domingo, fevereiro 13, 2011

Quarta-Feira, 29 de Novembro de 2006

Isso tem quase 5, 4 anos. É de 2006. Esta é mais uma madrugada quente demais pra se tentar escrever portanto resolvi ler. E acabei caindo em muitas coisas que já escrevi a mil anos atrás no antigo Blog da Lilian (98% delas extremamente ruins e 2% só muito ruim). O ponto que este daqui é um bocado legal (menos a imagem do Mamute. ela ficou ruim), e como remete a lembranças, nada mais "estou cansado" que copiar-colar algo que me lembro. Como única correção, devo dizer que parece que a agua tinha sabor de bacon e não de presunto. anyway;
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"de" Quando virei um único ser com a menina de cabelo vermelho.

Estávamos caidos no sofa. Todos os outros quatro amigos que nos acompanhavam na viagem lisergica estavam tão preocupados com o mundo-que-não-é-mundo que praticamente nem notavam a nossa sexuada existencia. E aquela sala onde o sofa estava morando era ampla e desenhada nas parede, humor nonsense de quem não quer há muito tempo mudar o mundo, eram paredes que nos faziam pensar e sorrir a cada vez que, longe dali, nos lembrava-mos dela e de suas cores estranhas, do pavão atras da TV e do Trilho do Trem que atravessava todo o comprimento da sala, subindo e descendo apenas para terminar onde começar e assim não sair do lugar. O Trilho do Trem era uma analogia bem Acida sobre o nosso estado naquele inicio de madrugada. As cores se misturavam à musica, que por sua vez se misturava ao gosto da agua, que parecia presunto, e as piadas ficavam tão engraçadas que até mesmo um simples pouso de mosca fazia a graça da noite. é a procura do sentido, a esperança de, naquele ilicito pedacinho de papel colorido mais caro da minha vida estar todo o sentido que nunca, nunca iremos achar.

Eu estava deitado com a menina de cabelo vermelho, ja eramos conhecidos de outras junkices,tinhamos bebido até o fim da alma uma vez. Naquela hora estavamos abraçados juntos, mais junto que jamais estivemos juntos com qualquer outro ser do mundo, o braço dela saia do meu ombro e no final tinha a minha mão, com dedos dela. quando eu olhava para tras podia sentir sua mente percebendo tudo o que via, todas as nuances. por algumas poucas horas eramos um. E eu me sentia mais uno do que comigo mesmo.

Durante algum tempo toda a atenção da noite estava ligada apenas no convivio dos amigos na limonada, mas pouco a pouco eu a menina de cabelos vermelhos começamos a ficar longe, longe, tão longe que as vozes dos amigos já não faziam sentido eram apenas pequenos pontos de luz no horizonte do mar de noite, pequenos pescadores de camarão que deixam seus lampiões de gas ligados apenas para terem um ponto de referencia na noite escura. E quanto mais esses pontos de luz se apagavam no horizonte escuro, mais a presença una dos cabelos vermelhos ficava latente, ela era não só tudo que existia no mundo, ela era a propria ignorancia da minha existencia como ser-humanos já que eramos apenas um só.

Então me concentrei nos olhos. E ali, percebi que pensavamos algo. E quando perebi que, no canto dos olhos existia algo parecido com uma maquilagem borrada azul, e que a luz relfetia nos azul e transformava toda essa maquilagem não em apenas um enfeite de beleza mas sim em ela propria, mostrava que ela, tanto quanto eu, sentia algo naquela noite que nunca acabava (pois é muito facil perder a noção de tempo quando não se esta nele), celebravamos a tristeza, a mediocridade e toda a podridão que nos cercava fatalmente como areia movediça, eramos tambem areia movediça cujo unico proprosito era descobrir o "porque" ou morrer tentando.

Os olhos sublinhvam algo em mim, a garota de olhos vermelhos e cabelos azuis, de pele amarela e mãos perdidas em algum lugar que no momento não era sexual e sim quase uma masturbação no sentido literal da palavra (eramos um só) ela deitava e se apoiava nos meus braços e o toque dos labios fazia com que descobrisse que sabiam o tempo todo o que esperar, e é por isso que esperavamos com estilo, nao existia prazer naquilo, os olhares explimiam algo diferente do prazer sempre relacionado com as drogas que o papai e mamãe estado querem por longe dos idiotas filhinhos do coração, era um coisa mais melancolica como é o caminhar solitario do ultimo mamute nas planices geladas de qualquer lugar do tempo-espaço conttinuum, ela dizia com olhos azuis algo que se assemelhava ao "eu sei, eu sei" "estamos perdidos" a tristeza do ser que um dia fui estava ali, exposta como nunca estivera, ela olhava todos os meus anseios idiotas e entendia, ela via aquilo que nunca pode ser dito com palavras e sorria ao perceber que eu tambem via nela a mesma coisa, que estavamos muito mais unidos que jamais estivemos com qualquer outro ser vivo. e nos abraçavmos forte, com medo de cair no mundo que estava ali em baixo, medo de perder a razão e simplesmente se jogar, esperando que lá no fim exista algum chão para espatifar.

Mas no fim, como sempre, a viagem acaba. Voltamos para casa, cada um para a sua. Dormimos. E nunca mais nos lembramos nem a tristeza que vimos ou que revelamos. Voltamos a ser tão sujos quanto antes. Um pouco mais lerdos e perdidos, com a cabeça um pouco mais derretida que o do padre, mas tão tristes e iludidos quanto.

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