quarta-feira, maio 16, 2007

minha primeira casa

A minha primeira casa era um porão. Dela eu tenho poucas memorias. Muito poucas mesmo. Um delas é de uma noite em que a força tinha caido (sempre acontece em salé) e eu estava andando pelo quarto de mama e papa. a colcha era a mesma de sempre, roxa com detalhes estranhos brancos.
Outra memoria é a de eu e meu pai brincando de boxe. sempre tivemos essas brincadeiras de pai e filho, e não poder fazer isso de novo é uma das coisas que me deixam mais triste quando percebo que provavelmente posso não virar pai no futuro. e nesse dia em que minha memoria aviva, dei um soco no nariz de papa e jorrou sangue feito doido. Na televisão passava um filme de domingo no sbt. Um com o Clint Eastwood, o lobo solitário, acho.
Eu e e minha irmã, marina, eramos os unicos filhos naquela epoca. papa trabalhava de motorista de ambulancia na época (eu lembro pois chequei a ir pro trampo com ele) e mama trabalhava na escola, dando aula pra primeira série. E marina e eu ficavamos sozinhos o tempo todo, o que sempre era "remediado" com uma empregada. E a unica memoria disso é Marina e eu perguntando pra empregada quando mama chegava.
Uma das memorias mais assustadoras de minha infancia (perdendo de pouco pra "cade o leo" na casa de minha tia maria) é de um carnaval ou algo parecido com isso. deveria ter, no maximo do maximo, 4 anos. E como a casa/porão era perto da praça onde o carnaval acontecia, acho que fui pra lá sozinho. Lembro-me que no meio da rua uma especie de bonecão-de-olinda ficava dançando feito louco. Aquilo me aterrorizou devastadoramente! chorei feito louco correndo sozinho até em casa e quando chequei, tranquei a porta, pequei uma cadeira e subi nela para fechar até a pequena janelinha no topo da porta. Juro que vi, momentos antes de trancara a tal janelinha, a cara louca do boneco lá fora, me esperando.
A ultima memoria concreta daquela pequena época é da nossa mudança pra casa de meu tio Gê (onde teria muitas outras descobertas felizes de infancia) lembro que fomos com uma perua levando todas as poucas coisas que tinhamos naquele pequeno porão. e eu, na ultima leva, acabei levando um lampada daquelas compridas a pé. O caminho não era tão longo (menos de 100 metros) mas lembro que foi demorado. muito demorado. Não sabia o que esperar daquele momento em diante da minha vida.

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