ontem foi meu aniversário. quase hoje, na verdade, não se passaram nem duas horas que estou mais velho, que estou mais velho. que estou mais velho.
deus, me sinto horrível.
vamos analisar bem; tenho uns vinte-e-tantos-anos. vinte-e-não-quero-nem-me-lembrar. Não tenho trabalho nem perspectiva, não tenho faculdade nem perspectiva, não tenho garota nem perspectiva, não tenho capacidades, artísticas ou não, e nem possuo perspectivas de conseguir isso nos próximos anos. Sinto-me derrotado em todas as estâncias, abandonado pelas garotas que me amaram algum dia, que eu amei algum dia, sem coragem de tentar algo novo (só para ver tudo morrer novamente, apodrecer novamente) e a cada novo amanhecer vejo pessoas novas se dando bem, amando, tendo novas possibilidades, vejo meus antigos amigos se fixando, acertando, concluindo algum plano que no passado devem ter planejado mas que nunca foi citado em nossas conversas, que eu nunca imaginei existir.
em suma, perdi.
Tinha essa garota; ela era uma boa pessoa, adorava conversar com ela, passar o tempo, sair, beber. Nem sempre acontecia algo sexual ou amoroso mas a própria presença dela era agradável, me soava como sexo. Há três meses essa garota me apagou completamente de sua existência, a três meses que a única informação que tive dela foi "não morri, daqui umas semanas conversamos“. Eu sei que não estou certo com relação ao relacionamento com ela, sou uma pessoa horrível, não-confiável e sacana, mas mesmo assim não consigo tirar este pensamento que volta e meia surge em minha cabeça;
"Eu perdi”
segunda-feira, dezembro 19, 2011
domingo, outubro 02, 2011
Novamente Obsessão
Preciso novamente escrever sobre obsessão. Ela esta me consumindo.
A um mês, mais ou menos, ando num surto obsessivo patético. Como um rato numa gaiola, recebo um queijo e fico esperando outro pelo mesmo caminho, e então faço as mesmas ações toda hora, esperando o queijo. é angustiante, de uma certa forma, porque o queijo não aparece nem dá sinais que quer aparecer, e então eu me mordisco numa angustia amarela, sabe? uma angustia dum penhasco alto, eu no topo, com vontade de pular mas sem saber se sobrevivo.
Essa é uma péssima imagem. Pensarei em outras melhores enquanto escrevo.
O ponto é, eu estou novamente obsessivo. Não que nunca deixei de ficar, sempre o fui, mesmo sem internet ou pessoas/coisas que morassem longe de mim, mas sempre fui um rato de tenta voltar pro mesmo queijo da mesma forma. Isso sempre foi uma das belezas e uma das feiuras da minha pessoa, e sempre consegui viver com isso.
Mas não é por conviver com isso, que essa convivencia seja sempre tranquila e amigavel. Não grito contra a obsessão, mas ela me força sempre a voltar pro inicio, pro primeiro ponto, me impedindo de, sei lá, pular o penhasco (pessima imagem utilizada de novo. não mais a utilizarei) A obsessão age por cotas, eu sei. este é só o primeiro ponto delas, onde procuro saber sobre tudo, de todas as formas, desesperado.
(Mas eu ainda me assusto com o quão habil eu sou em descobrir fotos aleatórias no meio do mundo, sobre pessoas bebendo num boteco qualquer, fotos bem fracas, daquelas de felicidade, e ainda me assusto quando vou clicando em cada uma delas, analisando as pessoas, vendo suas poses e correndo atrás da referencias que elas deixam - referencias de um mês, pelo menos - pra descobrir se há alguma citação sobre o meu alvo-da-obsessão ((alvo-de-obsessão é outro péssimo nome pra coisa)) e então eu vou clicando em cada uma das pessoas, em cada um dos links que são relevantes para a coisa, e descubro mais coisas que me levam a mais surtos psicóticos sobre o "alvo". E eu acabo agindo por cotas.)
talvez um bom exemplo de angustia seja o de uma linha de montagem. Sabe aquele filme do Chaplin onde tem uma, o Tempos Modernos? então, a angustia é mais ou menos aquela, onde cada pequena engrenagem que ele apafusa é um retorno meu à obsessão. E sempre depois daquela vem outra, e sempre depois da outra vem outra. outra e outra e outra. E nunca acaba, porque obsessão não é um emprego.
(de onde eu tirei a imagem do precipício, bom deus? é horrível e não explica nada)
Oh bem, eu sou uma pessoa doentia. Um daqueles stalkerizadores envelhecido pela própria culpa. Com isso consigo conviver, talvez amanhã.
escrever não ajudou em nada
A um mês, mais ou menos, ando num surto obsessivo patético. Como um rato numa gaiola, recebo um queijo e fico esperando outro pelo mesmo caminho, e então faço as mesmas ações toda hora, esperando o queijo. é angustiante, de uma certa forma, porque o queijo não aparece nem dá sinais que quer aparecer, e então eu me mordisco numa angustia amarela, sabe? uma angustia dum penhasco alto, eu no topo, com vontade de pular mas sem saber se sobrevivo.
Essa é uma péssima imagem. Pensarei em outras melhores enquanto escrevo.
O ponto é, eu estou novamente obsessivo. Não que nunca deixei de ficar, sempre o fui, mesmo sem internet ou pessoas/coisas que morassem longe de mim, mas sempre fui um rato de tenta voltar pro mesmo queijo da mesma forma. Isso sempre foi uma das belezas e uma das feiuras da minha pessoa, e sempre consegui viver com isso.
Mas não é por conviver com isso, que essa convivencia seja sempre tranquila e amigavel. Não grito contra a obsessão, mas ela me força sempre a voltar pro inicio, pro primeiro ponto, me impedindo de, sei lá, pular o penhasco (pessima imagem utilizada de novo. não mais a utilizarei) A obsessão age por cotas, eu sei. este é só o primeiro ponto delas, onde procuro saber sobre tudo, de todas as formas, desesperado.
(Mas eu ainda me assusto com o quão habil eu sou em descobrir fotos aleatórias no meio do mundo, sobre pessoas bebendo num boteco qualquer, fotos bem fracas, daquelas de felicidade, e ainda me assusto quando vou clicando em cada uma delas, analisando as pessoas, vendo suas poses e correndo atrás da referencias que elas deixam - referencias de um mês, pelo menos - pra descobrir se há alguma citação sobre o meu alvo-da-obsessão ((alvo-de-obsessão é outro péssimo nome pra coisa)) e então eu vou clicando em cada uma das pessoas, em cada um dos links que são relevantes para a coisa, e descubro mais coisas que me levam a mais surtos psicóticos sobre o "alvo". E eu acabo agindo por cotas.)
talvez um bom exemplo de angustia seja o de uma linha de montagem. Sabe aquele filme do Chaplin onde tem uma, o Tempos Modernos? então, a angustia é mais ou menos aquela, onde cada pequena engrenagem que ele apafusa é um retorno meu à obsessão. E sempre depois daquela vem outra, e sempre depois da outra vem outra. outra e outra e outra. E nunca acaba, porque obsessão não é um emprego.
(de onde eu tirei a imagem do precipício, bom deus? é horrível e não explica nada)
Oh bem, eu sou uma pessoa doentia. Um daqueles stalkerizadores envelhecido pela própria culpa. Com isso consigo conviver, talvez amanhã.
escrever não ajudou em nada
sexta-feira, setembro 16, 2011
Esperar é uma arte
Esperar é uma arte. uma arte que treino a muitos anos. Desde ficar sentado na porta do Fliperama, analisando as pessoas e as ruas. Desde ficar olhando a Lílian no trabalhar do resturante, aproveitando-lhe a compania esparsa. Desde ficar ouvindo professores, todos eles. Desde controlar com os polegares mil personagens aleatórios em mil jogo aleatório, lutar mil lutas aleatórias e ganhar parcos poderes aleatórios. Desde que olhava as paredes sem cor de qualquer comodo que sentei, quando a energia eletrica acabava e nada se existia para fazer exceto ficar. Desde que olho para a coisa branca, tela de computador, esperando que a garota certa brilhe, no meu anseio de com ela se comunicar, acertar qualquer futuro que tenhamos ou não tenhamos. Desde que, em modo automatico, voltava pra casa andarilhando sozinho, numa rua existente ou não, apenas andando e esperando, um passo de cada vez. Desde que sentava nao mais alto lugar de minha casa em Salesópolis, sentava e olhava para o nada com esperança. Desde que nada mais importante, relevante, interessante ou relativo me aparece nesses pequenos anos que me restaram.
quarta-feira, setembro 07, 2011
As far as i know, as coisas continuam estranhas. Digo, não é como se elas estivessem estranhas como antes, algumas coisas vieram, outras coisas foram. Não há mais um certo tom de auto comiseração, de tristeza inerente a cada pequeno detalhe mal passado não digerido. Há sim, uma nova tristeza, algo mais transformado pelas minhas inumeras obsessões e incapacidades de compreender as outras. a outra (cada uma em sua vez, one at the time). Tambem não há mais tanto aquela noção de que somente um fatalidade resolveria tudo, aquela sensação de que tudo é completamente inútil, useless. Existem planos, e embora alguns sejam completamente ridiculos de um ponto de vista socialmente aceitável, ainda sim são planos (sim, ainda existe o "ir para alguma vila do interior do Uruguay, morar com uma indiazinha mãe de três filhos, viciada em morfina e que cozinha ótimas comidas.) (pity.) Mas, de qualquer forma, este é um plano, assim como o de conseguir qualquer merda de trabalho, o de virar professor, roteirista, de viajar pra qualquer merda, de tentar escrever, de casar, de não casar, de não ter filhos - e mais eticéteras - Não há o sentido de deitar debaixo da cama, em posição fetal, e chorar até o fim do mundo zumbi chegar.
Só pra constar, ainda acho que o fim do mundo vai chegar.
De qualquer forma, depois de conseguir enrolar metade de uma besteira sem sentido nenhum, exceto o de abrir minha capacidade de escrever rapidamente neste notebuque que meus pais tem na praia (sim, aqui é a praia) devo dizer que sim, estou novamente num daqueles momento, raros, de pequena esperança/pequena desesperança. Há alguma luz neste finalzinho de tunel mentiroso que tem sido o eterno pré, durante e pós-adolescência. Uma luz que (e está é a desesperança) uma luz que consigo ver claramente ser só mais uma besteirinha, que nada irá dar exceto mais desilusão e fracasso. Não que não acredite na possibilidade de, digamos, todos os trecos (me refiro a relacionamentos, mas de forma velada, como podem ver. como posso ver.) não que não acredite na possibilidade de tudo dar uma volta 180 graus e eu acabar feliz por alguns dias, semanas, meses, anos. Isso existe e, se eu acreditasse em olhares nos momentos bebados, em palavras bebadas, ficaria bem feliz. Mas eu acho que não. (maldição, na verdade eu acho que sim)
De qualquer forma, ainda estou envelhecendo rabujentamente e sangrando compulsivamente. Sangro por estar doente. Ando tomando o remedio errado, acho, o que piora muito as coisas. Foda-se. Neste exato momento, nesta exata semana, apenas espero por algum tipo de contato, qualquer tipo de contato. Não que devesse fazer isso. Não fara. Mas esperar é uma das coisas que melhor faço.
Só pra constar, ainda acho que o fim do mundo vai chegar.
De qualquer forma, depois de conseguir enrolar metade de uma besteira sem sentido nenhum, exceto o de abrir minha capacidade de escrever rapidamente neste notebuque que meus pais tem na praia (sim, aqui é a praia) devo dizer que sim, estou novamente num daqueles momento, raros, de pequena esperança/pequena desesperança. Há alguma luz neste finalzinho de tunel mentiroso que tem sido o eterno pré, durante e pós-adolescência. Uma luz que (e está é a desesperança) uma luz que consigo ver claramente ser só mais uma besteirinha, que nada irá dar exceto mais desilusão e fracasso. Não que não acredite na possibilidade de, digamos, todos os trecos (me refiro a relacionamentos, mas de forma velada, como podem ver. como posso ver.) não que não acredite na possibilidade de tudo dar uma volta 180 graus e eu acabar feliz por alguns dias, semanas, meses, anos. Isso existe e, se eu acreditasse em olhares nos momentos bebados, em palavras bebadas, ficaria bem feliz. Mas eu acho que não. (maldição, na verdade eu acho que sim)
De qualquer forma, ainda estou envelhecendo rabujentamente e sangrando compulsivamente. Sangro por estar doente. Ando tomando o remedio errado, acho, o que piora muito as coisas. Foda-se. Neste exato momento, nesta exata semana, apenas espero por algum tipo de contato, qualquer tipo de contato. Não que devesse fazer isso. Não fara. Mas esperar é uma das coisas que melhor faço.
segunda-feira, agosto 15, 2011
Musicas
Musica nunca foi uma grande coisa pra mim. Digo, nunca foi na primeira grande parte da minha vida. Meu estilo, nos aureos primeiros anos, não era definido por aquilo que ouvia, nem pelo que meus amigos curtiam de som. Eu era muito mais um rapazote do videogame, das coisas estranhas, dos comentários fora do hora do que um "punk" ou "glam". Em Salésópolis nem se sabia o que era glam.
Meu primeiro contato foi bem jovem, sete anos, com metal. Viper. Ouvindo nas férias em sp com meus primos Caio e Kadu. Conheci com eles Iron Maiden e deles ganhei meu primeiro cd, o a muito perdido Angels Cry do Angra. Mas nunca isso foi relevante para mim. E eu vivi boa parte da minha pequena vida gostando, ao mesmo tempo, de coisas esparsas do Tim Maia e dos Mamonas Assassinas, de Elis Regina e Vicente Celestino, daquilo que conseguia perceber como Guns n Roses e daquilo que eu podia perceber que não era Guns.
Chegou ao momento de, no primeiro colegial, acho, perceber com vergonha que minha irmã Marina (na época pirando na estética Skate) sabia mais de musica que eu.
Então eu comecei a sair com o pessoal do Kung Fu. Thomas, Daniel Preto, Marcão. E tambem de sair com aquilo que ainda hoje são meus grandes amigos, Bifo e Magrão. Dos primeiros eu comecei a pegar a influencia de Legião Urbana, o Renato havia morrido a poucos anos atrás, logo era ainda algo fresco. Do Bifo acabei pegando uma influencia de Nirvana. E com isso comecei a correr atrás desses discos.
