Meu primeiro contato com videogames foi um atari. Mas meu segundo contato com videogames foi um Master System, o Master System dos meus primos Caio & Kadu. Foi ali, no astro warrior na praia, que eu virei um viciado.
Já comentei antes, noutro post de mil anos atrás, que eu ficava, nos anos do pre-primário sonhando com jogos de Master. E assim foi mesmo, um vício desde pequeno.
E um dos jogos que mais me influenciaram quando pequeno foi esse tal de Phantasy Star, um rpgzinho na época que ninguem entendia direito o conceito de "contar uma história nos jogos". Basicamente quando meu primo alugou este jogo em mogi, lá pelos anos de 1992, não entendeu absolutamente nada. Morria nos primeiros dois minutos justamente por não entender o conceito de "experiencia", de "nível de força" e tudo aqui que faz um rpg lógico e agradável. Não entendia que lutar contra adversário fracos, treinar com eles para só depois avançar para os mais dificeis era obrigatório. Nem eu entendi, mas só porque não sabia ler na época. Meu primo só não queria ler.
Anos e anos depois, quando eu já era o dono do Master System que meu primo possuia em 92, chegou na velha locadora do Wanderlei este jogo, que eu me lembrava perfeitamente. A aranha perigosa que soltava teias e você morria, indefectivelmente. A capa do jogo, com uma loirinha segurando um escudo, defendendo-se duma rajada mortal; o olho-com-asas. Acho que era o ano de 1995 ou 1996.
E então comecei a joga-lo. Ahn... como adorava este jogo. Como eu adoro este jogo. Não só pelo fato de ser traduzido em português (e numa época onde eu já entendia inglês, mas só entendia tanto quanto um semi-analfabeto, daqueles que consegue ler mas não extrai informação lógica daquilo que leu) e aquele jogo era em português, com um clima futurista sombrio muito agradável, que me permitia sonhar com foco. E eu passei horas e mais horas jogando-o, passando por torres amareladas, vermelhas, azuis, sempre em primeira pessoa, matando zumbis no necrotério, pegando níveis com o Merman, um inimigo do começo que dava um bocado de experiencia, Hovercraft, Landrover (Land Rover acredito, mas era Landrover mesmo) o planeta da areia -Motavia- o planeta do gelo -Dezoris-. A maldita vila de Dezoris, a vila mais escondida do mundo onde todo mundo mentia e onde acabei ficando sem possibilidade nenhuma de continuar, por não ter dinheiro nem energia. Chuto que em mais ou menos dois meses eu havia terminado o jogo. E então resolvi joga-lo de novo, termina-lo. E depois mais uma vez, não morrendo nunca e pegando tudo que era possível, derrotando o monstro de mil forças que aparece nos sonhos. E então o Tziu (Ou o Pedrão, ou o João) acabou me vendendo o jogo (que era do Wanderlei e não sei como ele conseguiu) por umas quinze pilas, na quadra de trás da escolinha. E então eu me diverti muito mais.
Mas o tempo passou. Passou e eu parei de jogar. Possuia um mega driver e não me importava de joga-lo novamente. Um garoto pediu minha fitinha do Phantasy emprestada. - É claro! nem estou jogando-o mesmo! Não me lembro seu nome mas guardo seu rosto muito bem. E eu emprestei, idiotamente, sem pensar que estaria me livrando do objeto de maior melancolia dos meus próximos anos.
Acontece que algum tempo depois o Octavio, meu primo-e-vizinho Octavio, ele comprou este outro jogo que era a continuação deste joguinho que tanto amei. Phantasy Star 3 (em verdade eu é que influenciei-o a comprar o jogo). E então eu ia na casa deles para jogar o jogo. E chama Neto e Octavio para dormirem em casa, para que eu pudesse jogar o jogo. E eu o joguei desesperadamente, emprestado, na casa dele, de todas as formas. E Phantasy Star 3 batia fundo no sentido de nostalgia, na saudade da alegria que o primeiro me fez passar.
Entedam. Jogar Phantasy Star 1 era um ato que havia feito a não muito tempo atrás, talvez um, no máximo dois anos. Mas já sentia extrema saudade dele. E não só a fita estava desaparecida como tambem meu velho master system havia sido destruido, quebrado, não funcionava. Ahn... as angústias...
