ninguem lê isso (eu espero) mas consideremos o fato de que talvez alguem leia, eu devo sooar muito depressivo nisto daqui. Evidente, seu leitor idiota; Quando feliz eu raramente estou na frente do computador, sozinho, acordado de madrugada. Normalmente estou bebado, com uma garota no meu colo, ou chapado de acido. Com sorte os três ao mesmo tempo. Mas de qualquer forma sim, sou triste. Grande novidade.

Sabe, eu deveria viajar para longe. Estou esperando minha vó morrer (isso pode ocorrer a qualquer momento, eu acho. Ela tambem pode viver bem mais do que eu, até os 80 e tantos, talvez mais) e acabar a faculdade/ser jubilado para morar nas ruas, viajar sem vontade nenhuma de me estabelecer. Deve haver alguma verdade por ai, you know, alguma coisa fora deste pedaço de carne com olhos e vontade de ficar bebado e trepar. nada do estilo divino, mas sim existencial, alguma resposta simples porem interessante sobre o que diabos deveria fazer, me focar, tentar. Amor eu já vi que não, a grande probabilidade é que acabe sozinho pra sempre, talvez com alguma garota um momento ou outro mas nada realmente longinquo.

Estava vendo a pouco tempo atrás, e muitas pessoas que eram minha amigas, pessoas que gostavam de mim, incluindo garotas, hoje em dia me odeiam. Amorosamente eu sei de uma, a Garota da Praia, que antes era a Garota de Salé. Hoje em dia ela, se não me odeia, pelo menos me ignora a contento. Triste. A garota Lilian tambem, só que esta evidentemente me odeia, talvez pelo fato de eu ser stalker completo da vida dela (não tenho culpa, ela é psicologa entende obsessão. entender não é aceitar e ser amiga, mas pelo menos entender) talvez pelo fato de eu atrapalhar o relacionamento com a namorada dela (que alias, continua bom, sem pretenções de acabar. Sei disso porque sou um stalker dela ainda) in fact, tirando isso e o fato de um cara querer me bater a duas semanas atrás por ter sido filho-da-puta com garotas filhas-da-puta que tentavam me obrigar a tocar um som que não queria (hell, the who é muito melhor que forró) não há mais ninguem que me odeie. O daniel preto, que eu achava que me odiava depois de ter recusado a apertar minha mão um dia, enquanto eu estava caindo de bebado, outro dia veio conversar comigo normalmente e até riu das burradas do marcão. Like old times. Anyway, nem todo mundo me odeia, mas um bocado de gente sim (se não me odeia, pelo menos me ignora, o que é pior)

Sobre a minha ultima esperança amorosa, ela esta morrendo. Hell, eu nunca inicio uma conversa nos msn ou googletalk da vida, com ninguem. Mas com ela sim, e mesmo assim até eu consigo ver o quão isso esta passando de uma fase ridicula para uma fase patetica. Eu a chamo pra sair, ela diz "sim" e depois rola um "não posso". Até mesmo a emoção que sentia quando esperava algum tipo de comunicação com ela morreu, nada de resposta de email em mais de um mês, isto é sinal, algum tipo de, imagino. De qualquer forma que amanhã irei para salesópolis, festa do divino, ficar completamente bebado todos os dias (pelo menos choconhaque) e tentar arranjar alguma garota, não tenho ninguem em mente (exceto marta, que é a fuck friend oficial) mas pelo menos isso é mais divertido do que ficar esperando uma garota que pagou um (genial) boquete no meio da vital brasil e que disse que me amou um dia vir me chamar pra beber. é claro que tudo isso sque escrevi acima, sobre tudo estar morrendo, some no segundo que eu beber com ela e me divertir. Hell, estou aberto a todo tipo de oportunidade..

Ahn, o Andy Kauffman é o melhor.

quinta-feira, julho 01, 2010

Morte

Eu tenho medo da morte. Tenho medo dela. Mas não consigo perder a idéia de que ela é inevitável e cada vez mais próxima. Tão próxima que deseja-la tem cada vez mais um gosto de besteira, pelo simples fato de que provavelmente quando estiver com um pedaço de ferro enfiado na minha barriga, ou cuspindo sangue que entrou nos meus pulmões, e estiver nos meus últimos segundo de vida, com a visão se escurecendo, as dores se acalmando e o coração a um trilhão por hora, nessa eu desejarei como nunca estar realmente vivo, verdadeiramente vivo.

digo isso porque me lembro do vídeo dum homem que pulou do prédio e caiu errado, metade de cima do corpo para um lado, metade de baixo para o outro. Ambas as metades concordavam que pular daquele prédio foi uma besteira. Mesmo que a vida não seja boa, ter seu corpo separado em dois pelo impacto que o concreto tem na alta velocidade da queda não tem como ser melhor.

