Há uma especie de nostalgia no ar sempre que retorno pra praia, para caragua. Foi aqui que passei um terço da infancia e adolescencia. Uma certa dor no coração por perceber que reconheço cada pequeno metro de espaço desta casa, desta rua, deste pequeno bairro e da praia, quando passo por locais onde já houve alguma pequena coisa relevante, relembro-o. E isso é nostalgia, evidentemente.
Mas se por um lado há essa essencia de nostalgia intrinseca na praia, há o tédio de não reconhecer nada de novo, que já vi tudo por aqui, e isso retira grande parte da beleza que vejo nas cosias. Adoro me meter em alguma rua aleatóriamente, olhando pras janelas das casas e pros terrenos baldios, imaginando situações hipotéticas, momentos específicos no tempo naqueles locais e como eles ocorreram. E aqui na praia eu já fiz isso em quase todos os locais, e devo ter os feito em 1994.
Hoje resolvi andar de bicicleta, estava trancado aqui (sem nem ir na praia, que me irrita) por quase 20 dias. Um maldito calor que derramava cachoeiras de suor a cada segundo que um ventilador não estava direcionado para meu corpo. E por culpa do calor resolvi desistir da vergonha de mostrar o cabelo, a cara, a barba e o corpo feio que tenho e fui andar de bicicleta.
Há muitos e muitos anos atrás, quando eu era menor que um menino de dez anos, ficavamos na praia todo final de ano; quando digo "ficavamos" me refiro a toda a minha familia estendida - mãe, avó, tia, primos, primeiro e segundo grau, tias avós e parentes dessas tia avós. E nessa época todo dia de manhã eu era obrigado por lei a andar de bicicleta com meu primo Kadu, ir até o rio e voltar (o rio é um local que se encontra a mais ou menos uns 10 quilometros seguindo a orla da praia daqui, esse rio desemboca no mar e é um limite fisico e psicológico para onde acaba esta praia.) Tinhamos que ir todo dia de manhã, pois meu avô tambem saia de manhã para soltar a rede em alto mar, pegar peixes para comermos de tarde e noite, e provavelmente os adultos imaginavam que era uma boa coisa acordar tão cedo, saudavel e dava carater. Eu odiava.
Hoje sai para andar na praia. E no começo foi bem divertido. Na verdade o tempo todo foi bem divertido, tive vários delírios de nostalgia, saudade, enquanto pedalava por aquela longa rua (antes interamente de terra, hoje um bocado asfaltada) delírios de saudade dos velhos tempos, das coisas bonitas de antes, reconheci algumas casas, um boteco, me vi na memória em milhares de situações que tive neste caminho.
Porem quando estava voltando percebi um dos motivos do porque odiava este pequeno ritual. Provavelmente não o maior motivo, uma vez que provavelmente o maior odio era o de ser obrigado a ir pra lá de manhã, mas um que estava guardado, não na minha mente, mas sim em na minha bunda. A maldita dor de andar por todos aqueles buracos, aquele remeximento, achoqualhamento (se existe ou não a palavra) e até agora minha bunda doi. Nostalgia é algo que sempre melhora com o tempo, mas dor na bunda não.
sábado, janeiro 29, 2011
sexta-feira, janeiro 07, 2011
Agora, para relaxar, uma histórinha...
