é muito estranho acabar a força em são paulo. quando digo acabar a força quero dizer acabar a energia eletrica. hoje foi a primeira vez que isso aconteceu de verdade (creio que já ocorreram outras vezes, mas nunca de noite, e é de noite que a falta de energia vira realmente falta)
então... hoje acabou a energia. e fiquei quase 1 hora a luz de velas. isso me fez lembrar das mil vezes que fiquei assim em salé...
Em salesópolis, se um cachorro mijasse no posto com um pouco mais de força, a energia acabava na cidade inteira. Sério. Em media a força acabava quase que duas vezes por mês. algumas vezes de dia, outras vezes de noite. A queda de energia durava de uma a até 12 horas. um horror.
Eu costumava ficar muito entediado quando isso acontecia. Acho que a minha mais antiga lembrança de queda de força foi no dia de nascimento de minha irmã mais nova, a Mariana. A luz tinha acabado, estavamos Marina e eu dormindo no quarto na minha antiga casa quando meu pai entra no quarto (creio que tinhamos acabado de ir dormir) e me pede pra que eu tomasse conta da Marina porque a mãe ia dar a luz. E quando a Mariana nasceu, a luz voltou. místico.
Normalmente, por causa da falta de videogame que a não-luz trazia, eu me isolava em algum ponto solitario da casa e ficava esperando. normamente esse ponto era escuro e, quando chovia, eu ficava tentando controlar a força da chuva com meus "poderes da mente" pra que assim a força voltasse. só uma vez deu certo.
Tinha as vezes em que iamos jantar a luz de velas com a Claudia por causa da falta de força. Era divertido e chato. na verdade era igual a qualquer outro jantar.
No instante em que a força acabava dava pra ouvir as pessoas do Olga que estudam a noite gritando - AAHHHHHHHHHEEEEEEEEEE!!! - Depois de alguns problemas a Prof. Massuko (Bruxa) leva sempre um isqueiro pras aulas de noite.
Mas sem duvida nenhuma o mais legal de quando acabava a força era ver as estrelas, que ficavam realmente incrivelmente totalmente brilhantes. Eu chegava até a ver os satelites passando rapido e, em algumas e especificas noites, supostos "discos voadores". Esse surtinho de paranoia ufológica durou uns quatro anos só. Mas foi bastante divertido. E me lembro, mais velho, quando a força acaba e ficavamos todos nós da rua conversando e falando sobre o nada, o Charles falando que com certeza a falta dos televisores ligados de salé daria diferença nos numeros do ibope (ah! no maximo 10 mil televisores não dá pra nada! Creio que ser caipira e não ter noção de quantidade é aceitavel quando não se viu na vida nada com mais de 20 mil hab., pobre Charles)
Quando minha mãe ou meu pai estavam em casa com a queda de força costumavamos brincar de jogos estupidos-porem-otimos-pra-situação. Na praia uma vez ficamos brincando de passa-anel por quase 3 horas. E em salé ficamos usando a luz da vela pra fazer sombras gigantes que pegavam as pessoas. divertido. E quando um carro subia o morro onde fica minha casa e, com as luzes do farol iluminava tudo, eu sonhava por poucos instantes que a luz tinha voltado e que poderia parar de fingir que me divertia e poderia voltar pras coisas legais, pro videogame. Mas não posso negar que me divertia muito quando a força voltava.
Ficava entendiado, mas ainda sim me divertia.
quarta-feira, novembro 14, 2007
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