Certa vez, a muito muito tempo atrás, eu tinha um cabelo feio. Ainda tenho um cabelo feio, mas naquela época o cabelo era mais feio ainda, era um feio proposital. Nessa mesma época eu andava psicopaticamente obsessivo pela garota loira (que agora é lésbica e esta feliz, embora tenha cortado relações com todo mundo, incluindo familia) chama Lilian. Nessa época eu costumava passar as tardes no trabalho dela, ouvindo musica e falando besteiras. Eu era uma pessoa mais chata que hoje.
Isso aconteceu logo depois do final da minha escolinha, do terceiro ano no Olga. E ainda nesta época éramos muito ligados, nós que havíamos acabado o terceiro ano. Mas uma pessoa em especial era mais ligada a mim, talvez por culpa da Lilian, esta pessoa era a Nakata.
A Nakata (Juliana Nakata) era uma garota japonesa (eu acho, oriental) que apareceu no primeiro (ou segundo) ano do colegial. Por um bocado de tempo não tive nenhum tipo de amizades com ela, mas quando comentei inadvertidamente na sala que estava adorando jogar Chrono Trigger (acho que cantarolei a musica do Frog, mas isso é mais imaginação minha) ela pirou com a minha proto-nerdice e ficamos amigos. Bons amigos. É provavel que ela e a Ananda (não Amanda, que foi minha primeira namorada e era a melhor amiga da Ananda) tenham sidos minhas melhores amigas de colegial. Mais ou menos nessa época, segundo colegial, comecei a narrar rpg e a Ananda e a Nakata eram as únicas que jogavam comigo (ela e o Fernando Japones).
Descrito isso, uma vez a Lilian resolveu que íamos fazer um piquenique no Aterrado. Nakata, Ela e eu. E o Daniel Preto. Eu não sei qual foi o motivo do Daniel ser convidado também, a Nakata nem o conhecia, mas ele foi. E então nos preparamos pra esse piquenique comprando vários refrigerantes e salgadinhos e besteiras gostosas do nível. Era pra ser um bom dia.
Um dia antes do piquenique eu, para variar, estava na casa da Lilian (ela trabalhava em um bar embaixo da casa, eu costumava ser o lavador oficial de louça e tomava café todos os dias. Sinto saudades disso dessa época) e acabou que alem da sobrinha dela, a Victoria (que eu brinquei muito mesmo nos anos que fiquei indo lá. tambem tenho saudades disso) apareceu o sobrinho dela, filho do Ricardo. O garoto era um bocado mais velho que a Victoria, deveria ter seus dez anos, e fomos brincar também. Aqui aparece o importante, o crucial dessa história.
Eu brinquei com ele de X-Men. Ele era o wolverine e eu era o Fera. Nesta época ainda estava em boa forma física, conseguia imitar Hank Macoy tranqüilamente. E enquanto pulava pra lá e pra cá, fugindo das garras do Wolverine, ouvi alguma coisa e olhei para o chão. Vi algo que parecia ser uma chave mas como o Wolverine vinha logo atrás tive que pular. E continuamos brincando.
Fiquei na casa da Lilian por mais algumas horas, vendo filmes com ela, a mãe e o irmão, brincando com a Victoria e tomando café, acho que rejeitei uma janta, e logo depois de sair dali fui para o Fliperama, conversar com os amigos (o fliperama era o "bar" dessa época. preciso escrever algo sobre ele, acho que não existe nada aqui) e depois subimos para a praça de salesópolis, desperdiçar algum tempo. Consta que eu voltei para casa tarde, mas não tanto pois precisava acordar cedo pra ir pro piquenique.
Chego em casa, todos estão dormindo. Vou pro meu quarto e meto a cara na porta fechada.
Eu tranquei meu quarto! A chave, que estava no bolso, é aquela que caiu na casa da Lilian. Temos que ir pro piquenique cedo e já são 2 da manhã!!