Notem que isso foi no começo da primeira decada, 2001 no máximo, e conseguir musicas naquela época era algo bem difícil, ainda mais numa cidadela pequenina como Salesópolis. Só conseguia alguma coisa depois de esperar um mês inteiro, na quinta-feira-de-mês, e tendo muita sorte e ver um disco que queria nalguma banquinha. E eu perseguia discos do Nirvana e do Legião com afinco.
Tambem era possível copiar discos em cd's RW, graváveis, isso com algum amigo que tivesse um disco original e com outro que tivesse um computador que gravasse discos. E isso era bem dificil.
A minha piração com Legião Urbana aumentou exponencialmente quando comecei a conviver muito com a Lilian. Ela era (é, acho) uma fanatica por Legião Urbana, havia pegado essa piração da irmã mais velha, que tinha um LP do Descobrimento do Brasil. Tambem há a influencia da, na época, a melhor amiga da Lilian, Nataluci. Nós pegávamos o mesmo onibus e iamos ouvindo musicas juntos, quase sempre do Legião. Ela gostava muito daquela musica, "o mundo anda tão complicado", era algo meio romantico o que faziamos, devo dizer, mesmo que ela namorasse meu vizinho e eu totalmente chapado na Lilian. E então eu passava horas e horas ouvindo Legião, Nirvana e Doors.
E então se abriu o Mamaquilla, e eu comecei mesmo a sair com o Bifo e com o Wilber. E nosso gosto musical começou a expandir. Daquilo que era só Nirvana, Legião e Doors, eu iniciei a flertar com o Punk. Lembro-me ainda hoje de estar andando com o Bifo até a casa dele, no Fartura, e de ter o disco dos Sex Pistols nas mãos, disco esse emprestado pelo grande Nabuco, que até hoje costumo beber e perder alguns minutos pra conversar, quase sempre na frente da porta da padaria, ambos já meio bebados. O gosto do Punk começou, acredito, quando estava ouvindo a velha Radio Kiss e tocar "Anarchy in U.K.", aquilo me incendiou completamente, era tão forte e tão, tão legal! Eu gravei o disco, peguei emprestado uma grande coletanea do RAMONES com o Bifo e ouvia alguma coisa do Iggy Pop com um disco não sei de quem. E então, nos meses que antecederam a minha ida pra São Paulo, pra Usp, eu passei ouvindo Punks, Legião, Doors e Nirvana. E ouvia essas musicas em casa, normalmente logo depois do almoço, quando costumava lavar louça. Era uma ótima época.
Então fui pra Sp. E é evidente que um grande universo se abriu para mim. Os primeiros dois anos foram muito fortes em questão musical, seja pelo fato de eu estar na maior cidade do país, na maior faculdade do país, seja pelo fato de que, pela primeira vez na minha vida, eu tinha internet de verdade, podendo baixar musicas que quisesse, na hora que quisesse. E então eu, com grandes ajudas, descobri Tom Waits e o ótimo Alice, a fitinha que a Fô fez para mim do "Frank Wild Years", descobri Belle And Sebastian quando emprestei um disco do Suzuki, acho. Conheci Pj Harvey quando o Heitor me passou todos os dela. E tambem quando ele me deu uma gravação do ótimo Your Funeral My Trial do maravilhoso Nick Cave. Essa musica deste disco ainda hoje me traz uma melancolia, uma saudade deste tempo, e tambem de quando eu subi a serra, voltando da praia, ouvindo minha fitinha K7. São coisas que eu já perdi.
Tambem nesses dois pequenos anos devo notar que aprendi a ouvir Dresden Dolls, conheci a maravilhosa Regina Spektor (que já pedi em casamento pela internet e cujo primeiro disco me faz lembrar muito da Ivna e de ver manhãs aparecerem em Salesópolis) , conheci Radiohead, conheci Patife Band (que é do padrasto, acho, da fô, Paulinho Barnabé), conheci Devo numa das festas da Ana, já completamente bebado, conheci Neubaten, conheci Joelho de Porco (o melhor show que fui na minha vida, de apenas uns 20 minutos) Johnny Cash antes de virar filme, Leonard Cohen quando o Heitor me fez notar que as frases do Stranger Song remetiam muito a mim (i'ts hard to hold the hand of anyone who reaching the sky just to surrender) Conheci Bauhaus, conheci Joy Division, Dylan de verdade, Elvis Costelo, Elton John, Jacques Brel, Kraftwerk, Jeff Buckley com o Peiottinho, Morphine, Nara Leão com o Suricate, R.E.M. com ajuda do Andy Kauffman, Raul Seixas de verdade quando fomos na passeata dele pela primeira vez (foi divertido) U.D.R e Rogerio Skylab quase na mesma hora, enquanto jogava Diablo 2 online com o pessoal da faculdade, Patty Smith quando vi aquela foto dela, toda androgina. Jupiter Maça no mês em que Wilber e eu fomos quase todos os dias pros shows dele na augusta, Wilber tentando asolteirar-se e eu com uma crise interminavel de tosse, que acredito hoje ter sido inicio de tuberculose.
E então, não sei bem quando mas quando estava muito triste, eu descobri por intermédio da ex namorada do Matheus, Flora, Elliott Smith. E fiquei nos proximos três anos ouvindo-o sem parar. Mesmo. Segundo o Lastfm foram mais de 9000 vezes que eu o ouvi. E tudo nele fazia sentido em mim, a melancolia, a calmaria low fi, a grande falta de sentido. Eu cheguei, num certo momento, a matar duas semanas de aula seguidas e não sair de casa, completamente absorvido na decadencia da alienação. Foi algo estranho mas agradavel.
E então eu descobri Beach Boys - Pet Sounds. Sempre o Eduardinho ia com aquela camiseta e eu já havia visto algumas vezes este disco como o segundo/primeiro de todos os tempos. E quando o ouvi de verdade foi como se toda essa tristeza desaparecesse. Eu estava muito influenciado por Haruki Murakami na época, lendo Caçando Carneiros em madrugadas, e então aquele Pet Sounds me trazia lembranças de coisas que nunca vivi, de época que não conheço. E toda a angustia do Elliott se acalmava, eu conseguia sair de casa.
Mais para a contemporaneidade deste treco, conheci Momus. Uma unica música, Paper Wraps Rock, me fez pirar nele, o que me levou a baixar tudo que conseguia achar. Sua pegada mais... catchy me fez muito bem, conseguindo ver as coisas com mais clareza que antes, no Elliott.
É evidente que nada aqui mostra exatamente como as coisas foram. Deixei de lado Bowie, que desde a época do Nirvana era uma influencia gigantesca, com The Man Who Sold the World. Na verdade Bowie é Bowie desde o começo dos anos 90, 1992 eu acho, quando estava a assistir RaTimBum na TV Cultura e passa um comercial de um programa de musica, comentando sobre "Bowie, o camaleão do Rock se reinventa mais uma vez". Nada é muito certo, mas hoje em dia ouço Modern Love mais que tudo. E todo o resto tambem. E muito mais coisas que antes. E hoje em dia musica é algo relevante para mim.
Meu primeiro contato foi bem jovem, sete anos, com metal. Viper. Ouvindo nas férias em sp com meus primos Caio e Kadu. Conheci com eles Iron Maiden e deles ganhei meu primeiro cd, o a muito perdido Angels Cry do Angra. Mas nunca isso foi relevante para mim. E eu vivi boa parte da minha pequena vida gostando, ao mesmo tempo, de coisas esparsas do Tim Maia e dos Mamonas Assassinas, de Elis Regina e Vicente Celestino, daquilo que conseguia perceber como Guns n Roses e daquilo que eu podia perceber que não era Guns.
Chegou ao momento de, no primeiro colegial, acho, perceber com vergonha que minha irmã Marina (na época pirando na estética Skate) sabia mais de musica que eu.
Então eu comecei a sair com o pessoal do Kung Fu. Thomas, Daniel Preto, Marcão. E tambem de sair com aquilo que ainda hoje são meus grandes amigos, Bifo e Magrão. Dos primeiros eu comecei a pegar a influencia de Legião Urbana, o Renato havia morrido a poucos anos atrás, logo era ainda algo fresco. Do Bifo acabei pegando uma influencia de Nirvana. E com isso comecei a correr atrás desses discos.
Notem que isso foi no começo da primeira decada, 2001 no máximo, e conseguir musicas naquela época era algo bem difícil, ainda mais numa cidadela pequenina como Salesópolis. Só conseguia alguma coisa depois de esperar um mês inteiro, na quinta-feira-de-mês, e tendo muita sorte e ver um disco que queria nalguma banquinha. E eu perseguia discos do Nirvana e do Legião com afinco.
Tambem era possível copiar discos em cd's RW, graváveis, isso com algum amigo que tivesse um disco original e com outro que tivesse um computador que gravasse discos. E isso era bem dificil.
A minha piração com Legião Urbana aumentou exponencialmente quando comecei a conviver muito com a Lilian. Ela era (é, acho) uma fanatica por Legião Urbana, havia pegado essa piração da irmã mais velha, que tinha um LP do Descobrimento do Brasil. Tambem há a influencia da, na época, a melhor amiga da Lilian, Nataluci. Nós pegávamos o mesmo onibus e iamos ouvindo musicas juntos, quase sempre do Legião. Ela gostava muito daquela musica, "o mundo anda tão complicado", era algo meio romantico o que faziamos, devo dizer, mesmo que ela namorasse meu vizinho e eu totalmente chapado na Lilian. E então eu passava horas e horas ouvindo Legião, Nirvana e Doors.
E então se abriu o Mamaquilla, e eu comecei mesmo a sair com o Bifo e com o Wilber. E nosso gosto musical começou a expandir. Daquilo que era só Nirvana, Legião e Doors, eu iniciei a flertar com o Punk. Lembro-me ainda hoje de estar andando com o Bifo até a casa dele, no Fartura, e de ter o disco dos Sex Pistols nas mãos, disco esse emprestado pelo grande Nabuco, que até hoje costumo beber e perder alguns minutos pra conversar, quase sempre na frente da porta da padaria, ambos já meio bebados. O gosto do Punk começou, acredito, quando estava ouvindo a velha Radio Kiss e tocar "Anarchy in U.K.", aquilo me incendiou completamente, era tão forte e tão, tão legal! Eu gravei o disco, peguei emprestado uma grande coletanea do RAMONES com o Bifo e ouvia alguma coisa do Iggy Pop com um disco não sei de quem. E então, nos meses que antecederam a minha ida pra São Paulo, pra Usp, eu passei ouvindo Punks, Legião, Doors e Nirvana. E ouvia essas musicas em casa, normalmente logo depois do almoço, quando costumava lavar louça. Era uma ótima época.
Então fui pra Sp. E é evidente que um grande universo se abriu para mim. Os primeiros dois anos foram muito fortes em questão musical, seja pelo fato de eu estar na maior cidade do país, na maior faculdade do país, seja pelo fato de que, pela primeira vez na minha vida, eu tinha internet de verdade, podendo baixar musicas que quisesse, na hora que quisesse. E então eu, com grandes ajudas, descobri Tom Waits e o ótimo Alice, a fitinha que a Fô fez para mim do "Frank Wild Years", descobri Belle And Sebastian quando emprestei um disco do Suzuki, acho. Conheci Pj Harvey quando o Heitor me passou todos os dela. E tambem quando ele me deu uma gravação do ótimo Your Funeral My Trial do maravilhoso Nick Cave. Essa musica deste disco ainda hoje me traz uma melancolia, uma saudade deste tempo, e tambem de quando eu subi a serra, voltando da praia, ouvindo minha fitinha K7. São coisas que eu já perdi.
Tambem nesses dois pequenos anos devo notar que aprendi a ouvir Dresden Dolls, conheci a maravilhosa Regina Spektor (que já pedi em casamento pela internet e cujo primeiro disco me faz lembrar muito da Ivna e de ver manhãs aparecerem em Salesópolis) , conheci Radiohead, conheci Patife Band (que é do padrasto, acho, da fô, Paulinho Barnabé), conheci Devo numa das festas da Ana, já completamente bebado, conheci Neubaten, conheci Joelho de Porco (o melhor show que fui na minha vida, de apenas uns 20 minutos) Johnny Cash antes de virar filme, Leonard Cohen quando o Heitor me fez notar que as frases do Stranger Song remetiam muito a mim (i'ts hard to hold the hand of anyone who reaching the sky just to surrender) Conheci Bauhaus, conheci Joy Division, Dylan de verdade, Elvis Costelo, Elton John, Jacques Brel, Kraftwerk, Jeff Buckley com o Peiottinho, Morphine, Nara Leão com o Suricate, R.E.M. com ajuda do Andy Kauffman, Raul Seixas de verdade quando fomos na passeata dele pela primeira vez (foi divertido) U.D.R e Rogerio Skylab quase na mesma hora, enquanto jogava Diablo 2 online com o pessoal da faculdade, Patty Smith quando vi aquela foto dela, toda androgina. Jupiter Maça no mês em que Wilber e eu fomos quase todos os dias pros shows dele na augusta, Wilber tentando asolteirar-se e eu com uma crise interminavel de tosse, que acredito hoje ter sido inicio de tuberculose.
E então, não sei bem quando mas quando estava muito triste, eu descobri por intermédio da ex namorada do Matheus, Flora, Elliott Smith. E fiquei nos proximos três anos ouvindo-o sem parar. Mesmo. Segundo o Lastfm foram mais de 9000 vezes que eu o ouvi. E tudo nele fazia sentido em mim, a melancolia, a calmaria low fi, a grande falta de sentido. Eu cheguei, num certo momento, a matar duas semanas de aula seguidas e não sair de casa, completamente absorvido na decadencia da alienação. Foi algo estranho mas agradavel.
E então eu descobri Beach Boys - Pet Sounds. Sempre o Eduardinho ia com aquela camiseta e eu já havia visto algumas vezes este disco como o segundo/primeiro de todos os tempos. E quando o ouvi de verdade foi como se toda essa tristeza desaparecesse. Eu estava muito influenciado por Haruki Murakami na época, lendo Caçando Carneiros em madrugadas, e então aquele Pet Sounds me trazia lembranças de coisas que nunca vivi, de época que não conheço. E toda a angustia do Elliott se acalmava, eu conseguia sair de casa.
Mais para a contemporaneidade deste treco, conheci Momus. Uma unica música, Paper Wraps Rock, me fez pirar nele, o que me levou a baixar tudo que conseguia achar. Sua pegada mais... catchy me fez muito bem, conseguindo ver as coisas com mais clareza que antes, no Elliott.
