terça-feira, abril 02, 2013



Estou passando mal. Não exatamente doente, acho, mas sinto-me com uma imensa vontade de vomitar, dor de barriga e alguma coisa estranha que nem sei direito o que é. Talvez tenha tido intoxicação alimentar, se não uma virulenta pelo menos alguma que me incapacita. Estou passando mal, no sentido estrito da palavra. Sei lá por que.

Já fiquei doente um pequeno bocado de vezes. Não que tenha uma saúde frágil ou cousa similar, mas consigo me lembrar de pelo menos uma meia dúzia de vezes em que estive ruim. A mais longínqua que consigo pensar agora, neste instante desgostoso, é em algum momento dos meus 10 anos, 11. Eu fiquei doente, tive febre, e disso não tenho muitas recordações exceto das alucinações que ela me deu. Sonhei – se bem que isto não era sonho, mas sim delírio febril – com o ex-presidente Collor e pedras ralando num chão de concreto. As duas impressões, mesmo sendo tão dispares e sem sentido, faziam total similaridade naquele momento ruim, não por consciência, mas sim por sensação. Ambos eram uma única sensação, e ainda hoje eu consigo reconhecer o... gosto? Consigo reconhecer aquela sensação que senti quando tinha 10, 11 anos e estava delirando de febre no meu frio quarto, em Salesópolis.

Mais objetivamente, consigo me lembrar da doença que tive aos 17 anos. Eu passei extremamente mal num treino de Kung-Fu, chegando a desmaiar, e meus pais vieram me buscar para que eu fosse à Santa Casa. Uma vez chegando lá, vomitei minhas tripas na porta do carro e tomei uma injeção de benzetacil na bunda. Dores, dores dores dores dores dores, aquilo me faz até hoje ter calafrios quando vejo qualquer tipo de injeção. Devo ter ficado uns dois ou três dias ruim, sem nem conseguir sair de casa, e creio que tive febre novamente, sentindo o Collor/pedra ralado no chão de concreto.

Em 2009, acho, eu estava numa fase Júpiter Maça. Mais por culpa do Wilber do que gosto mesmo (não que seja um musico ruim, mas o Wilber sempre pirou mais) acabamos indo numa sequência de shows na Augusta, quase um mês seguido. Foi bem divertido, éramos uns estranhos lá, danças estranhas e comportamento estranho, e algumas garotas gostavam disso. Eu estava sozinho a décadas (iria sair um pouco com a Nickyyy num futuro próximo) e o Wilber estava se separando da esposa, de forma que estas noitadas faziam sentido. No ultimo show, lembro-me bem, eu iria diretamente dali para Salesópolis, meu primo Kadu iria se casar, e saímos do lugar umas cinco horas da manhã. Caminhei com o Wilber até o metrô – não o da Consolação, nem o Anhagabau, como seria sensato – mas o Sumaré. No final dessa caminhada eu já estava tossindo mais forte que o normal, era junho/julho/agosto e o frio imperava, e eu nunca tive o grande costume de usar blusas ou roupas grossas. E pelos próximos quatro meses eu teria uma tosse horrível, chegando até a travar minha traqueia com isso, perdendo a possibilidade de tragar oxigênio, quase desmaiando com o desespero e a falta de ar. Talvez tenha tido tuberculose, cuspia sangue e catarro demais, alem de que as tosses violentas aconteciam quase de meia em meia hora. Mas não fui no medico, minha atitude passivo-suicida já imperava (como agora) e eu simplesmente esperei melhorar ou morrer, o que viesse primeiro.

Mais recentemente tive pedras no rim, violentas dores que me forçavam arrancar minha alma pra fora do corpo, ou chorar jogado no chão frio (o que vier primeiro) mas sobre elas eu já discursei antes, de forma que falar novamente é um erro. Exceto deixar marcado que é certo que terei um novo surto no futuro. As dores do passado, as dores do futuro.

Enfim, estou mal. Escrever me ajudou um pouco, acho, mas ainda sim sinto-me mal, muito mal, não exatamente doente, mas sinto algo no fundo de mim mesmo que rejeita tudo. Talvez doença, talvez depressão, talvez falta de sentido. Mas tanto agora como ontem e antes de ontem, sinto que tudo ficaria muito melhor se eu morresse (passivo-suicidamente falando, é claro)

Sem comentários: