A Lucita (Andréia) foi uma coisa estranha. Digo, não sei se consigo defini-la como namorada, como "garota que fiquei" como uma boa amiga. Foi uma espécie de relacionamento estranho, onde até pude perceber não era realmente sobre "nós" mas sobre o que "nós imaginávamos que nós éramos". Primeiro as primeiras coisas.
Eu vi Andréia, pela primeira vez, no antigo trailer do Gú. o Gu é um vizinho meu (com vizinho quero dizer "moramos no mesmo bairro". Eu na minha casa e ele numa outra, gigante, no outro morro. Estamos basicamente um de frente para o outro) Nessa época o Gú ajudava seu pai atendendo num trailer de cachorro-quente na rodoviária. E nessa época eu fazia basicamente duas coisas: Fingia que estudava e fingia que estava com a Lilian. Estudava pro vestibular, acho que na época ainda tentava fazer relações internacionais, seja lá o que isso significa pra mim ou o que significava na época, mas o ponto é que estava naquele meio-termo entre sair da escolinha (olga) e entra na faculdade. E normalmente eu passava meus dias ou na Lilian, ou no Fliperama. E no fliperama (ainda, na época, do Nílson e ainda, na época, o ponto-de-encontro de toda a juventude proto-nerd de salé. Um ótimo local) no fliperama eu costumava sentar na maquina do Cruising USA, comprava um chips fofurão (salgadinho como chama por aqui) e via o tempo passar, pensando na vida e nas coisas estranhas.
Nesse dia eu sai do fliper lá pelas cinco da tarde. E voltando pra casa parei no Trailer do Gú. Andreia estava lá. Fiz meia dúzia de piadas com o Gu, ela comia um lanche e/ou esperava sua irmã sair da escola-pré-primário. E enquanto ela ria de alguma bobeira que na época devia ser engraçada, eu vi que a garota em questão até que era bonita.
Digo, todas as garotas são lindas. Sempre foram. Mas ela, a Andreia, até que não era tão menos linda que as outras. Ok que (como disse Gilberto) ela parecia um Simpsons, mas era bem ajeitada, gostosinha, sorria facilmente com aqueles dentes e aparelhos, tanto que por fim me interessou. Evidentemente que não o bastante para que eu tentasse alguma coisa com ela, acredito que na hora imaginei que Gu estava tentando algo com ela. De forma que fui embora sem guardar na memória muita coisa dela.
Passa-se o tempo. Ano novo. Eu já havia visto a Andreia algumas vezes, no mesmo fliperama, mas nada que indicasse algum tipo de relacionamento. Mas no ano novo nos encontramos na praça (como todos os bêbados de final de ano de salé) e dali a coisa começou a se formar. Quando nos vimos demos um bem longo e semi-engraçado "Feliz Natal". Sim, era ano novo. Sim, isso era uma piada.
A praça de salé é redonda, e alguns minutos depois nos reencontramos. Dei-lhe um abraço de "Feliz Carnaval". Na rodada seguinte foi páscoa. E três reis magos. E Dia dos pais. E das mães. E dos avós. Numa hora estava inventando feriados para abraça-la. Evidente que nessa hora ambos já estávamos interessados um no outro.
Eu, na época, era um viciado em três bandas: Legião Urbana, The Doors e Nirvana. E em algum momento ela me viu com uma camisa do Nirvana. Eu disse que possuia varios discos (todos piratas, é claro. Estamos em 2003, só se conseguia musica em Salesópolis por intermédio da quinta feira de mês) e um certo dia, enquanto estávamos na praça, nós dois sentados no banco conversando, nos descobrindo, num evidente tesão mas nada sem ser declarado, ela disse que queria aprender a ouvir Nirvana. Eu me propus em lhe emprestar um cd. Marcamos para que ela fosse em casa no outro dia. Nesse mesmo dia ela me contou que já era mãe. Isso não me assustou muito, mas me fez encara-la não como uma criança mas sim como adulta. Dai ela disse que havia tentado se suicidar já, que era triste e eu não mais a encarei como adulta, mas sim como um igual.
No outro dia eu não a comi, ela foi em casa, eu lhe dei o cd, ela me convidou para andar e, assustadoramente, fomos andando. Então começamos realmente a ficar mais próximos. Passava-mos os dias andando, conversando, fazendo piadas e sentados na praça. E algo realmente acontecia. Lembro-me que realmente falei "ok, pode realmente algo estar ocorrendo" quando sentados no banco da praça, dando risadas das piadas do Gilberto (ele é mesmo bem engraçado, mesmo quase 8 anos depois) e ela, a Andréia, pegou na minha mão. Sim, eu era um idiota, quase tanto como hoje.
Então num certo dia, numa tarde de domingo, eu estou no fliperama meio triste por não passar na segunda fase da Usp. E então a Andreia (nessa época eu já a chamava de Lucita, um detalhezinho da época do RPG) me vê e me chama para comprar materiais escolares para o filho dela. Eu vou, falo que não passei e ela: "Nossa! Que bom! Quero dizer, é triste, mas pelo menos você fica por aqui".
Ela me convidou para ir pra casa dela. Fui. Ela estava sozinha. Yeah.
Então ficamos juntos. Não posso admitir que éramos um casal, mas eu só estava com ela e ela só comigo. Até o carnaval. Onde ela ficou bêbada, se perdeu de mim e acabou ficando com outro cara. Basicamente não conseguimos continuar depois disso. Foi um final triste e repentino, mas superamos.
Não consigo me lembrar de mais coisas da Lucita. Mas foi uma época divertida.
É isso. Eu devia reescrever isso. Esta ruim e mal feito, desmerecendo a Lucita. Quando não estiver doente farei isso. Adeus.
quinta-feira, abril 14, 2011
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