É evidente que nada aqui mostra exatamente como as coisas foram. Deixei de lado Bowie, que desde a época do Nirvana era uma influencia gigantesca, com The Man Who Sold the World. Na verdade Bowie é Bowie desde o começo dos anos 90, 1992 eu acho, quando estava a assistir RaTimBum na TV Cultura e passa um comercial de um programa de musica, comentando sobre "Bowie, o camaleão do Rock se reinventa mais uma vez". Nada é muito certo, mas hoje em dia ouço Modern Love mais que tudo. E todo o resto tambem. E muito mais coisas que antes. E hoje em dia musica é algo relevante para mim.
quinta-feira, julho 28, 2011
Phantasy Star
Meu primeiro contato com videogames foi um atari. Mas meu segundo contato com videogames foi um Master System, o Master System dos meus primos Caio & Kadu. Foi ali, no astro warrior na praia, que eu virei um viciado.
Já comentei antes, noutro post de mil anos atrás, que eu ficava, nos anos do pre-primário sonhando com jogos de Master. E assim foi mesmo, um vício desde pequeno.
E um dos jogos que mais me influenciaram quando pequeno foi esse tal de Phantasy Star, um rpgzinho na época que ninguem entendia direito o conceito de "contar uma história nos jogos". Basicamente quando meu primo alugou este jogo em mogi, lá pelos anos de 1992, não entendeu absolutamente nada. Morria nos primeiros dois minutos justamente por não entender o conceito de "experiencia", de "nível de força" e tudo aqui que faz um rpg lógico e agradável. Não entendia que lutar contra adversário fracos, treinar com eles para só depois avançar para os mais dificeis era obrigatório. Nem eu entendi, mas só porque não sabia ler na época. Meu primo só não queria ler.
Anos e anos depois, quando eu já era o dono do Master System que meu primo possuia em 92, chegou na velha locadora do Wanderlei este jogo, que eu me lembrava perfeitamente. A aranha perigosa que soltava teias e você morria, indefectivelmente. A capa do jogo, com uma loirinha segurando um escudo, defendendo-se duma rajada mortal; o olho-com-asas. Acho que era o ano de 1995 ou 1996.
E então comecei a joga-lo. Ahn... como adorava este jogo. Como eu adoro este jogo. Não só pelo fato de ser traduzido em português (e numa época onde eu já entendia inglês, mas só entendia tanto quanto um semi-analfabeto, daqueles que consegue ler mas não extrai informação lógica daquilo que leu) e aquele jogo era em português, com um clima futurista sombrio muito agradável, que me permitia sonhar com foco. E eu passei horas e mais horas jogando-o, passando por torres amareladas, vermelhas, azuis, sempre em primeira pessoa, matando zumbis no necrotério, pegando níveis com o Merman, um inimigo do começo que dava um bocado de experiencia, Hovercraft, Landrover (Land Rover acredito, mas era Landrover mesmo) o planeta da areia -Motavia- o planeta do gelo -Dezoris-. A maldita vila de Dezoris, a vila mais escondida do mundo onde todo mundo mentia e onde acabei ficando sem possibilidade nenhuma de continuar, por não ter dinheiro nem energia. Chuto que em mais ou menos dois meses eu havia terminado o jogo. E então resolvi joga-lo de novo, termina-lo. E depois mais uma vez, não morrendo nunca e pegando tudo que era possível, derrotando o monstro de mil forças que aparece nos sonhos. E então o Tziu (Ou o Pedrão, ou o João) acabou me vendendo o jogo (que era do Wanderlei e não sei como ele conseguiu) por umas quinze pilas, na quadra de trás da escolinha. E então eu me diverti muito mais.
Mas o tempo passou. Passou e eu parei de jogar. Possuia um mega driver e não me importava de joga-lo novamente. Um garoto pediu minha fitinha do Phantasy emprestada. - É claro! nem estou jogando-o mesmo! Não me lembro seu nome mas guardo seu rosto muito bem. E eu emprestei, idiotamente, sem pensar que estaria me livrando do objeto de maior melancolia dos meus próximos anos.
Acontece que algum tempo depois o Octavio, meu primo-e-vizinho Octavio, ele comprou este outro jogo que era a continuação deste joguinho que tanto amei. Phantasy Star 3 (em verdade eu é que influenciei-o a comprar o jogo). E então eu ia na casa deles para jogar o jogo. E chama Neto e Octavio para dormirem em casa, para que eu pudesse jogar o jogo. E eu o joguei desesperadamente, emprestado, na casa dele, de todas as formas. E Phantasy Star 3 batia fundo no sentido de nostalgia, na saudade da alegria que o primeiro me fez passar.
Entedam. Jogar Phantasy Star 1 era um ato que havia feito a não muito tempo atrás, talvez um, no máximo dois anos. Mas já sentia extrema saudade dele. E não só a fita estava desaparecida como tambem meu velho master system havia sido destruido, quebrado, não funcionava. Ahn... as angústias...
E enquanto jogava o 3, me devorava em sofrimentos, imaginando dos bons tempos que tive jogando o 1. E imaginava, criava uma regra onde, se você terminasse o terceiro 100%, com tudo que poderia fazer, rapidamente porem aproveitando cada segundo, abriria uma opção secreta permitindo-me jogar a primeira aventura novamente.
É evidente, eu estava chapado de ácido-de-videogame quando imaginava isso. Eu era um idiota triste, uma criancinha que estava triste por acreditar que sua infancia já havia passado.
Mas olhando bem, minha infancia ainda não acabou.
Pelo menos eu não consigo me ver adultamente correto e sensato. respeitável.
E ainda quero jogar Phantasy Star 1, ainda sei joga-lo.
O problema é que agora é bem fácil joga-lo, e por ser fácil o gostoso desvanece. Hoje só consigo ter as sensações de nostalgia que tinha pela lembrança, por sonhos onde imploro para o tempo retornar um ano no passado, para que eu pudesse aproveitar de verdade os momentos mais felizes da infancia, parado na frente da televisão 12 polegadas do meu quarto, apertando botões e dançando em frente a televisão, cantando músicas-inventadas no ritmo do mid do jogo, e descobrindo, depois de muito batalhar e sofrer, que o Governador de Motavia estava possuido pelo Dark Force, na época só Darfallz mesmo (numa tradução erada, imagino eu. As traduções de jogos dos anos 80 nunca prezaram pela capacidade poética). Ahn... os bons momentos que tive, capturando em cada masmorra um pedaço da armadura de Laconian, equipando Alis, Odin, o Miau e o Noah para apanhar de Lassic e seus malditos raios.
O Phantasy Star foi minha primeira namorada.
Já comentei antes, noutro post de mil anos atrás, que eu ficava, nos anos do pre-primário sonhando com jogos de Master. E assim foi mesmo, um vício desde pequeno.
E um dos jogos que mais me influenciaram quando pequeno foi esse tal de Phantasy Star, um rpgzinho na época que ninguem entendia direito o conceito de "contar uma história nos jogos". Basicamente quando meu primo alugou este jogo em mogi, lá pelos anos de 1992, não entendeu absolutamente nada. Morria nos primeiros dois minutos justamente por não entender o conceito de "experiencia", de "nível de força" e tudo aqui que faz um rpg lógico e agradável. Não entendia que lutar contra adversário fracos, treinar com eles para só depois avançar para os mais dificeis era obrigatório. Nem eu entendi, mas só porque não sabia ler na época. Meu primo só não queria ler.
Anos e anos depois, quando eu já era o dono do Master System que meu primo possuia em 92, chegou na velha locadora do Wanderlei este jogo, que eu me lembrava perfeitamente. A aranha perigosa que soltava teias e você morria, indefectivelmente. A capa do jogo, com uma loirinha segurando um escudo, defendendo-se duma rajada mortal; o olho-com-asas. Acho que era o ano de 1995 ou 1996.
E então comecei a joga-lo. Ahn... como adorava este jogo. Como eu adoro este jogo. Não só pelo fato de ser traduzido em português (e numa época onde eu já entendia inglês, mas só entendia tanto quanto um semi-analfabeto, daqueles que consegue ler mas não extrai informação lógica daquilo que leu) e aquele jogo era em português, com um clima futurista sombrio muito agradável, que me permitia sonhar com foco. E eu passei horas e mais horas jogando-o, passando por torres amareladas, vermelhas, azuis, sempre em primeira pessoa, matando zumbis no necrotério, pegando níveis com o Merman, um inimigo do começo que dava um bocado de experiencia, Hovercraft, Landrover (Land Rover acredito, mas era Landrover mesmo) o planeta da areia -Motavia- o planeta do gelo -Dezoris-. A maldita vila de Dezoris, a vila mais escondida do mundo onde todo mundo mentia e onde acabei ficando sem possibilidade nenhuma de continuar, por não ter dinheiro nem energia. Chuto que em mais ou menos dois meses eu havia terminado o jogo. E então resolvi joga-lo de novo, termina-lo. E depois mais uma vez, não morrendo nunca e pegando tudo que era possível, derrotando o monstro de mil forças que aparece nos sonhos. E então o Tziu (Ou o Pedrão, ou o João) acabou me vendendo o jogo (que era do Wanderlei e não sei como ele conseguiu) por umas quinze pilas, na quadra de trás da escolinha. E então eu me diverti muito mais.
Mas o tempo passou. Passou e eu parei de jogar. Possuia um mega driver e não me importava de joga-lo novamente. Um garoto pediu minha fitinha do Phantasy emprestada. - É claro! nem estou jogando-o mesmo! Não me lembro seu nome mas guardo seu rosto muito bem. E eu emprestei, idiotamente, sem pensar que estaria me livrando do objeto de maior melancolia dos meus próximos anos.
Acontece que algum tempo depois o Octavio, meu primo-e-vizinho Octavio, ele comprou este outro jogo que era a continuação deste joguinho que tanto amei. Phantasy Star 3 (em verdade eu é que influenciei-o a comprar o jogo). E então eu ia na casa deles para jogar o jogo. E chama Neto e Octavio para dormirem em casa, para que eu pudesse jogar o jogo. E eu o joguei desesperadamente, emprestado, na casa dele, de todas as formas. E Phantasy Star 3 batia fundo no sentido de nostalgia, na saudade da alegria que o primeiro me fez passar.
Entedam. Jogar Phantasy Star 1 era um ato que havia feito a não muito tempo atrás, talvez um, no máximo dois anos. Mas já sentia extrema saudade dele. E não só a fita estava desaparecida como tambem meu velho master system havia sido destruido, quebrado, não funcionava. Ahn... as angústias...
E enquanto jogava o 3, me devorava em sofrimentos, imaginando dos bons tempos que tive jogando o 1. E imaginava, criava uma regra onde, se você terminasse o terceiro 100%, com tudo que poderia fazer, rapidamente porem aproveitando cada segundo, abriria uma opção secreta permitindo-me jogar a primeira aventura novamente.
É evidente, eu estava chapado de ácido-de-videogame quando imaginava isso. Eu era um idiota triste, uma criancinha que estava triste por acreditar que sua infancia já havia passado.
Mas olhando bem, minha infancia ainda não acabou.
Pelo menos eu não consigo me ver adultamente correto e sensato. respeitável.
E ainda quero jogar Phantasy Star 1, ainda sei joga-lo.
O problema é que agora é bem fácil joga-lo, e por ser fácil o gostoso desvanece. Hoje só consigo ter as sensações de nostalgia que tinha pela lembrança, por sonhos onde imploro para o tempo retornar um ano no passado, para que eu pudesse aproveitar de verdade os momentos mais felizes da infancia, parado na frente da televisão 12 polegadas do meu quarto, apertando botões e dançando em frente a televisão, cantando músicas-inventadas no ritmo do mid do jogo, e descobrindo, depois de muito batalhar e sofrer, que o Governador de Motavia estava possuido pelo Dark Force, na época só Darfallz mesmo (numa tradução erada, imagino eu. As traduções de jogos dos anos 80 nunca prezaram pela capacidade poética). Ahn... os bons momentos que tive, capturando em cada masmorra um pedaço da armadura de Laconian, equipando Alis, Odin, o Miau e o Noah para apanhar de Lassic e seus malditos raios.
O Phantasy Star foi minha primeira namorada.
domingo, julho 10, 2011
Todas as pessoas que consigo me lembrar do meu longinguo terceiro colegial...
Era meu ultimo ano na escolinha Olga Chakur. Terceiro colegial, fazia tambem mecatronicas no ete. Se bem que é exagero afirmar que eu fazia mecatronica, pois apenas matava aula, passeava por Mogi, conversava com as garotas do onibus e aprendia sobre o que era R.P.G.
Mas não é sobre o Ete que eu quero lembrar, embora vejo que é necessário alguma postagem futura sobre ele.
Eu quero escrever sobre aquele ultimo ano na escolinha. Meu ultimo ano no Olga.
Pode-se dizer que estava no meu auge. Não sabia de quase nada mas tinha o impeto de tentar descobrir e conhecer as coisas. Tinha acabado de terminar meu primeiro namorinho com a Amanda e agora ficava desesperado atrás de outras coisas para fazer. E então eu virei alguma coisa do gremio estudantil. Escrevo alguma coisa porque realmente não me lembro qual era o meu cargo lá, embora na pratica fosse algum tipo de faz-quase-tudo. Tambem nessa época ainda não bebia e estava só no início do meu amorzinho obsessivo pela Lilian (que tambem estava no gremio. Ela estava na sala do Fernando japonês, que era o lider do gremio e meu amigo desde que me emprestou Breath of Fire 3. O Japonês ainda é um bom amigo. Fomos prum puteiro a uns seis meses atrás e estava bebendo com ele ontem)
Meus amigos na sala de aula, naquela época, eram vários. Eu podia ser considerado como o "freak" da sala. Aquele que, grande novidade, chamava a atenção pelo comportamento errático e estranho, por ser o cara que respondia coisas nonsense para assuntos considerados comuns. E isso deu certo, de algum modo, pois tinha vários amigos. Mas pode-se dizer que minhas duas melhores amigas eram a Ananda e a Juliana Harumi Nakata. Eu narrava roleplay para ambas e conversamos um bocado sobre coisas que, hoje em dia, poderia ser chamada de "geek". Naquela época era só algo estranho, nada muito celebrado como hoje em dia. Era uma amizade agradavel, não posso negar que ser amigo de duas garotas é algo extremamente diferente para mim, ainda mais naquela época. Até parecia que as coisas iriam dar mesmo certo. E eu passava grande parte do tempo conversando com as garotas sobre videogames, rpg, literatura e eticeteras.
