quarta-feira, outubro 31, 2007

A vez que mijei na cama na casa de minha madrinha

Desde pequeno eu fui acostumado a viajar muito. Ia pra praia quase todo final de semana prolongado, ia pra sampaulo nos finais de ano. Já fui até pro Paraguay quando tinha 7 anos. Mas na época entre 9 e 12 anos um destino de ferias era o meu preferido sem duvida nenhuma. A casa de minha madrinha.

Minha madrinha Bete, irmã de meu pai, morava em Mogi das Cruzes (do lado de salé mas com 200 mil pessoas) tem dois filhos, Caio e Kadu (Kadu é apelido-praticamente-nome) e eu posso afirmar sem duvida nenhuma que esses dois primos foram as pessoas que, na minha infancia, mais me influenciaram. De uma certa forma, o Caio e o Kadu foram as pessoas que mais me ensinaram a ser o que sou hoje (incluindo no quesito musica, sexo e videogame)

E na época de ferias eu ia pra casa deles passar um mês, dois no maximo. E devo dizer que essa foi uma época incrivel, eu jogava futebol com meus primos, nadava na piscina (eles moravam num condominio. Só fui compreender o que era um condominio sete anos depois) comia boa comida, era bem tratado e, principalmente, jogava MUITO Mega Driver. Eu, um garoto do interior que vivia isolado do mundo, quando ia pra casa de minha madrinha
eu chegava a alugar tres fitas de video game a cada tres dias. Um exagero de diversão.

Tudo muito divertido. Tudo muito lindo maravilhoso criador de boas lembranças mas, como sempre, desde pequeno eu costumava fazer merdas nos momentos mais felizes. E foi isso o que aconteceu. Parei de mijar na cama aos sete anos de idade, antes disso tinha minha sagrada cota diaria de xixi na cama. Nunca parei pra pensar quais eram as minhas angustias e medos que me faziam ter esse tipo de problema mas provavelmente deve ser o mesmo tipo de angustia que tenho hoje em dia, só que mais original. E um certo dia eu acordo na casa de minha tia as 8 da manhã. Meus primos dormiam até tarde porque costumavam sair pra beber e fazer tudo aquilo que eu, na idade deles nunca fiz (mas que hoje faço, de uma certa forma, pior) mas eu acordava cedo pra ficar jogando. Tinha que aproveitar o maximo os dias de alegria.

Sonhei naquele dia com o Shun dos Cavaleiros do Zodiaco. Era moda naquela época esse desenho. Cavaleiros e Ioio da Coca-cola. Sonhei que eu ficava gritando como o Shun pro Ikki (irmão do shun) os motivo eu não lembro, mas ficava gritando e chorando e tendo pequenos momentos de tristeza. Foi quando acordei e percebi que algo mais estava errado alem do sonho. A cama estava molhada. Molhadissima. Molhadissississima! Completamente Encharcada!

Ouvindo o ronco alto de meu primo Caio, percebi que estava fodido. A vergonha de ser taxado de criancinha e bebê (mesmo que, naquela época eu fosse mesmo um bebê) me fez ficar blasfemando contra tudo e contra todos das 8 e alguma coisa da manhã até as 11. Só fui acordar porque percebi que, se o Caio acordasse antes de mim poderia zuar com minha cara e pular na cama, pra acordar (ele já tinha feito isso na época, era uma especie de vingança porque meu pai tinha o costume de fazer a mesma coisa com ele) e se ele pulasse na cama molhada a merda seria mil vezes pior. Então resolvi acordar e torcer pra que a minha madrinha não percebsse que tinha feito merda. Corri pro banheiro e tentei me secar mas a risada dela ecoando quando foi pro quarto guardar o colchão que dormia fez com que eu morresse de vergonha.

Mas é claro, a 1 hora da tarde já tinha tomado banho, jogado um bocado de video game com o Guilherme (meu outro primo, esse da minha idade e de Salé tambem, e que tambem tinha uma Tia que morava no mesmo condominio à poucos metros de distancia da casa de minha madrinha) e esquecido completamente dessa coisa. Na verdade, só fui me lembrar disso hoje.