E enquanto jogava o 3, me devorava em sofrimentos, imaginando dos bons tempos que tive jogando o 1. E imaginava, criava uma regra onde, se você terminasse o terceiro 100%, com tudo que poderia fazer, rapidamente porem aproveitando cada segundo, abriria uma opção secreta permitindo-me jogar a primeira aventura novamente.
É evidente, eu estava chapado de ácido-de-videogame quando imaginava isso. Eu era um idiota triste, uma criancinha que estava triste por acreditar que sua infancia já havia passado.
Mas olhando bem, minha infancia ainda não acabou.
Pelo menos eu não consigo me ver adultamente correto e sensato. respeitável.
E ainda quero jogar Phantasy Star 1, ainda sei joga-lo.
O problema é que agora é bem fácil joga-lo, e por ser fácil o gostoso desvanece. Hoje só consigo ter as sensações de nostalgia que tinha pela lembrança, por sonhos onde imploro para o tempo retornar um ano no passado, para que eu pudesse aproveitar de verdade os momentos mais felizes da infancia, parado na frente da televisão 12 polegadas do meu quarto, apertando botões e dançando em frente a televisão, cantando músicas-inventadas no ritmo do mid do jogo, e descobrindo, depois de muito batalhar e sofrer, que o Governador de Motavia estava possuido pelo Dark Force, na época só Darfallz mesmo (numa tradução erada, imagino eu. As traduções de jogos dos anos 80 nunca prezaram pela capacidade poética). Ahn... os bons momentos que tive, capturando em cada masmorra um pedaço da armadura de Laconian, equipando Alis, Odin, o Miau e o Noah para apanhar de Lassic e seus malditos raios.
O Phantasy Star foi minha primeira namorada.
quinta-feira, julho 28, 2011
domingo, julho 10, 2011
Todas as pessoas que consigo me lembrar do meu longinguo terceiro colegial...
Era meu ultimo ano na escolinha Olga Chakur. Terceiro colegial, fazia tambem mecatronicas no ete. Se bem que é exagero afirmar que eu fazia mecatronica, pois apenas matava aula, passeava por Mogi, conversava com as garotas do onibus e aprendia sobre o que era R.P.G.
Mas não é sobre o Ete que eu quero lembrar, embora vejo que é necessário alguma postagem futura sobre ele.
Eu quero escrever sobre aquele ultimo ano na escolinha. Meu ultimo ano no Olga.
Pode-se dizer que estava no meu auge. Não sabia de quase nada mas tinha o impeto de tentar descobrir e conhecer as coisas. Tinha acabado de terminar meu primeiro namorinho com a Amanda e agora ficava desesperado atrás de outras coisas para fazer. E então eu virei alguma coisa do gremio estudantil. Escrevo alguma coisa porque realmente não me lembro qual era o meu cargo lá, embora na pratica fosse algum tipo de faz-quase-tudo. Tambem nessa época ainda não bebia e estava só no início do meu amorzinho obsessivo pela Lilian (que tambem estava no gremio. Ela estava na sala do Fernando japonês, que era o lider do gremio e meu amigo desde que me emprestou Breath of Fire 3. O Japonês ainda é um bom amigo. Fomos prum puteiro a uns seis meses atrás e estava bebendo com ele ontem)
Meus amigos na sala de aula, naquela época, eram vários. Eu podia ser considerado como o "freak" da sala. Aquele que, grande novidade, chamava a atenção pelo comportamento errático e estranho, por ser o cara que respondia coisas nonsense para assuntos considerados comuns. E isso deu certo, de algum modo, pois tinha vários amigos. Mas pode-se dizer que minhas duas melhores amigas eram a Ananda e a Juliana Harumi Nakata. Eu narrava roleplay para ambas e conversamos um bocado sobre coisas que, hoje em dia, poderia ser chamada de "geek". Naquela época era só algo estranho, nada muito celebrado como hoje em dia. Era uma amizade agradavel, não posso negar que ser amigo de duas garotas é algo extremamente diferente para mim, ainda mais naquela época. Até parecia que as coisas iriam dar mesmo certo. E eu passava grande parte do tempo conversando com as garotas sobre videogames, rpg, literatura e eticeteras.