Tambem tinha amigos na galera mais do fundo, com o Lagartixa, o Felipe Loirão meu primo, o Douglas, o Marcel, Alfredo. Uma galera estranha mas agradavel, tipicamente adolescentes sem nenhum preparo para vida. Remetendo ao treco que escrevi anterior a este, poderia afirmar que eles eram uma mistura mal feita (mas engraçada) do Jardel e do Sandrão, meus bons amigos numa época anterior a este. E, como a Amanda nunca teve aquele tipo de beleza ocidental, esses caras costumavam me zoar, afirmando que eu havia comido alguem horrível. Eu escapava pela tangente afirmando que estava bebado. E a Amanda não tirava os olhos de mim na sala de aula. Hoje me sinto ruim quanto a este comportamento.
Havia tambem os amigos mais... digamos mais populares. Se o Lagartixa e compania eram os adolescentes comuns, esses outros caras tambem o eram, mas numa vertente mais bonitona, popular, agradavel e... chata. Não que eles não fossem boas pessoas, mas não tinham aquela faisca de criatividade que o outro lado possuia. O Rafael grilo (estive bebendo com ele e sua esposa ontem tambem) o Jaiminho e o Giovanni. Boas pessoas tambem.
Das garotas mais aleatórias eu só consigo me lembrar da Eloah, que era prima do Felipe Loirão e de mim, e da Juliana Fonseca. Essa ultima só me lembro por que ela era realmente gostosa. Não diria gostosa, mas existia algo nela que me fazia sentir atraido, alguma expressão de sexualidade, de "parecer vadia" que me deixava bem interessado. é evidente que nunca consegui chegar minimamente perto dela, pois essas garotas seriam a parte feminina de Rafael, Giovanni e Jaiminho, elas eram as populares. As que eu nunca chegaria perto (e que nunca mais vi na vida)
Existia tambem o grupinho que no ano passado, no segundo colegial, eu havia participado levemente. O povo que era amigo da Amanda, minha antiga namorada. Essa galerinha andava um bocado puta comigo, pois eu tinha sido um safado. Mas não é como se fosse algo ruim, pois eles tambem eram irritantes por sí só. (exceto a Ananda, que era uma ótima amiga mesmo assim)
Havia tambem uma boa amiga, a Nataluci. Na época ela era a melhor amiga da Lilian, a garota por quem eu começava a ficar apaixonadinho (e que ficaria bem mais no ano seguinte) Eu conheceria bem mais a Nataluci nos anos seguintes, por pegar onibus para mogi toda noite com ela, pode conversar sobre artes e sobre tudo mais. Ela tambem merece algum post em algum momento, pois meu relacionamento com ela era uma coisa um bocado mais complexa. E ela tinha (tem, cheguei a ve-la de relance ontem tambem, trabalhando na locadora de seu tio) ela tinha um belíssimo par de seios. Digo, ela era uma pessoa incrível, e reduzi-la somente a seios seria besteira, mas tambem o seria não comentar este ponto em particular.
E tambem havia o Jeferson e o Gil. Não me lembro se esses dois ultimos caras ainda estavam conosco no terceiro colegial, tenho certeza que no segundo e no primeiro sim mas no terceiro eu creio que eles já haviam se mudado para o horario noturno. Mas mesmo assim é necessário cita-los, pois eram o mais proximo que eu tinha de iguais. O Jeferson e o Gilberto não se encaixavam em nenhuma definição social na escolinha, eram estranho bizarros como eu, fazendo piadas sobre morte (me vem na memória agora a vez que Gil e Eu ficamos na porta da sala, enquanto os outros alunos iam entrando, e ficamos cantando aquela musica de enterro, a marcha funebre. Ninguem entendeu nem gostou) comentários estranhos, atos estranhos (Jeferson e eu, uma vez, tentamos ficar uma aula inteira - 50 minutos - com os braços esticados, paralelos aos ombros. Só pra ver se conseguiamos) Jogamos o clássico futebol de latinha na quadra do fundo (já descrito em algum outro lugar daqui, em outro momento). Enfim, Jeferson, Gil e eu eramos a pequena galera estranha da metade da sala. E agora me sinto bem em lembrar deles e de todos os outros. E eles tambem merecem algum post futuro mais detalhado.
Então eu me formei e entrei em pura decadencia. e o resto já foi uma história.
Mas não é sobre o Ete que eu quero lembrar, embora vejo que é necessário alguma postagem futura sobre ele.
Eu quero escrever sobre aquele ultimo ano na escolinha. Meu ultimo ano no Olga.
Pode-se dizer que estava no meu auge. Não sabia de quase nada mas tinha o impeto de tentar descobrir e conhecer as coisas. Tinha acabado de terminar meu primeiro namorinho com a Amanda e agora ficava desesperado atrás de outras coisas para fazer. E então eu virei alguma coisa do gremio estudantil. Escrevo alguma coisa porque realmente não me lembro qual era o meu cargo lá, embora na pratica fosse algum tipo de faz-quase-tudo. Tambem nessa época ainda não bebia e estava só no início do meu amorzinho obsessivo pela Lilian (que tambem estava no gremio. Ela estava na sala do Fernando japonês, que era o lider do gremio e meu amigo desde que me emprestou Breath of Fire 3. O Japonês ainda é um bom amigo. Fomos prum puteiro a uns seis meses atrás e estava bebendo com ele ontem)
Meus amigos na sala de aula, naquela época, eram vários. Eu podia ser considerado como o "freak" da sala. Aquele que, grande novidade, chamava a atenção pelo comportamento errático e estranho, por ser o cara que respondia coisas nonsense para assuntos considerados comuns. E isso deu certo, de algum modo, pois tinha vários amigos. Mas pode-se dizer que minhas duas melhores amigas eram a Ananda e a Juliana Harumi Nakata. Eu narrava roleplay para ambas e conversamos um bocado sobre coisas que, hoje em dia, poderia ser chamada de "geek". Naquela época era só algo estranho, nada muito celebrado como hoje em dia. Era uma amizade agradavel, não posso negar que ser amigo de duas garotas é algo extremamente diferente para mim, ainda mais naquela época. Até parecia que as coisas iriam dar mesmo certo. E eu passava grande parte do tempo conversando com as garotas sobre videogames, rpg, literatura e eticeteras.
Tambem tinha amigos na galera mais do fundo, com o Lagartixa, o Felipe Loirão meu primo, o Douglas, o Marcel, Alfredo. Uma galera estranha mas agradavel, tipicamente adolescentes sem nenhum preparo para vida. Remetendo ao treco que escrevi anterior a este, poderia afirmar que eles eram uma mistura mal feita (mas engraçada) do Jardel e do Sandrão, meus bons amigos numa época anterior a este. E, como a Amanda nunca teve aquele tipo de beleza ocidental, esses caras costumavam me zoar, afirmando que eu havia comido alguem horrível. Eu escapava pela tangente afirmando que estava bebado. E a Amanda não tirava os olhos de mim na sala de aula. Hoje me sinto ruim quanto a este comportamento.
Havia tambem os amigos mais... digamos mais populares. Se o Lagartixa e compania eram os adolescentes comuns, esses outros caras tambem o eram, mas numa vertente mais bonitona, popular, agradavel e... chata. Não que eles não fossem boas pessoas, mas não tinham aquela faisca de criatividade que o outro lado possuia. O Rafael grilo (estive bebendo com ele e sua esposa ontem tambem) o Jaiminho e o Giovanni. Boas pessoas tambem.
Das garotas mais aleatórias eu só consigo me lembrar da Eloah, que era prima do Felipe Loirão e de mim, e da Juliana Fonseca. Essa ultima só me lembro por que ela era realmente gostosa. Não diria gostosa, mas existia algo nela que me fazia sentir atraido, alguma expressão de sexualidade, de "parecer vadia" que me deixava bem interessado. é evidente que nunca consegui chegar minimamente perto dela, pois essas garotas seriam a parte feminina de Rafael, Giovanni e Jaiminho, elas eram as populares. As que eu nunca chegaria perto (e que nunca mais vi na vida)
Existia tambem o grupinho que no ano passado, no segundo colegial, eu havia participado levemente. O povo que era amigo da Amanda, minha antiga namorada. Essa galerinha andava um bocado puta comigo, pois eu tinha sido um safado. Mas não é como se fosse algo ruim, pois eles tambem eram irritantes por sí só. (exceto a Ananda, que era uma ótima amiga mesmo assim)
Havia tambem uma boa amiga, a Nataluci. Na época ela era a melhor amiga da Lilian, a garota por quem eu começava a ficar apaixonadinho (e que ficaria bem mais no ano seguinte) Eu conheceria bem mais a Nataluci nos anos seguintes, por pegar onibus para mogi toda noite com ela, pode conversar sobre artes e sobre tudo mais. Ela tambem merece algum post em algum momento, pois meu relacionamento com ela era uma coisa um bocado mais complexa. E ela tinha (tem, cheguei a ve-la de relance ontem tambem, trabalhando na locadora de seu tio) ela tinha um belíssimo par de seios. Digo, ela era uma pessoa incrível, e reduzi-la somente a seios seria besteira, mas tambem o seria não comentar este ponto em particular.
E tambem havia o Jeferson e o Gil. Não me lembro se esses dois ultimos caras ainda estavam conosco no terceiro colegial, tenho certeza que no segundo e no primeiro sim mas no terceiro eu creio que eles já haviam se mudado para o horario noturno. Mas mesmo assim é necessário cita-los, pois eram o mais proximo que eu tinha de iguais. O Jeferson e o Gilberto não se encaixavam em nenhuma definição social na escolinha, eram estranho bizarros como eu, fazendo piadas sobre morte (me vem na memória agora a vez que Gil e Eu ficamos na porta da sala, enquanto os outros alunos iam entrando, e ficamos cantando aquela musica de enterro, a marcha funebre. Ninguem entendeu nem gostou) comentários estranhos, atos estranhos (Jeferson e eu, uma vez, tentamos ficar uma aula inteira - 50 minutos - com os braços esticados, paralelos aos ombros. Só pra ver se conseguiamos) Jogamos o clássico futebol de latinha na quadra do fundo (já descrito em algum outro lugar daqui, em outro momento). Enfim, Jeferson, Gil e eu eramos a pequena galera estranha da metade da sala. E agora me sinto bem em lembrar deles e de todos os outros. E eles tambem merecem algum post futuro mais detalhado.
Então eu me formei e entrei em pura decadencia. e o resto já foi uma história.
segunda-feira, julho 04, 2011
Sandrão e Jardel.
Na quinta, sexta serie da velha escolinha Olga Chakur, de Salesópolis, eu andava básicamente com duas pessoas. Sandrão e Jardel. Eramos um grupinho que se ajudava mutuamente naquilo que era possível, sempre fazendo trabalhos juntos, colando um do outro (in fact, só eu passando respostas pra eles) e se virando como podiamos.
O Sandrão foi o cara que eu mais convivi. Era meu vizinho-de-bairro e unico amigo da minha idade naquele lugar. Ele morava um pouco perto da minha casa, mas num local onde já não tinha mais asfalto, o que dava ali um ar de roça que não tinhamos sempre em nossa cara. O Sandrão era algo como um cara estranho, fisicamente falando. Magro, bem magro, com os olhos saltados, quase saindo fora das orbitas (se não me engano isso é uma doença genética, ele herdou maternamente isto) com uma voz meio esganiçada (se bem que, imagino, naquela época todos nós eramos um pouco isso) Ele era talvez o maior parceiro de videogame, de amar garotas em segredo, de jogar bola aleatóriamente e de fazer merda. Mas psicologicamente falando o Sandrão nunca foi algo extraordinário. Quero dizer, é lógico que ele tinha características marcantes, que ele era alguem com traços que o definiam, só que estes nunca foram algo que o fizessem sobressair dos outros. Ele seria um daqueles personagens de filmes do Ferris dos ano 80 que você só vê alguns segundos, sem ter como perceber tudo que há ali. É lógico que ele era doido para sexo, doido para bebidas, doido para matar aulas e ruim nelas. Mas nisto fico na mesma definição de quase todo mundo.
Em suma, ele era um cara legal.
Já o Jardel era algo diferente. Talvez por contrastar com os outros meros salesopolitanos daquela já longe quinta/sexta série, o Jardel era alguem que eu consigo definir muito bem psicologicamente, embora não possa dizer o mesmo da aparencia -comum- O Jardel era algo como um malandro em nascimento, um Neal Cassasy sem a gloria ou o impeto de viver loucamente. Talvez por ser dois anos mais velho que a maioria da sala (o Sandrão era só um ano mais velho) ou talvez por ser de fora (se não me engano ele era de mogi antes de ir morar em Salé) ele conseguia agir livremente naquele campo de safadezas que nós, os proto-caipiras, que nós apenas olhavamos com grande receio. Roubar coisas, xavecar minas (na quinta/sexta série isso era bem dificil para um estranho como moi) ter pornografia, se livrar de roubadas, mentir, se arriscar. O Jardel seria algo como um exibicionista narcisista, se é que naquela idade todos não tentam ser assim.
Nós três eramos como tres idiotas tentando sobreviver num mundo que, sozinhos, seriamos devorados. Mesmo o Jardel, que aparenta na minha descrição ser um auto-suficiente, não conseguiria se virar sem nossa ajuda. Passavamos quase 10 horas juntos, fingindo que estudavamos na aula, criando coisas pra fazer, mentindo e tudo mais aquilo que todo mundo nessa época faz (ou fazia)
Hoje em dia não os vejo mais.
O Sandrão foi o cara que eu mais convivi. Era meu vizinho-de-bairro e unico amigo da minha idade naquele lugar. Ele morava um pouco perto da minha casa, mas num local onde já não tinha mais asfalto, o que dava ali um ar de roça que não tinhamos sempre em nossa cara. O Sandrão era algo como um cara estranho, fisicamente falando. Magro, bem magro, com os olhos saltados, quase saindo fora das orbitas (se não me engano isso é uma doença genética, ele herdou maternamente isto) com uma voz meio esganiçada (se bem que, imagino, naquela época todos nós eramos um pouco isso) Ele era talvez o maior parceiro de videogame, de amar garotas em segredo, de jogar bola aleatóriamente e de fazer merda. Mas psicologicamente falando o Sandrão nunca foi algo extraordinário. Quero dizer, é lógico que ele tinha características marcantes, que ele era alguem com traços que o definiam, só que estes nunca foram algo que o fizessem sobressair dos outros. Ele seria um daqueles personagens de filmes do Ferris dos ano 80 que você só vê alguns segundos, sem ter como perceber tudo que há ali. É lógico que ele era doido para sexo, doido para bebidas, doido para matar aulas e ruim nelas. Mas nisto fico na mesma definição de quase todo mundo.
