Não. isso não é uma carta-de-suicidio. muito menos uma especie de "testamento literario". são só divagações aleatorias sobre como e onde a morte e suas decorrencias mais basicas cairam em cima de mim. é claro, como isto é só uma especie de diario proto-secreto, as coisas que escrevo aqui ficam aqui mas não morrem aqui. de qualquer forma, à morte e ao suicidio.
é engraçado, estou tentando me lembrar de quando tive algum motivo pra viver. Quero dizer, essa minha linha se baseia que todo o desejo de morte e o suicidio per se que sempre me ocorre vem do unico motivo de que não consigo tem uma razão de existencia. Sabe? não tenho uma daquelas coisas que movimentam a grande maioria das pessoas, não tenho nenhum tipo de ambição maior, um plano-de-vida ou razão que me faça acordar. Que merda, nem se apaixonar por pessoas eu não consigo mais, faz quase dois anos que não consigo gostar de alguem. calma. um ano e meio. a ultima vez que realmente, realmente acho que fiquei apaixonado por alguem foi no quarto dia do carnaval de 2008, acho. Com a Paulinha. O magrão (e a namorada dele) nos levou de carro até a minha casa, e no caminho ficavamos nos beijando e, por cerca de 10 segundo, fiquei apaixonado por ela. Lembro que parei e olhei pra cara dela, ora essa não havia nenhum motivo pra me apaixonar por ela, era carnaval, a paulinha não é o maior exemplo de inteligencia-ou-beleza-grega do mundo (mas ainda sim bela) eu nem mesmo estava miseravel a ponto de me apaixonar por qualquer uma. mas estava bebado. talvez esses ultimos 10 segundos tenha sido a ultima vez que tive algum tipo de razão-e-motivo para continuar vivo.
Oh sim, é claro que agora é facil falar "então se mate!". e sim, existem poucos motivos que me forçam a não fazer isso. o maior deles, como o Heitor ja disse uma vez de forma primorosa, é que sou (ou somos. ou eu sou e ele era) medroso. Sim, isso parece patetico mas medo de morrer e medo de me matar é a unica coisa que me faz não me matar. esqueça o inferno-dos-suicidas que o Dante falou. esqueça a dor que todo mundo que esta perto de mim pode (hipoteticamente) sentir. esqueça até o (patetico) fato de que isso é crime (se matar. isso é ridiculo) o fato é que tenho medo de morrer, tenho medo daqueles minutos onde percebo que isso é inevitavel (o dostoiévski falou algo parecido, quando estava na fila para ser fuzilado) sabe? os ultimos segundo serão os mais terriveis, mesmo depois todo o meu ego desaparecendo, não consigo (ainda) encarar esse fato. de forma que não morro. não rapidamente.
estou a quase três meses com uma tosse. eu a peguei logo no inicio da greve da usp, e alguns dias antes da gripe suina vir para o brasil. a tosse era realmente forte, nas primeiras duas semanas eu vomitava e tossia sangue todo dia, acordava de madrugada pra tossir e ficava o tempo inteiro com uma respiração forte, aquela de peito cheio. soltava o meu peso em catarro a cada doze horas.
e não fui no medico. podia (posso, pois ainda tusso) estar com tuberculose. ou mesmo gripe suina, de uma forma estranha-e-impossivel, posso estar com pneumonia. deus, estou assistindo aquele seriado americano, House, e as possibilidades de o que eu ter serem graves me parecem a cada instante maiores. Mas ainda sim eu ignoro isso. pode parecer bem idiota e patetico, mas esse esta sendo o meu modo de suicidio. Sim, até onde posso perceber estou em suicidando aos poucos, tentando fazer com que uma possivel pequena gripe se transforme em algo que não consigo curar, sim isso é bem o meu modo de suicidio. tossir até que meu pulmão saia pela boca, junto com vomito. oh bem, as coisas acontecem e eu não tenho nenhuma razão (aparente ou escondida) para realmente estar vivo. e não, isso não é uma lamentação, não estou chorando de pena ou desejo o choro de pena das pessoas, é simplesmente que, por mais bizarro que possa parecer, não ha razões para eu tentar me curar dessa doença-desconhecida (pelo menos não por enquanto. eu sempre posso (re)encontrar um grande amor na esquina seguinte ou ser descoberto como o maior escritor/comediante/roteirista/idiota vivo do país. creio que se isso acontecesse, eu iria no segundo seguinte pro medico, curar todas as minhas doenças. Mas enquanto isso não aparece, estou somente e tão somente sobrevivendo da forma mais parca de consigo imaginar.
sábado, agosto 22, 2009
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