Tambem tinha amigos na galera mais do fundo, com o Lagartixa, o Felipe Loirão meu primo, o Douglas, o Marcel, Alfredo. Uma galera estranha mas agradavel, tipicamente adolescentes sem nenhum preparo para vida. Remetendo ao treco que escrevi anterior a este, poderia afirmar que eles eram uma mistura mal feita (mas engraçada) do Jardel e do Sandrão, meus bons amigos numa época anterior a este. E, como a Amanda nunca teve aquele tipo de beleza ocidental, esses caras costumavam me zoar, afirmando que eu havia comido alguem horrível. Eu escapava pela tangente afirmando que estava bebado. E a Amanda não tirava os olhos de mim na sala de aula. Hoje me sinto ruim quanto a este comportamento.
Havia tambem os amigos mais... digamos mais populares. Se o Lagartixa e compania eram os adolescentes comuns, esses outros caras tambem o eram, mas numa vertente mais bonitona, popular, agradavel e... chata. Não que eles não fossem boas pessoas, mas não tinham aquela faisca de criatividade que o outro lado possuia. O Rafael grilo (estive bebendo com ele e sua esposa ontem tambem) o Jaiminho e o Giovanni. Boas pessoas tambem.
Das garotas mais aleatórias eu só consigo me lembrar da Eloah, que era prima do Felipe Loirão e de mim, e da Juliana Fonseca. Essa ultima só me lembro por que ela era realmente gostosa. Não diria gostosa, mas existia algo nela que me fazia sentir atraido, alguma expressão de sexualidade, de "parecer vadia" que me deixava bem interessado. é evidente que nunca consegui chegar minimamente perto dela, pois essas garotas seriam a parte feminina de Rafael, Giovanni e Jaiminho, elas eram as populares. As que eu nunca chegaria perto (e que nunca mais vi na vida)
Existia tambem o grupinho que no ano passado, no segundo colegial, eu havia participado levemente. O povo que era amigo da Amanda, minha antiga namorada. Essa galerinha andava um bocado puta comigo, pois eu tinha sido um safado. Mas não é como se fosse algo ruim, pois eles tambem eram irritantes por sí só. (exceto a Ananda, que era uma ótima amiga mesmo assim)
Havia tambem uma boa amiga, a Nataluci. Na época ela era a melhor amiga da Lilian, a garota por quem eu começava a ficar apaixonadinho (e que ficaria bem mais no ano seguinte) Eu conheceria bem mais a Nataluci nos anos seguintes, por pegar onibus para mogi toda noite com ela, pode conversar sobre artes e sobre tudo mais. Ela tambem merece algum post em algum momento, pois meu relacionamento com ela era uma coisa um bocado mais complexa. E ela tinha (tem, cheguei a ve-la de relance ontem tambem, trabalhando na locadora de seu tio) ela tinha um belíssimo par de seios. Digo, ela era uma pessoa incrível, e reduzi-la somente a seios seria besteira, mas tambem o seria não comentar este ponto em particular.
E tambem havia o Jeferson e o Gil. Não me lembro se esses dois ultimos caras ainda estavam conosco no terceiro colegial, tenho certeza que no segundo e no primeiro sim mas no terceiro eu creio que eles já haviam se mudado para o horario noturno. Mas mesmo assim é necessário cita-los, pois eram o mais proximo que eu tinha de iguais. O Jeferson e o Gilberto não se encaixavam em nenhuma definição social na escolinha, eram estranho bizarros como eu, fazendo piadas sobre morte (me vem na memória agora a vez que Gil e Eu ficamos na porta da sala, enquanto os outros alunos iam entrando, e ficamos cantando aquela musica de enterro, a marcha funebre. Ninguem entendeu nem gostou) comentários estranhos, atos estranhos (Jeferson e eu, uma vez, tentamos ficar uma aula inteira - 50 minutos - com os braços esticados, paralelos aos ombros. Só pra ver se conseguiamos) Jogamos o clássico futebol de latinha na quadra do fundo (já descrito em algum outro lugar daqui, em outro momento). Enfim, Jeferson, Gil e eu eramos a pequena galera estranha da metade da sala. E agora me sinto bem em lembrar deles e de todos os outros. E eles tambem merecem algum post futuro mais detalhado.