Em suma, ele era um cara legal.
Já o Jardel era algo diferente. Talvez por contrastar com os outros meros salesopolitanos daquela já longe quinta/sexta série, o Jardel era alguem que eu consigo definir muito bem psicologicamente, embora não possa dizer o mesmo da aparencia -comum- O Jardel era algo como um malandro em nascimento, um Neal Cassasy sem a gloria ou o impeto de viver loucamente. Talvez por ser dois anos mais velho que a maioria da sala (o Sandrão era só um ano mais velho) ou talvez por ser de fora (se não me engano ele era de mogi antes de ir morar em Salé) ele conseguia agir livremente naquele campo de safadezas que nós, os proto-caipiras, que nós apenas olhavamos com grande receio. Roubar coisas, xavecar minas (na quinta/sexta série isso era bem dificil para um estranho como moi) ter pornografia, se livrar de roubadas, mentir, se arriscar. O Jardel seria algo como um exibicionista narcisista, se é que naquela idade todos não tentam ser assim.
Nós três eramos como tres idiotas tentando sobreviver num mundo que, sozinhos, seriamos devorados. Mesmo o Jardel, que aparenta na minha descrição ser um auto-suficiente, não conseguiria se virar sem nossa ajuda. Passavamos quase 10 horas juntos, fingindo que estudavamos na aula, criando coisas pra fazer, mentindo e tudo mais aquilo que todo mundo nessa época faz (ou fazia)
Hoje em dia não os vejo mais.
domingo, junho 12, 2011
Ad infinitum
Eu já estava na Usp a uns seis meses. Retornava pra salé quase sempre porque era mais divertido lá do que em SP. A Ópio já existia, mas eu passava só os dias de semana, os horário de aula nela. E nos finais de semana era costume voltar pra Salesópolis.
Nessa época a pinga com mel e limão do Tóninho do Tó ainda não existia. E eu bebia a pouco mais de um ano.
Comecei a beber bem tardiamente, mas não que isso atrasou minha vida social noturna. Antes, ao invés de rodar bêbado pelas ruas madrugadas frias, rodava são pelas ruas madrugadas frias. Mas era tão estúpido quanto.
Nessa época juntávamos Daniel Preto, Mr. Bifo e eu para bebermos Corote. Corote é uma espécie de pinga, meio litro por menos de 3 contos, algumas com sabor de fruta. Vem numa garrafinha redondinha que lembra sua futura barriga inchada de bêbado. Ela é feita para engordar e depois matar. É bebida de mendigo.
Juntavamos Preto, Bifo e eu, cada um pegava um corote e saia bebendo. Salesópolis não é uma cidade grande, normalmente o caminho seguia pelo trajeto: Praça -> Avenida -> Jardim Nídia -> Avenida -> Praça. Ad infinitum. Ou ad figadum alive.
Eu não sei qual é a palavra pra "vivo" em Latim clássico. Sei pra sânscrito mas não pra Latim.
O ponto é que saiamos pra beber, discutir, vezes sobre como o Punk é divertido, vezes como Bob Dylan é divertido, vezes para coisas que nem lembro nem teve relevância, saiamos para trocar goles de corote (eu costumava beber um de limão. delicioso) Discutir sobre como as musicas do Legião ainda eram relevantes para nossa (pequena) formação amoroso-social. Daniel Preto -acho- ainda não era casado com a Lê. E o Bifo ainda era o Bifo. Mas rodávamos por ai, especialmente bêbados, conversando sem desespero. Era só mais um final de semana e eu podia vomitar o quanto quiser. Tinha muito tempo ainda pra gastar minha juventude.
Era 2005.
Nessa época a pinga com mel e limão do Tóninho do Tó ainda não existia. E eu bebia a pouco mais de um ano.
Comecei a beber bem tardiamente, mas não que isso atrasou minha vida social noturna. Antes, ao invés de rodar bêbado pelas ruas madrugadas frias, rodava são pelas ruas madrugadas frias. Mas era tão estúpido quanto.
Nessa época juntávamos Daniel Preto, Mr. Bifo e eu para bebermos Corote. Corote é uma espécie de pinga, meio litro por menos de 3 contos, algumas com sabor de fruta. Vem numa garrafinha redondinha que lembra sua futura barriga inchada de bêbado. Ela é feita para engordar e depois matar. É bebida de mendigo.
Juntavamos Preto, Bifo e eu, cada um pegava um corote e saia bebendo. Salesópolis não é uma cidade grande, normalmente o caminho seguia pelo trajeto: Praça -> Avenida -> Jardim Nídia -> Avenida -> Praça. Ad infinitum. Ou ad figadum alive.
Eu não sei qual é a palavra pra "vivo" em Latim clássico. Sei pra sânscrito mas não pra Latim.
O ponto é que saiamos pra beber, discutir, vezes sobre como o Punk é divertido, vezes como Bob Dylan é divertido, vezes para coisas que nem lembro nem teve relevância, saiamos para trocar goles de corote (eu costumava beber um de limão. delicioso) Discutir sobre como as musicas do Legião ainda eram relevantes para nossa (pequena) formação amoroso-social. Daniel Preto -acho- ainda não era casado com a Lê. E o Bifo ainda era o Bifo. Mas rodávamos por ai, especialmente bêbados, conversando sem desespero. Era só mais um final de semana e eu podia vomitar o quanto quiser. Tinha muito tempo ainda pra gastar minha juventude.
Era 2005.
quinta-feira, abril 14, 2011
Lucita (Andreia)
A Lucita (Andréia) foi uma coisa estranha. Digo, não sei se consigo defini-la como namorada, como "garota que fiquei" como uma boa amiga. Foi uma espécie de relacionamento estranho, onde até pude perceber não era realmente sobre "nós" mas sobre o que "nós imaginávamos que nós éramos". Primeiro as primeiras coisas.
Eu vi Andréia, pela primeira vez, no antigo trailer do Gú. o Gu é um vizinho meu (com vizinho quero dizer "moramos no mesmo bairro". Eu na minha casa e ele numa outra, gigante, no outro morro. Estamos basicamente um de frente para o outro) Nessa época o Gú ajudava seu pai atendendo num trailer de cachorro-quente na rodoviária. E nessa época eu fazia basicamente duas coisas: Fingia que estudava e fingia que estava com a Lilian. Estudava pro vestibular, acho que na época ainda tentava fazer relações internacionais, seja lá o que isso significa pra mim ou o que significava na época, mas o ponto é que estava naquele meio-termo entre sair da escolinha (olga) e entra na faculdade. E normalmente eu passava meus dias ou na Lilian, ou no Fliperama. E no fliperama (ainda, na época, do Nílson e ainda, na época, o ponto-de-encontro de toda a juventude proto-nerd de salé. Um ótimo local) no fliperama eu costumava sentar na maquina do Cruising USA, comprava um chips fofurão (salgadinho como chama por aqui) e via o tempo passar, pensando na vida e nas coisas estranhas.
Nesse dia eu sai do fliper lá pelas cinco da tarde. E voltando pra casa parei no Trailer do Gú. Andreia estava lá. Fiz meia dúzia de piadas com o Gu, ela comia um lanche e/ou esperava sua irmã sair da escola-pré-primário. E enquanto ela ria de alguma bobeira que na época devia ser engraçada, eu vi que a garota em questão até que era bonita.
Digo, todas as garotas são lindas. Sempre foram. Mas ela, a Andreia, até que não era tão menos linda que as outras. Ok que (como disse Gilberto) ela parecia um Simpsons, mas era bem ajeitada, gostosinha, sorria facilmente com aqueles dentes e aparelhos, tanto que por fim me interessou. Evidentemente que não o bastante para que eu tentasse alguma coisa com ela, acredito que na hora imaginei que Gu estava tentando algo com ela. De forma que fui embora sem guardar na memória muita coisa dela.
Passa-se o tempo. Ano novo. Eu já havia visto a Andreia algumas vezes, no mesmo fliperama, mas nada que indicasse algum tipo de relacionamento. Mas no ano novo nos encontramos na praça (como todos os bêbados de final de ano de salé) e dali a coisa começou a se formar. Quando nos vimos demos um bem longo e semi-engraçado "Feliz Natal". Sim, era ano novo. Sim, isso era uma piada.
A praça de salé é redonda, e alguns minutos depois nos reencontramos. Dei-lhe um abraço de "Feliz Carnaval". Na rodada seguinte foi páscoa. E três reis magos. E Dia dos pais. E das mães. E dos avós. Numa hora estava inventando feriados para abraça-la. Evidente que nessa hora ambos já estávamos interessados um no outro.
Eu, na época, era um viciado em três bandas: Legião Urbana, The Doors e Nirvana. E em algum momento ela me viu com uma camisa do Nirvana. Eu disse que possuia varios discos (todos piratas, é claro. Estamos em 2003, só se conseguia musica em Salesópolis por intermédio da quinta feira de mês) e um certo dia, enquanto estávamos na praça, nós dois sentados no banco conversando, nos descobrindo, num evidente tesão mas nada sem ser declarado, ela disse que queria aprender a ouvir Nirvana. Eu me propus em lhe emprestar um cd. Marcamos para que ela fosse em casa no outro dia. Nesse mesmo dia ela me contou que já era mãe. Isso não me assustou muito, mas me fez encara-la não como uma criança mas sim como adulta. Dai ela disse que havia tentado se suicidar já, que era triste e eu não mais a encarei como adulta, mas sim como um igual.
No outro dia eu não a comi, ela foi em casa, eu lhe dei o cd, ela me convidou para andar e, assustadoramente, fomos andando. Então começamos realmente a ficar mais próximos. Passava-mos os dias andando, conversando, fazendo piadas e sentados na praça. E algo realmente acontecia. Lembro-me que realmente falei "ok, pode realmente algo estar ocorrendo" quando sentados no banco da praça, dando risadas das piadas do Gilberto (ele é mesmo bem engraçado, mesmo quase 8 anos depois) e ela, a Andréia, pegou na minha mão. Sim, eu era um idiota, quase tanto como hoje.
Então num certo dia, numa tarde de domingo, eu estou no fliperama meio triste por não passar na segunda fase da Usp. E então a Andreia (nessa época eu já a chamava de Lucita, um detalhezinho da época do RPG) me vê e me chama para comprar materiais escolares para o filho dela. Eu vou, falo que não passei e ela: "Nossa! Que bom! Quero dizer, é triste, mas pelo menos você fica por aqui".
Ela me convidou para ir pra casa dela. Fui. Ela estava sozinha. Yeah.
Então ficamos juntos. Não posso admitir que éramos um casal, mas eu só estava com ela e ela só comigo. Até o carnaval. Onde ela ficou bêbada, se perdeu de mim e acabou ficando com outro cara. Basicamente não conseguimos continuar depois disso. Foi um final triste e repentino, mas superamos.
Não consigo me lembrar de mais coisas da Lucita. Mas foi uma época divertida.
É isso. Eu devia reescrever isso. Esta ruim e mal feito, desmerecendo a Lucita. Quando não estiver doente farei isso. Adeus.
Eu vi Andréia, pela primeira vez, no antigo trailer do Gú. o Gu é um vizinho meu (com vizinho quero dizer "moramos no mesmo bairro". Eu na minha casa e ele numa outra, gigante, no outro morro. Estamos basicamente um de frente para o outro) Nessa época o Gú ajudava seu pai atendendo num trailer de cachorro-quente na rodoviária. E nessa época eu fazia basicamente duas coisas: Fingia que estudava e fingia que estava com a Lilian. Estudava pro vestibular, acho que na época ainda tentava fazer relações internacionais, seja lá o que isso significa pra mim ou o que significava na época, mas o ponto é que estava naquele meio-termo entre sair da escolinha (olga) e entra na faculdade. E normalmente eu passava meus dias ou na Lilian, ou no Fliperama. E no fliperama (ainda, na época, do Nílson e ainda, na época, o ponto-de-encontro de toda a juventude proto-nerd de salé. Um ótimo local) no fliperama eu costumava sentar na maquina do Cruising USA, comprava um chips fofurão (salgadinho como chama por aqui) e via o tempo passar, pensando na vida e nas coisas estranhas.
Nesse dia eu sai do fliper lá pelas cinco da tarde. E voltando pra casa parei no Trailer do Gú. Andreia estava lá. Fiz meia dúzia de piadas com o Gu, ela comia um lanche e/ou esperava sua irmã sair da escola-pré-primário. E enquanto ela ria de alguma bobeira que na época devia ser engraçada, eu vi que a garota em questão até que era bonita.
Digo, todas as garotas são lindas. Sempre foram. Mas ela, a Andreia, até que não era tão menos linda que as outras. Ok que (como disse Gilberto) ela parecia um Simpsons, mas era bem ajeitada, gostosinha, sorria facilmente com aqueles dentes e aparelhos, tanto que por fim me interessou. Evidentemente que não o bastante para que eu tentasse alguma coisa com ela, acredito que na hora imaginei que Gu estava tentando algo com ela. De forma que fui embora sem guardar na memória muita coisa dela.
Passa-se o tempo. Ano novo. Eu já havia visto a Andreia algumas vezes, no mesmo fliperama, mas nada que indicasse algum tipo de relacionamento. Mas no ano novo nos encontramos na praça (como todos os bêbados de final de ano de salé) e dali a coisa começou a se formar. Quando nos vimos demos um bem longo e semi-engraçado "Feliz Natal". Sim, era ano novo. Sim, isso era uma piada.
A praça de salé é redonda, e alguns minutos depois nos reencontramos. Dei-lhe um abraço de "Feliz Carnaval". Na rodada seguinte foi páscoa. E três reis magos. E Dia dos pais. E das mães. E dos avós. Numa hora estava inventando feriados para abraça-la. Evidente que nessa hora ambos já estávamos interessados um no outro.