Um brinde ao meu mijo.

domingo, outubro 21, 2007

A primeira garota por quem me apaixonei

eu tinha oito anos, estava na segunda serie do Olga. ia pruma viagem com a escola cujo destino era o zoológico de Sampa, minha mãe ia junto. (ela era a professora da 1 serie, até me deu aula)

Eu tinha nessa época um pequeno grupinho de amigos, todos garotos, e logo no inicio da viagem percebi que uma menina estava sentada no fundo do onibus, com sua amiga olhando o tempo todo pra janela.

Meu Deus, essa menina era linda!


tá certo, ela provavelmente não era tãão linda assim, mas nos meus oito anos nunca tinha visto coisa mais bela. Tinha um corpo moreno, cabelos longos e meio cor de mel e um olhar languido bem bonito. é isso o maximo que lembro dela sem ter influencias dos anos posteriores, quando cheguei a estudar com ela.

E é claro que, como o pequeno-estranho que era/sou, resolvi que precisava chamar a atenção dessa menina, tinha que de alguma forma ela me notasse dentre todos os outros.

Mesmo tendo só oito anos estava realmente amando essa menina, amando tanto que nos anos posteriores ela seria nomeada como o meu "amor-verdadeiro", e é claro que isso faria com que todos esses amigos descritos ali atras me chacotassem muito.

Eu precisava conversar com ela, precisava que ela me olhasse, precisava de atenção. Precisava ter aquela menina (pra que eu não sei. Mesmo já sabendo o que era sexo não tinha a menor noção de como as coisas entre homens&mulheres funcionava) E a minha primeira ideia foi, como sempre, fazer alguma coisa pra que ela risse. Rir sempre foi uma optima escolha e eu nunca tive muito senso de ridiculo para comigo mesmo.
E o que fiz foi bem simples, peguei um pequena porção de chicletes Ploc sabor hortelã e comecei a mascar, jogava fora logo em seguida os chicletes, pegava as figurinhas/tatuagens que vinham com as mesmas e, na frente da menina bonita comecei a tatuar meu proprio nariz.

Ela achou engraçado, devo dizer. Ela e a amiga dela. uns dez anos no futuro essa menina amiga da menina bonita ia acabar dando em cima de mim na escola. nada muito sério, ela só ia dizer que meus olhos contra a luz eram bonitos. e ia me lembrar da tatuagem no nariz no zoo. engraçado e bizarro, segundo ela eu não tinha mudado nada. Mas a menina linda não lembrou de nada do que fiz.

No mesmo dia eu comecei a "perseguir obsessivamente" a menina no zoo. nada maniaco homicida ou que ela percebesse, eu só tentava estar sempre no local onde ela estava. e na hora do almoço na lanchonete do zoo tive que escolher entre ficar com minha mãe e o lanche pago ou ir atras da menina. acabei indo atras da menina e fiquei o dia inteiro sem comer.


e a menina, cujo nome era Karina, nunca mais me notou. E eu acabei desgostando dela uns sete anos mais tarde, quando ela afirmou numa conversa que eu estava ouvindo secretamente que o namorado brigava sempre com ela, mas que dava duas horas eles voltavam (com todas as belezas e prazeres que isso pode acarretar)

é. engraçado.

domingo, outubro 07, 2007

Exagero

Dizem que o exagero é fundamental. Eu não sei, com certeza ele me dá muita dor de cabeça (e provavelmente ira continuar dando até o fim da viagem) mas pelo menos não fiquei com tanto medo de me usar como cobaia de experimentos. Foi divertido, mas não sei se exagerar e brincar com a sanidade me faz ficar feliz ainda. Acho que não. Mas amanhã (ou depois de amanhã) quando a ressaca de acido acabar provavelmente vou querer de novo exagerar em tudo. E brincar de ser cobaia de experimentos de novo. E provavelmente morrer tentando parecer um pouco menos medroso que sou.

grande merda de post. isso é que dá escrever chapado enquanto o peiotte e o lulu não chegam com a comida

terça-feira, outubro 02, 2007

Meu Falecido Primo Elias

Meu primo Elias morreu a quase dois anos. Só fui perceber realmente agora nesse instante. Estou ouvindo Elliott Smith e percebi que ele até agora não me fez nenhuma falta. E isso doeu bem mais que o dia em que soube que seu carro tinha, desastrosamente, capotado.

