terça-feira, novembro 06, 2012

Acontecem coisas engraçadas.

Engraçado, acho, não é bem o termo. Estranho? Não, não é. Não sei como iniciar isso daqui, como começar a falar sobre a besteira que tive a pouco mais de dois minutos atrás.

Calma que não é nada horroroso. Provavelmente você não se lembrará desse pequeno momento no futuro. Na verdade sem isso daqui escrito, esse pequeno momento, com os pequenos detalhes, iriam se perder daqui dez anos. (tanta coisa já se perdeu...) Enfim...

Estava eu aqui, sentado, olhando pra alguma tela branca ou colorida na internet. Costumo fazer muito isso, sabe, apenas olhar pras coisas. Olhar e esperar, toda a minha existência poderia ser resumida nessas duas coisas. Olhar, esperar e se decepcionar. Mas não é sobre isso que vim escrever, embora esses desvios são bons, agradáveis e confortáveis, soam a minha cabeça delirando.

Delírio! Esse é um bom termo. (na verdade não, mas o circulo se fecha e vale a pena continuar) - estava eu aqui sentado, pensando. Costumo imaginar conversas, acho que já cheguei a comentar em algum lugar. O esquema não é tão difícil, apenas pego algum pessoa que gosto de conversar, imagino um tema e dali saio. Pressuponho as respostas que a pessoa daria, minhas replicas e tudo aquilo que acontece numa boa conversa de verdade. (é lógico que não é tão legal quanto uma, mas o que se pode fazer quando se passa mais da metade do mês completamente sozinho?) enfim, estava eu aqui, sozinho, conversando comigo mesmo-com alguém. Nalgumas vezes eu nem imagino uma pessoa em especifico, apenas vou pulando de uma pra outra, do Heitor pro Wilber, do Wilber pra Ana, da Ana pra Marina, e dali salto cinco anos no futuro e mostro pro pequeno Gabriel o quanto eram legais os filmes de terror dos anos 80.

O ponto é que não estava imaginando uma conversa com alguém em especifico. Apenas estava conversando comigo mesmo/com todos os outros. E então eu/eles me fiz uma pergunta boa. Foi mais ou menos assim:

eu - Ah, a mais ou menos uns dois anos atrás a coisa mais importante pra mim era a piada. Tudo era subjugado por ela, mas depois de um tempo ficou chato, sabe?

Alguém - Ah é?

eu - É.

Alguém - Que merda não? Piadas são coisas boas, é sempre bom ter senso de humor

eu - Nem sempre, nem sempre. Meu humor é autodepreciativo, e isso as vezes faz sentir-se mal, alem de eu ficar meio paranóico.

Alguém - Ah é?

eu - É.

Alguém - E viu, qual  é a coisa mais importante pra você hoje?

Foi nesse ponto que eu me peguei saindo do delírio e voltando pro mundo real. Qual é a coisa mais importante pra mim hoje? Uma pergunta realmente boa, devo dizer. Fiquei exatos dez segundos pensando nisso, o que em tempo de imaginação equivale a quase doze anos. Procurei em quase tudo que me toca pra descobrir qual é aquela pequena coisa que mais vale a pena, aquilo que eu mais prezo hoje em dia. A coisa mais importante da minha vida atual. E a resposta foi meio decepcionante, embora quase óbvia quando você chega até aqui, nessa seiláqual linha de uma descrição de um delírio. Minha resposta foi:

eu - A imaginação.

E com imaginação não estou falando minha capacidade de inventar histórias, nem a de mentir, ou de ser completamente nonsense e sagaz quando desnecessário. Com imaginação me refiro a apenas sentar e imaginar coisas, outras situações, motivos estranhos. Coisas que não são verdade. puro escapismo.
Vou dar dois exemplos que serão claros.

A coisa que mais tenho feito é, em toda a madrugada, tentado vender minha alma para o diabo. Vender mesmo, de esperar que alguma coisa sobrenatural que eu não acredito (nem existe) apareça e compre-a. Eu sei, eu sei, toda a literatura mundial e o bom senso diz que vender a alma só vai me foder, mas é imaginação e quem manda nessa joça sou eu. E eu venderia minha alma por um desejo que, no delírio, é ao mesmo tempo uma satisfação pra mim e claramente um inferno. Eu peço pra o Diabo me colocar à uns 10.000 anos no passado, no tempo do homem de cro-magnum. Nessa situação eu seria imortal, vivendo até o ultimo ser-humano restar na terra. Não gostaria de ver a história, porque seria só um único ponto de vista, singular. Eu só queria ter uns 8.000 anos de solidão, pra ver se consigo realmente entender as coisas. Isso e poder conversar com o Platão. (mas se ligaram em como esse desejo é bom pra se vender a alma? porque seria também um inferno, ter que conviver comigo pra toda uma eternidade. Não aguento nem míseros vinte-e-tantos-anos, quanto mais 10.000, 20.000, 500.000 anos.)

A outra história é mais pontual, sombria e estranha. A um mês mais ou menos eu fiquei quase uns três dias em Salesópolis, sozinho em casa. A diferença desse dia pros outros foi que eu realmente alastrei, abusei, fiz todo o tipo de merda.

Mentira, faço isso quase todo final de semana. Mas naquele houve uma imaginação diferente. Naquele eu realmente me vi morrendo ali, em casa, sozinho. E não parava por ai, eu virava uma espécie de assombração da minha casa, vivendo trancado ali pra sempre. Manja "os fantasmas se divertem"? mais ou menos a mesma coisa. Eu tive altos delírios, enquanto tentava recuperar de uma ressaca pra cair em outra (ressaca não só de álcool, diga de passagem) e quase cheguei a apostar, em outra conversa imaginaria, se eu realmente estava morto e o sonho era parte da realidade dos mortos.

Enfim, besteirolas. Coisa banal. Estupidez de ser escrita e que deveria desaparecer. Mas isso é você, meu caro. Pelo menos você neste instante. É idiota? sim. Mas não tem muito o que fazer alem esperar o diabo chegar e te levar pro passado.

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