Eu, na época, era um viciado em três bandas: Legião Urbana, The Doors e Nirvana. E em algum momento ela me viu com uma camisa do Nirvana. Eu disse que possuia varios discos (todos piratas, é claro. Estamos em 2003, só se conseguia musica em Salesópolis por intermédio da quinta feira de mês) e um certo dia, enquanto estávamos na praça, nós dois sentados no banco conversando, nos descobrindo, num evidente tesão mas nada sem ser declarado, ela disse que queria aprender a ouvir Nirvana. Eu me propus em lhe emprestar um cd. Marcamos para que ela fosse em casa no outro dia. Nesse mesmo dia ela me contou que já era mãe. Isso não me assustou muito, mas me fez encara-la não como uma criança mas sim como adulta. Dai ela disse que havia tentado se suicidar já, que era triste e eu não mais a encarei como adulta, mas sim como um igual.
No outro dia eu não a comi, ela foi em casa, eu lhe dei o cd, ela me convidou para andar e, assustadoramente, fomos andando. Então começamos realmente a ficar mais próximos. Passava-mos os dias andando, conversando, fazendo piadas e sentados na praça. E algo realmente acontecia. Lembro-me que realmente falei "ok, pode realmente algo estar ocorrendo" quando sentados no banco da praça, dando risadas das piadas do Gilberto (ele é mesmo bem engraçado, mesmo quase 8 anos depois) e ela, a Andréia, pegou na minha mão. Sim, eu era um idiota, quase tanto como hoje.
Então num certo dia, numa tarde de domingo, eu estou no fliperama meio triste por não passar na segunda fase da Usp. E então a Andreia (nessa época eu já a chamava de Lucita, um detalhezinho da época do RPG) me vê e me chama para comprar materiais escolares para o filho dela. Eu vou, falo que não passei e ela: "Nossa! Que bom! Quero dizer, é triste, mas pelo menos você fica por aqui".
Ela me convidou para ir pra casa dela. Fui. Ela estava sozinha. Yeah.
Então ficamos juntos. Não posso admitir que éramos um casal, mas eu só estava com ela e ela só comigo. Até o carnaval. Onde ela ficou bêbada, se perdeu de mim e acabou ficando com outro cara. Basicamente não conseguimos continuar depois disso. Foi um final triste e repentino, mas superamos.
Não consigo me lembrar de mais coisas da Lucita. Mas foi uma época divertida.
É isso. Eu devia reescrever isso. Esta ruim e mal feito, desmerecendo a Lucita. Quando não estiver doente farei isso. Adeus.
terça-feira, março 22, 2011
And if you get no joy from gin here is the abyss: jump in!
Há tantas coisas possíveis de se escrever. Quero dizer, basicamente é possível escrever qualquer coisa que já foi e será imaginada por qualquer pessoa de qualquer multi-universo (da marvel ou D.C.) possível. Provavelmente não há limites para aquilo que se pode criar, só mesmo a limitação da capacidade de escrever e do quão a pessoa que o escreve não consegue sair do próprio chão. E se ela não se importar em ser lida, ambos estes problemas ficam mais simples. Ser lido é um problema.
É evidente que estou apenas divagando para conseguir pensar melhor certos problemas.
Não que exista problemas realmente grandes aqui, dificilmente me lembro de alguma coisa que possa realmente chamar de "grande". Talvez dormir na rua por alguns dias, se não fosse proposital, seria ruim. Mas, como já deve ter sido realmente fácil de perceber, em metade das coisas escritas aqui o mundo real me é ignorado. Eu entendo que a droga do terremoto japonês e Líbio é horrível, oh meu deus! há tanta fome! (SouthPark novo somente daqui um mês -o horror!) E há tanta fome no mundo! E provavelmente daqui a alguns anos uma boa parte daqueles que estão vivos hoje estará morta! E há tanta fome!
Eu entendo que há estes problemas realmente grandes, mas sendo o mais sincero/cínico que consigo tentar ser, foda-se esses problemas. Sou egoísta e estou bem mais preocupado em entender, digerir e avançar nos mas minhas pequenas querelas complicadas do dia-a-dia do que os grandes eventos cósmicos. Ou fazer algum sentido;
Mas entenda, os problemas, mesmo estando aparentemente fora de mim, aparentemente sendo fruto do ato de outros e não do meu, são culpa minha. E isso não é alguma forma de mea-culpa cristã, é realmente fato. Sou um maldito obsessivo que, ao me apegar a algo (por mais fantasmagórico que o objeto desse apego seja) o mastigo, mastigo e mastigo até não sobrar absolutamente nada que não seja o esqueleto desde apego. Eu obsesso. Visito e revisito. Tento compreender. Procuro informações, fotos, coisas, tudo.
Sendo claro, quando eu me fixo numa garota ideal, eu realmente mordo até o osso. Afundo completamente minhas alegrias ou tristezas neste único alvo.
É provável por isso que nenhum relacionamento, até hoje, deu certo. Talvez eu devesse achar uma garota doente, obsessiva, compulsiva, bebada, drogada, maníaca. (não que eu seja perigoso ou alguma coisa que possa se ver num filme-de-terror)
Ahn... ando bebendo a quatro dias (ontem eu não bebi, acho, mas foram quatro dias seguidos) hoje não irei beber de novo. eu acho.
É evidente que estou apenas divagando para conseguir pensar melhor certos problemas.
Não que exista problemas realmente grandes aqui, dificilmente me lembro de alguma coisa que possa realmente chamar de "grande". Talvez dormir na rua por alguns dias, se não fosse proposital, seria ruim. Mas, como já deve ter sido realmente fácil de perceber, em metade das coisas escritas aqui o mundo real me é ignorado. Eu entendo que a droga do terremoto japonês e Líbio é horrível, oh meu deus! há tanta fome! (SouthPark novo somente daqui um mês -o horror!) E há tanta fome no mundo! E provavelmente daqui a alguns anos uma boa parte daqueles que estão vivos hoje estará morta! E há tanta fome!
Eu entendo que há estes problemas realmente grandes, mas sendo o mais sincero/cínico que consigo tentar ser, foda-se esses problemas. Sou egoísta e estou bem mais preocupado em entender, digerir e avançar nos mas minhas pequenas querelas complicadas do dia-a-dia do que os grandes eventos cósmicos. Ou fazer algum sentido;
Mas entenda, os problemas, mesmo estando aparentemente fora de mim, aparentemente sendo fruto do ato de outros e não do meu, são culpa minha. E isso não é alguma forma de mea-culpa cristã, é realmente fato. Sou um maldito obsessivo que, ao me apegar a algo (por mais fantasmagórico que o objeto desse apego seja) o mastigo, mastigo e mastigo até não sobrar absolutamente nada que não seja o esqueleto desde apego. Eu obsesso. Visito e revisito. Tento compreender. Procuro informações, fotos, coisas, tudo.
Sendo claro, quando eu me fixo numa garota ideal, eu realmente mordo até o osso. Afundo completamente minhas alegrias ou tristezas neste único alvo.
É provável por isso que nenhum relacionamento, até hoje, deu certo. Talvez eu devesse achar uma garota doente, obsessiva, compulsiva, bebada, drogada, maníaca. (não que eu seja perigoso ou alguma coisa que possa se ver num filme-de-terror)
Ahn... ando bebendo a quatro dias (ontem eu não bebi, acho, mas foram quatro dias seguidos) hoje não irei beber de novo. eu acho.
terça-feira, fevereiro 22, 2011
A perda da Chave antes do Piquenique que fizemos a tanto tempo atras
Certa vez, a muito muito tempo atrás, eu tinha um cabelo feio. Ainda tenho um cabelo feio, mas naquela época o cabelo era mais feio ainda, era um feio proposital. Nessa mesma época eu andava psicopaticamente obsessivo pela garota loira (que agora é lésbica e esta feliz, embora tenha cortado relações com todo mundo, incluindo familia) chama Lilian. Nessa época eu costumava passar as tardes no trabalho dela, ouvindo musica e falando besteiras. Eu era uma pessoa mais chata que hoje.
Isso aconteceu logo depois do final da minha escolinha, do terceiro ano no Olga. E ainda nesta época éramos muito ligados, nós que havíamos acabado o terceiro ano. Mas uma pessoa em especial era mais ligada a mim, talvez por culpa da Lilian, esta pessoa era a Nakata.
A Nakata (Juliana Nakata) era uma garota japonesa (eu acho, oriental) que apareceu no primeiro (ou segundo) ano do colegial. Por um bocado de tempo não tive nenhum tipo de amizades com ela, mas quando comentei inadvertidamente na sala que estava adorando jogar Chrono Trigger (acho que cantarolei a musica do Frog, mas isso é mais imaginação minha) ela pirou com a minha proto-nerdice e ficamos amigos. Bons amigos. É provavel que ela e a Ananda (não Amanda, que foi minha primeira namorada e era a melhor amiga da Ananda) tenham sidos minhas melhores amigas de colegial. Mais ou menos nessa época, segundo colegial, comecei a narrar rpg e a Ananda e a Nakata eram as únicas que jogavam comigo (ela e o Fernando Japones).
Descrito isso, uma vez a Lilian resolveu que íamos fazer um piquenique no Aterrado. Nakata, Ela e eu. E o Daniel Preto. Eu não sei qual foi o motivo do Daniel ser convidado também, a Nakata nem o conhecia, mas ele foi. E então nos preparamos pra esse piquenique comprando vários refrigerantes e salgadinhos e besteiras gostosas do nível. Era pra ser um bom dia.
Um dia antes do piquenique eu, para variar, estava na casa da Lilian (ela trabalhava em um bar embaixo da casa, eu costumava ser o lavador oficial de louça e tomava café todos os dias. Sinto saudades disso dessa época) e acabou que alem da sobrinha dela, a Victoria (que eu brinquei muito mesmo nos anos que fiquei indo lá. tambem tenho saudades disso) apareceu o sobrinho dela, filho do Ricardo. O garoto era um bocado mais velho que a Victoria, deveria ter seus dez anos, e fomos brincar também. Aqui aparece o importante, o crucial dessa história.
Eu brinquei com ele de X-Men. Ele era o wolverine e eu era o Fera. Nesta época ainda estava em boa forma física, conseguia imitar Hank Macoy tranqüilamente. E enquanto pulava pra lá e pra cá, fugindo das garras do Wolverine, ouvi alguma coisa e olhei para o chão. Vi algo que parecia ser uma chave mas como o Wolverine vinha logo atrás tive que pular. E continuamos brincando.
Fiquei na casa da Lilian por mais algumas horas, vendo filmes com ela, a mãe e o irmão, brincando com a Victoria e tomando café, acho que rejeitei uma janta, e logo depois de sair dali fui para o Fliperama, conversar com os amigos (o fliperama era o "bar" dessa época. preciso escrever algo sobre ele, acho que não existe nada aqui) e depois subimos para a praça de salesópolis, desperdiçar algum tempo. Consta que eu voltei para casa tarde, mas não tanto pois precisava acordar cedo pra ir pro piquenique.
Chego em casa, todos estão dormindo. Vou pro meu quarto e meto a cara na porta fechada.
Eu tranquei meu quarto! A chave, que estava no bolso, é aquela que caiu na casa da Lilian. Temos que ir pro piquenique cedo e já são 2 da manhã!!
Lembro de ir todo o (curto) caminho da minha casa pra dela pensando se iria acorda-los ou se iria entrar sorrateiramente e recuperar a chave no chão. E havia a possibilidade de aquela nem ser a minha chave, ser qualquer outra coisa caída no chão e que eu imaginei ser um chave. E se alguém me pegasse entrando de madrugada na casa da Lilian, tudo estaria acabado para sempre, eu seria um doente mental, um psicopata, um tarado, um ladrão! A amava na época, mesmo que não soubesse como dizer isso nem como agir quanto a isso. E a angustia aumentava.
Chegando no portão dela fiquei uns dois minutos agachado escondido na frente, para perceber se havia alguém acordado ou que pudesse arriscar minha furtividade. Um movimento errado e eu estava totalmente fodido. Então resolvi agir, abrindo o portão cuidadosamente entrei em sua casa. A chave, segundo lembrava, estava jogada na metade do quintal da frente dela, um pouco perto da janela onde seus pais, a mãe o falecido, dormiam. Me movimentei devagar mas sempre nas sombras, e quando chegava perto percebi um brilho.
Era a chave!
A peguei e dai pra frente tudo foi extremamente fácil. Se alguém me pegasse saindo da casa da Lilian as duas e meia da manhã a única coisa que precisa fazer era dar um sorriso metade tímido, metade safado, e tudo ficava tranqüilo pois metade das pessoas que nos conheciam tinha certeza que estávamos juntos e a outra metade ficaria feliz por estar me dando bem com ela.
Dai eu fui embora pra casa dormir pro Piquenique. Noutro post escrevo sobre ele.
Isso aconteceu logo depois do final da minha escolinha, do terceiro ano no Olga. E ainda nesta época éramos muito ligados, nós que havíamos acabado o terceiro ano. Mas uma pessoa em especial era mais ligada a mim, talvez por culpa da Lilian, esta pessoa era a Nakata.
A Nakata (Juliana Nakata) era uma garota japonesa (eu acho, oriental) que apareceu no primeiro (ou segundo) ano do colegial. Por um bocado de tempo não tive nenhum tipo de amizades com ela, mas quando comentei inadvertidamente na sala que estava adorando jogar Chrono Trigger (acho que cantarolei a musica do Frog, mas isso é mais imaginação minha) ela pirou com a minha proto-nerdice e ficamos amigos. Bons amigos. É provavel que ela e a Ananda (não Amanda, que foi minha primeira namorada e era a melhor amiga da Ananda) tenham sidos minhas melhores amigas de colegial. Mais ou menos nessa época, segundo colegial, comecei a narrar rpg e a Ananda e a Nakata eram as únicas que jogavam comigo (ela e o Fernando Japones).
Descrito isso, uma vez a Lilian resolveu que íamos fazer um piquenique no Aterrado. Nakata, Ela e eu. E o Daniel Preto. Eu não sei qual foi o motivo do Daniel ser convidado também, a Nakata nem o conhecia, mas ele foi. E então nos preparamos pra esse piquenique comprando vários refrigerantes e salgadinhos e besteiras gostosas do nível. Era pra ser um bom dia.
Um dia antes do piquenique eu, para variar, estava na casa da Lilian (ela trabalhava em um bar embaixo da casa, eu costumava ser o lavador oficial de louça e tomava café todos os dias. Sinto saudades disso dessa época) e acabou que alem da sobrinha dela, a Victoria (que eu brinquei muito mesmo nos anos que fiquei indo lá. tambem tenho saudades disso) apareceu o sobrinho dela, filho do Ricardo. O garoto era um bocado mais velho que a Victoria, deveria ter seus dez anos, e fomos brincar também. Aqui aparece o importante, o crucial dessa história.
