sentei por quase duas horas pensando em alguma coisa pra escrever. tive um bocado de ideias nas ultimas madrugadas, boas lembranças nem tão boas que eu me esqueci enquanto tentava avançar pro próximo espaço do tabuleiro da noite, ou mesmo voltando arrastando alguma coisa pra casa. Outra ideia apareceu enquanto eu estava acidado assistindo um filme de terror total aonde o pai - um brincalhão com sotaque de, acho, irlandês - perde a cabeça por mil merdas e acaba assassinando toda a família, estrangulando a filha por quase cinco desagradáveis minutos. Outra numa outra madrugada enquanto era chutado por uma garota que havia descoberto sei lá como ou porque num puteiro, sua amiga rebolando junto com um cara e um casal trepando na frente. O segurança mandou o casal-amiga dar o maldito fora, que ali não era lugar de quem não trabalha se catar, e eu fui junto, porque não sabia nem o nome deles nem quem eram. A ideia era boa, eram boas ideias, boas lembranças e eu não me lembro de nenhuma.
Nem de uma, enquanto pegava um busão às cinco da manhã de guarulhos pra casa, morrendo de uma ressaca ainda alcoólica, jogado junto da janela, observando com algum olhar lírico cínico praquela cidade que eu não conheço nada. Lembro-me de ver um pedreiro, umas garotas, homens sujos saindo de um bar, mas não me lembro daquilo que havia planejado escrever aqui, um daqueles momentos lembracísticos que ficaram marcados nalguma sobrancelha do meu passado. Eu não lembro de nada.
Doze horas antes eu estava num boteco, sei lá como, na própria guarulhos. Fomos buscar pinga, o wilber e eu, pinga e cerveja nesse boteco que ele conhecia e eu não. Estava fechado mas abriram para ele, e entramos enquanto serviam-nos pinga ruim e garrafas de cerveja, faziam magicas e brincadeiras de Beakman que eu não entendia, por estar arremessado completamente na ignorância do álcool, a mesma ignorância que estava quando tentei conhecer as garotas que foram conosco pro puteiro. Eu simplesmente não lembro qual era a lembrança que devia lembrar. Não consigo saber o que era aquilo de tão importante, relevante, necessário pra estar aqui. Não lembro se era uma história, se era impressão, se era testamento para quando morrer e o Heitor, num ato de bondade que nunca saberei se existiu ou não, o postar, não lembro o que era que devia escrever enquanto estava louco de acido, morrendo de medo dos olhos do pai insano porque mentiu, porque não tem dinheiro, o pai desesperado dançando sozinho no meio de uma festa, pateticamente sofrendo e não podendo dizer, enlouquecendo por não conseguir se mostrar realmente para os outros, furioso porque mais um bilhete de loteria deu em nada numa madrugada fumante escondido. Não consigo me lembrar do que deveria escrever aqui, nesse momento, enquanto meu cérebro derretia e via a morte de perto, tão perto quanto nas outras vezes de drogas, mas mais perto agora porque sobrevivi a aquelas vezes e, naquele momento, talvez não conseguir não-morrer.
Não lembro qual era o que deveria escrever. não consigo me lembrar de nada daquilo, embora saiba que era importante, que todas as vezes era importante.
Só o que posso é me lembrar que deveria me lembrar de algo importante.
segunda-feira, abril 22, 2013
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