quarta-feira, dezembro 12, 2012

Não é tanto novidade...

[isto foi escrito a alguns dias atrás, em salesópolis, enquanto estava sozinho e perdido e tudo mais. nada muito diferente de todo um resto, mas ainda sim me sinto na obrigação de colocar pra não esquecer o quão baixo já fui. Obviamente pode acabar soando uma punhetação de uma mesma ideia repetida ad nauseam, mas enfim não acho que rejeitar uma madrugada deprimente só por ter tido setecentas madrugadas iguais seja algo correto. Isso e foda-se, ninguém realmente lê isso daqui]
---------------------------------------------------------------------------------



Estou no meu quarto escuro, novamente em salesópolis. Chove uma chuva estranha, trovoadas imensas alternando momentos de total tranquilidade e uma secura que passa da rua pra minha boca, e então no momento seguinte volta a cair o mundo aquático. Aqui dentro só tenho uma cama, sem lençol nem nada, apenas um travesseiro. O quarto está escuro, o chão esta sujo, não tenho comida e agua só da torneira. Não tem absolutamente nada.

Hoje tomei um remédio que, acho, vai me ajudar a dormir. É possivel que acabe me deixando doente, caso abuse de usa-lo – talvez algum problema no rim, imagino, tenho andado muito ruim do rim  nos ultimos seis meses– mas queria dormir hoje, eu preciso dormir profundamente hoje.

Ontem não consegui dormir. Fiquei toda a madrugada, das 11 até as 5 remoendo coisas na minha cabeça. Não quero entrar em detalhes de pequenas insanidades da madrugada já descritas tantas outras vezes mas novamente foram vozes, desesperança, anseios de suicídio e o remoer deitado, sem perspectiva de motivação para continuar passando essa vergonha.

Em Salesópolis agora sinto-me um estrangeiro. Nunca tive este tipo de sensação aqui, embora em SP seja quase sempre uma certeza. Tudo aqui que um dia eu conheci desapareceu, não conheço mais as pessoas na rua, as lojas, os motivos e vontades. Antes eu entendia as bases dessa cidade, entendia os motivos e movimentos de todo mundo. Hoje estou perdido, ou pelo menos me sinto um perdido aqui. Tanto isso que praticamente não sai de casa em nenhum desses cinco que estive aqui. Apenas trancado em casa, lendo, assistindo filmes, olhando para o teto e matando moscas de vez em quando. Sai no domingo, e não encontrei nada daquilo que achava antes. Até mesmo a velha pinga-com-mel-e-limão, que me era um porto seguro de prazer, desapareceu, o Toninho-do-Tó vendeu o bar para um homem que faz uma dose ridícula. Não comi nenhuma garota (na verdade nem achei garota que conhecesse ou alguns daqueles moleques novos, a nova mulecada que estou andando junto nesses novos tempos)

Enfim, este texto todo é pra deixar claro que os tempos estão mudando, e eu não sei para onde. Não tenho a menor ideia de nada, e não consigo ver que essa mudança traz consigo boas coisas, apenas as velhas merdas de sempre, de sempre e sempre horríveis.

na pior das hipóteses sei que a minha presença ainda estará aqui, e eu não a aguentarei. Tudo tão horrível como sempre, mas não vou reescrever coisas que já descrevi tanto em outros momentos.

O remédio começa a fazer efeito. Meus olhos estão doendo, tanto da luz desse leptop como pelo sono. Minha perna esta dormente, os dedos lerdos. Uma queimação na barriga sobe, culpa creio do remédio. Estou ficando com sono, a cabeça está pendendo pra baixo.  Melhor deitar agora, preciso acordar cedo amanhã.

Isto fica assim, estou perdido,  solitário, deslocado, cansado de tudo isso e com vontades impossíveis. Sinto-me mal (mas isso não é tanto novidade assim, não é?

Sem comentários: