quarta-feira, agosto 01, 2012

Sobre Olimpíadas e outras coisas que, se não me deprimem per si, são deprimentes no grande contexto das coisas

Estou ouvindo as olimpíadas. ouvindo porque não tenho saco de ficar olhando e por estar vendo num daqueles sites de tv online, e no computador fazer apenas uma coisa por vez é praticamente impossível.

Enfim, estou vendo as olimpíadas, um jogo de volei bem chato do Brasil. Volei sempre me foi chato, mas eu participei um bocado de vezes dele. Culpa dos meus dois primos, que quando na juventude, jogavam volei do mesmo modo/frequência/intensidade que eu fingia ser o Homem Aranha. Nas férias, na longínqua praia, eu sempre era recrutado a ir ver-los jogar volei. Não sei qual era o grande ponto disso, já que eu apenas ficava olhando, apenas fingindo que olhava eles jogarem, sem nem ao menos me preocupar com o que realmente acontecia. Creio que isso começou lá por 92, quando o Brasil ganhou o primeiro ouro no volei, e todo mundo no pais ficou pirando no esporte. Eu não ligava para isso, só queria ler coisas, havia acabado de aprender a ler, e jogar jogos do Capitão America & The Avengers. Mas meus primos me obrigavam a ir ver jogos do Brasil nos estádios, obrigavam a ver na tv, obrigavam a ver-los jogarem.

E eu, como sempre, apenas esperava tudo acabar para ir embora. Sempre tive uma grande capacidade, paciência, para esperar coisas. Sabia que em algum momento todo o jogo iria acabar, que as coisas vão passar, e é apenas a questão de eu me isolar mentalmente em algum outro lugar, contar alguma história bizarra na imaginação, que tudo passa. E eles jogavam por horas e horas, eu apenas assistindo, sem nunca nunca nunca entrar no jogo. Apenas olhava.

Lembro-me também de uma olimpíada, a uns oito anos atrás, com a Lilian. Não lembro qual era a olimpíada, talvez a de Athenas (foi 92 Barcelona - eu estava jogando Master System em sp quando o homem soltou a flecha de fogo na pira olímpica; 96 Atlanta - alugava a fitinha de Mega Driver na locadora do Sr. Carequinha; 2000 Sidney - acabo de ver no google; 2004 Athenas e 2008 China) Em 2004 eu passei toda a olimpíada vendo no restaurante onde a Lilian trabalhava, gostava da companhia e ela era uma espécie de aficionada por esportes, jogava no time de handball e tudo mais, Lembro-me de perceber naquele momento, depois de tantos anos vendo Volei nos meus primos, com meus primos, o como o feminino era mais "delicado" "leve" "frágil" em comparação ao masculino. Eram tardes secas, conosco sentado nas cadeiras do restaurante enquanto ninguém aparecia, apenas o tempo passando e as coisas acontecendo lá longe, esportes e mais esportes.Gostava de ouvir-la falar sobre as coisas, sobre como os times do Brasil eram bons, os movimentos, as capacidades de cada jogador, coisas assim. Eu não tinha nem tenho a menor ideia do que ela falava, mas gostava de ouvir a voz dela, de ficar apenas ali, olhando ela falar sobre qualquer coisa que fosse.

Em 2008 eu vi toda as olimpíadas em casa, sozinho, trancado. Não queria sair, matei quase todo o tempo das aulas. Não porque o evento me interessava, mas sim por estar numa daquelas épocas onde não consigo nem mesmo levantar da cama, de tão desinteressado (esse não é bem o motivo, mas whatever) de tão desinteressado que estava com todo o resto. Não tenho nenhuma lembrança relevante dessa olimpíada, e provavelmente me passou tão seca quanto o resto de tudo.

Hoje estou vendo as Olimpíadas de 2012 em casa, não mais trancado o tempo todo. Sai ontem, sai antes de ontem. Sairei hoje, acho, e amanha e depois de amanhã. Mas não creio estar melhor que antes, não creio que, olhando em comparação com 2008, esteja um ser melhor, decente, relevante. Ainda sou a mesma espécie de idiota patético de antes, a mesma espécie que errou, perdeu, fracassou e sabe bem disso. E continuo apenas ouvindo as olimpíadas, não olhando, não me importando, apenas ouvindo as olimpíadas, esperando qualquer outra coisa que me faça sair desse marasmo, desse marasmo esportivo que sempre circula em minha vida. Esperando por qualquer coisa boa que valha alguns poucos segundos de vida e anos de lembrança.

Sem comentários: