quinta-feira, dezembro 25, 2014

Sobre ficar velho e tudo que eu ainda não entendo exatamente bem

Acho que tenho 30.
é uma experiência não muito estranha. Um dia antes de ficar tão velho assim já me sentia velho. Já me sentia velho seis meses antes de fazer 30. Portanto, não é como se de uma hora pra outra saísse duma juventude para adultolescência.

Não me entenda mal. Não é como se não estivesse diferente.

Eu tenho andado, desde 2012, com jovens de 18 anos. Minha base de amizade, tanto em SP como em Salé tem sido isso, com algumas poucas excessões pontuais. Minha persona imaginária pública saiu da pequena bomba estranha cheia de dinamitezinha para alguma espécie de sábio anto-ascéta Dostiéviskiano que já leu Dostoiévski e entendeu Dostoiévski. Os garotos, em sua grande maioria, caem nessa persona, do mesmo modo que outros caiam na antiga.

ambas são, obviamente, tanto mentiras quanto verdades. Pequenos pedaços de mim são sábios, pequenos pedaços de mim querem se autodestruir levando o maior numero de pessoas possíveis e pedaços de mim esperar acordar um dia com o coração explodido, flutuando num limbo de coisa nenhuma, longe de tudo aquilo que é ego vivo.

De qualquer forma, são trinta anos em que não ajudei ninguém, não fiz nada, não descobri nada nem escrevi alguma coisa que valesse minimamente a pena. Como disse antes, sou (como todo mundo) pequenos pedaços de coisas recortadas e coladas no dia-a-dia, de acordo com a necessidade e/ou vontade. Há momento em que esse completo desperdício de carbono chamado 'eu' dá imensa angústia, mas há momentos - esses em equilíbrio de aparição quase que sempre - em que simplesmente sinto-me útil por ter sido fútil.

Como se não tivesse decidido jogar e assim não perdido o jogo.

Daqui 30 anos terei 60. Muito possivelmente não chego nisso, nem na metade disso. Por mais que seja recortes, os meus recortes suicidas devem, nalgum momento, vir a cobrar seu ácido preço. Não me sinto mal com isso (ou pelo menos não agora). Porem daqui 30 terei 60, sou um Dante no meio do caminho que não pretende subir nem pro céu, nem pro purgatório muito menos pro inferno.

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