sexta-feira, janeiro 07, 2011

Agora, para relaxar, uma histórinha...

Há alguns dias atrás estavam meus primos aqui na praia (estou na praia, na casa de meus pais, passando o ano novo e comendo bem) e quase todo dia iamos pro centro da cidade, beber e ver pessoas. Coisa comum. O ponto é que em todos os dias, lá pelas quatro e dezessete na madrugada eu ficava de saco cheio. Sabe como é, eu percebia que dali absolutamente nada mais iria rolar, eu já havia bebido toda a bebida mais forte, as garotas amigas da minha prima já estavam (junto com ela) pegando outros garotos bonitos. E como sempre acontece comigo no fim da noite,l resolvo ir embora. Do centro pra casa da minha familia é, mais ou menos, uns 8 kilometros de caminho reto e plano, e em teoria isso é fácil (porem alguns dias não foram) mas ponto não é esse. O ponto é que enquanto eu andava e andava e andava criei uma das alucinações imaginativas possivelmente literarias mais legais da minha vida. Ela era mais ou menos assim:




"Na região onde hoje reconhecemos como America do Sul, Brasil, Caraguatatuba, bairro Porto Novo, há 3 bilhões, 570 milhões, trezentos e doze anos e 90 dias existe um terreno de três kilometros e duzentos e doze metros que esta exatamente igual. Neste terreno podemos ler, assim que a língua portuguesa for criada, podemos ler numa placa bem na frente que este terreno é uma Colonia de Férias, a Colonia Min. João Cleopatra. Nesta colonia de férias mora um homem, um homem que desde o primeiro dia que acordou ali não consegue se lembrar de nada, exceto daquelas pequenas informações básicas que um personagem de comedias americanas consegue se lembrar quando tem amnésia, apenas aquele pequeno bocado que o ajuda a saber que comida é necessário, que agua mata a sede, que fogo queima e assim por diante, mas este João não consegue se lembrar de absolutamente nada do mundo onde aprendeu isto, nada exceto seu nome (e, inconscientemente, a língua portuguesa que pensa. No ano 2 Bilhões, 777 milhões, 966 anos e 1 dia ele iria decidir finalmente que esta língua que ele pensa seria chamada de "Carvanita")
Pois bem, este homem automaticamente nomeado João estava ali, naquela colonia de férias desde o inicio do planeta Terra. Logo nos primeiros doze anos ele ainda se entusiasmava com a paisagem que cercava seu terreno, aquele mar de lava e fogo ardente sem explicação nenhuma, aqueles pequenos meteoros que subiam do chão vermelho, avançavam pelo atmosfera em nascimento e hroas depois caiam em direção novamente a terra. No ano 7 ele, numa conhecidencia incrível e muitas vezes repetida, ele conseguiu entender que os meteoros e tudo mais que existia no mundo dentro e fora da colonia caia por culpa de uma força que o planeta criava, puxando todos os objetos. A conhecidencia é que João chamou esta força de "Grávidade", praticamente igual ao nome atual (exceto pelo acento).
O terreno da colonia em nenhum momento entrava em contato com o mar de lava fumegante que cercava o aquela pequena ilha estranha. No ano 51 João percebeu que este comportamento não era comum, ele teve uma pequena epifania quando andava fumando seu charuto no gramado alto da colonia, vendo uma chuva de meteoros e pedaços da lua entrando em orbita com a terra e seu charuto caiu em uma parte mais seca da grama, queimando-a. João percebeu em cerca de tres minutos de observação que aquilo que queimava era similar a todo o resto do mundo que ele via, e portanto algo estava errado.
A colonia, alias, era muito bem equipada. Muito bem equipada para uma colonia de férias dos anos 80/começo dos 90 do seculo XX depois da morte do messias cristão. Havia quarenta quartos pequenos espalhados ao redor do campo, sendo estes distribuidos em duas grandes casas de vinte cada uma, havia um salão de jogos com, evidentemente, jogos, e foi uma pena que João somente foi comprender as regras do Pebolim nos anos 60 da mesma era dia antes, pois se a mesa viesse com intruções em video João teria passado os bilhões de anos bem mais rapidamente. Falando em vídeo, isto havia um bocado, uma das salas de recreação era a sala de video, onde existia uma televisão com antena (inútil antes da invenção dos canais de televisão) e um VCR, e numa salinha ao lado, trancada com uma chave que João sempre carregava consigo, existiam 300 dos melhores filmes jamais feitos até o ano de 1987 (ainda no tempo ocidental). Por sorte todos os filmes eram dublados (João só foi perceber que assim o era no ano 2 Bilhões, 120 milhões, 10 anos e 10 dias) e mais sorte ainda que alguns eram dublados e legendados ao mesmo tempo, pois foi assim que João conseguiu começar a aprender a ler (comparando o que os homens falavam com o que estava escrito) e assim começou a ler os quase 500 livros que estavam em outro quarto do salão de jogos. E com filmes e livros João conseguiu passar quase 300 anos sem se aborrecer muito. No ano de 3 Bilhões, 570 milhões, dez anos e oitenta dias João terminou de ler totalmente todos os livros e ver todos os filmes. Estava entediado"



Evidente que isto continua indefinidamente, como as alucinações alcoolicas/andarilhas eram extensas e o sol já começava a nascer (soprando, alias, uma brisa que me deixou extremamente gripado por umas duas semanas) os delírios iam longe. Mas é claro que eu, depois de uma hora de caminhada, chegava em casa, acertava meu sofá e dormia. Normalmente minha irmã bebada só chegava quarenta minutos depois.

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