Há pequenas crises de desistências.
estou tendo já a alguns dias dores de rim. Pedras, creio. É algo realmente dolorido, devo dizer, daquelas que me fazer perder a noção da realidade enquanto ela bate, pelo menos uma vez a cada minuto. São como cólicas, só que mais ásperas, rasgando no canto da minha barriga como uma faca quente. Eu não sei qual a sensação de uma faca quente, mas deve ser bem parecido. Ser esfaqueado e queimado não é algo que me parece ser bom.
enfim, pedras no rim. Provavelmente por minha má atitude com relação a saúde. Nem ao menos fui no médico, nem creio que irei. Prefiro ser irresponsável. Ou pelo menos parecer. Acho que minha irmã já percebeu, pelas minhas atitudes, que ou sou um completo desligado/envergonhado, ou não me importo realmente em estar vivo. Talvez isso e a quantidade de pinga que costumo ingerir. Ou talvez ela só esteja preocupada quando me vê tossindo por quase um minuto, para logo em seguida ter minha traqueia trancada e eu ficando incapaz de respirar. (talvez tenha sido tuberculose, mas eu duvido. Tuberculose não passa alguns meses depois. Mesmo existindo um comercial que diz "tosse por mais de duas semanas pode ser" e eu tossi por quase três meses)
Enfim, pedras no rim. Tive uma mais ou menos a um ano atrás. Sei que foi um ano atrás porque foi numa segunda, logo depois dum domingo onde nos despedimos do Eduardinho, que ia pra Rússia, bebendo tudo que podiamos, e duma quinta-sexta-sábado em Salesópolis de alcoolismo. Acordei na segunda feira com dores horríveis, que eu não tinha a menor ideia naquele momento serem fruto duma pedra no rim. Acreditei por quase duas horas, em que gritava de dores na minha cama (minha pequena cama, fria cama, quieta cama, sozinha cama), acreditei que tinha fodido alguma coisa do meu fígado ou algum outro órgão, que estava se liquidificando em sangue. Era dolorido, mas não ruim. Sabe como é, minha irmã já deve ter notado que não me importo em estar vivo. Desde que ela ficou sabendo das pedras, ontem de noite, ficou me dando sermões e ligando aqui para pedir que fosse no medico.
Não irei. Não há motivos.
Desta vez a primeira pedra apareceu quinta passada, a exatos uma semana. Foi uma dor leve, de manhã, cinco da manhã. Eu acordei já sentindo que algo no meu rim estava sendo crucificado, reconheci de cara a dor. Só tive o desprazer de não me levantar pra ir pra faculdade e tomar um remédio para dor que estava ali, em cima, do lado do filtro. Deitei-me e logo a dor havia passado.
Nem ano passado, nem quinta, nem agora a pedra saiu no meu mijo.
A dor passou mas eu fiquei com os instintos alertas. Por mais sem motivos que seja, não gosto nem um pouco de sentir um pedaço pontiagudo de ferro enferrujado tentando sair por meus canais uretais, tentando e não conseguindo. Senti medo e fiquei toda a semana tomando cuidados, me preocupando a cada momento com o retorno da dor.
Quarta, ontem, ela voltou. Novamente de madrugada, mas por sorte dessa vez eu não tinha aula, continuei deitado. às dez horas comecei a perceber que a dor não iria embora, e resolvi tomar o remédio. Não funcionou e eu comecei a sentir vontades de vomitar, tremendo minha perna quando tentava andar para aliviar, tonturas quando me deitava, alguma coisa lá dentro de mim mastigando minha carne lentamente. Não gritei. Não sai de casa, só de bermuda, perdido atrás de alguma coisa que pudesse me socorrer, como ano passado. Apenas esperei. E tomei agua. Muita agua.
Error
Aparentemente a pedra estava entupindo o canal do meu pau, me impossibilitando de mijar. A cada garrafinha de agua eu sentia mais dor, talvez por estar lotado de agua que não podia sair, talvez porque é difícil reconhecer dores alem daquela do rim raivoso. Ficava quase meia hora no banheiro, cabeça na parede fria, suor frio, calças abaixadas e pau pra fora, forçando algum mijo. Nada saia. Nada saia.
Algo um momento saiu. Sangue. Mijo e sangue. Xixi e sangue. Fiquei feliz por alguma coisa sair, por meu corpo responder de alguma forma a aquele embaraço todo. A coisa talvez fosse passar rápido.
Fiquei com dores até as seis horas da tarde. Quando me preparava para ir no médico, há um pronto-socorro a um quilometro daqui, mais ou menos, a dor passou. Quinze minutos depois consegui mijar de uma só vez quase o dobro do que tinha conseguido das 11 às 4 da tarde. Alivio.
Mas não fiquei com medo de morrer, devo admitir. Talvez nalgum futuro, quando reler isso, possa soar pretensioso, mas não era como se estivesse chorando para deus, pedindo pra tudo melhorar. Queria que a dor passasse, mas não desejava que eu ficasse saudável. Tenho andado muito suicida. Deprimente, Irrisório, Previsível e Suicida. Mas nada disso agora importa. Não estou mais mijando sangue.
quinta-feira, agosto 16, 2012
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