quarta-feira, abril 24, 2013

Sobre Devaneios, Star Trek, Zumbis, Shoppings e uma infância que eu nem me lembrava

Nos últimos tempos tenho assistido um bocado do seriado Star Trek. Reconheço que isso me faz, oficialmente, mais nerd do que deveria, mas algumas histórias são boas e o pano de fundo aonde tudo acontece me parece sempre muito confortável, utópico numa medida boa e, de uma certa forma, onírico. Um universo aonde o único motivo que valha a pena viver é o de "descobrir coisas novas" sem se importar com as merdas diárias é um universo que eu sinto que vale muito a pena viver.

Mas, lá no fundo, sempre senti (nesses últimos seis meses, mais ou menos) que havia algo mais que me forçava a gostar desse seriado. Alguma coisa que eu não sei exatamente o que é, mas que me deixa feliz e... aconchegado... acho. Pensando um pouco outro dia, enquanto olhava para a janela do ônibus de manhã e forçava-me (mais uma vez) a não ficar deprimido, percebi que era uma sensação que tinha algo dos meus devaneios de zumbi na longínqua 1996/97. Alguma coisa no universo sujo, gore e decadente dos zumbis remetia à agradabilidade asséptica da Jornada nas Estrelas.

Só agora, no meio de um episódio (que pausei para escrever aqui. Tenho esquecido muitas boas lembranças e não quero perder essa) percebi o que me ligava. Tudo remete à mais ou menos 1992, numa das férias que passei em sp.

Nas férias de final de ano, natal-ano-novo-verão-carnaval, apenas um único método era feito, quase sempre. Íamos todos, todos da grande família estendida, para a praia, aproveitarmos da companhia um dos outros. Era realmente divertido, e ficar com um trilhão de pessoas todos os anos, seguindo um certo ritual era incrível. Com o passar dos anos fiquei enjoado desse ambiente, e foi só neste ultimo ano que consegui voltar a ir pra praia, curtir aquele lugar (nas outras vezes ia só para ver meus pais) Porem nas ferias de meio de ano minhas viagens tomavam rumos completamente diferentes e interessantes. Todo ano era uma coisa diferente, um motivo diferente, alguma coisa se não inédita, pelo menos inesperada. Em um, íamos mesmo pra praia, noutro eu ia pra São Jose dos Campos, na casa dos mil tio que lá vivem até hoje, noutro ia pra Mogi das Cruzes, curtir minha madrinha, padrinho e meus primos - este no caso, sendo uma das melhores lembranças que possuo -  e em outros íamos pra São Paulo, exatamente aonde moro hoje dia, passar esse momento com minha avó e avô. E foi no meio do ano de 1992 que vem essa sensação de agradabilidade da Enterprise e Zumbis.

Sei que era 1992 porque lembro-me de irmos alugar filmes, e um deles era Robocop 2, que havia acabado de lançar. Há também o fato que um shopping extremamente chique havia acabado de inaugurar aqui perto, o West Plaza, e lembro-me de irmos todos pra lá, somente passear. Havia fliperamas, muitas cores, pessoas e, principalmente, elevadores e escadas rolantes. Era quase uma cidade fechada, com muitas possibilidades de esconderijo e camuflagem, uma coisa muitas possibilidades de coisas acontecerem, de situação se revelarem. Em suma, eu gostei desse shooping porque era o Bunker perfeito.

Nesse mesmo ano, num final de semana que passei na casa da minha madrinha em Mogi, assisti o Night of The Living Deads e Dawn of the Dead, ambos os originais (preto e branco e cores de sangue de cores incríveis, respectivamente) e uma das coisas que mais me pegaram nesse filme foi a possibilidade das pessoas criarem, seja numa casa grande ou no shopping, proteções e possibilidades de sobrevivencia. Isso me era incrível. Fiquei com esse devaneio inscrito na memória por muito tempo, e em 1996 quando Resident Evil saiu, eu já tinha planejado completamente o meu Bunker anti-zumbi (um plano que funciona até hoje) totalmente preparado.

E é exatamente isso que a Enterprise é, para mim. Um gigantesco Bunker no espaço, uma pequena cidade aonde há mil possibilidades de se esgueirar, sobreviver, talvez uma mais limpa e confortável que um shopping decadente, uma casa velha ou um sitio no topo do morro 30 km adentro da mata, com agua de bica, eletricidade por gerador, comida, fogo, armamento pesado e possibilidade de fuga de emergência para o mar (sim, meu Bunker possui isso até hoje. Quando o Apocalipse Zumbi acontecer, ligue-me que lhe arranjo um lugar. Não vamos ganhar a guerra, mas vamos sobreviver muito mais que 80% da população - mesmo os que acham que conhecem por assistir seriados e jogar jogos de zumbis)

Enfim, precisava apenas escrever isso. Sobre as minhas boas lembranças de quando possuía não mais que 7 anos e tinha alegria ao entrar num shopping. É uma boa lembrança e me faz querer, realmente, voltar a ver o Star Trek. Estou na TNG já e neste episódio o Data, a Troi e o O'Brien estão possuídos por alguma inteligência estranha.

(.... mas eu sou mesmo um idiota...)

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