quinta-feira, agosto 02, 2012

ahn, novamente desanimo. tem sido uma constante, esse exato tipo de depressão tem me batido já faz mais de dez anos. Acho que consigo me lembrar de antes, mas não exatamente de o quão feliz eu era. Não o fui, mas pelo menos não reconhecia no meu desanimo alguma coisa que doesse demais. Estava ocupado imaginando coisas divertidas e descendo ladeiras de bicicleta.

mas sempre houveram momentos de um completo tédio. não tédio - não possuo nada pra fazer - mas sim tédio desesperançoso. angustia apagada. a não-vontade de levantar um dedo.

não consigo me explicar bem. melhor sair do passado por enquanto e voltar no presente.

novamente desanimo. Consigo ver que este não me acomete tão forte quanto no final desse ultimo ano, no dia do meu aniversário. Há alguma postagem sobre esse dia e ali não era apenas desanimo, mas sim um desespero. O desespero ainda existe, mas sei lá porque naquele dia foi maior. Aniversários sempre foram um momento difícil, e eu prefiro que eles não existam. Enfim, tentarei ser mais claro (mesmo sabendo que provavelmente esta merda aqui vai ficar em rascunho, assim como praticamente quase tudo que escrevo nisso.)

enfim, novamente desanimo. Não sei como explicar isso, pretendo escrever sem parar até conseguir me sentir colocado nas palavras. Estou tonto, fraco, perdido. Sinal de que, novamente como sempre, perdi? talvez. Não consigo me lembrar de algum momento aonde tenha sentido que ganhei, sabe? mesmo me esforçando em alguns momentos, me parece que perdi sempre. E não é culpa de mais ninguém alem de mim. Ojeriza de estar em mim, eu espero realmente que não exista pós-vida, não aguento passar todo o resto da eternidade enterrado dentro de mim mesmo. também não espero que seja um pos-vida cristão, porque senão estarei enterrado dentro de mim mesmo no mais eterno sofrimento do inferno - fiz mais merdas do que se pode contabilizar, e provavelmente não devo morrer de uma forma não suicida. discuti com alguns amigos (de 17 anos) em salesópolis mês passado e eles me afirmaram que beber, usar drogas, abusar de todo tipo de comportamento destrutivo é, de um ponto de vista divinal, suicídio. eu acredito na molecada de 17 anos - de qualquer forma não espero ter inferno nem alma nem besteiras nenhumas. E ao morrer acabou tudo. ótimo. mas sou camuniano (de uma certa forma, talvez, também) e devo pelo menos tentar aguentar o máximo dessa porra toda. mas sobreviver não significa gostar disso, não significa que eu deva sorrir ou sentir-me bem com tudo isso. no mais, perdi.

é uma espécie de falta de destino, sabe? não existe foco, objetivo claro, motivo que me faça acordar todo maldito dia.

estou me repetindo. já escrevi isso umas cento e seis vezes. mas acho que é esse o ponto. o desanimo acomete porque não consigo acreditar nas coisas que estão aqui. Não há porque trabalhar. não há porque estudar. não há porque acordar. não há porque sair de casa. não há porque não parar de beber quase todo o tempo até vomitar e sair sangue do seu estômago. é tudo tão sem sentido, tão absurdamente sem sentido que qualquer outra coisa é banal. E eu acho que tudo isso me soa banal porque eu perco o tempo todo, porque o sucesso nunca acontece, nunca verdadeiramente acontece. (não estou falando de uma espécie de sucesso trabalho-intelectual-moral-whatever. me refiro ao sucesso de consegui olhar-me no espelho e não conseguir ver apenas um esboço de macaco perdido, jogado num liquidificador de falsas esperanças e momentaneos delírios, que só te fazem morder mais forte o pedaço de madeira que esta na tua boca. sucesso de olhar no espelho e sentir-se valido enquanto ajuntamento de celulas, conseguir não querer socar o vidro, socar a sua cara, se bater até quebrar algumas vertebra e cair no chão sangrando. sucesso como olhar no espelho e não ver apenas aquele ridiculo parco inutil inevitalvemente fracassado completo em tudo que imaginou fazer ou tentou se dedicar. olhar no espelho e sentir que alguma pequena coisa vale a pena. mesmo que seja a menorzinha dela.)

é uma espécie de ciclo destrutivo. Consigo ver isso. Perco porque não tenho objetivo. não tenho objetivos porque perco. me suicido de pouco em pouco por causa de ambos e esse suicídio é o que causa ambos. um ciclo de definhamento que já dura dez anos e que provavelmente vai durar mais dez, porque o pior disso tudo não é ter que acordar todo dia com a cabeça zumbindo de raiva por não ter morrido nas ultimas cinco horas de sono, o pior é saber que provavelmente vai ser assim pra sempre, todo maldito dia a mesma coisa, lentamente se afundando mas nunca submergindo. lentamente mais perdido. lentamente menos esperançoso. não existe escapatória.

não vou beber hoje. sei lá. minha boca esta sangrando. ando lendo coisas demais. passando tempo demais olhando na janela do ônibus, pra lá fora.


como disse, desanimo. muito desanimo. perdido. acho que vou dormir mas não tenho sono.

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