Há alguns dias atrás estavam meus primos aqui na praia (estou na praia, na casa de meus pais, passando o ano novo e comendo bem) e quase todo dia iamos pro centro da cidade, beber e ver pessoas. Coisa comum. O ponto é que em todos os dias, lá pelas quatro e dezessete na madrugada eu ficava de saco cheio. Sabe como é, eu percebia que dali absolutamente nada mais iria rolar, eu já havia bebido toda a bebida mais forte, as garotas amigas da minha prima já estavam (junto com ela) pegando outros garotos bonitos. E como sempre acontece comigo no fim da noite,l resolvo ir embora. Do centro pra casa da minha familia é, mais ou menos, uns 8 kilometros de caminho reto e plano, e em teoria isso é fácil (porem alguns dias não foram) mas ponto não é esse. O ponto é que enquanto eu andava e andava e andava criei uma das alucinações imaginativas possivelmente literarias mais legais da minha vida. Ela era mais ou menos assim:
"Na região onde hoje reconhecemos como America do Sul, Brasil, Caraguatatuba, bairro Porto Novo, há 3 bilhões, 570 milhões, trezentos e doze anos e 90 dias existe um terreno de três kilometros e duzentos e doze metros que esta exatamente igual. Neste terreno podemos ler, assim que a língua portuguesa for criada, podemos ler numa placa bem na frente que este terreno é uma Colonia de Férias, a Colonia Min. João Cleopatra. Nesta colonia de férias mora um homem, um homem que desde o primeiro dia que acordou ali não consegue se lembrar de nada, exceto daquelas pequenas informações básicas que um personagem de comedias americanas consegue se lembrar quando tem amnésia, apenas aquele pequeno bocado que o ajuda a saber que comida é necessário, que agua mata a sede, que fogo queima e assim por diante, mas este João não consegue se lembrar de absolutamente nada do mundo onde aprendeu isto, nada exceto seu nome (e, inconscientemente, a língua portuguesa que pensa. No ano 2 Bilhões, 777 milhões, 966 anos e 1 dia ele iria decidir finalmente que esta língua que ele pensa seria chamada de "Carvanita")
Pois bem, este homem automaticamente nomeado João estava ali, naquela colonia de férias desde o inicio do planeta Terra. Logo nos primeiros doze anos ele ainda se entusiasmava com a paisagem que cercava seu terreno, aquele mar de lava e fogo ardente sem explicação nenhuma, aqueles pequenos meteoros que subiam do chão vermelho, avançavam pelo atmosfera em nascimento e hroas depois caiam em direção novamente a terra. No ano 7 ele, numa conhecidencia incrível e muitas vezes repetida, ele conseguiu entender que os meteoros e tudo mais que existia no mundo dentro e fora da colonia caia por culpa de uma força que o planeta criava, puxando todos os objetos. A conhecidencia é que João chamou esta força de "Grávidade", praticamente igual ao nome atual (exceto pelo acento).
O terreno da colonia em nenhum momento entrava em contato com o mar de lava fumegante que cercava o aquela pequena ilha estranha. No ano 51 João percebeu que este comportamento não era comum, ele teve uma pequena epifania quando andava fumando seu charuto no gramado alto da colonia, vendo uma chuva de meteoros e pedaços da lua entrando em orbita com a terra e seu charuto caiu em uma parte mais seca da grama, queimando-a. João percebeu em cerca de tres minutos de observação que aquilo que queimava era similar a todo o resto do mundo que ele via, e portanto algo estava errado.
A colonia, alias, era muito bem equipada. Muito bem equipada para uma colonia de férias dos anos 80/começo dos 90 do seculo XX depois da morte do messias cristão. Havia quarenta quartos pequenos espalhados ao redor do campo, sendo estes distribuidos em duas grandes casas de vinte cada uma, havia um salão de jogos com, evidentemente, jogos, e foi uma pena que João somente foi comprender as regras do Pebolim nos anos 60 da mesma era dia antes, pois se a mesa viesse com intruções em video João teria passado os bilhões de anos bem mais rapidamente. Falando em vídeo, isto havia um bocado, uma das salas de recreação era a sala de video, onde existia uma televisão com antena (inútil antes da invenção dos canais de televisão) e um VCR, e numa salinha ao lado, trancada com uma chave que João sempre carregava consigo, existiam 300 dos melhores filmes jamais feitos até o ano de 1987 (ainda no tempo ocidental). Por sorte todos os filmes eram dublados (João só foi perceber que assim o era no ano 2 Bilhões, 120 milhões, 10 anos e 10 dias) e mais sorte ainda que alguns eram dublados e legendados ao mesmo tempo, pois foi assim que João conseguiu começar a aprender a ler (comparando o que os homens falavam com o que estava escrito) e assim começou a ler os quase 500 livros que estavam em outro quarto do salão de jogos. E com filmes e livros João conseguiu passar quase 300 anos sem se aborrecer muito. No ano de 3 Bilhões, 570 milhões, dez anos e oitenta dias João terminou de ler totalmente todos os livros e ver todos os filmes. Estava entediado"
Evidente que isto continua indefinidamente, como as alucinações alcoolicas/andarilhas eram extensas e o sol já começava a nascer (soprando, alias, uma brisa que me deixou extremamente gripado por umas duas semanas) os delírios iam longe. Mas é claro que eu, depois de uma hora de caminhada, chegava em casa, acertava meu sofá e dormia. Normalmente minha irmã bebada só chegava quarenta minutos depois.
