Não consigo dormir. É calor demais, insetos demais, um barulho demais atrás dos meus olhos. Estão zumbindo, eles - os insetos - e meus olhos ardem e ressoam. Eu fico cansado mas não com sono, e se coloco minha cabeça no chão para dormir começo a ouvir conversas ruins na minha cabeça. Tenho essas conversas por um bocado de tempo agora.
Na verdade não, só pelo últimos dez anos. Lembro-me de ter isso exatamente na mesma época que sai da escolinha, na época em que estava desesperado para achar algum sentido que valesse a pena. Pensava seriamente em virar-me pra violência externalizada, hipótese essa que ressurge toda vez que o desespero é um pouco mais resistente que o bom senso. Eu não estou ficando louco, só um pouco deprimido.
Naquela época, por mais desesperado que estava, ainda possuía algumas coisas para me segurar, sendo que juventude era a maior delas. Não estou velho, não tanto quanto sinto que estou, quanto sinto agora.
Não ter nada para me agarrar. Acho que este é o motivo maior de todos os meus problemas, de todas as minhas angústias. Todo mundo tem angústias, ninguém consegue ser feliz de verdade, e cada um por um motivo diferente. No meu caso sinto que é exatamente porque não consigo acreditar nas coisas, elas me parecem fúteis, e então acabo sem nenhum motivo para lutar, sem aquele sentimento que consigo ver nalgumas pessoas, de que as coisas valem a pena. Pra mim não há. Tudo desvanece no ar, é irrisório e só aparece por alguns instantes pra deixar todo o resto das madrugadas escuras, sozinhas e barulhentas mais insuportável.
Estou com dor de cabeça. Há calor demais e insetos voam por cima de mim, pousando por alguns instantes, picando-me. Estou com dor de cabeça e meus olhos ardem, estou suando e consigo ouvir um barulho lá no fundo, como se fosse uma torneira aberta o tempo todo, vazando agua sem parar. Não posso contar isso pra ninguém, não posso. Quando coloco minha cabeça no chão, tentando dormir, ouço vozes que me xingam e torturam com memorias que eu não deveria me lembrar, que machucam. As coisas acabam, as coisas acabam, elas acabam, e só resta o velho eu, sozinho no escuro, tentando fingir que alguma coisa ainda é divertida.
A imaginação me mantém vivo. Esta é uma péssima madrugada.
segunda-feira, janeiro 07, 2013
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