Então eu me formei e entrei em pura decadencia. e o resto já foi uma história.
Mas não é sobre o Ete que eu quero lembrar, embora vejo que é necessário alguma postagem futura sobre ele.
Eu quero escrever sobre aquele ultimo ano na escolinha. Meu ultimo ano no Olga.
Pode-se dizer que estava no meu auge. Não sabia de quase nada mas tinha o impeto de tentar descobrir e conhecer as coisas. Tinha acabado de terminar meu primeiro namorinho com a Amanda e agora ficava desesperado atrás de outras coisas para fazer. E então eu virei alguma coisa do gremio estudantil. Escrevo alguma coisa porque realmente não me lembro qual era o meu cargo lá, embora na pratica fosse algum tipo de faz-quase-tudo. Tambem nessa época ainda não bebia e estava só no início do meu amorzinho obsessivo pela Lilian (que tambem estava no gremio. Ela estava na sala do Fernando japonês, que era o lider do gremio e meu amigo desde que me emprestou Breath of Fire 3. O Japonês ainda é um bom amigo. Fomos prum puteiro a uns seis meses atrás e estava bebendo com ele ontem)
Meus amigos na sala de aula, naquela época, eram vários. Eu podia ser considerado como o "freak" da sala. Aquele que, grande novidade, chamava a atenção pelo comportamento errático e estranho, por ser o cara que respondia coisas nonsense para assuntos considerados comuns. E isso deu certo, de algum modo, pois tinha vários amigos. Mas pode-se dizer que minhas duas melhores amigas eram a Ananda e a Juliana Harumi Nakata. Eu narrava roleplay para ambas e conversamos um bocado sobre coisas que, hoje em dia, poderia ser chamada de "geek". Naquela época era só algo estranho, nada muito celebrado como hoje em dia. Era uma amizade agradavel, não posso negar que ser amigo de duas garotas é algo extremamente diferente para mim, ainda mais naquela época. Até parecia que as coisas iriam dar mesmo certo. E eu passava grande parte do tempo conversando com as garotas sobre videogames, rpg, literatura e eticeteras.
Tambem tinha amigos na galera mais do fundo, com o Lagartixa, o Felipe Loirão meu primo, o Douglas, o Marcel, Alfredo. Uma galera estranha mas agradavel, tipicamente adolescentes sem nenhum preparo para vida. Remetendo ao treco que escrevi anterior a este, poderia afirmar que eles eram uma mistura mal feita (mas engraçada) do Jardel e do Sandrão, meus bons amigos numa época anterior a este. E, como a Amanda nunca teve aquele tipo de beleza ocidental, esses caras costumavam me zoar, afirmando que eu havia comido alguem horrível. Eu escapava pela tangente afirmando que estava bebado. E a Amanda não tirava os olhos de mim na sala de aula. Hoje me sinto ruim quanto a este comportamento.
Havia tambem os amigos mais... digamos mais populares. Se o Lagartixa e compania eram os adolescentes comuns, esses outros caras tambem o eram, mas numa vertente mais bonitona, popular, agradavel e... chata. Não que eles não fossem boas pessoas, mas não tinham aquela faisca de criatividade que o outro lado possuia. O Rafael grilo (estive bebendo com ele e sua esposa ontem tambem) o Jaiminho e o Giovanni. Boas pessoas tambem.
