sábado, janeiro 29, 2011

Andar de bicicleta até o rio na velha praia, ontem e hoje; e a nostalgia nela intrínseca.

Há uma especie de nostalgia no ar sempre que retorno pra praia, para caragua. Foi aqui que passei um terço da infancia e adolescencia. Uma certa dor no coração por perceber que reconheço cada pequeno metro de espaço desta casa, desta rua, deste pequeno bairro e da praia, quando passo por locais onde já houve alguma pequena coisa relevante, relembro-o. E isso é nostalgia, evidentemente.

Mas se por um lado há essa essencia de nostalgia intrinseca na praia, há o tédio de não reconhecer nada de novo, que já vi tudo por aqui, e isso retira grande parte da beleza que vejo nas cosias. Adoro me meter em alguma rua aleatóriamente, olhando pras janelas das casas e pros terrenos baldios, imaginando situações hipotéticas, momentos específicos no tempo naqueles locais e como eles ocorreram. E aqui na praia eu já fiz isso em quase todos os locais, e devo ter os feito em 1994.

Hoje resolvi andar de bicicleta, estava trancado aqui (sem nem ir na praia, que me irrita) por quase 20 dias. Um maldito calor que derramava cachoeiras de suor a cada segundo que um ventilador não estava direcionado para meu corpo. E por culpa do calor resolvi desistir da vergonha de mostrar o cabelo, a cara, a barba e o corpo feio que tenho e fui andar de bicicleta.

Há muitos e muitos anos atrás, quando eu era menor que um menino de dez anos, ficavamos na praia todo final de ano; quando digo "ficavamos" me refiro a toda a minha familia estendida - mãe, avó, tia, primos, primeiro e segundo grau, tias avós e parentes dessas tia avós. E nessa época todo dia de manhã eu era obrigado por lei a andar de bicicleta com meu primo Kadu, ir até o rio e voltar (o rio é um local que se encontra a mais ou menos uns 10 quilometros seguindo a orla da praia daqui, esse rio desemboca no mar e é um limite fisico e psicológico para onde acaba esta praia.) Tinhamos que ir todo dia de manhã, pois meu avô tambem saia de manhã para soltar a rede em alto mar, pegar peixes para comermos de tarde e noite, e provavelmente os adultos imaginavam que era uma boa coisa acordar tão cedo, saudavel e dava carater. Eu odiava.

Hoje sai para andar na praia. E no começo foi bem divertido. Na verdade o tempo todo foi bem divertido, tive vários delírios de nostalgia, saudade, enquanto pedalava por aquela longa rua (antes interamente de terra, hoje um bocado asfaltada) delírios de saudade dos velhos tempos, das coisas bonitas de antes, reconheci algumas casas, um boteco, me vi na memória em milhares de situações que tive neste caminho.

Porem quando estava voltando percebi um dos motivos do porque odiava este pequeno ritual. Provavelmente não o maior motivo, uma vez que provavelmente o maior odio era o de ser obrigado a ir pra lá de manhã, mas um que estava guardado, não na minha mente, mas sim em na minha bunda. A maldita dor de andar por todos aqueles buracos, aquele remeximento, achoqualhamento (se existe ou não a palavra) e até agora minha bunda doi. Nostalgia é algo que sempre melhora com o tempo, mas dor na bunda não.

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