terça-feira, fevereiro 22, 2011

A perda da Chave antes do Piquenique que fizemos a tanto tempo atras

Certa vez, a muito muito tempo atrás, eu tinha um cabelo feio. Ainda tenho um cabelo feio, mas naquela época o cabelo era mais feio ainda, era um feio proposital. Nessa mesma época eu andava psicopaticamente obsessivo pela garota loira (que agora é lésbica e esta feliz, embora tenha cortado relações com todo mundo, incluindo familia) chama Lilian. Nessa época eu costumava passar as tardes no trabalho dela, ouvindo musica e falando besteiras. Eu era uma pessoa mais chata que hoje.
Isso aconteceu logo depois do final da minha escolinha, do terceiro ano no Olga. E ainda nesta época éramos muito ligados, nós que havíamos acabado o terceiro ano. Mas uma pessoa em especial era mais ligada a mim, talvez por culpa da Lilian, esta pessoa era a Nakata.
A Nakata (Juliana Nakata) era uma garota japonesa (eu acho, oriental) que apareceu no primeiro (ou segundo) ano do colegial. Por um bocado de tempo não tive nenhum tipo de amizades com ela, mas quando comentei inadvertidamente na sala que estava adorando jogar Chrono Trigger (acho que cantarolei a musica do Frog, mas isso é mais imaginação minha) ela pirou com a minha proto-nerdice e ficamos amigos. Bons amigos. É provavel que ela e a Ananda (não Amanda, que foi minha primeira namorada e era a melhor amiga da Ananda) tenham sidos minhas melhores amigas de colegial. Mais ou menos nessa época, segundo colegial, comecei a narrar rpg e a Ananda e a Nakata eram as únicas que jogavam comigo (ela e o Fernando Japones).

Descrito isso, uma vez a Lilian resolveu que íamos fazer um piquenique no Aterrado. Nakata, Ela e eu. E o Daniel Preto. Eu não sei qual foi o motivo do Daniel ser convidado também, a Nakata nem o conhecia, mas ele foi. E então nos preparamos pra esse piquenique comprando vários refrigerantes e salgadinhos e besteiras gostosas do nível. Era pra ser um bom dia.

Um dia antes do piquenique eu, para variar, estava na casa da Lilian (ela trabalhava em um bar embaixo da casa, eu costumava ser o lavador oficial de louça e tomava café todos os dias. Sinto saudades disso dessa época) e acabou que alem da sobrinha dela, a Victoria (que eu brinquei muito mesmo nos anos que fiquei indo lá. tambem tenho saudades disso) apareceu o sobrinho dela, filho do Ricardo. O garoto era um bocado mais velho que a Victoria, deveria ter seus dez anos, e fomos brincar também. Aqui aparece o importante, o crucial dessa história.

Eu brinquei com ele de X-Men. Ele era o wolverine e eu era o Fera. Nesta época ainda estava em boa forma física, conseguia imitar Hank Macoy tranqüilamente. E enquanto pulava pra lá e pra cá, fugindo das garras do Wolverine, ouvi alguma coisa e olhei para o chão. Vi algo que parecia ser uma chave mas como o Wolverine vinha logo atrás tive que pular. E continuamos brincando.

Fiquei na casa da Lilian por mais algumas horas, vendo filmes com ela, a mãe e o irmão, brincando com a Victoria e tomando café, acho que rejeitei uma janta, e logo depois de sair dali fui para o Fliperama, conversar com os amigos (o fliperama era o "bar" dessa época. preciso escrever algo sobre ele, acho que não existe nada aqui) e depois subimos para a praça de salesópolis, desperdiçar algum tempo. Consta que eu voltei para casa tarde, mas não tanto pois precisava acordar cedo pra ir pro piquenique.

Chego em casa, todos estão dormindo. Vou pro meu quarto e meto a cara na porta fechada.

Eu tranquei meu quarto! A chave, que estava no bolso, é aquela que caiu na casa da Lilian. Temos que ir pro piquenique cedo e já são 2 da manhã!!

Lembro de ir todo o (curto) caminho da minha casa pra dela pensando se iria acorda-los ou se iria entrar sorrateiramente e recuperar a chave no chão. E havia a possibilidade de aquela nem ser a minha chave, ser qualquer outra coisa caída no chão e que eu imaginei ser um chave. E se alguém me pegasse entrando de madrugada na casa da Lilian, tudo estaria acabado para sempre, eu seria um doente mental, um psicopata, um tarado, um ladrão! A amava na época, mesmo que não soubesse como dizer isso nem como agir quanto a isso. E a angustia aumentava.

Chegando no portão dela fiquei uns dois minutos agachado escondido na frente, para perceber se havia alguém acordado ou que pudesse arriscar minha furtividade. Um movimento errado e eu estava totalmente fodido. Então resolvi agir, abrindo o portão cuidadosamente entrei em sua casa. A chave, segundo lembrava, estava jogada na metade do quintal da frente dela, um pouco perto da janela onde seus pais, a mãe o falecido, dormiam. Me movimentei devagar mas sempre nas sombras, e quando chegava perto percebi um brilho.

Era a chave!

A peguei e dai pra frente tudo foi extremamente fácil. Se alguém me pegasse saindo da casa da Lilian as duas e meia da manhã a única coisa que precisa fazer era dar um sorriso metade tímido, metade safado, e tudo ficava tranqüilo pois metade das pessoas que nos conheciam tinha certeza que estávamos juntos e a outra metade ficaria feliz por estar me dando bem com ela.

Dai eu fui embora pra casa dormir pro Piquenique. Noutro post escrevo sobre ele.

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