Das garotas mais aleatórias eu só consigo me lembrar da Eloah, que era prima do Felipe Loirão e de mim, e da Juliana Fonseca. Essa ultima só me lembro por que ela era realmente gostosa. Não diria gostosa, mas existia algo nela que me fazia sentir atraido, alguma expressão de sexualidade, de "parecer vadia" que me deixava bem interessado. é evidente que nunca consegui chegar minimamente perto dela, pois essas garotas seriam a parte feminina de Rafael, Giovanni e Jaiminho, elas eram as populares. As que eu nunca chegaria perto (e que nunca mais vi na vida)
Existia tambem o grupinho que no ano passado, no segundo colegial, eu havia participado levemente. O povo que era amigo da Amanda, minha antiga namorada. Essa galerinha andava um bocado puta comigo, pois eu tinha sido um safado. Mas não é como se fosse algo ruim, pois eles tambem eram irritantes por sí só. (exceto a Ananda, que era uma ótima amiga mesmo assim)
Havia tambem uma boa amiga, a Nataluci. Na época ela era a melhor amiga da Lilian, a garota por quem eu começava a ficar apaixonadinho (e que ficaria bem mais no ano seguinte) Eu conheceria bem mais a Nataluci nos anos seguintes, por pegar onibus para mogi toda noite com ela, pode conversar sobre artes e sobre tudo mais. Ela tambem merece algum post em algum momento, pois meu relacionamento com ela era uma coisa um bocado mais complexa. E ela tinha (tem, cheguei a ve-la de relance ontem tambem, trabalhando na locadora de seu tio) ela tinha um belíssimo par de seios. Digo, ela era uma pessoa incrível, e reduzi-la somente a seios seria besteira, mas tambem o seria não comentar este ponto em particular.
E tambem havia o Jeferson e o Gil. Não me lembro se esses dois ultimos caras ainda estavam conosco no terceiro colegial, tenho certeza que no segundo e no primeiro sim mas no terceiro eu creio que eles já haviam se mudado para o horario noturno. Mas mesmo assim é necessário cita-los, pois eram o mais proximo que eu tinha de iguais. O Jeferson e o Gilberto não se encaixavam em nenhuma definição social na escolinha, eram estranho bizarros como eu, fazendo piadas sobre morte (me vem na memória agora a vez que Gil e Eu ficamos na porta da sala, enquanto os outros alunos iam entrando, e ficamos cantando aquela musica de enterro, a marcha funebre. Ninguem entendeu nem gostou) comentários estranhos, atos estranhos (Jeferson e eu, uma vez, tentamos ficar uma aula inteira - 50 minutos - com os braços esticados, paralelos aos ombros. Só pra ver se conseguiamos) Jogamos o clássico futebol de latinha na quadra do fundo (já descrito em algum outro lugar daqui, em outro momento). Enfim, Jeferson, Gil e eu eramos a pequena galera estranha da metade da sala. E agora me sinto bem em lembrar deles e de todos os outros. E eles tambem merecem algum post futuro mais detalhado.
Então eu me formei e entrei em pura decadencia. e o resto já foi uma história.
segunda-feira, julho 04, 2011
Sandrão e Jardel.
Na quinta, sexta serie da velha escolinha Olga Chakur, de Salesópolis, eu andava básicamente com duas pessoas. Sandrão e Jardel. Eramos um grupinho que se ajudava mutuamente naquilo que era possível, sempre fazendo trabalhos juntos, colando um do outro (in fact, só eu passando respostas pra eles) e se virando como podiamos.
O Sandrão foi o cara que eu mais convivi. Era meu vizinho-de-bairro e unico amigo da minha idade naquele lugar. Ele morava um pouco perto da minha casa, mas num local onde já não tinha mais asfalto, o que dava ali um ar de roça que não tinhamos sempre em nossa cara. O Sandrão era algo como um cara estranho, fisicamente falando. Magro, bem magro, com os olhos saltados, quase saindo fora das orbitas (se não me engano isso é uma doença genética, ele herdou maternamente isto) com uma voz meio esganiçada (se bem que, imagino, naquela época todos nós eramos um pouco isso) Ele era talvez o maior parceiro de videogame, de amar garotas em segredo, de jogar bola aleatóriamente e de fazer merda. Mas psicologicamente falando o Sandrão nunca foi algo extraordinário. Quero dizer, é lógico que ele tinha características marcantes, que ele era alguem com traços que o definiam, só que estes nunca foram algo que o fizessem sobressair dos outros. Ele seria um daqueles personagens de filmes do Ferris dos ano 80 que você só vê alguns segundos, sem ter como perceber tudo que há ali. É lógico que ele era doido para sexo, doido para bebidas, doido para matar aulas e ruim nelas. Mas nisto fico na mesma definição de quase todo mundo.
Em suma, ele era um cara legal.
