Acho que tenho 30.
é uma experiência não muito estranha. Um dia antes de ficar tão velho assim já me sentia velho. Já me sentia velho seis meses antes de fazer 30. Portanto, não é como se de uma hora pra outra saísse duma juventude para adultolescência.
Não me entenda mal. Não é como se não estivesse diferente.
Eu tenho andado, desde 2012, com jovens de 18 anos. Minha base de amizade, tanto em SP como em Salé tem sido isso, com algumas poucas excessões pontuais. Minha persona imaginária pública saiu da pequena bomba estranha cheia de dinamitezinha para alguma espécie de sábio anto-ascéta Dostiéviskiano que já leu Dostoiévski e entendeu Dostoiévski. Os garotos, em sua grande maioria, caem nessa persona, do mesmo modo que outros caiam na antiga.
ambas são, obviamente, tanto mentiras quanto verdades. Pequenos pedaços de mim são sábios, pequenos pedaços de mim querem se autodestruir levando o maior numero de pessoas possíveis e pedaços de mim esperar acordar um dia com o coração explodido, flutuando num limbo de coisa nenhuma, longe de tudo aquilo que é ego vivo.
De qualquer forma, são trinta anos em que não ajudei ninguém, não fiz nada, não descobri nada nem escrevi alguma coisa que valesse minimamente a pena. Como disse antes, sou (como todo mundo) pequenos pedaços de coisas recortadas e coladas no dia-a-dia, de acordo com a necessidade e/ou vontade. Há momento em que esse completo desperdício de carbono chamado 'eu' dá imensa angústia, mas há momentos - esses em equilíbrio de aparição quase que sempre - em que simplesmente sinto-me útil por ter sido fútil.
Como se não tivesse decidido jogar e assim não perdido o jogo.
Daqui 30 anos terei 60. Muito possivelmente não chego nisso, nem na metade disso. Por mais que seja recortes, os meus recortes suicidas devem, nalgum momento, vir a cobrar seu ácido preço. Não me sinto mal com isso (ou pelo menos não agora). Porem daqui 30 terei 60, sou um Dante no meio do caminho que não pretende subir nem pro céu, nem pro purgatório muito menos pro inferno.
quinta-feira, dezembro 25, 2014
segunda-feira, junho 02, 2014
São duas e meia da manhã. Está realmente complicado dormir.
faz décadas que eu não sinto necessidade de escrever algo aqui. simplesmente transformou-se num ruído vazio de sentido tudo isso. Continuo a mesma falha de antes, com os mesmo problemas e as mesmíssimas merdinhas irrelevantes. Um grande buraco de irrelevância e decadência, cada dia um metro maior e maior e maior.
Sabe, não é tão difícil assim encarar a perspectiva de ser uma falha. Não é muito complicado, uma vez que você admite pra si mesmo que tudo foi culpa sua, que todas as escolhas foram erradas e se a coisa acabasse seria melhor.
Está difícil de dormir. pornografia não deu certo. inventar pequenas narrativas de vender a alma pro diabo também. eu devia tentar drogas, mas não tenho nada aqui. uma garrafa de vinho barato resolveria.
Não é tão difícil reconhecer suas falhas, aceita-las e tudo que se foda. Tenho amigos, grande amigos nessa mesma perspectiva, e não me parece tão ruim assim admitir de uma vez por todas como sou inútil.
mas é bem ruim nas madrugadas que aparecem os pequenos sonhinhos de alguma perspectiva diferente. Porque você sabe que as coisas poderiam ter sido diferentes. Uma escolha e - pimba - você podia ser alguém feliz. ou pelo menos esperançoso.
não é difícil admitir pra si mesmo o quão ruim tudo está. mas é muito difícil encarar a visão da outra possibilidade. A outra possibilidade que nunca vai ocorrer e que você sente que seria exato.
A mais ou menos dois anos que não consigo me acertar mentalmente. estou rodando perdido, sem conseguir acertar meu pé nalguma margem decente. e agora, mais do que nunca, vejo que é isso mesmo que vai acontecer pro resto da vida e que tudo está morto.
é difícil de dormir. escrever também não funcionou. vomitar palavras soltas que não possuem sentido alem do instante em que foram feitas não funcionou. acho que hoje vou ficar sem dormir. não que isso mude algo.
nada vai mudar.
faz décadas que eu não sinto necessidade de escrever algo aqui. simplesmente transformou-se num ruído vazio de sentido tudo isso. Continuo a mesma falha de antes, com os mesmo problemas e as mesmíssimas merdinhas irrelevantes. Um grande buraco de irrelevância e decadência, cada dia um metro maior e maior e maior.
Sabe, não é tão difícil assim encarar a perspectiva de ser uma falha. Não é muito complicado, uma vez que você admite pra si mesmo que tudo foi culpa sua, que todas as escolhas foram erradas e se a coisa acabasse seria melhor.
Está difícil de dormir. pornografia não deu certo. inventar pequenas narrativas de vender a alma pro diabo também. eu devia tentar drogas, mas não tenho nada aqui. uma garrafa de vinho barato resolveria.
Não é tão difícil reconhecer suas falhas, aceita-las e tudo que se foda. Tenho amigos, grande amigos nessa mesma perspectiva, e não me parece tão ruim assim admitir de uma vez por todas como sou inútil.
mas é bem ruim nas madrugadas que aparecem os pequenos sonhinhos de alguma perspectiva diferente. Porque você sabe que as coisas poderiam ter sido diferentes. Uma escolha e - pimba - você podia ser alguém feliz. ou pelo menos esperançoso.
não é difícil admitir pra si mesmo o quão ruim tudo está. mas é muito difícil encarar a visão da outra possibilidade. A outra possibilidade que nunca vai ocorrer e que você sente que seria exato.
A mais ou menos dois anos que não consigo me acertar mentalmente. estou rodando perdido, sem conseguir acertar meu pé nalguma margem decente. e agora, mais do que nunca, vejo que é isso mesmo que vai acontecer pro resto da vida e que tudo está morto.
é difícil de dormir. escrever também não funcionou. vomitar palavras soltas que não possuem sentido alem do instante em que foram feitas não funcionou. acho que hoje vou ficar sem dormir. não que isso mude algo.
nada vai mudar.
quarta-feira, janeiro 01, 2014
o passado se torna cada dia mais e mais brilhante, radiante, cheio das maravilhas que um dia ressoaram em meus ouvidos.
e o futuro incerto, precário e sem nenhuma esperança de dar em algo minimamente agradável. Já não o planejo, nem espero qualquer coisa. Nem discuto comigo se houve alguma culpa.
se eu morresse amanhã teria muitas decepções, sem dúvida. Gostaria de ver coisas, algumas pequenas coisas florescerem e descobrir a que deu tudo. Mas a cada dia que passa essa vontade diminui e a ideia duma morta próxima se faz mais e mais agradável. Brilhante e esperançosa, como o passado.
isto não é tristeza, mas só uma constatação de uma verdadeira derrota. constatação essa que talvez seja minha última vitória.
e o futuro incerto, precário e sem nenhuma esperança de dar em algo minimamente agradável. Já não o planejo, nem espero qualquer coisa. Nem discuto comigo se houve alguma culpa.
se eu morresse amanhã teria muitas decepções, sem dúvida. Gostaria de ver coisas, algumas pequenas coisas florescerem e descobrir a que deu tudo. Mas a cada dia que passa essa vontade diminui e a ideia duma morta próxima se faz mais e mais agradável. Brilhante e esperançosa, como o passado.
isto não é tristeza, mas só uma constatação de uma verdadeira derrota. constatação essa que talvez seja minha última vitória.
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