Acabo de retornar de mais um pequeno momento na praia, junto com toda a família. É a segunda vez que vou para lá desde que o Leopoldo morreu, e ainda é difícil entender este fato.
O Leopoldo é o cachorro depressivo que tive por mais de dez anos. O Leopoldo foi o cachorro depressivo que tive por mais de dez anos. Não digo depressivo por um ponto de vista clínico, ele era um bocado funcional e, de uma certa forma, feliz. Mas ele chorava mais que outros cachorros, passava horas olhando para o nada, sumia por varias horas na madrugada.
Eu falo do cachorro, não de mim.
Uma vez estava indo para São Paulo com meu primo Neto. Eu ia leva-lo para comprar instrumentos, ele não sabia como chegar sozinho e tinha medo. Saimos bem cedo, umas 4 horas da manhã, e estavamos esperando o onibus no ponto. Quando vejo no fundo um cachorro caminhando exatamente como bebados andam quando querem voltar são-e-salvos para casa. Acho o cachorro um bocado conhecido, mas não sei exatamente o porque. Mas quando ele se aproxima vejo ser o pobre Leopoldo. E mesmo ele claramente tendo me visto, fingiu que não, e continuou andando, voltando para casa.
Enfim, o Leopoldo foi um filhote do Bidu, o primeiro grande clássico cachorro que tivemos. Se o Bidu era uma espécie de... nobreza canina... forte, grande, impávido e tudo mais aquilo que aparece em comerciais, o Leopoldo era mais um cachorro mendigo. Leopoldo enquanto filhote era lindinho, mas quando cresceu acabou virando mais expurgo da família. Apenas eu, creio, mantinha o mesmo carinho que tivéramos quando era fofo. Quando Bidu morreu, a família acabou logo adotando outro cachorro (a Tosca). Ele nunca teve de volta o momento de principalidade da infância.
Leopoldo morreu de não comer. provavelmente comeu alguma coisa estragada e isso fodeu seu estômago. Não creio ter sido suicídio nem coisa parecida. Cachorros não fazem isso.
Ele era um cachorro puramente vira-lata. No final já não possuía muitos dentes na boca, pelas brigas que tivera na rua, com outros cachorros. Costumava nos seguir quando saíamos, ainda em Salesópolis, e mais de uma vez ficou me esperando, deitado, na porta de um super mercado, enquanto fazia compras. As pessoas achavam isso estranho.
É de conhecimento que, mesmo não falando, cachorros falam conosco. Depois de um tempo de convivência os donos reconhecem as vontades dos cachorros, os modos como eles demonstram querer algo ou coisa parecida. Mas com o Leopoldo eu sentia que ele falava mesmo. Uma vez, sozinho no quarto, pedi para ele fechar a porta. Eu o considerava um igual.
Logo na infância ele dormia comigo na cama. Mas naquela época o Bidu estava já agonizando, chorava toda madrugada e eu tinha que me levantar para limpa-lo ou move-lo. Depois do Bidu morrer o Leopoldo começou a dormir fora de casa.
Não vi os últimos dias do Leopoldo. Nem mesmo me lembro da ultima vez que o vi. Isso é horrível, me sinto péssimo. Mas a memória dele ira viver enquanto eu estiver vivo. O Cachorro Leopoldo era meu maior igual.
domingo, julho 22, 2012
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