sexta-feira, abril 30, 2010

Esta decidido. Hoje irei beber, mesmo que seja sozinho. é realmente estranho que em sp eu sinta a necessidade de sair sempre com alguem, tendo algum destino, com medo (medo? talvez não seja a ideia exata, mas funciona por enquanto) com medo de me perder, coisa que nunca tive (ou mostrei ter pra mim próprio) em todos os outros locais. é estranho e engraçado.

Mas note, se eu subir até a Paulista (ou Augusta) posso muito bem ir a pé (coisa que faço normalmente) e voltar a pé. Não é necessário ter algo marcado ou uma meta. Apenas vou sair, beber algo forte, ficar semi bebado e voltar pra casa. Dinheiro eu não tenho, mas creio que consigo achar algum lugar onde aceitem cartão (espero) E como não tenho relógio (o meu esta quebrado, quebrei enquanto comia a Marta, ele começou a apitar e eu, idiotamente, joguei fora. Estupido porem divertido) como não tenho relógio vou sem ter hora pra voltar (maldito vicio de piadas)

Oh bem, acho que me sinto bem com isso. Se conseguir achar algo pra fazer nesse meio tempo (enquanto não saio) irei. Mas como estou sentindo que nada irá rolar em lugar nenhum, o melhor é já ir me preparando para o pior. E como sei, bebado eu sou mais esperto, mais sincero e interessante, pode ser que seja uma noite agradavel (ou divertida)

enquanto isso, acho que estou me viciando em ouvir Beach Boys - Pet Sounds e ler Murakami. è a segunda vez em uma semana que estou matando o livro. Ambos as duas coisas estão me acalmando bastante. Acho que vou morrer. Mas não hoje, talvez logo. Mais importante é que irei sair beber hoje.

quarta-feira, abril 28, 2010

Cease And Desist

Eu tenho um punhado de duvidas. Sou sempre uma inconstante de crenças inventadas e duvidas percebidas em poucos instantes.

Sendo menos hermético, percebi desde que li Murakami (reli) que sou como uma ampulheta, inconstante e mutacional, quase sempre mudando ao menor relar de qualquer pessoa, as areias que fazem minha personalidade nunca estão iguais cada vez que uma pessoa vem falar comigo.

Oh não, creio que isso é mais comum do que parece agora. Não sou especial ou uma pessoa diferente, na verdade bem patético e fraco de vontade. Mas tenho duvidas a cada instante que mudo, porque vejo o mundo de uma forma diferente (e muitas vezes ao contrario) do que antes. E consigo perceber isso mais facilmente agora, quando não recebo emails dela (a garota que estou ""apaixonadinho"" agora. Oh sim, posso afirmar isso, não que esteja completamente caído por ela, mas que, em comparação com os ultimos anos - de 3 e meio à 1 e meio, esta é minha contagem oficial - estou muito mais) quando não recebo emails dela começo a crer que sou uma pessoa horrivel, idiota, patetica e que estou fazendo tudo errado.

mas note, pelo menos em metade dessas afirmações ai em cima ela escreveu exatamente que não me vê assim (ok, pelo menos uma dessas ai em cima, pelo menos patético não) mas mesmo assim eu fico sonhando e vendo o mundo como uma sequencia de mim fazendo merdas em cima de merdas (e nesse ponto talvez minha visão esteja certa) e essas sequencias me fazem, quase a todo instante, soltar uma auto pedido de "cease and desist" que li outro dia na internet, um pedido de mim mesmo para mim mesmo falando para parar com esses sonhos romantiquinhos e desistir de ter qualquer coisa legal; As razões muitas das vezes são lógicas e certas, algo como "não vai rolar nada" - "ela nem te curte mais, ela falou isso" - "se rolar algo, você irá acabar com a unica coisa legal, o "paris" de ambos" - "você é patético. ela deve rir das suas mensagens com os amigos".

Oh bem, isto aqui, mais do que um exercicio de escrita ou reflexão, é mais uma forma de me fazer lembrar daqui a alguns dias (ou anos) o como me senti agora. Do mesmo modo que escrevi num post abaixo, e do mesmo modo que fiz em quase todas as vezes que fiquei afin-zinho de alguem. adeus.

quinta-feira, abril 22, 2010

Haruki Murakami e o Passado

Oh bem, provavelmente este será um post reescrito dúzias de vezes, mas talvez eu consigo colocar tudo o que quero de uma vez só. aos fatos.


Ontem, num feriado de quarta feira, eu estava realmente mal. Não tão mal quanto consegui já chegar, mas ainda sim ruim. Aquela coisa que acontece toda segunda, terça, quinta e nas manhãs de sextas aconteceu numa quarta. Eu estava ruim, com vontades auto-destruitivas e vergonha de cada pequeno passo que já dei ou darei. Ai então fiz algo que talvez tenha sido genial, eu coloquei todos os discos do Tom Waits pra tocar e peguei o livro "Caçando Carneiros", de um dos meus autores favoritos, Haruki Murakami.

Funcionou. Sentei-me no chão, ignorei todo o resto das angustias que tenho e me focalizei no livro, no personagem (sem nome) do livro. Bom deus, tive aquele tipo de sensação que não tive desde a primeira vez que li On The Road, aquela sensação de reconhecimento no fundo da alma, aquela coisa que toda a estética Romântica procurou desesperadamente. Em suma, o personagem principal do livro Caçando Carneiros era eu, pensava como eu, embora tivesse 30 anos estava tendo os mesmos problemas... digamos... existenciais que eu. Não consegui parar de ler, por toda a noite varei (embora depois da pagina 100 o livro sai do foco "introspecção do personagem" e se volta mais para uma caçada, que não é ruim, mas perdeu pra mim parte da força que estava tendo até agora) Lembro-me de uma vez que o Suzuki falou que a personagem da literatura que mais se parecia comigo era a mocinha do Sayonara Sputnick (cujo nome não lembro, mas vou lembrar logo pois vou reler o livro) mas o personagem sem nome do Caçando Carneiros conseguiu realmente entrar mais fundo naquilo que talvez sou eu neste exato momento (ou exatos anos).


OK. primeira metade do post. A segunda vem agora; Acontece que finalmente mandei as antigas mensagens de Email pra Ju Vinuto. Coisa de uns 3, quase quatro anos atrás. E é incrível como conversamos; ok, não sai com ela mais do que 4 vezes. (sendo que três foram muito legais. E duas foram nível "contarei pros meus netos, mas só dependendo de como rolar a evolução da liberdade das drogas hoje ilícitas") mas o ponto é que trocamos mais de 50 emails. Isso desde pequenas mensagens idiotas (algo do nível: você está ai?") até coisas gigantescas (normalmente de minha parte) profundas e, pelo menos vendo agora, bem complexas (como a chapação de ácido e a comunicação visual) o ponto é que tudo isso me fez refletir sobre como eu tenho tendências de esquecer o passado. Não digo que eu tenha esquecido disso completamente, mas existem pequenos detalhes (sórdidos ou não) que só escrevendo eu consigo resgatar da minha cabeça. Sério, se hoje de manhã ela viesse com um "puta, promíscua" eu não teria a menor idéia do que estava falando. Portanto creio que, inconscientemente ou não, o movimento de guardar coisas escritas (seja aqui, seja msn, orkut ou email) é algo de extrema importância, já que é possível que amanhã (ou daqui dois anos) eu não tenha a menor lembrança de quem é este eu que hoje se sente refletido completamente no personagem do Caçando Carneiros. Tive um professor (alias, tenho) que disse uma vez: "fale, não escreva. Escrever é prova contra você e sua patetice" mas pelo menos neste caso eu jogo contra isto, já que sou patético de qualquer forma ou de qualquer lado (embora ela tenha me puxado o saco dizendo "não te acho patético. De verdade." e isso me fez bem) sendo assim, vou aproveitar este meu estouro de nível criativo que ando tendo e tentar botar aqui neste blog tudo o que puder pensar, lembrar ou sentir.