Lembro de ir todo o (curto) caminho da minha casa pra dela pensando se iria acorda-los ou se iria entrar sorrateiramente e recuperar a chave no chão. E havia a possibilidade de aquela nem ser a minha chave, ser qualquer outra coisa caída no chão e que eu imaginei ser um chave. E se alguém me pegasse entrando de madrugada na casa da Lilian, tudo estaria acabado para sempre, eu seria um doente mental, um psicopata, um tarado, um ladrão! A amava na época, mesmo que não soubesse como dizer isso nem como agir quanto a isso. E a angustia aumentava.
Chegando no portão dela fiquei uns dois minutos agachado escondido na frente, para perceber se havia alguém acordado ou que pudesse arriscar minha furtividade. Um movimento errado e eu estava totalmente fodido. Então resolvi agir, abrindo o portão cuidadosamente entrei em sua casa. A chave, segundo lembrava, estava jogada na metade do quintal da frente dela, um pouco perto da janela onde seus pais, a mãe o falecido, dormiam. Me movimentei devagar mas sempre nas sombras, e quando chegava perto percebi um brilho.
Era a chave!
A peguei e dai pra frente tudo foi extremamente fácil. Se alguém me pegasse saindo da casa da Lilian as duas e meia da manhã a única coisa que precisa fazer era dar um sorriso metade tímido, metade safado, e tudo ficava tranqüilo pois metade das pessoas que nos conheciam tinha certeza que estávamos juntos e a outra metade ficaria feliz por estar me dando bem com ela.
Dai eu fui embora pra casa dormir pro Piquenique. Noutro post escrevo sobre ele.
terça-feira, fevereiro 22, 2011
domingo, fevereiro 13, 2011
Quarta-Feira, 29 de Novembro de 2006
Isso tem quase 5, 4 anos. É de 2006. Esta é mais uma madrugada quente demais pra se tentar escrever portanto resolvi ler. E acabei caindo em muitas coisas que já escrevi a mil anos atrás no antigo Blog da Lilian (98% delas extremamente ruins e 2% só muito ruim). O ponto que este daqui é um bocado legal (menos a imagem do Mamute. ela ficou ruim), e como remete a lembranças, nada mais "estou cansado" que copiar-colar algo que me lembro. Como única correção, devo dizer que parece que a agua tinha sabor de bacon e não de presunto. anyway;
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"de" Quando virei um único ser com a menina de cabelo vermelho.
Estávamos caidos no sofa. Todos os outros quatro amigos que nos acompanhavam na viagem lisergica estavam tão preocupados com o mundo-que-não-é-mundo que praticamente nem notavam a nossa sexuada existencia. E aquela sala onde o sofa estava morando era ampla e desenhada nas parede, humor nonsense de quem não quer há muito tempo mudar o mundo, eram paredes que nos faziam pensar e sorrir a cada vez que, longe dali, nos lembrava-mos dela e de suas cores estranhas, do pavão atras da TV e do Trilho do Trem que atravessava todo o comprimento da sala, subindo e descendo apenas para terminar onde começar e assim não sair do lugar. O Trilho do Trem era uma analogia bem Acida sobre o nosso estado naquele inicio de madrugada. As cores se misturavam à musica, que por sua vez se misturava ao gosto da agua, que parecia presunto, e as piadas ficavam tão engraçadas que até mesmo um simples pouso de mosca fazia a graça da noite. é a procura do sentido, a esperança de, naquele ilicito pedacinho de papel colorido mais caro da minha vida estar todo o sentido que nunca, nunca iremos achar.
Eu estava deitado com a menina de cabelo vermelho, ja eramos conhecidos de outras junkices,tinhamos bebido até o fim da alma uma vez. Naquela hora estavamos abraçados juntos, mais junto que jamais estivemos juntos com qualquer outro ser do mundo, o braço dela saia do meu ombro e no final tinha a minha mão, com dedos dela. quando eu olhava para tras podia sentir sua mente percebendo tudo o que via, todas as nuances. por algumas poucas horas eramos um. E eu me sentia mais uno do que comigo mesmo.