Engraçado como carros sempre fazem a diferença.

Alias, lembrando agora de Elias poucas memorias vem. Estranho. Não sei se esqueci tudo isso ou se ele realmente não fez tanta diferença assim. (é incrivel como o fato de eu talvez saber que ele não foi nada pra mim me doi muito)

Tenho poucas memorias dele. Nem umas dez, acho. todas elas vem da época em que eu morava na minha segunda casa, ele era quase um vizinho meu (vizinho é exagero, ele morava perto, uns duzentos metros e dois bairros perto. Hoje isso é perto, mas nos meus 6 anos isso era longe pra porra. Por sorte nunca tive receios com distancias)

A mais antiga, creio eu, é da festa de aniversário mais divertida da minha vida. Devia ter 5 ou 4 anos e todos os meus primos compareceram (incluindo Caio e kadu) foi extremamente legal porque naquela época (e agora) eu adorava a liga da justiça. E lembro de ter brincado de liga com todo mundo (eram umas vinte crianças de no maximo 10 anos) Eu era o Flash. Elias, se não me engano, era aquele cara de fogo com uma cabeleira vermelha (mancha solar, acho)

Depois vem uma memoria dos 6 anos. Ele em casa, brincando de carrinho comigo (ironico) acho que eu tinha um caminhãozinho tanque ou de bombeiro e ele tinha um de F1. E me lembro de que ele me chamava de "Maroca Pipoca" nessa época.

Logo depois comecei a frequentar muito a casa de Elias. Lembro de dormir no quarto dele e de assistir a novela "TIETA" (que ele adorava). Lembro de sair com ele e com a irmã dele procurando pedras bonitas (a irmã dele colecionava, acho) Lembro tambem dessa época que provavelmente entramos numa encrenca e algum muleque tacou uma pedra na minha cabeça. "Vi estrelas de verdade!" foi o que disse pra ele e pra minha tia quando acordei.

Lembro que foi com ele e com o Caio (seu irmão, não o do Kadu) que eu, pela primeira vez, fui na minha casa definitiva. Lembro que ele brincou na borda da ponte e quase caiu (provavelmente não, mas é assim que me lembro) e que ele falou que minha casa era quase 1 Km de distancia da dele. demorei muito tempo pra descobrir quanto é um quilometro.

Depois, acho, sua presença foi ficando cada vez menos frequente. Lembro que durante algumas semanas ele começou a aparecer em casa muito, lá pelos meus 9 ou 10 anos. Eu tinha um Master System (ele um Atari. E jogavamos muito Enduro na época que ia dormir na casa dele) lembro que jogavamos Papper Boy de Master a tarde inteira. E um final de semana descobri que ele ia pra casa porque queria que meu cão, o Bidu, cruzasse com a cadela dele, cujo nome eu ignoro. Não sei se ela cruzou ou não, mas não me lembro dele indo mais a minha casa depois disso.

Depois disso não tenho mais lembranças dele. Acho que encontrava com ele na escola mas cada um tinha seu grupo social e sua idade certa. quando tinha 10 acho que ele já tinha no maximo 15 anos. Talvez menos. Mas nunca mais falei com ele, nunca mais.

E foi triste o modo com que ele morreu. Bateu o carro. Foi rapido. Não vi sua cara no enterro. Odeio enterros. Me lembram que realmente vou morrer tambem. Acho que fiquei triste nesse dia por causa disso, não porque um primo outrora bem querido ia embora. Acho que foi. Não queria achar mas acho que foi isso.



Mas o que mais me deixa triste hoje é que ele realmente me parecia ser uma boa pessoa. Não era o melhor dos primos, mas creio que só não era porque nos distanciamos uma época. Ele realmente parecia ser uma boa, uma otima pessoa, daquelas que vivem felizes e não fazem mal a nada que não seja ruim pra ele. Uma otima pessoa.
E eu nunca bebi com ele. Realmente uma pena.


Elias, primo, onde estiver (se é que está) Um Brinde a Você!