é isso. acho que me sinto bem.

terça-feira, abril 20, 2010

It's hard to hold the hand of anyone who is reaching for the sky just to surrender

essa é possivelmente a musica que me define perfeitamente nos ultimos 5 anos. Nem a musica em si, mas apenas essa parte. A musica em si é Stranger Song do Leonard Cohen, e poderia ficar explicando a musica antes de cair no ponto que me interessa aqui mas não farei isso, e não farei unicamente porque eu não tenho 100% de certeza sobre o que a musica fala, sei que é sobre uma especie de estrangeiros, pessoas deslocadas, mas essa parte em especial faz muito sentido pra mim mesmo deslocada de todo o resto.

It's hard to hold the hand of anyone who is reaching the sky just to surrender

sexta-feira, abril 16, 2010

Bukowski. A dog From Hell.

O Bukowski é um bom cara, lembro-me do primeiro livro dele que li, aquele "o capitão saiu e os ratos tomaram conta do navio", não é necessáriamente o melhor dele (nem é ficção, caralho!) mas lembro-me de dias em que, com uma puta ressaca eu saia pela cidade (salesópolis no caso, sou provinciano demais para ter experiencias desse nivel fora desse local) saia pela cidade lendo-o (na verdade só sentava em qualquer lugar, mas ia para este lugar lendo) Era agradavel ver como o Bukowski estava quase sempre de ressaca ou bebado, e isso não só me animava para beber mais como tambem me deixava um pouco mais feliz, algo como "faço parte de um grupo".

lembro-me tambem de Florianópolis, quando li todo o Misto Quente nas ruas, lendo-o na porta do albergue, lendo-o enquanto o Peiotte pegava a mocinha lá, a Camila. Lendo na praça, enquanto o cara-cujo-nome-não-lembro cheirava cola numa garrafa pet. Lembro-me de fingir que li o livro na rodoviaria, fingindo que não estava dormindo para ninguem nos expulsar do local.


Tambem me lembro do dia em que li todo o Cartas na Rua numa biblioteca, em mogi acho. Devorei o livro de uma vez só. Não lembro quais eram as circunstancias que eu parei lá, mas como já conhecia o Buk (mas não o cartas na rua) foi bem legal.

Tudo isso porque hoje eu estava procurando qualquer coisa pra passar o tempo (maldito!) qualquer coisa pra eu ter esperanças logo e vi um video do Velho safado na melhor invenção do milenio por enquanto (youtube). Um homem o entrevistava e dizia que "nos seus livros não existia o amor, apenas o sexo, e que quase sempre ele era mostrado de forma crua e sem sentimento". Um idiota, até Buk bebado podia ver isso (não que eu seja melhor que esse cara, mas nunca diria isso para um puta escritor) Bukowski retruca dizendo que "Love is a Dog From Hell" e bom deus, isso realmente é pontual. Quem me dera saber mostrar a carne verdadeira do sofrimento como ele.

quinta-feira, abril 15, 2010

E novamente September Song

Algumas horas depois e percebo que quase tudo é estupidez. Claro, ainda sinto-me meio estranho, mas parece que todos os motivos que antes me faziam ficar confuso agora estão claros. Até os movimentos de autocomiseração que estava tendo antes, o belissimo drama psicológico e as angústias existenciais agora estão mais... mais brandas. Tempo é o mestre. Agora vou dormir, tentar pelo menos, e sei que daqui umas duas horas, quando na cama começar a dormir mesmo, vou voltar os mesmo ciclo de desespero e perda de sentido; talvez isso seja minha natureza, não o fato de não sentir (ou esconder até de mim mesmo) sentimentos. Um movimento ciclico de falta de emoções e de entusiasmo desenfreado, onde qualquer tipo de controle esbarra no simples fato que, mesmo sozinho num quarto pro resto da vida eu ainda tenho que medir tudo isso com relação ao outro.