Eu brinquei com ele de X-Men. Ele era o wolverine e eu era o Fera. Nesta época ainda estava em boa forma física, conseguia imitar Hank Macoy tranqüilamente. E enquanto pulava pra lá e pra cá, fugindo das garras do Wolverine, ouvi alguma coisa e olhei para o chão. Vi algo que parecia ser uma chave mas como o Wolverine vinha logo atrás tive que pular. E continuamos brincando.
Fiquei na casa da Lilian por mais algumas horas, vendo filmes com ela, a mãe e o irmão, brincando com a Victoria e tomando café, acho que rejeitei uma janta, e logo depois de sair dali fui para o Fliperama, conversar com os amigos (o fliperama era o "bar" dessa época. preciso escrever algo sobre ele, acho que não existe nada aqui) e depois subimos para a praça de salesópolis, desperdiçar algum tempo. Consta que eu voltei para casa tarde, mas não tanto pois precisava acordar cedo pra ir pro piquenique.
Chego em casa, todos estão dormindo. Vou pro meu quarto e meto a cara na porta fechada.
Eu tranquei meu quarto! A chave, que estava no bolso, é aquela que caiu na casa da Lilian. Temos que ir pro piquenique cedo e já são 2 da manhã!!
Lembro de ir todo o (curto) caminho da minha casa pra dela pensando se iria acorda-los ou se iria entrar sorrateiramente e recuperar a chave no chão. E havia a possibilidade de aquela nem ser a minha chave, ser qualquer outra coisa caída no chão e que eu imaginei ser um chave. E se alguém me pegasse entrando de madrugada na casa da Lilian, tudo estaria acabado para sempre, eu seria um doente mental, um psicopata, um tarado, um ladrão! A amava na época, mesmo que não soubesse como dizer isso nem como agir quanto a isso. E a angustia aumentava.
Chegando no portão dela fiquei uns dois minutos agachado escondido na frente, para perceber se havia alguém acordado ou que pudesse arriscar minha furtividade. Um movimento errado e eu estava totalmente fodido. Então resolvi agir, abrindo o portão cuidadosamente entrei em sua casa. A chave, segundo lembrava, estava jogada na metade do quintal da frente dela, um pouco perto da janela onde seus pais, a mãe o falecido, dormiam. Me movimentei devagar mas sempre nas sombras, e quando chegava perto percebi um brilho.
Era a chave!
A peguei e dai pra frente tudo foi extremamente fácil. Se alguém me pegasse saindo da casa da Lilian as duas e meia da manhã a única coisa que precisa fazer era dar um sorriso metade tímido, metade safado, e tudo ficava tranqüilo pois metade das pessoas que nos conheciam tinha certeza que estávamos juntos e a outra metade ficaria feliz por estar me dando bem com ela.
Dai eu fui embora pra casa dormir pro Piquenique. Noutro post escrevo sobre ele.
domingo, fevereiro 13, 2011
Quarta-Feira, 29 de Novembro de 2006
Isso tem quase 5, 4 anos. É de 2006. Esta é mais uma madrugada quente demais pra se tentar escrever portanto resolvi ler. E acabei caindo em muitas coisas que já escrevi a mil anos atrás no antigo Blog da Lilian (98% delas extremamente ruins e 2% só muito ruim). O ponto que este daqui é um bocado legal (menos a imagem do Mamute. ela ficou ruim), e como remete a lembranças, nada mais "estou cansado" que copiar-colar algo que me lembro. Como única correção, devo dizer que parece que a agua tinha sabor de bacon e não de presunto. anyway;
----------------------------------
"de" Quando virei um único ser com a menina de cabelo vermelho.
Estávamos caidos no sofa. Todos os outros quatro amigos que nos acompanhavam na viagem lisergica estavam tão preocupados com o mundo-que-não-é-mundo que praticamente nem notavam a nossa sexuada existencia. E aquela sala onde o sofa estava morando era ampla e desenhada nas parede, humor nonsense de quem não quer há muito tempo mudar o mundo, eram paredes que nos faziam pensar e sorrir a cada vez que, longe dali, nos lembrava-mos dela e de suas cores estranhas, do pavão atras da TV e do Trilho do Trem que atravessava todo o comprimento da sala, subindo e descendo apenas para terminar onde começar e assim não sair do lugar. O Trilho do Trem era uma analogia bem Acida sobre o nosso estado naquele inicio de madrugada. As cores se misturavam à musica, que por sua vez se misturava ao gosto da agua, que parecia presunto, e as piadas ficavam tão engraçadas que até mesmo um simples pouso de mosca fazia a graça da noite. é a procura do sentido, a esperança de, naquele ilicito pedacinho de papel colorido mais caro da minha vida estar todo o sentido que nunca, nunca iremos achar.
Eu estava deitado com a menina de cabelo vermelho, ja eramos conhecidos de outras junkices,tinhamos bebido até o fim da alma uma vez. Naquela hora estavamos abraçados juntos, mais junto que jamais estivemos juntos com qualquer outro ser do mundo, o braço dela saia do meu ombro e no final tinha a minha mão, com dedos dela. quando eu olhava para tras podia sentir sua mente percebendo tudo o que via, todas as nuances. por algumas poucas horas eramos um. E eu me sentia mais uno do que comigo mesmo.
Durante algum tempo toda a atenção da noite estava ligada apenas no convivio dos amigos na limonada, mas pouco a pouco eu a menina de cabelos vermelhos começamos a ficar longe, longe, tão longe que as vozes dos amigos já não faziam sentido eram apenas pequenos pontos de luz no horizonte do mar de noite, pequenos pescadores de camarão que deixam seus lampiões de gas ligados apenas para terem um ponto de referencia na noite escura. E quanto mais esses pontos de luz se apagavam no horizonte escuro, mais a presença una dos cabelos vermelhos ficava latente, ela era não só tudo que existia no mundo, ela era a propria ignorancia da minha existencia como ser-humanos já que eramos apenas um só.
Então me concentrei nos olhos. E ali, percebi que pensavamos algo. E quando perebi que, no canto dos olhos existia algo parecido com uma maquilagem borrada azul, e que a luz relfetia nos azul e transformava toda essa maquilagem não em apenas um enfeite de beleza mas sim em ela propria, mostrava que ela, tanto quanto eu, sentia algo naquela noite que nunca acabava (pois é muito facil perder a noção de tempo quando não se esta nele), celebravamos a tristeza, a mediocridade e toda a podridão que nos cercava fatalmente como areia movediça, eramos tambem areia movediça cujo unico proprosito era descobrir o "porque" ou morrer tentando.
Os olhos sublinhvam algo em mim, a garota de olhos vermelhos e cabelos azuis, de pele amarela e mãos perdidas em algum lugar que no momento não era sexual e sim quase uma masturbação no sentido literal da palavra (eramos um só) ela deitava e se apoiava nos meus braços e o toque dos labios fazia com que descobrisse que sabiam o tempo todo o que esperar, e é por isso que esperavamos com estilo, nao existia prazer naquilo, os olhares explimiam algo diferente do prazer sempre relacionado com as drogas que o papai e mamãe estado querem por longe dos idiotas filhinhos do coração, era um coisa mais melancolica como é o caminhar solitario do ultimo mamute nas planices geladas de qualquer lugar do tempo-espaço conttinuum, ela dizia com olhos azuis algo que se assemelhava ao "eu sei, eu sei" "estamos perdidos" a tristeza do ser que um dia fui estava ali, exposta como nunca estivera, ela olhava todos os meus anseios idiotas e entendia, ela via aquilo que nunca pode ser dito com palavras e sorria ao perceber que eu tambem via nela a mesma coisa, que estavamos muito mais unidos que jamais estivemos com qualquer outro ser vivo. e nos abraçavmos forte, com medo de cair no mundo que estava ali em baixo, medo de perder a razão e simplesmente se jogar, esperando que lá no fim exista algum chão para espatifar.
Mas no fim, como sempre, a viagem acaba. Voltamos para casa, cada um para a sua. Dormimos. E nunca mais nos lembramos nem a tristeza que vimos ou que revelamos. Voltamos a ser tão sujos quanto antes. Um pouco mais lerdos e perdidos, com a cabeça um pouco mais derretida que o do padre, mas tão tristes e iludidos quanto.
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"de" Quando virei um único ser com a menina de cabelo vermelho.
Estávamos caidos no sofa. Todos os outros quatro amigos que nos acompanhavam na viagem lisergica estavam tão preocupados com o mundo-que-não-é-mundo que praticamente nem notavam a nossa sexuada existencia. E aquela sala onde o sofa estava morando era ampla e desenhada nas parede, humor nonsense de quem não quer há muito tempo mudar o mundo, eram paredes que nos faziam pensar e sorrir a cada vez que, longe dali, nos lembrava-mos dela e de suas cores estranhas, do pavão atras da TV e do Trilho do Trem que atravessava todo o comprimento da sala, subindo e descendo apenas para terminar onde começar e assim não sair do lugar. O Trilho do Trem era uma analogia bem Acida sobre o nosso estado naquele inicio de madrugada. As cores se misturavam à musica, que por sua vez se misturava ao gosto da agua, que parecia presunto, e as piadas ficavam tão engraçadas que até mesmo um simples pouso de mosca fazia a graça da noite. é a procura do sentido, a esperança de, naquele ilicito pedacinho de papel colorido mais caro da minha vida estar todo o sentido que nunca, nunca iremos achar.
Eu estava deitado com a menina de cabelo vermelho, ja eramos conhecidos de outras junkices,tinhamos bebido até o fim da alma uma vez. Naquela hora estavamos abraçados juntos, mais junto que jamais estivemos juntos com qualquer outro ser do mundo, o braço dela saia do meu ombro e no final tinha a minha mão, com dedos dela. quando eu olhava para tras podia sentir sua mente percebendo tudo o que via, todas as nuances. por algumas poucas horas eramos um. E eu me sentia mais uno do que comigo mesmo.
Durante algum tempo toda a atenção da noite estava ligada apenas no convivio dos amigos na limonada, mas pouco a pouco eu a menina de cabelos vermelhos começamos a ficar longe, longe, tão longe que as vozes dos amigos já não faziam sentido eram apenas pequenos pontos de luz no horizonte do mar de noite, pequenos pescadores de camarão que deixam seus lampiões de gas ligados apenas para terem um ponto de referencia na noite escura. E quanto mais esses pontos de luz se apagavam no horizonte escuro, mais a presença una dos cabelos vermelhos ficava latente, ela era não só tudo que existia no mundo, ela era a propria ignorancia da minha existencia como ser-humanos já que eramos apenas um só.
Então me concentrei nos olhos. E ali, percebi que pensavamos algo. E quando perebi que, no canto dos olhos existia algo parecido com uma maquilagem borrada azul, e que a luz relfetia nos azul e transformava toda essa maquilagem não em apenas um enfeite de beleza mas sim em ela propria, mostrava que ela, tanto quanto eu, sentia algo naquela noite que nunca acabava (pois é muito facil perder a noção de tempo quando não se esta nele), celebravamos a tristeza, a mediocridade e toda a podridão que nos cercava fatalmente como areia movediça, eramos tambem areia movediça cujo unico proprosito era descobrir o "porque" ou morrer tentando.
Os olhos sublinhvam algo em mim, a garota de olhos vermelhos e cabelos azuis, de pele amarela e mãos perdidas em algum lugar que no momento não era sexual e sim quase uma masturbação no sentido literal da palavra (eramos um só) ela deitava e se apoiava nos meus braços e o toque dos labios fazia com que descobrisse que sabiam o tempo todo o que esperar, e é por isso que esperavamos com estilo, nao existia prazer naquilo, os olhares explimiam algo diferente do prazer sempre relacionado com as drogas que o papai e mamãe estado querem por longe dos idiotas filhinhos do coração, era um coisa mais melancolica como é o caminhar solitario do ultimo mamute nas planices geladas de qualquer lugar do tempo-espaço conttinuum, ela dizia com olhos azuis algo que se assemelhava ao "eu sei, eu sei" "estamos perdidos" a tristeza do ser que um dia fui estava ali, exposta como nunca estivera, ela olhava todos os meus anseios idiotas e entendia, ela via aquilo que nunca pode ser dito com palavras e sorria ao perceber que eu tambem via nela a mesma coisa, que estavamos muito mais unidos que jamais estivemos com qualquer outro ser vivo. e nos abraçavmos forte, com medo de cair no mundo que estava ali em baixo, medo de perder a razão e simplesmente se jogar, esperando que lá no fim exista algum chão para espatifar.
Mas no fim, como sempre, a viagem acaba. Voltamos para casa, cada um para a sua. Dormimos. E nunca mais nos lembramos nem a tristeza que vimos ou que revelamos. Voltamos a ser tão sujos quanto antes. Um pouco mais lerdos e perdidos, com a cabeça um pouco mais derretida que o do padre, mas tão tristes e iludidos quanto.
sábado, janeiro 29, 2011
Andar de bicicleta até o rio na velha praia, ontem e hoje; e a nostalgia nela intrínseca.
Há uma especie de nostalgia no ar sempre que retorno pra praia, para caragua. Foi aqui que passei um terço da infancia e adolescencia. Uma certa dor no coração por perceber que reconheço cada pequeno metro de espaço desta casa, desta rua, deste pequeno bairro e da praia, quando passo por locais onde já houve alguma pequena coisa relevante, relembro-o. E isso é nostalgia, evidentemente.
Mas se por um lado há essa essencia de nostalgia intrinseca na praia, há o tédio de não reconhecer nada de novo, que já vi tudo por aqui, e isso retira grande parte da beleza que vejo nas cosias. Adoro me meter em alguma rua aleatóriamente, olhando pras janelas das casas e pros terrenos baldios, imaginando situações hipotéticas, momentos específicos no tempo naqueles locais e como eles ocorreram. E aqui na praia eu já fiz isso em quase todos os locais, e devo ter os feito em 1994.
Hoje resolvi andar de bicicleta, estava trancado aqui (sem nem ir na praia, que me irrita) por quase 20 dias. Um maldito calor que derramava cachoeiras de suor a cada segundo que um ventilador não estava direcionado para meu corpo. E por culpa do calor resolvi desistir da vergonha de mostrar o cabelo, a cara, a barba e o corpo feio que tenho e fui andar de bicicleta.
