Terceiro e último post com um conto do Heitor aonde eu apareço. É o mais curto, simples e depressivo, mas deixa marcado alguma coisa do passado que eu esqueci (ou esqueci de esquecer)
Não tem título.
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Nós todos andamos olhando para baixo.
Um
dia C. chegou com ombros largos e nos disse “de agora em diante andarei
com a cabeça erguida”. Ficamos espantados, mas ao menos achamos que
algo bom havia ocorrido.
Foi quando no dia seguinte o vimos
chegar à faculdade, com a cabeça erguida, sim, erguida demais. Olhando
para cima, para o céu. Ele esbarrava nas pessoas e tropeçava
constantemente.
Não conseguia mais se locomover como antes.
Pegava o ônibus necessário, mas os pontos corriam por debaixo de seus
olhos assim nunca descia no correto. Por isso tinha que andar um longo
caminho até sua casa, o que fazia com que tropeçasse mais e mais. A cada
dia aparecia com novos machucados, alguns começando a se tornar
sérios.Depois de uma semana ele nos disse tchau, se virou e andou direto
em direção à um barranco.
No dia seguinte ele disse oi aos nossos sapatos.
sábado, dezembro 29, 2012
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