Como disse antes, possivelmente nada disso faz sentido, e não é pra o fazer mesmo. Mais que "movimento de escrita automatica" isto é um modo de eu começar a escrever coisas de novo, e de tentar me reconhecer enquanto ser vivo, coisa que a tempos não faço. Agradeço-a ou Xingo? isso eu não sei, não me sinto bem em nenhum dos lados (grande novidade)

mas voltei a realmente ouvir September Song (versão do Lou Reed no disco de nome igual) e isso é algo que há decadas (ou melhor, 4 anos) eu não fazia de forma tão forte. Não voltei, mas só porque talvez nunca tenha saido daqui.
Adeus, arceus.

September Song de novo.

Eu não sei, mas ao que me parece estou saindo de algo ruim (pra cair em algo pior)
err... basicamente antes, contexto. nada muito elucidativo porque isto não é algo pra ser escrito pra todo mundo, mas sim algo bem mais introspectivo (ou coisa assim) mas, basicamente, estou saindo do coma, do coma que estive, contando desde o inicio, por quase 4 anos. 3 anos e alguns meses (uns 9 ou 8) nesse tempo todo não consegui sentir muitas coisas, nem alegrias em demasia nem tristezas horriveis. Matei muita coisa e muitas ""amizades"", se é que isso pode ser entendido. Muita coisa eu não tenho nunca mais, e sobre isso, pelo menos por enquanto, não sinto nada de ruim (ok, sinto sim, mas perto do tamanho que isso era e do tempo desperdiçado, eu deveria ter sentido muito mais) mas veja, por mais que tudo tenha sido horrivel (e sim, o foi) eu agora estou sobrevivendo de verdade. passando. quase.

agora o ponto em que estou caindo de novo no pior. O problema é que, como tudo no mundo, nada é somente bom ou somente ruim. Não ter sentimentos (ou coisa parecida) (estou me lixando para estética ou qualidade artistica) foi algo até que bom, me fez aprender algo, me fez não me matar. Droga, não posso criticar tanto algo que foi intrinsico meu. Agora eu começo a sentir coisas de novo. Consigo ficar o dia todo pensando em um "monotema" que não é drogas ou bebidas ou sexo facil. E isso é legal. o ponto é que, não sei ainda porque, estou ficando obsessivo nisso, consigo ver minha sanidade indo embora (ou algo que restou dela, devo ser sincero, não sou o melhor exemplo de quem consegue domar seus demonios tranquilamente. na verdade, sou péssimo nisto, grande parte das vezes não conseguindo nem conviver com as coisas estranhas.) consigo ver minha sanidade indo embora bem rapido; e não, não vou ficar completamente pirado, saindo gritando e tendo que tomar remedios pelo resto da vida, possivelmente não. Nem vou tentar suicidio (por mais que essa ideia seja constante. nem venha me olhar desse jeito) mas sim, estou me perdendo de novo, a falta de sentimentos me fez acostumar com um estilo de vida e de visão de mundo (ok, um estilo e visão onde a unica coisa que eu queria era ficar trancado num quarto escuro o resto da vida, mas ainda sim algo reconhecivel) agora eu não tenho a menor ideia de onde me segurar. as coisas estão indo rapidas demais (e lentas demais tambem) e quase tudo que faço é só torcer por coisas e esperar por coisas e, quando elas não acontecem (por motivos bem lógicos, isto não foi um treco de lamento mas sim de "tentar entender") eu sinto algo aqui em cima, na cabeça, latejando e querendo sair correndo, fugindo ou só morder um pedaço de madeira o mais forte que puder, até que minha mandibula arrebente.

argh! cansei de escrever. logo faço a parte dois. talvez entenda algo melhor depois de meia hora.

Ah! mas sim, pelo menos voltei (ou sinto que tenho vontade de) escrever. isso é bom. não é uma razão de vida mas é um começo.

quarta-feira, abril 14, 2010

Possivelmente ficar doente é um prazer.