Durante algum tempo toda a atenção da noite estava ligada apenas no convivio dos amigos na limonada, mas pouco a pouco eu a menina de cabelos vermelhos começamos a ficar longe, longe, tão longe que as vozes dos amigos já não faziam sentido eram apenas pequenos pontos de luz no horizonte do mar de noite, pequenos pescadores de camarão que deixam seus lampiões de gas ligados apenas para terem um ponto de referencia na noite escura. E quanto mais esses pontos de luz se apagavam no horizonte escuro, mais a presença una dos cabelos vermelhos ficava latente, ela era não só tudo que existia no mundo, ela era a propria ignorancia da minha existencia como ser-humanos já que eramos apenas um só.
Então me concentrei nos olhos. E ali, percebi que pensavamos algo. E quando perebi que, no canto dos olhos existia algo parecido com uma maquilagem borrada azul, e que a luz relfetia nos azul e transformava toda essa maquilagem não em apenas um enfeite de beleza mas sim em ela propria, mostrava que ela, tanto quanto eu, sentia algo naquela noite que nunca acabava (pois é muito facil perder a noção de tempo quando não se esta nele), celebravamos a tristeza, a mediocridade e toda a podridão que nos cercava fatalmente como areia movediça, eramos tambem areia movediça cujo unico proprosito era descobrir o "porque" ou morrer tentando.
Os olhos sublinhvam algo em mim, a garota de olhos vermelhos e cabelos azuis, de pele amarela e mãos perdidas em algum lugar que no momento não era sexual e sim quase uma masturbação no sentido literal da palavra (eramos um só) ela deitava e se apoiava nos meus braços e o toque dos labios fazia com que descobrisse que sabiam o tempo todo o que esperar, e é por isso que esperavamos com estilo, nao existia prazer naquilo, os olhares explimiam algo diferente do prazer sempre relacionado com as drogas que o papai e mamãe estado querem por longe dos idiotas filhinhos do coração, era um coisa mais melancolica como é o caminhar solitario do ultimo mamute nas planices geladas de qualquer lugar do tempo-espaço conttinuum, ela dizia com olhos azuis algo que se assemelhava ao "eu sei, eu sei" "estamos perdidos" a tristeza do ser que um dia fui estava ali, exposta como nunca estivera, ela olhava todos os meus anseios idiotas e entendia, ela via aquilo que nunca pode ser dito com palavras e sorria ao perceber que eu tambem via nela a mesma coisa, que estavamos muito mais unidos que jamais estivemos com qualquer outro ser vivo. e nos abraçavmos forte, com medo de cair no mundo que estava ali em baixo, medo de perder a razão e simplesmente se jogar, esperando que lá no fim exista algum chão para espatifar.
Mas no fim, como sempre, a viagem acaba. Voltamos para casa, cada um para a sua. Dormimos. E nunca mais nos lembramos nem a tristeza que vimos ou que revelamos. Voltamos a ser tão sujos quanto antes. Um pouco mais lerdos e perdidos, com a cabeça um pouco mais derretida que o do padre, mas tão tristes e iludidos quanto.
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"de" Quando virei um único ser com a menina de cabelo vermelho.
Estávamos caidos no sofa. Todos os outros quatro amigos que nos acompanhavam na viagem lisergica estavam tão preocupados com o mundo-que-não-é-mundo que praticamente nem notavam a nossa sexuada existencia. E aquela sala onde o sofa estava morando era ampla e desenhada nas parede, humor nonsense de quem não quer há muito tempo mudar o mundo, eram paredes que nos faziam pensar e sorrir a cada vez que, longe dali, nos lembrava-mos dela e de suas cores estranhas, do pavão atras da TV e do Trilho do Trem que atravessava todo o comprimento da sala, subindo e descendo apenas para terminar onde começar e assim não sair do lugar. O Trilho do Trem era uma analogia bem Acida sobre o nosso estado naquele inicio de madrugada. As cores se misturavam à musica, que por sua vez se misturava ao gosto da agua, que parecia presunto, e as piadas ficavam tão engraçadas que até mesmo um simples pouso de mosca fazia a graça da noite. é a procura do sentido, a esperança de, naquele ilicito pedacinho de papel colorido mais caro da minha vida estar todo o sentido que nunca, nunca iremos achar.
