Os humores variam. Sei que isso parece óbvio, ainda mais tendo todos os outros escritos daqui como perspectiva, mas os humores variam.
Há dias em que acordar é fácil, há dias que dormir é muito fácil. Consigo sair de casa, ir andando até a faculdade ou até o ponto de ônibus, e consigo ir sonhando com momentos melhores, com situações que podem acontecer e que, nalgum momento, tudo vai melhorar. Há dias em que essas coisas me aparecem na cabeça automaticamente, nem é necessário motivos. Há dias que motivos me fazem ficar assim. Há dias em que é possível viver e sonhar.
e claro, humores variam. Há dias em que é exatamente o oposto disso. Dias em que tudo parece estar morrendo lentamente, com vergonha de sair, que o amanhã com certeza, 100% de certeza, será horrível e incerto, o meu pior pesadelo que nunca irei imaginar. Há dias que vejo pra tudo e só percebo o quão inexoravelmente estou fodido, sem perspectiva nenhuma, esperança, capacidade, motivação, vontade. Há dias em que dormir é um sofrimento de vozes dentro de mim sussurrando as piores coisas, que só consigo realmente não pensar ao imaginar, ao sonhar acordado que é possível vender a alma pra algum demonio em troca de alguma coisa, voltar 20.000 anos no tempo e apenas poder caminhar por um planeta vazio por eras e eras, sem ninguém pra preocupar, sem palavras nem vozes, uma solidão consentida e aceitada plenamente como um destino. Então consigo dormir e não me sinto mal até de manhã, tudo sempre volta e abrir os olhos é uma tortura lenta e certa. Há esses dias em que imaginar-me morto a qualquer momento não é ruim, eu não estaria perdendo todas as histórias e possibilidades de uma vida plena e longa. Há dias que é bem difícil não vomitar.
humores variam. Variam a mais de uma década, e eu já aprendi a conviver com esta ideia. O que não significa que goste, ou que consiga olhar pra tudo e, na pior das madrugadas, ver alguma esperança. Não há nenhuma, mesmo. Todo o tempo desperdiçado, tudo é fútil e banal - não se mate Carlos, eu sei - mas não se matar não significa que tentar viver valha de algo, que possa dar nalguma coisa, que no final será bom. O final será tão horrível quanto todo o resto, eu sei. Caminhar de volta pra casa sozinho ainda é e deverá ser uma constante, exceto quando for não pior que isso.
Enfim, humores variam.
segunda-feira, setembro 10, 2012
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