sábado, dezembro 29, 2012

terceira parte

Terceiro e último post com um conto do Heitor aonde eu apareço. É o mais curto, simples e depressivo, mas deixa marcado alguma coisa do passado que eu esqueci (ou esqueci de esquecer)

Não tem título.

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Nós todos andamos olhando para baixo.

Um dia C. chegou com ombros largos e nos disse “de agora em diante andarei com a cabeça erguida”. Ficamos espantados, mas ao menos achamos que algo bom havia ocorrido.

Foi quando no dia seguinte o vimos chegar à faculdade, com a cabeça erguida, sim, erguida demais. Olhando para cima, para o céu. Ele esbarrava nas pessoas e tropeçava constantemente.

Não conseguia mais se locomover como antes. Pegava o ônibus necessário, mas os pontos corriam por debaixo de seus olhos assim nunca descia no correto. Por isso tinha que andar um longo caminho até sua casa, o que fazia com que tropeçasse mais e mais. A cada dia aparecia com novos machucados, alguns começando a se tornar sérios.Depois de uma semana ele nos disse tchau, se virou e andou direto em direção à um barranco.

No dia seguinte ele disse oi aos nossos sapatos.

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