Sobre a mentira que contei certa vez no blog sobre como tive um acidente de carro e tive meus ossos da perna quebrados

Eu devia ter uns doze anos. talvez menos, mas não mais. Sei disso porque isso nessa epoca eu ainda me sentia atraido pela Carina, a garota que depois, na adolescencia, foi ter uma bunda imensamente grande e bonita e que hoje em dia é mãe de dois filhos (e esta menos acabada que eu) Tinha ido com meu pai para mogi das cruzes no final de semana, coisa rapida, apenas iamos passar na ex casa da minha tia, que agora morava num sítio em salesópolis, para pegar algumas caixas de decorações. Isso foi bem na epoca que meus primos começaram a morar sozinhos naquela casa e minha tia fazia questão de ter todas as tralhas que juntou durante uma vida inteira naquela casa antiga no seu novo sitio, e lá foi meu pai e eu percorrer um grande caminho de carro atrás dos objetos.

A ida foi tranquila. Me lembro de ter conversado com meu pai sobre a epoca em que ele foi caminhoneiro, sobre como era cortar eucaliptos e levar por estradas piores que o inferno e se aquele homem que viajava com ele, um negro, realmente morreu ou eu apenas inventei isso. Lembro que perguntei sobre isso exatamente no momento em que passava ao lado de uma plantação de alface (tão comum em biritiba mirim, a cidade do lado de salé) e pude perceber no rosto dele que ele estava pensando no mesmo homem na mesma hora.

Fomos até o ex-casa da minha tia, meu primo mais velho não estava e tivemos que pegar as caixas com meu primo mais novo. Meu avô tinha morrido a pouco tempo, talvez não mais de um ano, e chegamos a comentar com tristeza que, caso ele estivesse vivo, faria toda essa viagem sozinho e carregaria as caixas na metade do tempo. Mais do que saudade do velho, estavamos falando a verdade, meu avô conseguiria fazer isso e ao mesmo tempo cuidar de seus pombos, criar um sistema de segurança-na-gambiarra-mas-que-funciona e beber uma caneca de cerveja. E agora ele é um corpo em decomposição. ainda sim triste.

Carregamos o carro, um ford (acho) marrom que me fazia sentir realmente enojado. Não porque o carro era sujo, mas sim o fundo dele soltava muitos pelos, pequenos pelinhos que não sei de onde saiam, mas que nunca acabavam. Não consigo explicar exatamente onde essa parte do carro era, isso porque não entendo nada de carros. Mas o importante é que saimos da casa do meu primo e voltamos pra casa.

No meio do caminho, numa reta em biritiba mirim, batemos o carro. Deviamos estar numa velocidade de, mais ou menos, uns 80 km por hora, não sei muito bem como tudo ocorreu mas sei que retornei a consciencia já na ambulancia, totalmente imobilizado. Meu pai estava ali, na minha frente, com um corte sangrando na testa e uma mulher mais velha que ele passando um pano e colocando um curativo. Nenhum dos dois haviam percebido que eu tinha retornado a consciencia e esse foi meu ultimo pensamento lógico, já que no segundo seguinte percebi que estava com minhas pernas machucadas.

muito machucadas.

Aparentemente uma parte do carro tinha esmagado minhas pernas. quebrado apenas os ossos da canela e um pouco do pé, nada que fosse impossivel de recuperar, lembro do doutor em fisioterapia falar que, se o carro que bateu em nós tivesse me pegado um pouco mais acima, no joelho, eu deveria usar bengala para o resto da vida.

Acabei indo na cirurgia, ficando quase duas semanas das minhas queridas férias de cama, sem poder me levantar nem jogar videogame. Foi ali, naquela cama, que entendi pela primeira vez qual era realmente a ideia do Bras Cubas no Memorias Postumas. Minha mãe chegou no hospital (que era em mogi, a cidade grande, e não Salesópolis, para onde fui transferido dias depois) toda chorosa, minhas irmãs menores junto, tambem tristes. Essa foi a primeira vez que eu tinha me fodido e que elas não estavam rindo da minha má sorte.

O seguro do homem que bateu o carro pagou por todos os consertos. O plano de saude do trabalho do meu pai pagou pelos medicos que recebi. Em dois meses estava andando de novo, sem bengalas nem cadeira de rodas. Nenhuma cicatriz restou na minha perna, e mesmo que houvesse alguma hoje tenho tantos pelos na perna que ela ficaria escondida.
Mas ninguem pagou pela dor que sinto toda vez em que há frio umido, quando não consigo caminhar direito por culpa da dor que destroi minha perna.