Já o Jardel era algo diferente. Talvez por contrastar com os outros meros salesopolitanos daquela já longe quinta/sexta série, o Jardel era alguem que eu consigo definir muito bem psicologicamente, embora não possa dizer o mesmo da aparencia -comum- O Jardel era algo como um malandro em nascimento, um Neal Cassasy sem a gloria ou o impeto de viver loucamente. Talvez por ser dois anos mais velho que a maioria da sala (o Sandrão era só um ano mais velho) ou talvez por ser de fora (se não me engano ele era de mogi antes de ir morar em Salé) ele conseguia agir livremente naquele campo de safadezas que nós, os proto-caipiras, que nós apenas olhavamos com grande receio. Roubar coisas, xavecar minas (na quinta/sexta série isso era bem dificil para um estranho como moi) ter pornografia, se livrar de roubadas, mentir, se arriscar. O Jardel seria algo como um exibicionista narcisista, se é que naquela idade todos não tentam ser assim.
Nós três eramos como tres idiotas tentando sobreviver num mundo que, sozinhos, seriamos devorados. Mesmo o Jardel, que aparenta na minha descrição ser um auto-suficiente, não conseguiria se virar sem nossa ajuda. Passavamos quase 10 horas juntos, fingindo que estudavamos na aula, criando coisas pra fazer, mentindo e tudo mais aquilo que todo mundo nessa época faz (ou fazia)
Hoje em dia não os vejo mais.
O Sandrão foi o cara que eu mais convivi. Era meu vizinho-de-bairro e unico amigo da minha idade naquele lugar. Ele morava um pouco perto da minha casa, mas num local onde já não tinha mais asfalto, o que dava ali um ar de roça que não tinhamos sempre em nossa cara. O Sandrão era algo como um cara estranho, fisicamente falando. Magro, bem magro, com os olhos saltados, quase saindo fora das orbitas (se não me engano isso é uma doença genética, ele herdou maternamente isto) com uma voz meio esganiçada (se bem que, imagino, naquela época todos nós eramos um pouco isso) Ele era talvez o maior parceiro de videogame, de amar garotas em segredo, de jogar bola aleatóriamente e de fazer merda. Mas psicologicamente falando o Sandrão nunca foi algo extraordinário. Quero dizer, é lógico que ele tinha características marcantes, que ele era alguem com traços que o definiam, só que estes nunca foram algo que o fizessem sobressair dos outros. Ele seria um daqueles personagens de filmes do Ferris dos ano 80 que você só vê alguns segundos, sem ter como perceber tudo que há ali. É lógico que ele era doido para sexo, doido para bebidas, doido para matar aulas e ruim nelas. Mas nisto fico na mesma definição de quase todo mundo.
Em suma, ele era um cara legal.
Já o Jardel era algo diferente. Talvez por contrastar com os outros meros salesopolitanos daquela já longe quinta/sexta série, o Jardel era alguem que eu consigo definir muito bem psicologicamente, embora não possa dizer o mesmo da aparencia -comum- O Jardel era algo como um malandro em nascimento, um Neal Cassasy sem a gloria ou o impeto de viver loucamente. Talvez por ser dois anos mais velho que a maioria da sala (o Sandrão era só um ano mais velho) ou talvez por ser de fora (se não me engano ele era de mogi antes de ir morar em Salé) ele conseguia agir livremente naquele campo de safadezas que nós, os proto-caipiras, que nós apenas olhavamos com grande receio. Roubar coisas, xavecar minas (na quinta/sexta série isso era bem dificil para um estranho como moi) ter pornografia, se livrar de roubadas, mentir, se arriscar. O Jardel seria algo como um exibicionista narcisista, se é que naquela idade todos não tentam ser assim.
Nós três eramos como tres idiotas tentando sobreviver num mundo que, sozinhos, seriamos devorados. Mesmo o Jardel, que aparenta na minha descrição ser um auto-suficiente, não conseguiria se virar sem nossa ajuda. Passavamos quase 10 horas juntos, fingindo que estudavamos na aula, criando coisas pra fazer, mentindo e tudo mais aquilo que todo mundo nessa época faz (ou fazia)
Hoje em dia não os vejo mais.
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