"Na região onde hoje reconhecemos como America do Sul, Brasil, Caraguatatuba, bairro Porto Novo, há 3 bilhões, 570 milhões, trezentos e doze anos e 90 dias existe um terreno de três kilometros e duzentos e doze metros que esta exatamente igual. Neste terreno podemos ler, assim que a língua portuguesa for criada, podemos ler numa placa bem na frente que este terreno é uma Colonia de Férias, a Colonia Min. João Cleopatra. Nesta colonia de férias mora um homem, um homem que desde o primeiro dia que acordou ali não consegue se lembrar de nada, exceto daquelas pequenas informações básicas que um personagem de comedias americanas consegue se lembrar quando tem amnésia, apenas aquele pequeno bocado que o ajuda a saber que comida é necessário, que agua mata a sede, que fogo queima e assim por diante, mas este João não consegue se lembrar de absolutamente nada do mundo onde aprendeu isto, nada exceto seu nome (e, inconscientemente, a língua portuguesa que pensa. No ano 2 Bilhões, 777 milhões, 966 anos e 1 dia ele iria decidir finalmente que esta língua que ele pensa seria chamada de "Carvanita")
Pois bem, este homem automaticamente nomeado João estava ali, naquela colonia de férias desde o inicio do planeta Terra. Logo nos primeiros doze anos ele ainda se entusiasmava com a paisagem que cercava seu terreno, aquele mar de lava e fogo ardente sem explicação nenhuma, aqueles pequenos meteoros que subiam do chão vermelho, avançavam pelo atmosfera em nascimento e hroas depois caiam em direção novamente a terra. No ano 7 ele, numa conhecidencia incrível e muitas vezes repetida, ele conseguiu entender que os meteoros e tudo mais que existia no mundo dentro e fora da colonia caia por culpa de uma força que o planeta criava, puxando todos os objetos. A conhecidencia é que João chamou esta força de "Grávidade", praticamente igual ao nome atual (exceto pelo acento).
O terreno da colonia em nenhum momento entrava em contato com o mar de lava fumegante que cercava o aquela pequena ilha estranha. No ano 51 João percebeu que este comportamento não era comum, ele teve uma pequena epifania quando andava fumando seu charuto no gramado alto da colonia, vendo uma chuva de meteoros e pedaços da lua entrando em orbita com a terra e seu charuto caiu em uma parte mais seca da grama, queimando-a. João percebeu em cerca de tres minutos de observação que aquilo que queimava era similar a todo o resto do mundo que ele via, e portanto algo estava errado.
A colonia, alias, era muito bem equipada. Muito bem equipada para uma colonia de férias dos anos 80/começo dos 90 do seculo XX depois da morte do messias cristão. Havia quarenta quartos pequenos espalhados ao redor do campo, sendo estes distribuidos em duas grandes casas de vinte cada uma, havia um salão de jogos com, evidentemente, jogos, e foi uma pena que João somente foi comprender as regras do Pebolim nos anos 60 da mesma era dia antes, pois se a mesa viesse com intruções em video João teria passado os bilhões de anos bem mais rapidamente. Falando em vídeo, isto havia um bocado, uma das salas de recreação era a sala de video, onde existia uma televisão com antena (inútil antes da invenção dos canais de televisão) e um VCR, e numa salinha ao lado, trancada com uma chave que João sempre carregava consigo, existiam 300 dos melhores filmes jamais feitos até o ano de 1987 (ainda no tempo ocidental). Por sorte todos os filmes eram dublados (João só foi perceber que assim o era no ano 2 Bilhões, 120 milhões, 10 anos e 10 dias) e mais sorte ainda que alguns eram dublados e legendados ao mesmo tempo, pois foi assim que João conseguiu começar a aprender a ler (comparando o que os homens falavam com o que estava escrito) e assim começou a ler os quase 500 livros que estavam em outro quarto do salão de jogos. E com filmes e livros João conseguiu passar quase 300 anos sem se aborrecer muito. No ano de 3 Bilhões, 570 milhões, dez anos e oitenta dias João terminou de ler totalmente todos os livros e ver todos os filmes. Estava entediado"
Evidente que isto continua indefinidamente, como as alucinações alcoolicas/andarilhas eram extensas e o sol já começava a nascer (soprando, alias, uma brisa que me deixou extremamente gripado por umas duas semanas) os delírios iam longe. Mas é claro que eu, depois de uma hora de caminhada, chegava em casa, acertava meu sofá e dormia. Normalmente minha irmã bebada só chegava quarenta minutos depois.
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