Há muitos e muitos anos atrás, quando eu era menor que um menino de dez anos, ficavamos na praia todo final de ano; quando digo "ficavamos" me refiro a toda a minha familia estendida - mãe, avó, tia, primos, primeiro e segundo grau, tias avós e parentes dessas tia avós. E nessa época todo dia de manhã eu era obrigado por lei a andar de bicicleta com meu primo Kadu, ir até o rio e voltar (o rio é um local que se encontra a mais ou menos uns 10 quilometros seguindo a orla da praia daqui, esse rio desemboca no mar e é um limite fisico e psicológico para onde acaba esta praia.) Tinhamos que ir todo dia de manhã, pois meu avô tambem saia de manhã para soltar a rede em alto mar, pegar peixes para comermos de tarde e noite, e provavelmente os adultos imaginavam que era uma boa coisa acordar tão cedo, saudavel e dava carater. Eu odiava.
Hoje sai para andar na praia. E no começo foi bem divertido. Na verdade o tempo todo foi bem divertido, tive vários delírios de nostalgia, saudade, enquanto pedalava por aquela longa rua (antes interamente de terra, hoje um bocado asfaltada) delírios de saudade dos velhos tempos, das coisas bonitas de antes, reconheci algumas casas, um boteco, me vi na memória em milhares de situações que tive neste caminho.
Porem quando estava voltando percebi um dos motivos do porque odiava este pequeno ritual. Provavelmente não o maior motivo, uma vez que provavelmente o maior odio era o de ser obrigado a ir pra lá de manhã, mas um que estava guardado, não na minha mente, mas sim em na minha bunda. A maldita dor de andar por todos aqueles buracos, aquele remeximento, achoqualhamento (se existe ou não a palavra) e até agora minha bunda doi. Nostalgia é algo que sempre melhora com o tempo, mas dor na bunda não.
Mas se por um lado há essa essencia de nostalgia intrinseca na praia, há o tédio de não reconhecer nada de novo, que já vi tudo por aqui, e isso retira grande parte da beleza que vejo nas cosias. Adoro me meter em alguma rua aleatóriamente, olhando pras janelas das casas e pros terrenos baldios, imaginando situações hipotéticas, momentos específicos no tempo naqueles locais e como eles ocorreram. E aqui na praia eu já fiz isso em quase todos os locais, e devo ter os feito em 1994.
Hoje resolvi andar de bicicleta, estava trancado aqui (sem nem ir na praia, que me irrita) por quase 20 dias. Um maldito calor que derramava cachoeiras de suor a cada segundo que um ventilador não estava direcionado para meu corpo. E por culpa do calor resolvi desistir da vergonha de mostrar o cabelo, a cara, a barba e o corpo feio que tenho e fui andar de bicicleta.
Há muitos e muitos anos atrás, quando eu era menor que um menino de dez anos, ficavamos na praia todo final de ano; quando digo "ficavamos" me refiro a toda a minha familia estendida - mãe, avó, tia, primos, primeiro e segundo grau, tias avós e parentes dessas tia avós. E nessa época todo dia de manhã eu era obrigado por lei a andar de bicicleta com meu primo Kadu, ir até o rio e voltar (o rio é um local que se encontra a mais ou menos uns 10 quilometros seguindo a orla da praia daqui, esse rio desemboca no mar e é um limite fisico e psicológico para onde acaba esta praia.) Tinhamos que ir todo dia de manhã, pois meu avô tambem saia de manhã para soltar a rede em alto mar, pegar peixes para comermos de tarde e noite, e provavelmente os adultos imaginavam que era uma boa coisa acordar tão cedo, saudavel e dava carater. Eu odiava.
Hoje sai para andar na praia. E no começo foi bem divertido. Na verdade o tempo todo foi bem divertido, tive vários delírios de nostalgia, saudade, enquanto pedalava por aquela longa rua (antes interamente de terra, hoje um bocado asfaltada) delírios de saudade dos velhos tempos, das coisas bonitas de antes, reconheci algumas casas, um boteco, me vi na memória em milhares de situações que tive neste caminho.
Porem quando estava voltando percebi um dos motivos do porque odiava este pequeno ritual. Provavelmente não o maior motivo, uma vez que provavelmente o maior odio era o de ser obrigado a ir pra lá de manhã, mas um que estava guardado, não na minha mente, mas sim em na minha bunda. A maldita dor de andar por todos aqueles buracos, aquele remeximento, achoqualhamento (se existe ou não a palavra) e até agora minha bunda doi. Nostalgia é algo que sempre melhora com o tempo, mas dor na bunda não.
sexta-feira, janeiro 07, 2011
Agora, para relaxar, uma histórinha...
Há alguns dias atrás estavam meus primos aqui na praia (estou na praia, na casa de meus pais, passando o ano novo e comendo bem) e quase todo dia iamos pro centro da cidade, beber e ver pessoas. Coisa comum. O ponto é que em todos os dias, lá pelas quatro e dezessete na madrugada eu ficava de saco cheio. Sabe como é, eu percebia que dali absolutamente nada mais iria rolar, eu já havia bebido toda a bebida mais forte, as garotas amigas da minha prima já estavam (junto com ela) pegando outros garotos bonitos. E como sempre acontece comigo no fim da noite,l resolvo ir embora. Do centro pra casa da minha familia é, mais ou menos, uns 8 kilometros de caminho reto e plano, e em teoria isso é fácil (porem alguns dias não foram) mas ponto não é esse. O ponto é que enquanto eu andava e andava e andava criei uma das alucinações imaginativas possivelmente literarias mais legais da minha vida. Ela era mais ou menos assim:
"Na região onde hoje reconhecemos como America do Sul, Brasil, Caraguatatuba, bairro Porto Novo, há 3 bilhões, 570 milhões, trezentos e doze anos e 90 dias existe um terreno de três kilometros e duzentos e doze metros que esta exatamente igual. Neste terreno podemos ler, assim que a língua portuguesa for criada, podemos ler numa placa bem na frente que este terreno é uma Colonia de Férias, a Colonia Min. João Cleopatra. Nesta colonia de férias mora um homem, um homem que desde o primeiro dia que acordou ali não consegue se lembrar de nada, exceto daquelas pequenas informações básicas que um personagem de comedias americanas consegue se lembrar quando tem amnésia, apenas aquele pequeno bocado que o ajuda a saber que comida é necessário, que agua mata a sede, que fogo queima e assim por diante, mas este João não consegue se lembrar de absolutamente nada do mundo onde aprendeu isto, nada exceto seu nome (e, inconscientemente, a língua portuguesa que pensa. No ano 2 Bilhões, 777 milhões, 966 anos e 1 dia ele iria decidir finalmente que esta língua que ele pensa seria chamada de "Carvanita")
Pois bem, este homem automaticamente nomeado João estava ali, naquela colonia de férias desde o inicio do planeta Terra. Logo nos primeiros doze anos ele ainda se entusiasmava com a paisagem que cercava seu terreno, aquele mar de lava e fogo ardente sem explicação nenhuma, aqueles pequenos meteoros que subiam do chão vermelho, avançavam pelo atmosfera em nascimento e hroas depois caiam em direção novamente a terra. No ano 7 ele, numa conhecidencia incrível e muitas vezes repetida, ele conseguiu entender que os meteoros e tudo mais que existia no mundo dentro e fora da colonia caia por culpa de uma força que o planeta criava, puxando todos os objetos. A conhecidencia é que João chamou esta força de "Grávidade", praticamente igual ao nome atual (exceto pelo acento).
O terreno da colonia em nenhum momento entrava em contato com o mar de lava fumegante que cercava o aquela pequena ilha estranha. No ano 51 João percebeu que este comportamento não era comum, ele teve uma pequena epifania quando andava fumando seu charuto no gramado alto da colonia, vendo uma chuva de meteoros e pedaços da lua entrando em orbita com a terra e seu charuto caiu em uma parte mais seca da grama, queimando-a. João percebeu em cerca de tres minutos de observação que aquilo que queimava era similar a todo o resto do mundo que ele via, e portanto algo estava errado.
A colonia, alias, era muito bem equipada. Muito bem equipada para uma colonia de férias dos anos 80/começo dos 90 do seculo XX depois da morte do messias cristão. Havia quarenta quartos pequenos espalhados ao redor do campo, sendo estes distribuidos em duas grandes casas de vinte cada uma, havia um salão de jogos com, evidentemente, jogos, e foi uma pena que João somente foi comprender as regras do Pebolim nos anos 60 da mesma era dia antes, pois se a mesa viesse com intruções em video João teria passado os bilhões de anos bem mais rapidamente. Falando em vídeo, isto havia um bocado, uma das salas de recreação era a sala de video, onde existia uma televisão com antena (inútil antes da invenção dos canais de televisão) e um VCR, e numa salinha ao lado, trancada com uma chave que João sempre carregava consigo, existiam 300 dos melhores filmes jamais feitos até o ano de 1987 (ainda no tempo ocidental). Por sorte todos os filmes eram dublados (João só foi perceber que assim o era no ano 2 Bilhões, 120 milhões, 10 anos e 10 dias) e mais sorte ainda que alguns eram dublados e legendados ao mesmo tempo, pois foi assim que João conseguiu começar a aprender a ler (comparando o que os homens falavam com o que estava escrito) e assim começou a ler os quase 500 livros que estavam em outro quarto do salão de jogos. E com filmes e livros João conseguiu passar quase 300 anos sem se aborrecer muito. No ano de 3 Bilhões, 570 milhões, dez anos e oitenta dias João terminou de ler totalmente todos os livros e ver todos os filmes. Estava entediado"
Evidente que isto continua indefinidamente, como as alucinações alcoolicas/andarilhas eram extensas e o sol já começava a nascer (soprando, alias, uma brisa que me deixou extremamente gripado por umas duas semanas) os delírios iam longe. Mas é claro que eu, depois de uma hora de caminhada, chegava em casa, acertava meu sofá e dormia. Normalmente minha irmã bebada só chegava quarenta minutos depois.
"Na região onde hoje reconhecemos como America do Sul, Brasil, Caraguatatuba, bairro Porto Novo, há 3 bilhões, 570 milhões, trezentos e doze anos e 90 dias existe um terreno de três kilometros e duzentos e doze metros que esta exatamente igual. Neste terreno podemos ler, assim que a língua portuguesa for criada, podemos ler numa placa bem na frente que este terreno é uma Colonia de Férias, a Colonia Min. João Cleopatra. Nesta colonia de férias mora um homem, um homem que desde o primeiro dia que acordou ali não consegue se lembrar de nada, exceto daquelas pequenas informações básicas que um personagem de comedias americanas consegue se lembrar quando tem amnésia, apenas aquele pequeno bocado que o ajuda a saber que comida é necessário, que agua mata a sede, que fogo queima e assim por diante, mas este João não consegue se lembrar de absolutamente nada do mundo onde aprendeu isto, nada exceto seu nome (e, inconscientemente, a língua portuguesa que pensa. No ano 2 Bilhões, 777 milhões, 966 anos e 1 dia ele iria decidir finalmente que esta língua que ele pensa seria chamada de "Carvanita")
Pois bem, este homem automaticamente nomeado João estava ali, naquela colonia de férias desde o inicio do planeta Terra. Logo nos primeiros doze anos ele ainda se entusiasmava com a paisagem que cercava seu terreno, aquele mar de lava e fogo ardente sem explicação nenhuma, aqueles pequenos meteoros que subiam do chão vermelho, avançavam pelo atmosfera em nascimento e hroas depois caiam em direção novamente a terra. No ano 7 ele, numa conhecidencia incrível e muitas vezes repetida, ele conseguiu entender que os meteoros e tudo mais que existia no mundo dentro e fora da colonia caia por culpa de uma força que o planeta criava, puxando todos os objetos. A conhecidencia é que João chamou esta força de "Grávidade", praticamente igual ao nome atual (exceto pelo acento).
O terreno da colonia em nenhum momento entrava em contato com o mar de lava fumegante que cercava o aquela pequena ilha estranha. No ano 51 João percebeu que este comportamento não era comum, ele teve uma pequena epifania quando andava fumando seu charuto no gramado alto da colonia, vendo uma chuva de meteoros e pedaços da lua entrando em orbita com a terra e seu charuto caiu em uma parte mais seca da grama, queimando-a. João percebeu em cerca de tres minutos de observação que aquilo que queimava era similar a todo o resto do mundo que ele via, e portanto algo estava errado.
A colonia, alias, era muito bem equipada. Muito bem equipada para uma colonia de férias dos anos 80/começo dos 90 do seculo XX depois da morte do messias cristão. Havia quarenta quartos pequenos espalhados ao redor do campo, sendo estes distribuidos em duas grandes casas de vinte cada uma, havia um salão de jogos com, evidentemente, jogos, e foi uma pena que João somente foi comprender as regras do Pebolim nos anos 60 da mesma era dia antes, pois se a mesa viesse com intruções em video João teria passado os bilhões de anos bem mais rapidamente. Falando em vídeo, isto havia um bocado, uma das salas de recreação era a sala de video, onde existia uma televisão com antena (inútil antes da invenção dos canais de televisão) e um VCR, e numa salinha ao lado, trancada com uma chave que João sempre carregava consigo, existiam 300 dos melhores filmes jamais feitos até o ano de 1987 (ainda no tempo ocidental). Por sorte todos os filmes eram dublados (João só foi perceber que assim o era no ano 2 Bilhões, 120 milhões, 10 anos e 10 dias) e mais sorte ainda que alguns eram dublados e legendados ao mesmo tempo, pois foi assim que João conseguiu começar a aprender a ler (comparando o que os homens falavam com o que estava escrito) e assim começou a ler os quase 500 livros que estavam em outro quarto do salão de jogos. E com filmes e livros João conseguiu passar quase 300 anos sem se aborrecer muito. No ano de 3 Bilhões, 570 milhões, dez anos e oitenta dias João terminou de ler totalmente todos os livros e ver todos os filmes. Estava entediado"
Evidente que isto continua indefinidamente, como as alucinações alcoolicas/andarilhas eram extensas e o sol já começava a nascer (soprando, alias, uma brisa que me deixou extremamente gripado por umas duas semanas) os delírios iam longe. Mas é claro que eu, depois de uma hora de caminhada, chegava em casa, acertava meu sofá e dormia. Normalmente minha irmã bebada só chegava quarenta minutos depois.
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