domingo, fevereiro 24, 2013

Sobre Amanda, a pobre Amanda.

Tenho tentado escrever algumas coisas nos últimos dias. Tenho tentado e falhado. Não sei exatamente por que, mas tudo acaba virando pedaços aleatórios de pensamento e recortes de coisa nenhuma. De forma que hoje pretendo tentar escrever sobre alguma coisa, se não diferente, pelo menos que eu nunca tentei. Vou tentar me lembrar das coisas boas da velha Amanda, minha primeira - oficialmente -namorada.

A Amanda não era uma garota bonita, nunca o foi. E digo isto com a melhor das intenções, mas a primeira coisa que me lembro dela foi dos caras do primeiro ano do colegial zuando com sua aparência. Não sei exatamente porque mas isso me fez com que ela ganhasse dois pontos na média, e não porque prefiro garotas feias, por dó ou por achar que somente uma garota assim ficaria comigo. Acho que ela, aos olhos de mim aos 15 anos, não era feia mas sim estranha. E bom deus eu sempre amei coisas estranhas. Ela era albina, meio gordinha, loira até o fundo da alma e tinha olhos azuis, mas não o bom azul, era um azul meio aguado.


Agora, chega de diminui-la. Irei me lembrar das coisas boas. Isso deve me alegrar um pouco nesta madrugada.

- Lembro-me de jogar bola com ela. Isso antes de ter alguma coisa. Estávamos no mesmo time e acabamos nos abraçando. Isso foi bom.
- Quando nosso rolo estava no completo inicio (e isso aconteceu quando a Nataluci veio falar comigo sobre o assunto, dando dicas, e a Marcela - que era bem gostosinha, diga-se de passagem, lembro de ler uma revistinha de pornografia japonesa na aula com ela - veio confirmar, lembro-me de que ela me entregou (ou fez com que alguém entregasse) um bilhete; Espere, agora me lembro. A Marcela veio falar comigo, eu confirmei, e no intervalo da aula, quando retornei, havia um bilhete na minha bolsa de escola (eu usava sempre a mesma bolsa, nos três anos. Ela possui varias marcas e desenhos e era bizarrinha, alem de velha). Não lembro o que havia no bilhete, mas a simples noção de que ela estava afim de mim me deixou extasiado. Demoramos quase umas duas semanas pra sairmos pela primeira vez, mas esse bilhete foi ótimo.
- Lembro-me da primeira vez que saímos. Uma das amigas dela (ela tinha várias amigas, era do grupo das garotas comuns, exceto pela Ananda, que era tão bizarra quanto eu ou a Nakata) acompanhou-a enquanto eu chegava. Depois sumiu e ficamos perdidos. Nós não sabíamos exatamente para aonde ir, ela não morava na cidade - era do Remédios, um distritinho do lado - e eu sempre fui um idiota. Acabamos ficando numa ladeira meio escondida, mas aonde carros passavam a toda hora. Ali nos beijamos, eu a masturbei e ela me chupou. Ao ar livre, o que é melhor.
- Falando sobre boquetes e sexo, lembro-me do problema dela com meus pelos. Ok, sou um cara cheio de pelos, mas a boca dela parecia atrair todo tipo de pentelhos meus (isso esta ficando meio tosco, reconheço, mas juro que é com a melhor das intenções. Não quero insultar a Amanda em nenhum ponto, mas isso e verdade). Também lembro-me da angustia dela, de quando ficamos e ela não veio de saia. Ficou puta porque eu queria chupa-la mas não dava certo. Enfim, chega de sexo.
- Ok, só mais uma de sexo. Nos catamos nervosamente em quase todas as sala da escolinha. Ela tinha um bom esquema, como era do grupinho "das moças" suas amigas ficavam espionando, de manhãzinha, pra ver se alguém chegava. Caso não, nos dávamos bem.
- Chega de sexo. Lembro-me de levar-la ao hospital de ambulância. Ela estava jogando basquete, eu conversava com o pessoal, quando ela fez um passe, o corpo se moveu mas o joelho não. Sua rótula foi parar do outro lado, e eu a acompanhei até a santa-casa enquanto gritava de dores. Fiquei-a esperando umas quatro horas, enquanto os exames eram feitos e o gesso colocado. Seus pais vieram e foram uns escrotos comigo, dizendo pra eu não aparecer na casa dela enquanto eles não estivessem ali. Olhando agora, talvez esse tenha sido o começo do fim.
- Na verdade não foi. O começo do fim, creio eu, foi o quanto ela ficava em cima de mim. Quero dizer, eu não era nenhum garanhão. Na verdade ninguém queria nada comigo porque eu sempre fui muito estranho, mas acho que o fato de ter um namorado de verdadinha a deixava maravilhada (e lembre-se, ela nunca foi a maioral da beleza). Portanto, ela chegava na casa dela e já ligava para mim. E queria conversar por quase duas, três, quatro horas. Creio que esta foi a minha única vez de "melosidade romantica" em toda a minha vida, incluindo até o maldito "desliga você". Enfim, isso foi bem divertido por algumas semanas, mas em um momento não tínhamos mais sobre o que conversar, ela não era exatamente a pessoa mais interessante do mundo - in fact, creio que hoje eu a chamaria de "direitona". Ela orgulhava-se de não aceitar o comunismo, mesmo sem ter a menor ideia do que era. Lembro-me apenas de ela recitar a reversal russa sempre. Não consigo me lembrar se havia mais alguma outra notação ideológica dela, mas creio que lembrar só iria reforçar essa verdade, que ela era uma pessoa "coxinha".
- Ok, coisas boas, coisas boas. Ela me fez terminar o terceiro ano, mesmo depois de termos terminado. Digo, terminamos mais ou menos no final do primeiro semestre do terceiro, porem antes disso fizemos um trabalho de química (fizemos o caralho. ela fez tudo. eu sempre odiei a Massuko, a professora) no final do ano eu não reprovei completamente porque tinha essa mínima nota, este 10 do trabalho que ela fez pra mim.
- Outras coisas boas, outras coisas boas.

Certo, não consigo me lembrar mais de coisas boas dela. Isso é decepcionante. Eu deveria deixar isto como rascunho também, mas sinto que mesmo tão pouco já é válido para a coitada Amanda. Hoje em dia, até aonde pude descobrir, é uma esposa de um pastor evangélico. Em uns dois momentos nos vimos no ônibus, mas tanto ela quanto eu ignoramo-nos. Não tivemos o final mais alegre, sabe como é. Mas ela é uma boa pessoa e, ainda hoje, e a garota que eu namorei por mais tempo (de verdadinha). Viva ela.

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