Eu tenho uma relação estranha com o futebol.
Desde pequeno fui movido pela força motora chamada Meu Pai, que me fez gostar, não de futebol, mas sim do Corinthians. é bizarro imaginar que ele não se divertia com os jogos em si, mas sim com a ideia de fazer parte de um time e de ter que torcer pro mesmo e poder zuar com os outros de outros times rivais quando eles perdiam (e ser zuado quando o Corinthians perdia)
Mas até entrar na primeira série, o futebol pra mim se resumia a apenas o jogo estranho que passava na tv.
Quando entrei na primeira série já tinha um pequeno grupo de amigos formado. E era de praxe que todos nós, nos intervalos ou em qualquer horario que sobrava, fossemos jogar futebol. Na época me parecia bem lógico, o futebol não era uma especie de esporte, mas sim uma comunhão social, um dos modos mais faceis de ser aceito por todo mundo. é claro que, quando falamos que eu tinha amigos, temos que deixar bem claro que eu já era um menino estranho, daqueles que volta e meia fugia pro fundo da sala e que não admitia que os amigos era realmente amigos. Eu tinha muita baixa estima.
Mas no futebol tudo isso mudava. Parecia que sempre que jogavamos as diferenças mais basicas que diferenciavam os meus amigos e eu, o fato deles serem normais e eu um pouco mais bizarro, desaparecia. Só existia um pequeno problema que atrapalhava tudo isso:
Eu Sou incrivelmente ruim em Futebol.
Tão ruim que, certa vez, fui bater um penalty. A bola foi parar na linha de Lateral.
E sendo tão ruim assim, acaba sendo ignorado quando jogava. Ninguem queria o estranho ruim de bola no seu time. E mesmo que eu fosse meio engraçadinho, nada disso valia a pena se eu não conseguisse chutar uma bola decentemente.
E eu me lembro que, nessa época, existia um menino-perfeito e mais velho que jogava com os pequenos. Não lembro o nome dele. E quando digo perfeito, quero dizer que, pelo menos pra mim, ele era tudo o que um homem deveria ser. Bonitão. Fortão. Grande. Rapido. Bom de Bola. Sociavel. Engraçado. Normalissimo. E eu tinha muito receio desse menino (ele deveria ter uns 12 anos, no maximo) imagina se ele joga contra mim? que medo! como posso ganhar dele? e é claro que ele nunca caia no meu time (eu sempre estava no time que perdia. e o time que perdia quase sempre perdia por minha causa.)
Lembro que uma vez, ainda na primeira série, meu primo Guilherme e eu fizemos um pacto escrito, não lembro porque (provavelmente por causa do menino. o Guilherme era bom tambem e quase sempre caia no time contra ele) O Pacto era o seguinte: Nada de Futebol até os 20 anos!
uma semana depois tinhamos relevado esse pacto.
Acabei crescendo sendo o ruim de bola. Acabei entrando numa escolinha de futebol bastante amigavel. Alguns dos meus melhores amigos hoje em dia me odiavam na época (de novo, por causa da minha inapcia no jogo) mas eu até que me divertia um bocado. Só não gostava da obrigatoriedade de ter que ir três vezes por semana até o centro esportivo (no alto do bairro morrão, onde morava a Claudia) mas quando chegava lá eu me divertia.
Tambem me lembro da época que meu pai jogava bola nesse mesmo centro esportivo. Só que ele jogava de noite e jogava com varios caras adultos. Eu gostava de ir lá, não assistia nenhum jogo mas gostava de passar tempo com os amigos do meu pai. era divertido.
Meu pai acabou machucando feio o joelho nesse jogo. Nunca mais tentou jogar sério.
E eu fui crescendo, passei pra quinta série jogando futebol ainda. Normamente, nessa época, eu já tinha outro grupo de amigos, esses mais simplórios, mas pobres-zinhos. Mas ainda sim jogavamos futebol como se nossa existencia dependesse disso. Todo dia, em qualquer horario que sobrava, acabavamos indo pras quadras de tras jogar. E comecei a esquecer sobre a minha falta de habilidade no jogo. Quando jogavamos o Sandro e eu na grama o jogo era bastante divertido, tinhamos uma regra em comum que era: Cada um pode cavalar o outro pra se divertir. E eu, uma época, comecei a jogar bem no gol. Mas preferia tentar fazer gols (devo ter feito uma pequena dezena de gols na minha vida)
domingo, agosto 26, 2007
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