quarta-feira, dezembro 15, 2010

26. Ou talvez 25

Havemos de perceber que nada irá durar. Quero dizer, talvez nada irá durar, uma vez que até mesmo essa afirmação não pode ser comprovada. O que resulta na certeza de que, se algo durar, não irá durar aquilo que saberia dizer que esta coisa durável durou tanto. E se essa coisa durável não ser classificada, catalogada, organizada e redirecionada como "Coisa Durável" o mais provável é que ela, mesmo sendo durável, irá desaparecer. O que me faz retornar na primeira afirmação, de que nada irá durar, tudo é passável e passado e já passou. Incluindo a afirmação "nada irá durar", que um dia será caída também pelo durável. E o que é durável?, pergunta o metafísico. "As Pedras", diz o físico quantico.-nuclear.-astronomo.

E o mais engraçado é que, mesmo sabendo que nada dura, tudo passa, e mesmo tendo a certeza certezíssima de que evidentemente precisamos ignorar o passar e se concentrar no atual momento inepassável, ainda sim esse ímpeto de aproveitar aquilo que irá chegar aos nossos olhos passa. E no final vai todo mundo chorar porque acabou. E depois tudo vai ficar no silencio. E dai alguns animais vão trepar e ter mais filhos. E dai silencio de novo. E então umas doze quatrilhões de bacteriaszinhas vão se reproduzir sem sexo, bem sem sexo e sem sentido. Ai tudo vai ficar quente, quase derretendo, e depois tudo fica em silencio. E dai só sobra um pedação de pedra rodando e rodando e rodando e rodando. E dai acaba tudo e não importa, porque o tempo terá se tornado irrelevante (como sempre foi, uma vez que tudo é passável.)

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