segunda-feira, agosto 28, 2006

Lembranças de Madrugadas

Eu até gostaria de lembrar quantas madrugadas fiquei acordado, bem que eu gostaria, teve tantas, aquelas na praia em que eu tentava assistir a filmes pornos, as madrugadas em casa, onde o chão frio me dava queimação no estomago, as vezes em que eu ficava olhando a Bernadete ser abusada por uns caras na rua de baixo, as madrugadas em que eu ficava com medo de alguma coisa que estava lá fora, as vezes em que eu ia pro carnaval e voltava com o sol nascendo, as vezes em que ia pro mamaquilla junto com o pessoal e voltava a pé, cantando ou fazendo algo parecido, as vezes em ficavamos na praça até a manhã, a vez em que eu e o Magrão voltamos de biritiba a pé, os dias que antecediam novos anos na escolinha, novas turmas, os dias de vespera de prova, a vespera da Usp, as madrugadas em que "não-dormia" com a Erica, com a Bixete, com a Lucitta, com a Renata, a noite em que um pernilongo chato ficava me enchendo o saco, sempre a zumbizar no meu ouvido, os dias em que ganhei meu primeiro computador e ficava só nas salas de bate-papo, quando o neto dormiu na minha casa e levou o Phantasy Star 3 e eu passei a madrugada jogando, as festas na casa do Marcão, quando acabava sempre lá pelas cinco da manhã todo mundo capoado, fingindo que assistia filmes, o dia da festa da Diana na casa da Lee, quando eu "não-dormi" com ela, a vezes dos bailes a fantasia e do baile brega, os dias na republica federativa do Opio, onde jogamos Poker ou Videogame ou Assistimos filmes ruins ou só bobeiramos mesmo, sempre com aquela fumaça estranha em volta, ou mesmo nos dias engraçadissimo do acido, quando tudo aparentemente faz sentido e é muito engraçado, a primeira chapação que tinha tema "busca pela comida", a segunda chapação em que o medo foi total e nada funcionava, até que se tocamos que não funcionar estava funcionando mais do que o planejado, e a terceira chapação, quando o tema era a solidão, todos morremos sozinhos... Teve a vez em que não consegui me manter acordado, a minha prima ia (eu quero acreditar nisso) aparecer no meu quarto de madrugada, eu estava querendo assistir Emanuelle, a vez em que perdi a chave do meu quarto na casa da Lilian, e tive que voltar de madrugada lá, entrar na casa dela escondido, pra pegar a chave que eu lembrava vagamente que havia caido no chão, a vez em que ficamos acordados no show dos Stones no rio, Wilber Magrão Bifo e eu, fomos e voltamos de onibus, e eu não dormi um instante naquela madrugada em que fomos pra lá, a vez do encontro de motoqueiros em guarulhos, não dormi um instante naquela barraca pequena, as vezes em que andava pelas ruas de salésopolis, já com saudade de não sei o que, por horas e horas, voltando pra casa as quatro ou as cinco da manhã, os dias no sitio do Wilber, ninquem dorme, a viagem pro Rio de Janeiro nmo Mundial de Kung-Fu (se eu não dormir ninquem dorme!!! Pi-Pi-Poca) os dias de jogo de RPG com o PC, com o Toiço, Com o Garga, com o Marcão, com o Japones, com o Caio, com todo mundo do RPG, as madrugadas em que ficavamos discutindo regras e interpretações, as madrugadas em que, em volta da fogueira, eu narrava criadores do Edem, as noites em que passei em claro escrevendo estorias, historias, o falso gordo, contos, poemas, choros, as noites em que passei só ouvindo Legião Urbana e me sentindo inutilmente triste, as madrugadas de alegrias com meus amigos, ouvindo musica boa, bebendo, vomitando, caindo em rios, pedindo socorro, sendo paquerado por pseudos-gays, fugindo deles com tiradas incriveis, as noites que andava pelas ruas com a minha insegurança comum, a noite em que passei 12 horas na frente de uma tela de teve na republica com medo de perceber que meu namoro acabava, as madrugadas em que nunca estudei (embora deveria) as madrugadas em que tinha fome e não comia, em que voltava pra casa com uma tristeza com ponta de alegria despercebida, as madrugadas em que fazia ditado e assistia jó soares onze e meia, as madrugadas que inventei, que quis esquecer, as que nunca vou esquecer, as madrugadas que Nunca vou lembrar... Essa é só mais uma delas, e mais uma das milhares que estão por vir.

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