domingo, junho 12, 2011

Ad infinitum

Eu já estava na Usp a uns seis meses. Retornava pra salé quase sempre porque era mais divertido lá do que em SP. A Ópio já existia, mas eu passava só os dias de semana, os horário de aula nela. E nos finais de semana era costume voltar pra Salesópolis.

Nessa época a pinga com mel e limão do Tóninho do Tó ainda não existia. E eu bebia a pouco mais de um ano.

Comecei a beber bem tardiamente, mas não que isso atrasou minha vida social noturna. Antes, ao invés de rodar bêbado pelas ruas madrugadas frias, rodava são pelas ruas madrugadas frias. Mas era tão estúpido quanto.

Nessa época juntávamos Daniel Preto, Mr. Bifo e eu para bebermos Corote. Corote é uma espécie de pinga, meio litro por menos de 3 contos, algumas com sabor de fruta. Vem numa garrafinha redondinha que lembra sua futura barriga inchada de bêbado. Ela é feita para engordar e depois matar. É bebida de mendigo.

Juntavamos Preto, Bifo e eu, cada um pegava um corote e saia bebendo. Salesópolis não é uma cidade grande, normalmente o caminho seguia pelo trajeto: Praça -> Avenida -> Jardim Nídia -> Avenida -> Praça. Ad infinitum. Ou ad figadum alive.

Eu não sei qual é a palavra pra "vivo" em Latim clássico. Sei pra sânscrito mas não pra Latim.


O ponto é que saiamos pra beber, discutir, vezes sobre como o Punk é divertido, vezes como Bob Dylan é divertido, vezes para coisas que nem lembro nem teve relevância, saiamos para trocar goles de corote (eu costumava beber um de limão. delicioso) Discutir sobre como as musicas do Legião ainda eram relevantes para nossa (pequena) formação amoroso-social. Daniel Preto -acho- ainda não era casado com a Lê. E o Bifo ainda era o Bifo. Mas rodávamos por ai, especialmente bêbados, conversando sem desespero. Era só mais um final de semana e eu podia vomitar o quanto quiser. Tinha muito tempo ainda pra gastar minha juventude.

Era 2005.

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