eu tinha oito anos, estava na segunda serie do Olga. ia pruma viagem com a escola cujo destino era o zoológico de Sampa, minha mãe ia junto. (ela era a professora da 1 serie, até me deu aula)
Eu tinha nessa época um pequeno grupinho de amigos, todos garotos, e logo no inicio da viagem percebi que uma menina estava sentada no fundo do onibus, com sua amiga olhando o tempo todo pra janela.
Meu Deus, essa menina era linda!
tá certo, ela provavelmente não era tãão linda assim, mas nos meus oito anos nunca tinha visto coisa mais bela. Tinha um corpo moreno, cabelos longos e meio cor de mel e um olhar languido bem bonito. é isso o maximo que lembro dela sem ter influencias dos anos posteriores, quando cheguei a estudar com ela.
E é claro que, como o pequeno-estranho que era/sou, resolvi que precisava chamar a atenção dessa menina, tinha que de alguma forma ela me notasse dentre todos os outros.
Mesmo tendo só oito anos estava realmente amando essa menina, amando tanto que nos anos posteriores ela seria nomeada como o meu "amor-verdadeiro", e é claro que isso faria com que todos esses amigos descritos ali atras me chacotassem muito.
Eu precisava conversar com ela, precisava que ela me olhasse, precisava de atenção. Precisava ter aquela menina (pra que eu não sei. Mesmo já sabendo o que era sexo não tinha a menor noção de como as coisas entre homens&mulheres funcionava) E a minha primeira ideia foi, como sempre, fazer alguma coisa pra que ela risse. Rir sempre foi uma optima escolha e eu nunca tive muito senso de ridiculo para comigo mesmo.
E o que fiz foi bem simples, peguei um pequena porção de chicletes Ploc sabor hortelã e comecei a mascar, jogava fora logo em seguida os chicletes, pegava as figurinhas/tatuagens que vinham com as mesmas e, na frente da menina bonita comecei a tatuar meu proprio nariz.
Ela achou engraçado, devo dizer. Ela e a amiga dela. uns dez anos no futuro essa menina amiga da menina bonita ia acabar dando em cima de mim na escola. nada muito sério, ela só ia dizer que meus olhos contra a luz eram bonitos. e ia me lembrar da tatuagem no nariz no zoo. engraçado e bizarro, segundo ela eu não tinha mudado nada. Mas a menina linda não lembrou de nada do que fiz.
No mesmo dia eu comecei a "perseguir obsessivamente" a menina no zoo. nada maniaco homicida ou que ela percebesse, eu só tentava estar sempre no local onde ela estava. e na hora do almoço na lanchonete do zoo tive que escolher entre ficar com minha mãe e o lanche pago ou ir atras da menina. acabei indo atras da menina e fiquei o dia inteiro sem comer.
e a menina, cujo nome era Karina, nunca mais me notou. E eu acabei desgostando dela uns sete anos mais tarde, quando ela afirmou numa conversa que eu estava ouvindo secretamente que o namorado brigava sempre com ela, mas que dava duas horas eles voltavam (com todas as belezas e prazeres que isso pode acarretar)
é. engraçado.
domingo, outubro 21, 2007
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