segunda-feira, outubro 15, 2012

sobre a Marta

A Marta foi minha noiva por algumas madrugadas.


A primeira lembrança que tenho dela provem de muitos anos atrás, provavelmente numa das famosas festas na casa do Marcão. Os irmãos João e Joãozinho brigavam pra ficar com ela. Era uma espécie de piada, quando contávamos depois, os dois sempre foram meio patéticos. Mas essa é a minha primeira memória da Marta, mesmo provavelmente tendo-a visto na escolinha antes.

Enfim, creio que antes da Marta começar a ficar afinzinha de mim, eu dei uns catos na irmã dela. A Marta possui uma irmã uns três anos mais velha que ela, se não me engano mais velha que eu, e numa madrugada, no velho Mamaquilla, a irmã da Marta - não tenho a menor ideia de qual é o nome dela, sempre foi a irmã da Marta - quis ficar comigo. Eu acho que ainda tinha cabelo comprido naquela época, e acabei ficando com ela no canto. Não creio que a galera tenha feito algum tipo de piada quanto a isso, mesmo eu sendo tão patético quanto os dois irmãos de antes.

De tudo que eu consegui recolher, de que ela me disse, a primeira vez que ficou afim de mim foi numa madrugada em Salé, eu provavelmente estava bêbado e deprimido, e pedi para ficar com ela. Creio que antes disso a Marta talvez olhasse pra mim como olha-se pra qualquer rapaz de pouco menos de vinte anos, com certa vontade mas nada alem disso, nada muito profundo ou sexualizado. Pelo menos nada concreto. E então eu devo ter pedido pra ficar com ela, mas não fiquei, e isso criou nela um desejo. Creio que um mês depois a Marta ficou comigo pela primeira vez.

A grande jogada da Marta foi descobrir rapidamente qual era o caminho mais fácil para me conquistar. Foi rápido e ela conseguiu sem nenhum esforço aparente. Toda vez que me encontro com ela, encontro-a com uma pinga-com-mel-e-limão na mão, ela me oferece outra depois, uma terceira, e quando eu estou completamente bêbado a "amo" totalmente. E então trepamos. Ou não.

Veja bem, eu nunca realmente gostei dela. A Marta era mais que uma fuck friend, mas menos que um amor. Também era mais que apenas luxuria, mas era um sentimento que durava no máximo doze horas. E depois das doze horas eu não conseguia ficar com ela, causava-me o mesmo repudio que sinto ao ficar tempo demais com garotas, aquela vontade de apenas ficar longe. A Marta de inicio não reconhecia isso, mas com o decorrer do tempo ela entendeu. Não gostou, mas entendeu.

Há também o ponto de, por não realmente gostar da Marta, mas sim dos minúsculos momentos de madrugada que passávamos juntos (isso não envolve apenas o sexo, mas todo o jogo de flerte que fazíamos na noite toda, desde olharmos e ela me oferecer bebida, até ficarmos abraçados em algum canto de algum lugar, até ela ir dormir em casa e ficar muito mais tempo que pretendia) por causa desse ponto não me interessava muito pelas coisas que ela me falava, e também não prestava muita atenção naquilo que eu dizia. E então falava besteiras que não relembrava antes. A Marta aparentemente se preocupava muito com sua aparência, com o estilo que pretendia mostrar, e a minha completa irrelevancia disso pra ter interesse nela ou lhe causava raiva, ou demonstrava que eu não estava nem ai com isso. E soava como mentiras.

Enfim, a última vez que a vi, ficamos juntos - obviamente - e eu em algum momento lhe disse que eu mentia. Que eu mentia para ela. Que eu era um mentiroso. Todos nós somos, é óbvio, e ela provavelmente mentia pra si mesmo quando procurava algo em mim que não existia por mais que alguns minutos. Mas eu falei e algo ali deve ter trincado. Ela afirmou que nunca mais iríamos nos ver, e assim tem sido desde então.

mas eu ainda brindo à Marta, nalguns momentos, quando estou com pinga na mão e o sentimento correto. Ainda acho-a uma boa pessoa. Ainda acho que tudo isso valeu a pena.

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