Oh bem, provavelmente este será um post reescrito dúzias de vezes, mas talvez eu consigo colocar tudo o que quero de uma vez só. aos fatos.
Ontem, num feriado de quarta feira, eu estava realmente mal. Não tão mal quanto consegui já chegar, mas ainda sim ruim. Aquela coisa que acontece toda segunda, terça, quinta e nas manhãs de sextas aconteceu numa quarta. Eu estava ruim, com vontades auto-destruitivas e vergonha de cada pequeno passo que já dei ou darei. Ai então fiz algo que talvez tenha sido genial, eu coloquei todos os discos do Tom Waits pra tocar e peguei o livro "Caçando Carneiros", de um dos meus autores favoritos, Haruki Murakami.
Funcionou. Sentei-me no chão, ignorei todo o resto das angustias que tenho e me focalizei no livro, no personagem (sem nome) do livro. Bom deus, tive aquele tipo de sensação que não tive desde a primeira vez que li On The Road, aquela sensação de reconhecimento no fundo da alma, aquela coisa que toda a estética Romântica procurou desesperadamente. Em suma, o personagem principal do livro Caçando Carneiros era eu, pensava como eu, embora tivesse 30 anos estava tendo os mesmos problemas... digamos... existenciais que eu. Não consegui parar de ler, por toda a noite varei (embora depois da pagina 100 o livro sai do foco "introspecção do personagem" e se volta mais para uma caçada, que não é ruim, mas perdeu pra mim parte da força que estava tendo até agora) Lembro-me de uma vez que o Suzuki falou que a personagem da literatura que mais se parecia comigo era a mocinha do Sayonara Sputnick (cujo nome não lembro, mas vou lembrar logo pois vou reler o livro) mas o personagem sem nome do Caçando Carneiros conseguiu realmente entrar mais fundo naquilo que talvez sou eu neste exato momento (ou exatos anos).
OK. primeira metade do post. A segunda vem agora; Acontece que finalmente mandei as antigas mensagens de Email pra Ju Vinuto. Coisa de uns 3, quase quatro anos atrás. E é incrível como conversamos; ok, não sai com ela mais do que 4 vezes. (sendo que três foram muito legais. E duas foram nível "contarei pros meus netos, mas só dependendo de como rolar a evolução da liberdade das drogas hoje ilícitas") mas o ponto é que trocamos mais de 50 emails. Isso desde pequenas mensagens idiotas (algo do nível: você está ai?") até coisas gigantescas (normalmente de minha parte) profundas e, pelo menos vendo agora, bem complexas (como a chapação de ácido e a comunicação visual) o ponto é que tudo isso me fez refletir sobre como eu tenho tendências de esquecer o passado. Não digo que eu tenha esquecido disso completamente, mas existem pequenos detalhes (sórdidos ou não) que só escrevendo eu consigo resgatar da minha cabeça. Sério, se hoje de manhã ela viesse com um "puta, promíscua" eu não teria a menor idéia do que estava falando. Portanto creio que, inconscientemente ou não, o movimento de guardar coisas escritas (seja aqui, seja msn, orkut ou email) é algo de extrema importância, já que é possível que amanhã (ou daqui dois anos) eu não tenha a menor lembrança de quem é este eu que hoje se sente refletido completamente no personagem do Caçando Carneiros. Tive um professor (alias, tenho) que disse uma vez: "fale, não escreva. Escrever é prova contra você e sua patetice" mas pelo menos neste caso eu jogo contra isto, já que sou patético de qualquer forma ou de qualquer lado (embora ela tenha me puxado o saco dizendo "não te acho patético. De verdade." e isso me fez bem) sendo assim, vou aproveitar este meu estouro de nível criativo que ando tendo e tentar botar aqui neste blog tudo o que puder pensar, lembrar ou sentir.
é isso. acho que me sinto bem.
quinta-feira, abril 22, 2010
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