Pessoas que por ventura venham a ler esta coisa hão de achar que minha vida é completamente medíocre, entristecida, baseada apenas na miserabilidade e na impossibilidade das coisas darem certo. Elas estariam certas, sobre um ponto de vista sim. Mas se é verdade que grande parte das vezes estou desgostoso com praticamente tudo ao redor, também é verdade que há alguns grandes momentos aonde há felicidade extrema, aonde eu não consigo me contar dentro de mim mesmo de tantas coisas boas que sinto, daquilo que vem a ser esperança e tudo mais.
Interessante notar que, esta próxima lembrança é totalmente recente. Há uma regra implícita nisso daqui que somente coisas velhas seriam escritas, apenas as lembranças que eu relembro vagamente e que foram de alguma forma relevantes pra mim. Isto que virá agora é novo, mas sinto na necessidade de pelo menos escrever sobre, porque alem de ser um contraponto as memorias ruins, é também um demonstrativo de que não sou o mais insignificante dos seres. Enfim...
Aconteceu a não mais que seis meses. Eu ainda estava saindo com a Ju, praticamente um numero par de dias na semana e conversava com ela todo dia, a quase todo momento. Era um final de semana, e não lembro por qual motivo ela estava em sp. Creio que tinha ido nalguma coisa de uma amiga, talvez um pre-casamento em que ela seria madrinha. O ponto é que eu havia chamado pra vir aqui, em casa, para que pudéssemos beber. Havíamos feito isso já, ela tinha colado aqui e bebido algumas cervejas comigo, ouvido musica, nada de muito impressionante mas ainda sim a coisa mais impressionante do mundo. Era extremamente agradável apenas estar ali, ouvindo algumas musicas, bebendo e comendo os menores amendoins do mundo.
De qualquer forma, eu havia a chamado pra vir aqui beber e ouvir musica de novo, mas ela já havia deixado claro que as chances disso acontecer era praticamente zero. Alem de ter que ficar com a amiga com algum tempo (possivelmente era um jantar ou coisa parecida. é bem provável.) havia vários outros pequenos problemas que não a permitiam isso. Eu me lembro de ter ficado triste, mas não exatamente triste. Digo, era óbvio que a companhia dela era algo muito bom, mas o simples fato de eu existir enquanto possibilidade já me deixava... a palavra me escapa, mas era como estar integrado a um universo maior do que eu, e aonde as coisas faziam um grande sentido. De qualquer forma, não estava triste.
Lembro de ter acabado de descobrir, naquela tarde enquanto nutria minúsculas esperanças de poder ver-la, a banda Comparative Anatomy. Essa é uma banda de musica estranha, bizarra, aonde misturam-se sons de animais com outras situações. Lembro de ter ficado umas quatro horas ouvindo a banda, sem parar.
Também havia baixado a alguns dias aquele filme do Jimi Stewart e do Capra, "It's a Wonderfull Life". Já que a Ju não viria, achei de bom tom finalizar a noite com o filme, que tinha umas três horas.
Esse filme me arrebatou completamente. Havia nele alguma coisa de verdadeira, embora seja a história mais melosa do mundo, mas a tentativa de suicídio do personagem, no momento mais importante do filme, dialogou com aquilo que eu havia sido antes daquele dia de forma muito forte.
Não mais que umas horas depois do filme acabar, enquanto eu estava completamente absorto com tudo aquilo, a Ju me manda uma mensagem perguntando se ainda era possível dela vir em casa. E fui encontra-la no metro, e bebemos cerveja e ouvimos musica.
Eu estava feliz. Perceba que não era uma felicidade pelas boas coisas que aconteceram, pela musica ou filme ou pela garota, mas sim pelo grande conjunto das coisas, pelo modo como tudo ali fazia sentido. Era uma tarde e noite aonde eu sabia muito bem que tudo isso que era bom e me deixava feliz haveria de acabar muito rápido -sempre acaba- mas essa noção de uma inescapável futura tristeza e falta de perspectiva era inexistente. Eu sabia que, pelo menos, teria a lembrança de algum momento tudo valer a pena.
Enfim, é uma ótima memória.
sexta-feira, dezembro 14, 2012
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