Havemos de perceber que nada irá durar. Quero dizer, talvez nada irá durar, uma vez que até mesmo essa afirmação não pode ser comprovada. O que resulta na certeza de que, se algo durar, não irá durar aquilo que saberia dizer que esta coisa durável durou tanto. E se essa coisa durável não ser classificada, catalogada, organizada e redirecionada como "Coisa Durável" o mais provável é que ela, mesmo sendo durável, irá desaparecer. O que me faz retornar na primeira afirmação, de que nada irá durar, tudo é passável e passado e já passou. Incluindo a afirmação "nada irá durar", que um dia será caída também pelo durável. E o que é durável?, pergunta o metafísico. "As Pedras", diz o físico quantico.-nuclear.-astronomo.
E o mais engraçado é que, mesmo sabendo que nada dura, tudo passa, e mesmo tendo a certeza certezíssima de que evidentemente precisamos ignorar o passar e se concentrar no atual momento inepassável, ainda sim esse ímpeto de aproveitar aquilo que irá chegar aos nossos olhos passa. E no final vai todo mundo chorar porque acabou. E depois tudo vai ficar no silencio. E dai alguns animais vão trepar e ter mais filhos. E dai silencio de novo. E então umas doze quatrilhões de bacteriaszinhas vão se reproduzir sem sexo, bem sem sexo e sem sentido. Ai tudo vai ficar quente, quase derretendo, e depois tudo fica em silencio. E dai só sobra um pedação de pedra rodando e rodando e rodando e rodando. E dai acaba tudo e não importa, porque o tempo terá se tornado irrelevante (como sempre foi, uma vez que tudo é passável.)
quarta-feira, dezembro 15, 2010
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