Passo muito tempo sozinho; bem mais do que a grande maioria das pessoas que conheço. rejeito saídas, inconscientemente acho, porque prefiro ficar quieto no meu canto, no escuro, olhando o nada ou ouvindo só minha cabeça. Não sei se é algo errado, eu sei que, se pelo menos não é a coisa que eu mais amo fazer, pelo menos não me incomoda na maioria das vezes.
Digo, ficar sozinho tem suas cosias boas, mas tem muitas ruins. Eu perco um pouco da perspectiva das coisas ao não comparar com outros. Meus pensamentos não funcionam tão bem. Dias parecem noites, noites parecem dias. Eu consigo ouvir minha mandíbula subindo e descendo, nas raras vezes que consigo me lembrar de comer coisas. Ficar sozinho tem muitas coisas ruins, mas eu não me importo com elas.
Lembro-me de uma vez, lá por 2009, acho, em que fiquei quase duas semanas sem ver nenhum ser humano. havia um bocado de comidas em casa e eu não me desespero tanto assim. Apenas fiquei trancado, quase não vendo a luz do sol ou a escuridão da madrugada. Li, vi filmes, escrevi, internet, musica. Nada de muito relevante, mas ainda sim coisas que consigo me lembrar claramente. Consigo me lembrar da sensação de ficar tanto tempo incomunicável, matando aulas. Havia uma desvontade de fazer isso, de sair dali, não creio por medo ou receio, mas porque estar sozinho é ruim, mas todo o resto grande parte das vezes também o é. Eu fiquei em casa, trancado, mudo. Meus lábios grudaram, a baba seca, em algum momento. a mente fugia, saia do pequeno comodo, quarto minúsculo, cadeira com computador, cozinha escura, porta de vidro, prédios em volta, fotos na parede. Não estava realmente ali, sozinho, deitado, quieto. Mas também não estava em algum lugar tão diferente de sempre.
Passo muito tempo sozinho, sempre passei. Enterrado dentro de mim mesmo. Não há nada lá fora. Nada há agora mais nada que valha realmente a pena, acho.
sábado, fevereiro 02, 2013
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