A obsessão age por cotas. Lentamente sugando cada pequena coisa interessante ou boa que você vê no outro. De inicio você se "apaixona" pelo objeto da obsessão e sua imaginação o faz aprofundar em todo tipo de característica ou possibilidade daquilo, 99% das vezes fazendo mais em sonho do que realidade. Esta primeira parte é aquilo de bom que se pode tirar de uma obsessão, pois a mesma o leva a um estado de êxtase.
Mas num segundo momento, que alias não demora muito para aparecer, todas as informações e possibilidades do alvo já estão claramente definidas, você conhece o objeto da obsessão muito bem porem ainda sim o devora mais uma vez e outra, procurando naquele pequeno detalhe inexistente (que você afirma estar ainda despercebido) o motivo para continuar agindo como age.
Veja, a obsessão é uma mentira muito bem contada para si mesmo. Você crê tão bem naquilo que contou, naquilo que quer acreditar que não é mentira, que todo o resto do mundo é inútil e ineficiente. Todas as cores são cinza, exceto aquela que você quer ver a todo momento. Um amor corrompido pela sua própria incapacidade em amar a si mesmo.
Mas a Obsessão age por cotas.
E logo a terceira parte aparece, quando por mais que acredite na obsessão, ela com sua beleza começa a desaparecer. Esse terceiro momento pode durar muitos anos, dependendo de quão ligado à obsessão você esta e quão ela consegue lhe motivar para continuar amando-a, mas quando a sua ligação acaba você perde toda a vontade de continuar, perde sua motivação única de continuar vivo. É neste momento que a obsessão dá sua cara mais terrível, de uma depressão inigualável. Pois uma pessoa com problemas emocionais comuns, uma que tenha clássica depressão, ela não consegue ver alegria no mundo unicamente porque esta cega. Um obsessivo não consegue ver alegria no mundo por ter olhado diretamente, por muito tempo, para o mais brilhante dos sois, apenas para descobrir no final que ele é apenas uma estrelinha fosca num céu escuro, um céu escuro cada vez mais e mais escuro; Mas a Obsessão age por cotas.
E evidentemente logo outra obsessão toma conta de sua vida, e assim tudo continua, um ciclo de dependência, sugando completamente a única coisa que importa em sua pequena vida, todo o tempo que lhe resta de existência.
quarta-feira, agosto 11, 2010
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