Eu estava deitado com a menina de cabelo vermelho, ja eramos conhecidos de outras junkices,tinhamos bebido até o fim da alma uma vez. Naquela hora estavamos abraçados juntos, mais junto que jamais estivemos juntos com qualquer outro ser do mundo, o braço dela saia do meu ombro e no final tinha a minha mão, com dedos dela. quando eu olhava para tras podia sentir sua mente percebendo tudo o que via, todas as nuances. por algumas poucas horas eramos um. E eu me sentia mais uno do que comigo mesmo.
Durante algum tempo toda a atenção da noite estava ligada apenas no convivio dos amigos na limonada, mas pouco a pouco eu a menina de cabelos vermelhos começamos a ficar longe, longe, tão longe que as vozes dos amigos já não faziam sentido eram apenas pequenos pontos de luz no horizonte do mar de noite, pequenos pescadores de camarão que deixam seus lampiões de gas ligados apenas para terem um ponto de referencia na noite escura. E quanto mais esses pontos de luz se apagavam no horizonte escuro, mais a presença una dos cabelos vermelhos ficava latente, ela era não só tudo que existia no mundo, ela era a propria ignorancia da minha existencia como ser-humanos já que eramos apenas um só.
Então me concentrei nos olhos. E ali, percebi que pensavamos algo. E quando perebi que, no canto dos olhos existia algo parecido com uma maquilagem borrada azul, e que a luz relfetia nos azul e transformava toda essa maquilagem não em apenas um enfeite de beleza mas sim em ela propria, mostrava que ela, tanto quanto eu, sentia algo naquela noite que nunca acabava (pois é muito facil perder a noção de tempo quando não se esta nele), celebravamos a tristeza, a mediocridade e toda a podridão que nos cercava fatalmente como areia movediça, eramos tambem areia movediça cujo unico proprosito era descobrir o "porque" ou morrer tentando.
Os olhos sublinhvam algo em mim, a garota de olhos vermelhos e cabelos azuis, de pele amarela e mãos perdidas em algum lugar que no momento não era sexual e sim quase uma masturbação no sentido literal da palavra (eramos um só) ela deitava e se apoiava nos meus braços e o toque dos labios fazia com que descobrisse que sabiam o tempo todo o que esperar, e é por isso que esperavamos com estilo, nao existia prazer naquilo, os olhares explimiam algo diferente do prazer sempre relacionado com as drogas que o papai e mamãe estado querem por longe dos idiotas filhinhos do coração, era um coisa mais melancolica como é o caminhar solitario do ultimo mamute nas planices geladas de qualquer lugar do tempo-espaço conttinuum, ela dizia com olhos azuis algo que se assemelhava ao "eu sei, eu sei" "estamos perdidos" a tristeza do ser que um dia fui estava ali, exposta como nunca estivera, ela olhava todos os meus anseios idiotas e entendia, ela via aquilo que nunca pode ser dito com palavras e sorria ao perceber que eu tambem via nela a mesma coisa, que estavamos muito mais unidos que jamais estivemos com qualquer outro ser vivo. e nos abraçavmos forte, com medo de cair no mundo que estava ali em baixo, medo de perder a razão e simplesmente se jogar, esperando que lá no fim exista algum chão para espatifar.
Mas no fim, como sempre, a viagem acaba. Voltamos para casa, cada um para a sua. Dormimos. E nunca mais nos lembramos nem a tristeza que vimos ou que revelamos. Voltamos a ser tão sujos quanto antes. Um pouco mais lerdos e perdidos, com a cabeça um pouco mais derretida que o do padre, mas tão tristes e iludidos quanto.
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