Preciso escrever para conseguir dormir. As noites variam entre aquelas que capoto bêbado, aquelas em que tenho sorte e durmo rápido e aquelas em que fico até seis horas da manhã revirando em torno de mim mesmo, pensando e ouvindo coisas, lembrando e me matando na imaginação. Uma das respostas pra isso é tentar escrever.
Eu tinha acabado de entrar no Eti, uma escola técnica em Mogi das cruzes. Fazia ali Mecatronica, que é mecânica e eletronica num só espaço. Estava perdido e escolhi esse curso em dois segundo. Escolhi fazer escola técnica porque me disseram que seria bom. Estava perdido.
O curso era em mogi das cruzes, eu quase nunca havia saído de Salesópolis, não em rotina diária, sozinho. E devo dizer que, mesmo a escola sendo tosca, as pessoas eram relativamente divertidas e um bocado mais abertas que em Salé. Era uma sala só de homens mas alguns deles não eram tão estúpidos, e alguns eram bem legais. Eu também saia da escolinha uma hora antes, fugia da ultima aula, e isto quando era química com demônio Massuko era um prazer (alem, é claro, de olhar os rostos desanimados dos que ficavam). Mas creio que os melhores momentos dessa época eram no ônibus. Eu ia e vinha de Mogi todo dia com três garotas e um cara, a velha amiga de RPG Ananda, a Daniela e a Elaine. Nosso ritmo de amizade foi estabelecido rápido, em pouco mais de duas semanas éramos velhos amigos, divertindo-nos pra caralho. Ah! também tinha o cara, o Claudinho, mas ele sempre me soou irrelevante, insosso e... por assim dizer, chato. Era um cara sem espírito de aventura nem senso de humor.
Mas as garotas eram outra história. Embora cada uma delas fosse diferente, eram legais e interessantes cada uma por si. A Ananda era mais nerd, mais parecida comigo. Estudei com ela desde a primeira serie, ela tinha oculos de grau imensos e amava (de uma forma quase doentia) animais. Era um bocado alta e inteligente, sagaz mas recatada, um bocado alheia a conceitos de sexualidade; ou pelo menos era assim que eu a via naquela época. Quando comecei a viajar com ela ainda namorava sua melhor amiga (eu acho) Amanda, e no decorrer do tempo acabei fodendo com essa Amanda e terminando com ela de uma forma completamente escrota, mas a Ananda nunca deixou evidente que achava que eu era um nojento por causa disso. Acho que no final ela sabia que eu levaria a minha nalgum momento, e ficou com dó por causa disso.
A Daniela tinha alguns toques de Ananda mas nem tanto. Ela era bem mais religiosa, quase carola, mas nunca sem perder o bom senso que quase sempre acomete a este tipo de garota. Era um ano mais velha que eu e namorava com um cara. E embora namorassem, eles nunca haviam trepado nem nada, e o namorado dela ficava puto com isso.
Como eu sei dessas coisas? Porque em um determinado momento começamos a matar aula e apenas rodar por mogi das cruzes. Eu já estava de saco cheio do curso, sabia que não terminaria, e ela estava afim de relaxar, aliviar os problemas e ter algum ouvido pra derramar tudo. Eu sempre tive um bom ouvido e assim descíamos do Onibus e já íamos pro Shooping, ver alguns quadros em umas exposições que rolavam não sei aonde, tomar sorvete, uma vez chegamos a dar voltas pelo cemitério, em plena 3 da tarde, apenas para consumir o prazer de ter a companhia um do outro. No inicio ela não falava muito, mas logo na segunda vez que saímos ela começou a declamar todos os seus problemas, o que não eram poucos, pra quem não tinha mais de vinte anos e nenhuma boa perspectiva de vida. Lembro-me de que o namorado dela era um escroto, tinha extrema vontade de come-la mas sabia que não ia rolar, portanto pedia permissão pra Daniela pra comer outra mina. Ela perguntou o que eu achava e eu disse, sem rodeios, que ele era um escroto (talvez não com essas palavras, meu vocabulário muda com o tempo) e que ambos deveriam terminar. Talvez eu estivesse com alguma esperança de que ela ficasse comigo, era uma garota um bocado gostosinha, mesmo sendo religiosa, e creio que estivesse afim de mim na época. Só pra deixar escrito, foi com ela que vi o filme do Homem Aranha 1 no cinema, e mesmo tendo que explicar cada pequeno contexto da história (queria ser o Homem Aranha aos 10 anos de idade, sei muito sobre ele) mesmo com isso, foi uma ótima companhia.
A Elaine era a pessoa que eu menos entendia e mais admirava nesse grupo. Ela era uma antiga namorada do Pedrão, um cara de Sale que namorou a Lilian e é um conhecido filho-da-puta com relacionamentos e minas, um filho-da-puta nivel 20. Ela era sarcástica, engraçada, um bocado porra louca mas sem envolvimento de álcool ou drogas. Tinha seu nível de conhecimento razoável e um mínimo de beleza, maior que Ananda menor que Daniela. Com ela eu tinha as maiores piadas, acho que era com quem eu me dava melhor naquele grupo no ônibus, com ela também matava algumas aulas para sair, conversar, mas sempre com um contexto sexual implícito no jogo. Não sei porque nunca tentei algo maior com ela, mas era meio evidente pra todo mundo isso. Isso até ela começar a dar pro Claudinho, sabe-se lá porque (talvez por eu ser um idiota que nunca percebe as coisas) ela terminou com ele uns dois meses depois, no máximo, e o menino ficou cada vez mais deprimido e isolado. E eu mais próximo dela, a ponto de tentar mudar meu curso para o dela, Nutrição. Eu estava pouco me fodendo pra o que iria me formar, apenas desejava estar próximo do maior numero de mulheres possível, e mesmo não conseguindo, foi uma boa aventura. Lembro-me de ter até feito planos com ela pra, num futuro, morarmos em SP, numa republica ou coisa parecida. Isso nunca aconteceu e foi esquecido dois anos depois, mas foi algo interessante na época.
A última vez que vi Elaine foi numa festa em Salesópolis, festa do Eucalipto, acho. Ela estava servindo coisas (aparentemente seguiu carreira nutricionistica) e eu estava totalmente chapado de acido, com um inteiro e pirando totalmente na cor das mesas de metal da festa. Ela se aproximou pra conversar comigo e, creio eu, dar em cima de mim. Se não me engano tinha acabado de terminar um relacionamento, mas eu chapado de acido sou praticamente inxavecável, quando a garota não está com um lsd no organismo também. De forma que nada aconteceu e eu voltei a olhar pra folhas caídas no chão da avenida em pouco mais de meia hora depois. Não tenho a menor ideia da impressão que ela ficou de mim, mas creio ter sido a pior possível.
Teve também uma outra mina, Kelly, que apareceu algum tempo depois, creio que um ano depois. Mas ela era velha, uns 40 anos, feia, chata, irritante, e uns seis meses depois eu comi a filha dela em sua casa, de forma que a mulher nunca gostou muito de mim. Irrelevante.
A Elaine deve ter virado nutricionista, pelo que sei. Daniela eu soube, por intermédio de sua irmã Diana que eu tive uma espécie de rolo por alguns segundos, que hoje é somente uma dona de casa e mãe daquele mesmo namorado que queria tanto chifra-la. Ananda hoje é doutoranda em Veterinária, completamente fodona e com um namorado/quase marido. Não mantenho contato com ela, exceto pelo que vejo no facebook.
E isto foi a minha época no ônibus do Eti. Uma ótima época, devo dizer...
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